Resumo:
O trabalho discute conhecimento e relações em network
com ênfase para a cidade de Munique. Novas formas de relações
de trabalho a partir das novas tecnologias da comunicação. O
que aqui entendemos como fator relacional, choca com a
antiga concepção sobre qualificação profissional. A comunicação,
tem ela propria se assumido na forma de uma nova tecnologia
propulsora do desenvolvimento, e que este conhecimento figura
como principal força produtiva. Sustentamos a idéia de que o
conhecimento produzido no âmbito dos territorios é o principal
fator concorrencial quando entra no circuito da globalização.
Palavras
Chaves:
Desenvolvimento, Trabalho e Tecnologia da informação
Introdução
O
texto foi elaborado a partir de estudos realizados durante o período
que estivemos em Munique desenvolvendo trabalhos acerca de temas
compreendidos no âmbito do desenvolvimento local. As fontes
de pesquisa utilizadas
são principalmente documentos e circulares do
Department of Labour and Economic Development - City
of Munich, além de seminários e palestras proferidas por
professores da LMU – Ludwig Maximilian University, mais
particularmente aqueles do Departamento de Economia e Geografia.
Vale anotar que temos nos
dedicado ao estudo do tema do desenvolvimento local nos últimos
tempos, mais particularmente no que concerne às relações de
trabalho, emprego e qualificação profissional. Contudo o
contato mais próximo com a literatura tem partido das experiências
do caso italiano,
particularmente da Terceira Itália,
ou ainda, do Modelo Veneto
de produção. Sendo assim, alguns autores e referencias
mobilizados por ocasião deste trabalho tratam da questão com
vistas à realidade italiana. Sendo assim, o texto não tem como
objetivo propor comparações e nem mesmo utilizar o modelo
italiano para explicar o caso alemão. Pensamos mais em
apresentar algumas indicações muito pontuais sobre as novas
tendências do mundo do trabalho, em que se compreende o tema da
qualificação profissional. Para isso, utilizamos, conforme já
foi apontado, de fontes de ampla circulação no meio acadêmico
(compreendido dentro da LMU) e de autores que procuram pensar o
desenvolvimento local numa perspectiva propositiva, porém pouco
versada sobre particularidades e estudos de caso.
München
a Cidade do Conhecimento
Munique,
conforme se costuma lembrar, esta situada no centro da Europa.
Capital da Bavária e do sul do Alemanha tem uma população
aproximada de 1.3 milhões de habitantes, lembrando que a
Baviera conta com 3.7 milhões de habitantes. É conhecida
dentro da Alemanha, e at é mesmo na Europa, como sendo a
capital do conhecimento. Dois parecem os principais eixos sobre
os quais muitos pesquisadores alemães se apóiam para discorrer
sobre o tema do desenvolvimento local na cidade de Munique.
Um primeiro deles, parece
privilegiar a posição geográfica de Munique. Costuma-se dizer
que Munique fica no “coração da Europa”, levando ao
entendimento de órgão central e pulsante; Um outro fator
parece privilegiar a comunhão (ou interação) de aspectos e
características, que concentradas no âmbito do território e
deste, inter-relacionada com o circuito da globalização,
acabam dando a tônica do desenvolvimento.
Estes fatores não se
excluem, ou pelo menos não necessariamente. O que ocorre é que
o primeiro acaba enfatizando o fator da localização geográfica,
uma vez que muitas vezes o segundo, não necessariamente atribui
peso a esta característica. Vale anotar que no caso do Veneto,
por exemplo, o fator da localização geográfica pouco serve
para explicar o desenvolvimento da região.
Sendo assim, preferimos
trabalhar o conceito de desenvolvimento local, priorizando o
entendimento, segundo o qual, a comunhão de fatores
interativos, cristalizados num determinado território, e sua
capacidade de inserção no circuito global, é que acabam dando
a tônica do desenvolvimento. Neste caso, a localização geográfica
apenas corrobora, não sendo central, e menos ainda
determinante.
Em Munique, os oito
principais Clusters[7],
entendidos como uma espécie de células cristalizadas do
conhecimento e produção, estão em constante mutação dada a
fluidez arejada, propiciada pelo fator relacional. Estes Clusters
estão assim distribuídos: 1)- Mecânica, engenharia e
manufatura; 2)- Eletrônico e Tecnológico; 3)- Mídia; 4)-
Biotecnológico; 5)- Médico (medicina); 6)- Patentes; 7)-
Universidades; 8)- Livraria e Museus.
O predomínio, entendido aqui
como células, ou concentração de Clusters, e do setor
de mídia. Em seguida vem o de eletrônica e tecnológica e,
posteriormente, o de manufatura. O de patentes apresenta células
significativas, bem como o setor de medicina. Os setores de
biotecnologia e universitario apresentam Clusters
bastante concentrados, seguindo assim também aqueles de
livrarias e museus. (Munich City of Knowledge, Department of
Labour and Economic Development, 2002)
As
pesquisas aplicadas ao desenvolvimento nas firmas da cidade de
Munique estão bastante diluídas entre as empresas. Existe
aproximadamente cinqüenta grandes empresas de projeção
internacional presentes na cidade, dentre as quais destacamos as
conhecidas BMW, Siemens, IBM e Rhode. Vale anotar que
todas as pesquisas ou trabalhos de pesquisa sobre
desenvolvimento local, estão diretamente ligadas às empresas.
