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ANÁLISE
QUALITATIVA SOBRE OS ESPAÇOS NOTICIOSOS DA INTERNET E AS
CONSEQÜÊNCIAS PARA OS ATORES DO PROCESSO INFORMATIVO
Juçara Brittes
A convergência
entre os aportes das Tecnologias da Informação e da Comunicação
(TIC) com os que se processam nas estruturas sociais, trazendo
revisões de conceitos e de paradigmas, produzem alterações
significativas no processo comunicativo, com conseqüências
importantes para o campo do jornalismo. Ambas vertentes
promotoras de mudanças ainda
não estocaram conhecimentos suficientes para precisar, com
exatidão, as origens e as conseqüências de tais mutações, e
nem tentaremos seguir este caminho. Preferimos alinharmo-nos a
Octávio Ianni (1999),
quem já alertou para o fato de não estar muito claro se
a era que estamos vivendo se caracteriza melhor pelos mitos e
metáforas construídas para descrevê-la (sociedade da informação,
sociedade cabeada, sociedade em rede,
sociedade globalizada, aldeia global, civilização da
informação) ou pelas crises que suscita, levantando polêmicas
sobre rupturas e erradicação de paradigmas, surgimento e exumação
de utopias. Serão os interesses teóricos que sugerirão a metáfora
mais cômoda para identificar a novidade, pois muitas vezes só
ela, tomada enquanto um mecanismo cognitivo de transposição de
uma realidade à outra, e de estabelecimento de algo quase
equivalente entre uma e outra realidades, será capaz de
explicar os horizontes que se descortinam neste momento.
Estes
argumentos justificam
tratarmos o tema apenas em seus aspectos mais gerais,
atendo-nos às conseqüências para o jornalismo. Vamos perceber
que se trata de algo que mobiliza países e continentes e
enseja projetos como o Programa Sociedade da Informação
(Socinfo),
tutelado pelo Ministério da Ciência e Tecnologia brasileiro.
Estimula vários autores a se debruçar sobre essas mudanças,
seja para explica-las, descrevê-las ou para oferecer-lhes visões
proféticas. Nesse quadro, o que é válido para explicar os fenômenos
decorrentes de uma comunicação massiva não é mais suficiente
para um modo de comunicação que já não obedece mais à lógica
que direciona os fluxos informativos de um para muitos.
As
especificidades da comunicação de massa, a relação desta com
os meios de comunicação que a veiculam, o modo de processar
informações, os elementos da cadeia informativa e todo
universo de fenômenos que a circundam não se aplicam ao modo
de comunicação ciberespacial. Também se alteram os sistemas
de comunicação determinantes das políticas de usos e acessos
aos meios. Podem, ainda, estimular formas de interação social
inéditas e potencializar tendências, tais como as que vemos
nascer no jornalismo praticado no ciberespaço.
Temos,
hoje, a presença de uma estrutura
virtual, transnacional de comunicação interativa, que é a
Internet, a qual representaria, nas palavras de Eugênio
Trivinho, um terceiro processo de comunicação - o
ciberespacial. Seria “a modalidade mais avançada de
teletransporte individualizado, por mediação de máquinas
informáticas capazes de redes interativas”. Antes desse
processo viria o interpessoal, que se efetiva em encontros in
loco ou à distância e se desenrola no tempo ordinário da
vida cotidiana, com a mediação da linguagem verbal ou não
verbal. Na continuidade, surge o processo de comunicação de
massa, que pressupõe a transmissão e a recuperação à distância
de produtos imagéticos e informativos, em geral de uma via
apenas, com a mediação de formas culturais (telenovela,
jornalismo, programas de auditório) e máquina eletrônica (rádio,
tv). O processo de comunicação atual, portanto, seria o
ciberespacial. O trecho a seguir expressa bem o que o autor
identifica como um mal-estar da teoria neste momento de transição:
Um balanço
teórico sensato [...] constata [...] que, no contexto do
ciberespaço, todos os elementos convencionais do esquema
comunicacional, assimilando inéditas características,
experimentam um processo imanente de inflação e de
comutabilidade de funções antes jamais observado. Na situação
on line, o princípio de realidade interna de cada um
adquire, por assim dizer, um mais-volume funcional inesperado,
uma elasticidade pragmática radical que obriga seus
representantes conceituais à prova de um excesso de si mesmos,
ou melhor, a uma expansão e redimensionamento semântico-epistemológico
compulsórios tais que, em reverso, minam o significado dos próprios
conceitos até um ponto irreversível em que, na impossibilidade
de o processo comunicacional ser mais abarcado, eles se deparam,
fatalmente, com seu próprio colapso. É bem um desmoronamento
em cadeia por inchaço inadministrável. (TRIVINHO, 2000:187)
Vamos
nos deparar, neste universo, com um modelo de comunicação
mediada pelo computador, o qual se concretiza em plataformas
ciberespaciais, onde aqueles que estiverem habilitados para
navegar podem comunicar-se utilizando recursos próximos aos
convencionais, como o correio eletrônico, até formatos inéditos
de oportunidades comunicativas, como os babbles , frutos
de programas complexos que passam a oferecer experiências cada
vez mais completas para comunicação online.