Percebe-se assim, uma tendência dominante de pesquisas ligadas
ao desenvolvimento tecnológico, eletrônico e de Softwares,
seguida do setor de serviços e financeiro. Ademais da indústria
mecânica e automobilística, que se equiparam àquele de
consultoria, marketing e pesquisa propriamente dita, segue
aquelas de biotecnologia, farmácia e aviação.
Das pesquisas em andamento na
cidade existe grande ênfase no setor de manufaturas, mas
principalmente na área de computação e desenvolvimento tecnológico.
Forte presença no setor de telecomunicações, mas menor se
comparado com os anteriores. Pesquisas ligadas à informação e conhecimento
cresceram nos últimos anos, chegando a se equiparar com o setor
de telecomunicações, por exemplo. ( City of Munich and
Bavarian, 2002, p. 07)
Segundo os principais estudos
sobre desenvolvimento local da cidade de Munique, e aqui
enfatizamos principalmente documentos oficiais da Secretaria de
Trabalho e Desenvolvimento Econômico, a atenção esta voltada
para a transmissão (transferência) de conhecimento e interação
entre os atores locais. Fala-se também da relação entre
cooperação e competição, que acaba dando a tônica do
desenvolvimento da região. (City of Munich and Bavarian,
2002). Vale anotar que esta relação se dá, e assim é
explorada, no âmbito local. O local que aqui deve ser entendido
mais como a cidade de Munique do que a região da Baviera.
Para se ter uma idéia, as
livrarias, museus e teatros são considerados locais
“privilegiados” de transmissão do conhecimento. Também por
isso existe um forte investimento nestes setores no que concerne
à infra-estrutura. Neste particular, vale anotar que Munique é
das únicas cidade da Alemanha em que o número e a qualidade
dos museus tem crescido. Enquanto outras cidades fecham museus,
principalmente por falta de público, Munique tem investido
grandes somas nos últimos anos para a criação de museus. São
sessenta e oito só na cidade de Munique, sendo que dentre estes
estão alguns considerados como os principais da Europa, como é
o caso do Deutschland Museum[8].
O exemplo dos museus reflete
a preocupação na difusão do conhecimento compreendido no âmbito
do desenvolvimento local. Livrarias são outro exemplo, contando
com aproximadamente setessentas na cidade. No que concerne às
editoras, foram publicados 3.2 milhões de livros no ano de
2001. (Department
of Labour and Economic Development of City of Munich, 2002).
Outros
como música, teatros, escolas, e principalmente Internet, são
considerados os principais centros de transmissão do
conhecimento.
Conforme apontam os estudos
realizados pela Secretaria de Trabalho e Desenvolvimento Local
da cidade de Munique, a qualificação profissional, ou o
trabalho qualificado, entendido aqui em sentido bastante amplo,
se forma neste ambiente. Ou seja, o resultado do trabalho
qualificado tem nesta relação com o local, dentro dos aspectos
apontados, seu principal ambiente de formação e difusão. A
transmissão do conhecimento se da de forma bastante particular
por meio da troca e do fluxo de informações entre os agentes.
O exemplo dos dados
apresentados logo acima, serve como referencial para pensar as
novas formas de relação de trabalho amparadas no que aqui
chamamos de nova economia do conhecimento.
Nesta, que aqui chamamos de
nova economia e transmissão do conhecimento, o fator relacional
não pode ser mensurado. Não e mensurável, importante que se
diga, entre o correspondente relacional da parte material e
imaterial da produção. Assim, é impossível separar a parte
material e imaterial de qualquer produto. Para dar um exemplo
simples, rápido e preciso, basta dizer que quem compra um
computador, esta de fato comprando uma máquina, com tecnologia
e conhecimento incorporado. Contudo, não é por isso, e nem só,
que se compra um computador. O uso que se faz, e, diga-se de
passagem, o conhecimento em sentido amplo, a produção e
circulação do conhecimento é realmente incomensurável.
Também não pode ser precisado o fluxo de troca que passa ou não
pelo mercado. E ainda, vale lembrar da criação coletiva
proporcionada pela network, e que de fato não tem
autoria precisa.
Circulação
e transmissão do conhecimento em network
O
que se procura apontar é que o conhecimento em si se constitui
em produção, porém esta imaterial, e que, portanto fora do
circuito de mensuração. O fator relacional que apontamos como
central para o entendimento acerca da nova economia, diz
respeito, principalmente, ao fluxo de conhecimento que transita,
se produz e reproduz ininterruptamente. Basta dizer rapidamente
que na nova economia, o conhecimento é o principal produto. Mas
não se trata de um conhecimento preparado para ser vendido a um
consumidor final, sem que este participe da produção.
(Cocco, 1999). O consumidor, na nova economia
é também agente produtivo. O que Gorz (2003) chama de trabalho
complexo
e impossível de ser mensurado segundo os parâmetros da
economia clássica.
Neste
sentido, a tendência e para o desaparecimento da relação dual
entre produção e consumo, estes dois pólos se aproximam e
acabam se fundindo num único. Portanto, circulação e
transmissão do conhecimento são agora o terreno da produção.
Sendo o conhecimento a principal força produtiva, este não
pode encontrar barreiras de contenção, difunde-se como um vírus
na sociedade. Por mais que não caiba discutir aqui este ponto,
basta dizer que é nele que Gorz (2003) se apóia para defender
o que chama de renda universal de cidadania.
A
fluidez dos fluxos de informação, e que se constituem em rede,
possibilitam e impulsionam a nova economia. Agora é importante
que se diga que, este fluxo de informação e conhecimento,
encontra na Internet, e nas redes de softwares, terreno
privilegiado, mas que não podem ser considerados em separados
de outros.
No
caso em estudo sobre a região de Munique, por exemplo, o que se
procura privilegiar é a facilidade e aproveitamento deste fluxo
de informação. O desenvolvimento regional facilita (e
possibilita) esta relação por várias razões. Uma delas diz
respeito ao espaço (localização geográfica), contudo, este
fator, se considerado
isoladamente, pouco explica. Dentro de uma dada região, fatores
como o econômico e cultural, por exemplo, dentre outros, tendem
a se desenvolver segundo uma relação de equilíbrio entre
cooperação e competição. Este é, grosso modo, apontado como
dos principais fatores que possibilitam o desenvolvimento
regional. Na medida em que esta relação se estabelece de forma
mais e mais dependente e complexa internamente, o
desenvolvimento de uma dada região cresce. Fica cada vez mais
difícil a penetração de agentes externos que não possam ser
aproveitados positivamente pelo circuito produtivo local.
Portanto,
e Hesse (2004) parece apontar neste sentido, quanto maior o grau
de dependência e complexidade interna, maior e a força do
desenvolvimento local. Quando esta relação, já consolidada,
entra no fluxo da globalização, o faz como uma espécie de células,
pequenos núcleos cristalizados. A força desta relação de
dependência e complexidade interna acaba fazendo com que exista
uma espécie de filtro que opera no circuito global, e que
permite apenas a permeabilidade de aspectos que vem fortalecer
ainda mais esta relação. Desta forma o que entra no circuito
global não e uma massa disforme a ser definida neste mesmo
circuito global. A economia mundo ganha de fato forma própria,
mas apenas a partir da força e complexidade do local. Assim,
contraria de pronto as teses que vem a globalização como uma
massa homogenia e disforme que se define sem a existência de um
núcleo embrionário. Afrontam também as teses estruturalistas
e deterministas que sempre primaram pela idéia de projeto que
antecede a qualquer realização humana.
Como
se pode perceber, sendo os fatores definidos localmente, com
maior grau de dependência e complexidade, acaba sendo formada
uma rede (e aqui pensamos mais no global) que procura aproveitar
e incorporar as diversidades e os aspectos positivos do local.
Hesse (2004) aponta dois deles bastante caros à sociologia, e
que parece, apenas podem encontrar seu núcleo germinal, no
contexto local. Trata-se da confiança e do capital
social. Estes, apontados por Hesse (2004), tendem a substituir, fazer
como figurem desnecessárias as velhas instituições
reguladoras como os sindicatos e associações em geral. Ou
ainda, tendem a reformar as velhas instituições. Não deve ser
tomado como devaneio, ou mero acaso, a declaração feita por
uma grande federação sindical alemã, como aponta Gorz (2003);
que sugeriu que seria necessário organizar estes novos
trabalhadores, empreendedores de si mesmo, na forma de uma
organização sindical mais representativa do que são hoje as câmaras
de comércio e os sindicatos patronais.
A
questão é que sendo a informação e o conhecimento a
principal força produtiva, esta pode ser cristalizada numa única,
ou então em poucas pessoas, e com pouca base material. Ou em
outras palavras, não e mais o capital material de uma empresa
que conta.
Cabe
então voltar os olhos para a produção deste conhecimento.
Pois este não pode ser produzido de maneira isolada, a base da
sua existência, reprodução e difusão esta fundada na cooperação.
(considerando aqui a competição como uma forma de cooperação).
Qualificação
Profissional
A qualificação Professional
deixa de ser exclusividade dos sindicatos, quando o trabalho sai
da fábrica e se dilui pelo território. (Cocco, 1999) Estes,
que pese toda a literatura específica sobre o tema, tendem a
reformar a base mesma de suas estruturas, sob pena de
desaparecerem. Desde então, com a difusão do trabalho, abre-se
um amplo leque de possibilidades que deve reconhecer as
particularidades e especificidades como condição de existência.
Em outras palavras, a crise do estruturalismo nas ciências
significa reconhecer que além de não existir mais um único
caminho e nem um projeto acabado, não existe também um agente
social puro na forma de uma classe homogênea. Os agentes são
agora constelações (como as estrelas mesmo) que se identificam
nas diferenças e não nas igualdades. Como na forma de Mil
Platos (Delleuze e Guattari, 1980)
Neste
sentido várias são as ações que buscam impulsionar a produção
e a integração das diferenças no trabalho. (pode se empregar
mercado de trabalho, não o fazemos diretamente por que pensamos
ser o termo por demais carregados de inculcações ideológicas
e acadêmicas).
Se
sinergia e desenvolvimento em rede contemplam toda a gama de
complexidade que apontamos anteriormente, como ambiente
interativo (museus, livraria, música, cultura e todo ambiente
interativo que nem sempre é remunerado), passa a existir um
terreno propício à criatividade. Mas vale anotar que esta
criatividade emerge dos próprios agentes que a produzem,
minando qualquer poder de regulação institucional. Sendo
assim, é a tônica das necessidades criadas pelos agentes que
devem também serem resolvidas
de maneira criativa (também alternativa) pelos mesmos agentes.