O Aqui os Meios de Comunicação de Massa dão lugar às
Plataformas Comunicativas Multimidiáticas Ciberespaciais (PCMC).
Elas surgem da convergência de habilidades próprias a este
novo médium (hipertextualidade, sincronia, assincronia,
interatividade, conectividade, dinamismo, velocidade)
com as ferramentas oferecidas nos espaços
ciberespaciais, as quais, por sua vez, são geradas pela astúcia
e criatividade de uma verdadeira falange de
designers surgida no alvorecer do século XXI.
Em
tal situação vamos observar radical alteração em todos os
elementos do processo informativo: do emissor ao receptor,
passando, necessariamente, pelos conteúdos e pelos fluxos que
percorre para abranger os atores do processo. No caso do
receptor, seu papel ora se mescla à figura do emissor, ora na
própria mensagem, tornando-se um novo elemento. Trivinho (2000)
sugere a existência de um “indivíduo teleintegrante
ciberespacial”, cujo traço marcante seria a capacidade de
participar e, ao mesmo tempo, intervir nos conteúdos. Ele verá
sua participação no processo comunicativo aumentar, dada sua
condição de pesquisador compulsório, e capacidade de
penetrabilidade, pois é competente para
acessar sempre novos conteúdos por meio do hipertexto.
Mas ele também pode confundir-se com o emissor, ao ver-se
acolhido pela rede, ou com as fontes, produzindo e distribuindo
informações sem que para tanto necessite estar vinculado a uma
instituição jornalística.
Os
conteúdos das mensagens veiculadas pelas PCMC, principalmente
os de natureza informativa, estão entre as variáveis do
processo informativo mais atingidas. As PCMC libertam-na da
rigidez das formas, da camisa de força dos gêneros
informativos encapsulados pelos MCM. Os conteúdos, anexados a
e-mails, editados em jornais online, nas mais variadas formas
(as quais nos referiremos mais adiante) ficam liberados dos
constrangimentos editoriais e das rotinas jornalísticas,
alterando sobremaneira os fluxos informativos.
No
modo de comunicação massivo os conteúdos partem de uma fonte
em direção a seus destinatários. Ainda que respeitadas as
particularidades das segmentações e consideradas as teses que
revelam situações atenuantes dos efeitos desse fluxo sobre os
públicos, os meios de comunicação de massa não estão
dotados de mecanismos que favoreçam a participação
equilibrada dos atores implicados no processo. O que poderá
garantir esta posição serão as políticas públicas
disciplinadoras dos usos dos media. Mas o modelo predominante no
modo massivo é o comercial. Está edificado em forma de rede,
envolve todos os continentes
e engloba interesses que extrapolam as fronteiras da
comunicação em seu aspecto informativo. O fluxo informativo
massivo, apesar do crescimento quantitativo surpreendente, não
mudou de direção. É vertical. De cima para baixo. De um para
muitos. A rede mundial de computadores tem outro formato e o
novo conferirá um caráter multidirecional ao percurso dos
conteúdos. Peter Dahlgren (2000) acrescenta o fato de um usuário
poder comunicar-se com muitos ao mesmo tempo (one-to-many),
por meio de sites que, em princípio, cada um pode criar para
si. O usuário aqui não é uma instituição midiática, mas um
indivíduo. Além disso a Internet oferece a possibilidade de
uma pluralidade de usuários comunicarem-se mutuamente (many-to-many)
por meio de fóruns de debates e outras formas de comunicação
em rede, que estão nas Plataformas Comunicativas Multimidiáticas
Ciberespaciais (PCMC).
Como já
ficou bem acentuado, as
conseqüências para o campo da comunicação são intermináveis
e atingem em cheio o jornalismo. Passa a haver dúvida se os
textos informativos que encontramos na rede mundial de
computadores podem ser classificados nesta rubrica dos gêneros
narrativos. Muitos pesquisadores vêm se dedicando a sistematizar
tais espaços, sem que haja consenso a respeito.
Podemos
citar, entre os primeiros estudos classificatórios no
jornalismo no ciberespaço, os de Mannarino (2000) o qual analisou 147 jornais com edições na
Internet, publicados por 16 países, tendo detectado, à época,
22 características próprias à versão online. Para ele essas
publicações têm em comum um Sistema de Recuperação de
Informação (SRI), correspondente ao arsenal teórico que a Ciência
da Informação utiliza para disponibilizar pesquisas científicas,
sendo este o principal diferencial entre as publicações
informatizadas e as impressas. Seu trabalho referiu-se aos
jornais impressos da grande mídia mundial com versões online.
Estudos
mais recentes referem-se a essas publicações como
Jornalismo Assistido por Computador (JAC), a partir de
contribuição inglesa de Computer Assisted Journalism
(CAJ), buscando traduzir as inovações e alterações que o
computador veio trazer ao jornalismo nas suas diferentes
vertentes, desde a
captação de notícias até o respectivo tratamento e distribuição
das mesmas.
“O
computador por si representa já um instrumento extraordinário
de fazer Jornalismo, mas um computador ligado à Internet será
cada vez mas imprescindível na profissão. Em rede um
computador acede a fontes de informação, diversas e longínquas,
que contextualizam as informações obtidas de fontes directas e
próximas. Receber notícias directamente das agências
noticiosas, buscar informação na Internet é algo trivial que
um computador possibilita, trivialidade que, no entanto, altera
radicalmente, a forma de
investigar, tratar e redigir as notícias próprias.”
(FIDALGO, 2002:2)
A definição
indica que JAC se
refere ao modo sui generis de fazer jornalismo com os
recursos da Internet e, obviamente, do computador, o que se
estende, também, às novas formas de distribuição. Há,
ainda, carência de paradigmas para estes estudos e os
denominados JAC situam-se na esfera da emissão, considerando o
público leitor como um destinatário mais exigente, tendo evoluído
pelo poder que a Internet lhe confere.
Outros
autores sugerem a palavra webjornalismo para expressar as
alterações estruturais no jornalismo que encontramos na
Internet, argumentando ser
um conceito mais completo por incluir outros elementos do
processo jornalístico. Assim defende Canavilhas, afirmando que
o jornalismo na web, ou o webjornalismo pode ser muito mais do
que o atual jornalismo online.
“Com
base na convergência
entre texto, som, imagem em movimento, o webjornalismo pode
explorar todas as potencialidades que a Internet oferece,
oferecendo um produto completamente novo: a webnotícia”
(CANAVILHAS, 2002: 1)
Nilson
Lage aborda a questão do ponto de vista do profissional
referindo-se à reportagem assistida por computador (RAC), que conferiria um grau
maior de precisão nas informações, principalmente no atinente
a coleta de dados.
“A RAC
baseia-se no emprego de técnicas instrumentais: a navegação e
busca na Internet, a utilização de planilhas de cálculo e de
bancos de dados. Trata-se de colher e processar informação
primária ou, pelo menos, intermediária entre a constatação
empírica da realidade e a produção de mensagens compreensíveis
para o público” (LAGE, 2001:156)
Trata-se
de um texto absolutamente enriquecido pela convergência de
linguagens, somando aquelas anteriormente exclusivas de outros
meios como o rádio e a televisão tendo, ainda, outros acréscimos.
Acrescente-se mudanças
na forma de ler as notícias, pois o jornalista tem agora o
desafio de levar o leitor a quebrar o hábito de uma leitura
linear que lhe foi imposto pelo antigo suporte, respondendo,
também, ao desafio de encontrar uma linguagem que responda às exigências
de um público que
deseja maior rigor e objetividade na redação dos textos
informativos. Tal comportamento é explicado, entre outras razões,
pela disponibilidade que o internauta tem de acesso a outras
fontes de notícias, consultando as próprias agências, o que
antes era privilégio dos profissionais do ramo.