Em
Munique tomamos contato com uma experiência de qualificação
Professional bastante interessante e que desfoca completamente
dos velhos modelos. Chamo atenção para o fato do adjetivo
“interessante”, uma vez que ele contempla esta relação em
movimento inverso que apontamos acima. Dos agentes criativos e
produtivos para o mercado, e não do mercado e do poder de
regulação estatal para os agentes.
Trata-se
de projeto de “Formacão Profissional para Mulheres com Grau
Universitario”. Este projeto, mantido dentro da rede de
incubadoras de projetos e centro de motivação, busca atender
as necessidades de mulheres com grau universitário e que
acabaram de criar seus filhos.
Um dos objetivos centrais do projeto é aquele de
aumentar o número de mulheres da região da Baviera na
participação das empresas. (criação de empresas na verdade).
No ano de 2003, por exemplo, houve a participação de uma média
de mil mulheres, sendo que o projeto é financiado e mantido com
recursos do Ministério de Ciências e Pesquisa e também pela
Comunidade Européia.
Estes cursos de formação profissional parecem
privilegiar uma realidade interativa, e até motivacional. Não
existe a rigidez de programas e módulos a serem inculcados, e
nem mesmo os privilégios entre a comunicação em rede e a
presença física dos participantes. Ambos os recursos são
mobilizados. Não é por acaso que o projeto que se desenvolve
desde 1998, já conseguiu fundar uma média de quarenta
empresas, algumas de empreendimento bastante pessoal, como e o
caso geralmente de artistas, outras com a participação de várias
pessoas que inclusive empregam trabalhadores como em setores: médico,
doméstico, educação de crianças e etc.
Este
exemplo concreto de iniciativa desenvolvida em âmbito regional
e por nós apontada como uma maneira de aproveitar o potencial
criativo de mulheres que não podem (ou até simplesmente não
querem) se dedicar em tempo exclusivo. (as acachapantes oito
horas de trabalho, como se quem não trabalhasse oito horas não
fossem, ou não pudessem ser criativos!) Também, é importante
que se diga, segundo informações que recebemos pela responsável
pelo projeto uma média de 20% das mulheres que participam
destes cursos simplesmente foram “expulsas” do mercado
formal de trabalho, isso considerando que a taxa de desemprego
em Munique bateu o indice de 7.8% no final de 2003 (considerar o
inverno, pois neste período, segundo informações, sempre sobe
um pouco a taxa de desemprego, uma vez que muitos trabalhos,
como de construção civil, por exemplo, não podem ser
realizados dada sua exposição aos auspícios do clima).
A
Gründer Regio M e V,
é uma agência no âmbito da qual, este, e outros programas de
qualificação profissional e de políticas para emprego e
renda, atuam e se desenvolvem.
Quanto
aos sindicatos, na Alemanha, apesar de não ser o tema deste
trabalho, vale mencionar, por se tratar de organização
historicamente privilegiada que sempre esteve atenta às políticas
de formação profissional, eles já se deram conta da mudança
substancial na economia, e, portanto, no trabalho. Aqui, não
estivemos preocupados em levantar dados sobre as políticas de
formação profissional realizadas especificamente pelos
sindicatos. Todavia, pelo que nos foi informado, cada vez mais
os sindicatos mudam seus eixos de atuação na tentativa de uma
representação que vá além daquela clássica.
O
exemplo apontado neste tópico, e apenas um, dentre outros, que
foram citados durante o período em que estivemos em Munique.
Este apenas sintetiza os eixos que tentamos abordar. Também por
que neste caso, pudemos contar com o depoimento concedido pela
pessoa responsável pelo programa.
Trabalho
Qualificado
Nunca
dantes, como no período de concentração produtiva industrial,
as políticas de qualificação profissional foram tão
propagadas . Sem entrar em maiores detalhes, pois não é o
caso, vale anotar que o entendimento dos órgãos
representativos de classes, e que pese as diferenças de cada
caso, sempre dispenderam grandes esforços nestas políticas. É
bem verdade, que muitos sindicatos, principalmente aqueles de
grande influência anarquista, viam a qualificação
profissional como um sistema totalizante, que ia para muito além
da relação de assalariamento formal.
Para
simplificar as coisas, sem minimizar a importância do tema,
basta lembrar que para o mercado de trabalho fordista, este tipo
de qualificação totalizante, não interessava. Sendo assim, na
outra ponta, estavam aqueles sindicatos e organizações, que
tinham como proposta um modelo de formação profissional, que
de fato interessava ao mercado de trabalho. Este modelo, que
pese as diferenças e épocas distintas, primava pelo
treinamento rápido, com movimentos precisos e repetitivos. Era
preciso destituir o trabalhador de qualquer capacidade e
potencial criativo, os transformando em meros executor de
tarefas previamente planejadas.
Portanto,
esta é a grande diferença distintiva com relação à nova
realidade do trabalho e aquela do trabalho manufatureiro da
grande indústria taylorizada. Enquanto na nova economia o
trabalhador produtivo necessita ser criativo, e ter sempre a
capacidade de enfrentar situações novas e inesperadas, no
fordismo, os trabalhadores apenas eram produtivos e operantes,
depois de serem completamente espoliados de qualquer saber e
capacidade de decisão. A rotina cotidiana e as divisões
parcelares do trabalho se ocupavam cada vez mais de destitui os
trabalhadores de qualquer capacidade criativa e imaginativa.
Admitida
a tese da economia do conhecimento, necessariamente nos
colocamos diante de uma condição em que o velho modelo de
formação profissional centrado na fábrica, no aprendizado rápido
e especifico, entra em crise. Entra em crise o emprego formal
centrado no trabalho regulado e mensuravel, e entra em crise o
parametro de regulacão material da producão. Para resumir este
ponto muito rapidamente, basta dizer que os modelos e propostas
de qualificação profissional ligadas ao fordismo desaparecem
simplesmente por que existem hoje, máquinas mais eficientes e
produtivas que os trabalhos mecanicos dantes feito pelos
trabalhadores. A máquina substituiu de fato com muito mais eficácia
e eficiência os trabalhos de aprendizado mecânico, rápido e
repetitivo.
Com
relação à reprodução e reformulacão das informações, por
exemplo, o conhecimento formal pode ser facilmente reproduzido,
principalmente pela Internet. E se o são, é por que podem ser
codificados, e nisso hà que se admitir que a màquina é melhor
que o homem para codificar e guardar informações. No Brasil, por exemplo, alguns membros da academia ligados à
área da Educação ficaram (e ainda ficam) de “cabelo em pé”
quando se fala em módulos de cursos passados via internet. A
primeira e maior resistência encontra justificativa na afirmação,
segundo a qual, o conhecimento humano estaria sendo substituído
por máquinas inteligentes
E importante que se diga que está mesmo. Mas não se
trata do conhecimento humano que carece de produção e reprodução
constante, em outras palavras, o conhecimento que se forma e se
reproduz apenas por meio da experiência e da cooperação
(uso). Aquele, que carece da capacidade de memoria e
esquecimento.O conhecimento formal, este em que se busca o
simples intento de sua difusão, este sim esta sendo substituído
por máquinas inteligentes, e com muito mais eficiência, baixos
custos, e maior potencial democratizador. E isso é ainda mais
fantástico na medida em que o custo material dos softwares
são muito mais baixo, e se pensarmos na pirataria então esta
proporção ganha dimensões assustadoras, e que diga-se de
passagem não passam pela antiga fórmula do valor, não é
necessariamente mensurávele regulado pelo padrão dinheiro. O
conhecimento formal e constituído, está cada vez mais sendo
colocado a disposição de todos, e isso assusta e destitui do
emprego remunerado, aqueles que sempre privatizaram o acesso ao
conhecimento. Levy (2000) foi dos pioneiros a perceber que a
Internet contém um germe revolucionário quanto a socializacão
e difusão deste tipo de conhecimento.
O
saber, o verdadeiro saber enquanto criação eminentemente
humana não pode ser codificado, por isso não se reproduz, se
recria. O que a nova economia do conhecimento deve produzir e
facilitar é a capacidade relacional, apenas esta não
pode ser substituída pela máquina.
A
partir de então, se pode dizer que falar em módulos de cursos
de formação profissional já é em si um absurdo do ponto de
vista da nova economia do conhecimento. Apenas o conhecimento
formal, estruturado e constituído, pode ser reproduzido. Para
darmos um exemplo, a gramática pode ser passada com muita eficiência
via Internet, a capacidade cooperativa de falar a língua (para
a qual a mesma gramática se destina) esta não se produz senão
na mobilização do uso (e modificação) coletiva. A atividade
coletiva, produção de subjetividade e conhecimento, esta não
tem valor de troca capaz de resumi-la num produto.
O
tema da qualificação profissional, quase sempre esteve
atrelado à idéia de reprodução formal do conhecimento. Neste
sentido falar em modulos de treinamentos ràpidos e especificos
como se estes fossem de fato qualificação parece um equivoco.
Todavia, não significa descartar este conhecimento formal
codificado, mas sim propiciar formas de qualificação que
saibam aproveitar o conhecimento formal, e todas as formas
possiveis de difusão e seleção deste conhecimento, sem
contudo se resumir a eles.
Conclusão
Procuramos
demonstrar aqui a maneira pela qual a nova economia impulsiona
para um novo conceito de produção e assim de qualificação
profissional. Neste sentido, a qualificação profissional
centrada em treinamentos rápidos e específicos entra em crise,
indo inclusive na contramão do fluxo da nova economia. Desta
forma os modelos profissionais centrados na fábrica, e na
reprodução formal do conhecimento, entram em crise por estarem
descontextualizados com relação ao novo fluxo de produção e
trabalho, ou seja, com a nova economia.
Mostramos
também que admitir a tese da nova economia, não significa
aceitar as exigências de um Mercado “endemoniado” e
excludente. O que
se procura chamar atenção sobre esta questão e que estamos de
fato, por assim dizer, diante de uma nova materialidade do
mundo, em que as velhas receitas e projetos entram em crise pelo
fato de sua descontextualização.
Portanto,
a produção da humanidade pelo trabalho, agora na forma de uma
nova economia. Produção de cultura comum por meio de uma troca
“possivelmente” não mercantil. A questão é que esta
riqueza fundada no
conhecimento tende a externalidade com relação ao mercado tal
qual o conhecemos. Vai para além dele. Isso acontece uma vez
que o conhecimento não pode ser totalmente apropriado pelo
sistema econômico, e pela ética da racionalidade
cientificista. Sendo assim, é este que deve se subordinar aos
ditames daquele. A força produtiva deste trabalho imaterial, é
em princípio captada e privatizada pelo mercado, mas nunca o
pode ser em sua totalidade.