O jornalismo colaborativo é outro
conceito que começa a ser construído para dar conta das
transformações em curso desses modos de mediar informações
tendo como plataforma física o computador ligado à Internet, a
qual origina as PCMC. Identifica mais do que recursos tecnológicos
para enriquecer um noticiário, tratando-se de um novo processo
jornalístico, se comparado ao convencional. Neste jeito de
fazer jornalismo prescinde-se de organizações formais nos
moldes das empresas jornalísticas que se estabeleceram desde o
século XVII, estruturando-se
como as conhecemos hoje,
a partir do século XX,
até chegar às mega corporações jornalísticas mundiais como a
CNN. Organizados em torno de moderadores, que podem ser
comparados a editores, muitas vezes anônimos, os internautas são,
ao mesmo tempo, repórteres, editores e leitores. A definição
ao seguir ajuda a
entender este novo formato de jornalismo:
“Jornalismo
colaborativo é uma forma de jornalismo em que o processo
noticioso é distribuído
pelos próprios leitores, que escolhem a notícia, apresentam os
factos e as opiniões relevantes. De preferência, deve ser
feito num fórum aberto em que todos os leitores têm as mesmas
oportunidades de expressar opiniões,
mas em que as opiniões e os factos mais pertinentes
tenham visibilidade. A escolha dos artigos que merecem mais
visibilidade deve ser feita pelos leitores que no passado tenham
mostrado que merecem mais confiança pra realizar esta tarefa”
(http://explicaoes.com)
No
ponto de vista de Catarina Moura
a filosofia peer-to-peer (a partilha de recursos e
serviços através
de troca direta entre sistemas) associada ao sistema operacional
open source
é responsável pelo aparecimento deste processo totalmente
novo de praticar jornalismo. A autora prefere a denominação
“jornalismo open source” para identificar o fenômeno que
implica permitir
que várias pessoas (não apenas os jornalistas) escrevam e, sem
a castração da imparcialidade, dêem
sua opinião, impedindo assim a proliferação de um
pensamento único, como pode ser aquele difundido pela maioria
dos jornais, cuja objetividade e imparcialidade são muitas
vezes máscaras de um qualquer ponto de vista que serve
interesses mais particulares que apenas o de informar com
honestidade e isenção o público que lê. (MOURA, 2002:2)
A partir destas considerações, bem como da análise
qualitativa de espaços informativos divulgados pela Internet,
detectamos alguns modelos recorrentes, que podem ser
classificados em três grandes grupos de jornalismo praticado na
Rede Mundial de Computadores: Jornalismo Assistido por
Computador; Jornalismo Colaborativo e Jornalismo Segmentado.
O esquema a seguir demonstra as subdivisões classificatórias
que propomos:
1.
Jornal Assistido por Computador (JAC)
2.
Jornal Colaborativo
2.1
Multimidiáticos
2.2
Referenciais
3.
Jornal Segmentado
3.1
Crítica de mídia / mídia-watching
3.2
Organizacionais / House organ
4.
Outros formatos
4.1
Temáticos
4.2
Científicos
4.3
Pessoais
4.4
E-newsletter
Reservamos
a denominação Jornal Assistido por Computador às edições
online de jornais já estabelecidos em plataformas impressas,
com todas as variantes que a tecnologia pode oferecer. Seus
conteúdos são de natureza generalista, cuja eleição obedece
ao modo convencional de agendamento.
Os
jornais Colaborativos, referem-se
às publicações pela Internet que apresentam
alto
grau de interatividade, de modo que os conteúdos são construídos
em parceria entre
editores
(ou moderadores) e os interessados. Percebemos níveis distintos
de colaboração
entre
editores, fontes e público, podendo variar de acordo com cada
publicação, conforme
já
explicado. Diferente dos jornais impressos, onde o leitor tem
direito a expressar-se na
seção
de cartas, ou participa do processo de agendamento por
mecanismos tais como as
medições
de opinião pública, aqui a interatividade é a razão de ser
do espaço. Sites ou
páginas
da natureza a qual nos referimos só têm sentido com a intervenção
direta do
usuário.