Assim,
a luta deve ser formada contra todo tipo de monopólio,
privatização e tentativa de homogeneidade. Para muito além do
monopólio e privatização de questões pontuais e determinadas
como as já clássicas bandeiras dos movimentos sociais contra a
privatização da saúde e educação por exemplo, deve se
atentar contra a privatização das idéias e do espaço. Contra
o poder de manipular, quer este poder venha da iniciativa
privada ou do Estado. Contra os proveitos privados de criações,
ações e construções genuinamente públicas no sentido mais
laico do termo.
O
ponto é que nesta nova realidade da economia do conhecimento,
os esforços gratuitos para distribuição do valor podem
(segundo Gorz ja é são) ser muito maior que aquela destinada a
sua criação. Economiza trabalho remunerado e diminui o valor
de troca. Em outras palavras, no capitalismo, e não fora dele
(Negri, 2001), é que está o germe da nova sociedade.
Bibliografia
-BATAILLE, G.
L Experiènce intérieure, Gallimard, Paris, 1943.
-COCCO. G.
A Nova Qualidade do Trabalho na Era
da Informacao, (?), Rio de Janeiro (?)
-COCCO, G.
Trabalho e Cidadania: produção e
direitos na era da globalização, São Paulo, Cortez,
2000.-COCCO, G. URANI, A. GALVÃO, A. P. Empresários e
Empregos nos novos Territórios Produtivos: o caso da
Terceira Itália, Rio de Janeiro, DP&A Ed. 1999.
-DELEUZE, G. GUATTARI, F.
Mille Plateaux:
capitalisme et schizophrénie, Editions de Minuit,
Paris, 1980.
-GLOTZ. P.
Die Beschleunigte Gesellschaft. Kultukämpfe im digitalen
Kapitalismus, Kindler, München, 1999.
-GORZ, A.
L Immateriale: conoscenza, valore e
capitale, Bollati Boringhieri, Torino, 2003.
-LEVY. P, World
Philosophie:
le marchè, le Cyberspace, la Conscience, Odile Jacob, Paris
2000.
-MARAZZI. C. A Crise do New Economy e o Trabalho
das Multidões, DP&A, Rio de Janeiro, 2002.
-NEGRI, A. LAZZARATO, M. Trabalho Imaterial: formas
de vida e produção de subjetividade, Rio de Janeiro, DP&A,
2001.
-SCHWARTZ,
G. As Profissões do Futuro, São Paulo, Publifolha,
2000.
Revista/periódico
-GLO[AL]
America Latina, n. 01, Publicacao Rede Universidade
Nomade e CIEC/UFRJ, Rio de Janeiro, 2003
-HESSE. M.
Globalization,
Innovation, and Regional Development: Presentation to the
Latin American Members of the ALFA Programme, University of München,
Institute of Economic Geography, München, 12 january, 2004.
Documentos
-Munich,
City of Knowledge, City of Munich, document Department of Labour
and Economic Development, München, 2003.
-Panel News: Supportd by
the Commission of the European Communities, Directorate-General
Enterprise, Programme “ Innovation/SME”, published
irregulary, n. 04, February, 2003.
-Panel News: Supportd by
the Commission of the European Communities, Directorate-General
Enterprise, Programme “ Innovation/SME”, published
irregulary, n. 05, october, 2003.
Apresentação
e Colóquios
-JOCHEMICH, M. Dipl. Geograph,
PANEL Project Leader Munich, Gründer Regio, www.gr-m.de.
-WENZEL, B. Projektleiterin
EFFEKT, Gründer Regio M e V, www.gr_m.de.
[1]
O Texto foi escrito por ocasião de estágio com permanência
de seis meses na Europa estudando temas ligados a questão
do “ desenvolvimento local”. O trabalho foi elaborado
especificamente para o período de dois meses que estivemos
em Munique, na Universidade que nos recebeu (LMU – Ludwig
Maximilian University). O projeto de estágio para
pesquisadores seniors foi financiado pelo Programa ALFA
- Latin America Academic Training, em co-parceria com
a Comunidade Européia. Sendo assim, o texto esta disponivel
na PLATAFORMA ALFA, grerida e organizada pela Universidade
Livre de Barcelona.
[2]
- Sociólogo, doutorando pelo Programa de Pos Graduação da
FFCL da UNESP, Campus de Araraquara e pesquisador financiado
pela FAPESP – Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado de
São Paulo. Pesquisa temas relacionados a questão do
trabalho, comunicaçao, desenvolvimento local, qualificação
profissional e movimentos sociais.
[3]
- Ao fazer referência ao caso italiano é importante que se
diga que estivemos mais preocupados em estudar o modelo
Veneto de produção. Neste sentido, entendemos que a
conservação local de um saber, construído coletivamente
durante décadas, (para não dizer séculos) no Veneto, foi
dos principais fatores que contribuíram para a emergência
econômica verificada nos ultimos anos. Como se sabe, a
grande indústria com o regime de trabalho
taylorista-fordista é distituidor do saber cooperativo. A
própria condição para o sucesso da produção nas fábricas
fordista requer a destituição de qualquer tipo de saber,
remetendo os trabalhadores a mero executores de tarefas rápidas
e repetitivas. A particularidade do Veneto foi ter
permanecido rural sem passar por este processo de destituição
do saber, ao mesmo tempo em que não figurou como simples
marginal neste processo como e o caso do sul da Itália.