Caso contrário poderá ser identificado como mais um feixe de
dados e informações
a
disposição na Internet. Nesta fronteira estão os Wikies , sistemas
de páginas web usados para projetos colaborativos, que tanto
podem ser jornalísticos quanto ter outro interesse qualquer.
Encontramos
basicamente dois formatos de jornal colaborativo, os quais
denominamos multimidiátícos e referenciais. Os
primeiros estampam os conteúdos em suas próprias páginas,
utilizando linguagens escritas, televisivas ou radiofônicas. Os
outros remetem o leitor aos sites de origem da notícia,
sendo que, na maioria dos casos, trata-se de convites à
participação em alguma ação (engajar-se em uma campanha,
integrar um abaixo-assinado, inscrever-se em evento etc). Ambos
são colaborativos porque, ainda que em
graus
distintos, emissor e receptor mudam radicalmente de status,
passando a construir
o
texto em conjunto. Os jornais colaborativos referenciais
são periódicos
que apresentam regularidade em suas edições, incluem notícias,
manifestos, convocatórias e abaixo-assinados de Movimentos
Sociais Organizados. Configuram-se como um fórum por onde esses
temas, de pouca repercussão nos jornais convencionais, são
expostos.
Outro
modelo recorrente de jornal na Internet é o que classificamos
como Jornal
Segmentado,
isto é,
que dirige seus conteúdos a grupos de interesse específico.
Tais
interesses
podem ser temáticos, científicos ou assumir aparência de house-organs,
aquelas
publicações
organizacionais, provenientes de instituições, dirigidas a seu
público alvo. A
relativa
facilidade de distribuição favoreceu o surgimento desses
jornais na rede.Separamos neste estudo os jornais segmentados
que praticam crítica de mídia, os house-organs,
os temáticos e os científicos. Os house-organs
ou jornais organizacionais assim são identificados porque
pertencem a uma instituição e objetivam ser um elo de ligação
com os públicos com os quais esta se relaciona.
Nesta rubrica também podem inserir-se jornais oficiais
de órgãos públicos, como os ligados a Prefeituras Municipais.
Estes sites costumam oferecer serviços aos habitantes daquela
região, integrando, na maioria dos casos, o rol de iniciativas
dos chamados e-governs. Não confundir com a presença
dos municípios na Internet, pois esta participação pode, ou não,
incluir Plataformas Comunicativas Multimidiáticas
Ciberespaciais (PCMC). Temáticos
são os jornais segmentados cujo elo entre seus leitores é
o assunto. Os jornais científicos aqui considerados não são
exatamente as versões eletrônicas de revistas científicas,
que publicam artigos e pesquisas. Têm o formato jornalístico
porque se servem de linguagem acessível a leigos interessados
em temas ligados à ciência. Inovam por fazer uso de
habilidades próprias aos fóruns de debate público para
difundir temas ligados à ciência. Por esta razão estão
alinhados na rubrica jornal segmentado, pois se dirigem a um público
específico, o interessado naquele ramo da ciência .
Na
fronteira entre jornais e agrupamento de informações variadas
está a
experiência
que vem sendo chamada de Jornais Pessoais. Denominadas em
inglês self-journalism, como o nome indica, nem sempre são espaços
noticiosos, mas
costumam
ser providenciados por pessoas privadas, podendo assumir o
formato de um weblog. Estão mais para registros
publicados na Internet do que para jornalismo.
As E-newsletters também são textos informativos
online, que circulam, em geral, por ocasião de eventos,
desaparecendo assim que estes se realizam. Assumem, também, o
aspecto de manifesto de determinados grupos, quase sempre de
ativistas políticos que vivem na clandestinidade.
Advertimos que a classificação
proposta é de natureza qualitativa, tendo sido criada a partir
do congelamento fictício deste momento da Internet, cujo
dinamismo não permite mais que a indicação de tendências.
Conclusão
O espaço de um artigo não
é suficiente sequer para arrolar todos os questionamentos que a
aplicação das TIC
provocam nos processos informativos, os quais têm no jornalismo
a principal fonte de interação social. Há polêmicas
desde o papel que a tecnologia desempenha neste universo, até a
respeito da identidade do profissional de imprensa no modelo
jornalístico praticado no ciberespaço. Se é possível
detectar-se competências reservadas a um segmento profissional
para o exercício de certas rotinas no âmbito de uma organização
jornalística convencional, a permissão de participar da
elaboração de notícias, oferecida ao leitor, pelos jornais
colaborativos, por exemplo, traz indagações pertinentes para a
profissão.