Este entendimento contraria as teses deterministas no campo
da economia que procuravam ver o desenvolvimento como um
processo linear, que teria que passar necessariamente pelo
desenvolvimento da grande industria. Sobre este tema
tratamos em trabalho recente desenvolvido junto a VIU:
Venice International Universit, e que constitui parte
integrante deste mesmo trabalho. SAPIA CAMPOS, R. A
Terceira Itália e a Nova Qualidade do Trabalho
(perspectives para uma análise comparada), Venezia,
Italia, Plataforma ALFA, 2003.
[4]
- O termo é utilizado inicialmente por Bagnasco nos anì
___F___`___þ_______þ_______þ_______________j_____ura
corrente sobre o tema. O que se procura de fato é
particularizar um modelo produtivo especifico da região
veneta no nordeste italiano. Esta diferença parece
importante na medida em que o termo Terceira Itália abrange
uma área maior que ultrapassa os limites territoriais do
Veneto.
[6]
- O Veneto esta geograficamente numa região muito pouco privilegiada do ponto de vista tanto do
escoamento da producão,
quanto da proximidade estratégica com outras partes centrais da Europa.
[7]
- Clusters são o aqui entendidos como cristalizações
produtivas dentro do território.
Não faz, portanto, diferenciação quanto à
qualidade, quantidade ou parte material e imaterial da produção.
[8]
. O Deutschland Museum é considerado dos mais
significativos e bem equipados museus da Europa. A
interação dos visitantes com o meio, com a realidade
retratada no museu em nada se compara a velha ocupação
destes espaços que buscavam reproduzir ambientes opacos e
mortos. (velhos museus sempre deram a impressão de um mundo
que existiu mas que não tem mais comunicação com o nosso,
por outro lado buscavam incrustar no visitante a (violenta)
idéia de que antigos povos e povoações sempre foram
melhores, passando a idéia de um passado remoto melhor que
o presente) Todo
o progresso da ciência está ambientado, explicado, e
ainda, propõe experiências interativas no Deutschland
Museum.
[9]
- Sobre o tema Ver: GORZ, A. L `
Immateriale:
conoscenza, valore e capitale, Bollati Boringhieri, 2003;
Ainda: MARAZZI, C.
Il Posto dei Calzini. La svolta Linguistica dell `
economia e il suoi effetti sulla Politica, Bollati
Boringhieri, Torino, 1999.
[10]
- Alem do mais, justamente em função desta característica
de não mensurabilidade, fica cada vez mais difícil aplicar
conceitos como mais-valia, sobre-trabalho, valor de troca,
produto social bruto. Quando os especialistas em
macroeconomia procuram quantificar com os instrumentos
tradicionais os resultados econômicos e os padrões de
desenvolvimento, estão na realidade, tateando no escuro.(p.
36) GORZ, A. (2003) Em entrevista concedida a GLO[AL] América
Latina, n. 01, 2003.
[11]
. Ver COCCO, G. A Nova Qualidade do Trabalho na Era da
Informação,Rio de Janeiro (?) Se o consumo se torna
produtivo e a vida e mobilizada, enquanto tal, dentro dos
processos de valorização, e por que o intercambio lingüístico
se torna produtivo. As redes de integração virtual que as
novas TICs proporcionam se tornam estratégicas. (p.
274)
[12]
- Para o conceito de Nova Economia, ver Gorz (op. cit) Em
entrevista aponta: …na assim chamada nova economia
cognitiva, os parâmetros econômicos tradicionais não são
válidos. A principal forca produtiva - o saber- não e
quantificável: a atividade laborativa fundada no saber já
não pode ser medida por horas de trabalho. E, apesar de
todos os possíveis artifícios, a transformação do saber
em capital – capital monetário - encontra alguns obstáculos
insuperáveis. Dentro em breve, as três categorias
fundamentais da economia política – o trabalho, o valor e
o capital – não mais poderão ser definidas em termos
aritméticos, nem medidas por parâmetros unitários.
Entrevista concedida por Gorz no final de 2003, para a
Revista GLO[AL] América
Latina, n. 01, Publicação Rede Universidade Nômade e
CIEC/UFRJ, Rio de Janeiro, 2003
[13]
- Il lavoro
astratto sempleci che, dai tempi di Adam Smith, era
considerato come la fonte del valore, e sostituito da lavoro
complesso. Il lavoro di produzione materiale, misurabile in
unità di prodotto per unità di tempo, è sostituito da
lavoro ditto immateriale, al quale non sono più applicabili
unità di misura classiche. (p. 09) GORZ, A. L
`Immateriale: conoscenza, valore e capitale, Bollati
Boringhieri, Torino – Italia, 2003.
[14]
- Tutti contribuiscono alla produzione sociale per il
semplice fatto di vivere in società e meritano dunque
quella retribuzione che è il reditto di esistenza. Ora,
questa consezione non si limita a prendere atto della messa
all lavoro totale della persona. Essa la legittima: se il
reddito di esistenza <remunera> il lavoro invisibile
che è una fonte della produtività del lavoro visibile,
questa remunerazione autorizza a esigere che il lavoro
invisibile renda effetivamente il lavoro visibile il più
produttivo possible. (p. 22-23) GORZ, A. L `
Immateriale: conoscenza, valore e capitale, Bollati
Boringhieri, Torino – Italia, 2003.