Nossa sugestão classificatória para os jornais editados
nas PCMC tem o propósito de demonstrar as alterações no
jornalismo enquanto
parte de um processo comunicativo em mutação. Os formatos
discriminados, os que aqui não foram contemplados, e os que
surgiram e surgirão desde então, importam menos, no processo
de mudança que ora nos ocupa, do que a
aproximação que promovem entre os núcleos de emissores
e os usuários. Merece destaque a ampliação do leque de
informações que a rede propicia, assim como a profunda alteração
nos fluxos informativos, constrangidos, no modo massivo de
comunicação, por processos de agendamento obedientes a
interesses políticos e econômicos, favorecendo, em geral,
segmentos historicamente bem sucedidos naqueles setores.
O modo de comunicação
ciberespacial, que dá nascimento
a formatos inéditos de jornalismo, permite aos usuários
conectarem-se instantaneamente entre si, produzir seus conteúdos,
acessar outros tantos, distribuir, rápida e gratuitamente,
informações de
todos para todos os quadrantes, leva a uma reviravolta nos
processos de agendamento, que ditam, no modo massivo, os temas
sobre os quais formam-se opiniões.
No ciberespaço há influências
recíprocas mais contundentes e as habilidades (ver nota
3) potencializam a autonomia dos públicos .
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O Programa Sociedade da Informação foi lançado em
dezembro de 1999 pelo Ministério da Ciência e Tecnologia
brasileiro, com a pretensão de incluir o país na era da
informação por meio de ações que favoreçam a competição
da economia nacional no mercado global obedecendo a princípios
e metas de inclusão e eqüidade social e econômica, de
diversidade e identidade culturais, de sustentabilidade do
padrão de desenvolvimento, de respeito às diferenças, de
equilíbrio regional, de participação social e de
democracia
política.
O projeto está disponível em www.socinfo.org.br, tendo
dado origem ao texto “Sociedade da Informação no Brasil
– Livro Verde”. Assim têm sido intitulados os textos
sobre políticas de comunicação, havendo muitos edições
de livros Verdes na Europa.
Em tese de doutorado (Internet, Jornalismo e Esfera Pública.
Estudo sobre o processo informativo do ciberespaço na formação
da opinião- ECA/USP- 2003) a autora defende que no modo de
comunicação ciberespacial não existem Meios de Comunicação
de Massa (MCM), mas Plataforma Comunicativa Multimidiáticas
Ciberespaciais, abarcando mais do que veículos de comunicação,
mas espaços complexos de troca de opiniões, com
habilidades tanto para o convívio entre os usuários quanto
para o surgimento de formatos inéditos de jornalismo.
As habilidades funcionam como traços sensoriais dos espaços
de convivência na Internet, produzidos pela evolução dos
softwares. A sincronia permite que os interlocutores se
comuniquem em tempo real. Na assincronia, a comunicação se
dá sem que os atores estejam conectados à rede ao mesmo
tempo. A Interatividade, que pode englobar as outras
habilidades, leva a uma relação das pessoas com o entorno
digital, cuja extensão leva a formação de redes, nas
quais formam-se novas concentrações de atores. A
conectividade distancia-se sutilmente da interatividade por
ser a tendência de juntar entidades separadas e sem conexão
prévia, através de redes, mediadas por softwares e
hardwares. O dinamismo é a capacidade que cada unidade de
rede tem de alargar-se e reduzir-se o tempo todo,
impossibilitando a quantificação dos espaços de interlocução
na Internet. A velocidade é responsável por uma das
principais distinções entre o modo de comunicação
massivo e o ciberespacial, alterando profundamente os
esquemas distributivos de informações.
S.Squirra se referiu a esta prática adotando a expressão
em inglês Computer-assited reportimg (Car).
SQUIRRA.S. Jornalismo online. São Paulo: CJE/ECA/USP, 1998,
p 83 e seguintes)
Termo
aplicado ao software
que algumas pessoas criam e disponibilizam
gratuitamente na rede, com qualidade semelhante aos
serviços oferecidos por grandes empresas. (MOURA, 2002:1)
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