[15]
. Para compreender a dimensão imediatamente produtiva do
uso de uma multimídia e suficiente conectar-se com a
Internet: encontraremos uma vasta oferta, que precisamos
“navegar” para torná-la um serviço. E o próprio usuário
que “produz” a partir das possibilidades oferecidas pela
Web. Esse serviço, na
realidade terá sido produzido por nós, pela “atualização”
(no sentido de realização), de uma das inúmeras
virtualidades da rede. Ou seja, as redes não funcionam como
espaços onde se trocariam bens (e serviços) produzidos em
outros momentos e em outros lugares. Elas são, ao mesmo
tempo, infra estruturas de circulação e locais de produção
dos serviços. A transação e o produto. (p. 278)
COCCO, G. A
Nova Qualidade do Trabalho na Era da Informação, (?)
Rio de Janeiro, …..
[16]
- Harvey (2002) aponta dentre outros, o mito das soluções
que pretendem anteceder o próprio problema. Ver: DAVID H.
Mundos Urbanos Possíveis, Novos Estudos
SEBRAP, (?) 2002.
[17]
-A este respeito: BATAILLE,
G. L Experiènce intérieure,
Gallimard, Paris, 1943.
[18]
- A partir da abertura do trabalho que saiu dos limites dos
muros da fábrica e da regulacao do tempo cronometrado,
houve uma grande abertura de possibilidades. Assim que
lembramos da ja classica tese da
recomposição entre capital e trabalho. Esta
recomposição entre capital e trabalho foi largamente
perseguida pela tradição que se convencionou chamar
marxista, haja vista ser um ponto central no pensamento de
Marx. Ocorre que a velha tradição marxista sempre via esta
possibilidade a partir da regulacão
do Estado. O Estado como mediador, fora do capitalismo é
que devia promover esta recomposição. Desnecessário dizer
que a historia nos revelou surpresas. Para um estudo
detalhado sobre este ponto Ver: COCCO. G. A Nova
Qualidade do Trabalho na Era da Informacão, (?), Rio de Janeiro (?)
[19]
. Quanto vale Microsoft? Quel che si vuole. L
`investimento iniziale importa poco: può ridursi a uno o
due computer, al fitto di uno studio in cui due amici
avranno messo due settimane o due trimester a scrivere un
programma che farà risparmiare tempo e denaro ai suoi
utenti. Quel che costa non è necessariamente il lavoro di
invenzione, è quell che serve per vendere quest`ultima
prima che altri abbiamo trovato o siano riusciti a copiare
quell che avete fatto. Quel che costa, insomma, è
principalmente la transformazione dell`invenzione in merce e
la sua immissione nel mercato come prodotto di marca
patentato.(p. 39) GORZ, A. L `Immateriale:
conoscenza, valore e capitale, Bollati Boringhieri,
Torino, Italia, 2003.
[20]
- Este “ acabaram de criar seus filhos” deve ser
entendido dentro do contexto alemão e de suas necessidades.
Segundo informações fornecidas diretamente pela responsável
pelo projeto, o diferencial de grau universitário, serve
como parâmetro de cursos de alta qualificação. Arte,
escultura, musica etc. Não e um regulador absoluto, ou
seja, muitas das mulheres que participam não tem o “
diploma” : grau universitário. Porém, têm condições e
capacidade intelectiva capaz não só de acompanhar, mas de
trazer idéias e inovações para o contexto do
desenvolvimento dos trabalhos. Então não e o diploma
formalmente assinado que conta, mas a capacidade que se
pressupõe existir com o nível universitário. Quanto a
acabar de criar os filhos, significa ter filhos
entre idades de quarto e cinco anos por exemplo. Isso
ocorre uma vez que antes deste período as mães se dedicam
em tempo integral a criação dos filhos. Já, a partir da
idade de quarto e cinco anos as crianças começam a freqüentar
a escola em meio período (geralmente pela manha) sendo que
as mães permitem se ocupar de outras atividades que melhor
lhes convenham. Contudo, estas ocupacões partem da
iniciativa das próprias mães dentro das atividades em que
elas foram formadas, ou que simplesmente lhes agrade. Sendo
que não é comum creches para período integral como
acontece no Brasil, e que são comumente as mães que se
ocupam de seus filhos no período da tarde, elas procuram
direcionar o potencial produtivo para três ou quatro horas
de trabalho dentro do que lhes garante renda e prazer ao
mesmo tempo.
[21]
- Gründer Regio: Project Manager Pane Munich –
Entrepresseurshp Support in Germany and the Munich Region.
Conforme apresentou Marc Jochenich, responsável pela agência que atual
na região da Bavária, esta tem um perfil baste
motivacional.
[22]
- Neste ponto se deve considerar que a máquina não e um
ente externo ao homem. Não e um simples instrumento do qual
o homem pode se livrar sem ver prejudicado seu próprio
corpo. Sobre este ponto, ver o conceito de Cyborg em
NEGRI. A. LAZZARATO, M. Trabalho Imaterial: formas de
vida e produção de subjetividade, Rio de Janeiro,
DP&A, 2001. E Cyborg por que o homem se forma com a máquina,
esta não e um ente separado do seu corpo, ou mero
instrumento como se pode pensar. O homem tem o corpo
prolongado pela maquina.