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Globalização e Conhecimento: aspectos para o tema da qualificação profissional no âmbito dos territórios [1]

 

 

Ricardo Sapia Campos[2]  

 

(...) aquilo que ele procurava estava diante de si, e, mesmo que se tratasse do passado, era um passado que mudava á  medida que ele prosseguia a sua viagem, porque o passado do viajante muda de acordo com o itinerário realizado, não o passado recente ao qual cada dia que passa acrescenta um dia, mas um passado mais remoto. (As Cidades Invisíveis: Italo Calvino, p. 30)  

 

  Resumo: O trabalho discute conhecimento e relações em network com ênfase para a cidade de Munique. Novas formas de relações de trabalho a partir das novas tecnologias da comunicação. O que aqui entendemos como fator relacional, choca com a antiga concepção sobre qualificação profissional. A comunicação, tem ela propria se assumido na forma de uma nova tecnologia propulsora do desenvolvimento, e que este conhecimento figura como principal força produtiva. Sustentamos a idéia de que o conhecimento produzido no âmbito dos territorios é o principal fator concorrencial quando entra no circuito da globalização.

Palavras Chaves: Desenvolvimento, Trabalho e Tecnologia da informação

   

Introdução  

O texto foi elaborado a partir de estudos realizados durante o período que estivemos em Munique desenvolvendo trabalhos acerca de temas compreendidos no âmbito do desenvolvimento local. As fontes  de pesquisa  utilizadas são principalmente documentos e circulares do  Department of Labour and Economic Development - City of Munich, além de seminários e palestras proferidas por professores da LMU – Ludwig Maximilian University, mais particularmente aqueles do Departamento de Economia e Geografia.

Vale anotar que temos nos dedicado ao estudo do tema do desenvolvimento local nos últimos tempos, mais particularmente no que concerne às relações de trabalho, emprego e qualificação profissional. Contudo o contato mais próximo com a literatura tem partido das experiências do caso italiano[3], particularmente da Terceira Itália[4], ou ainda, do Modelo Veneto[5] de produção. Sendo assim, alguns autores e referencias mobilizados por ocasião deste trabalho tratam da questão com vistas à realidade italiana. Sendo assim, o texto não tem como objetivo propor comparações e nem mesmo utilizar o modelo italiano para explicar o caso alemão. Pensamos mais em apresentar algumas indicações muito pontuais sobre as novas tendências do mundo do trabalho, em que se compreende o tema da qualificação profissional. Para isso, utilizamos, conforme já foi apontado, de fontes de ampla circulação no meio acadêmico (compreendido dentro da LMU) e de autores que procuram pensar o desenvolvimento local numa perspectiva propositiva, porém pouco versada sobre particularidades e estudos de caso.

   

München a Cidade do Conhecimento

Munique, conforme se costuma lembrar, esta situada no centro da Europa. Capital da Bavária e do sul do Alemanha tem uma população aproximada de 1.3 milhões de habitantes, lembrando que a Baviera conta com 3.7 milhões de habitantes. É conhecida dentro da Alemanha, e at é mesmo na Europa, como sendo a capital do conhecimento. Dois parecem os principais eixos sobre os quais muitos pesquisadores alemães se apóiam para discorrer sobre o tema do desenvolvimento local na cidade de Munique.

Um primeiro deles, parece privilegiar a posição geográfica de Munique. Costuma-se dizer que Munique fica no “coração da Europa”, levando ao entendimento de órgão central e pulsante; Um outro fator parece privilegiar a comunhão (ou interação) de aspectos e características, que concentradas no âmbito do território e deste, inter-relacionada com o circuito da globalização, acabam dando a tônica do desenvolvimento.

Estes fatores não se excluem, ou pelo menos não necessariamente. O que ocorre é que o primeiro acaba enfatizando o fator da localização geográfica, uma vez que muitas vezes o segundo, não necessariamente atribui peso a esta característica. Vale anotar que no caso do Veneto, por exemplo, o fator da localização geográfica pouco serve para explicar o desenvolvimento da região[6].

Sendo assim, preferimos trabalhar o conceito de desenvolvimento local, priorizando o entendimento, segundo o qual, a comunhão de fatores interativos, cristalizados num determinado território, e sua capacidade de inserção no circuito global, é que acabam dando a tônica do desenvolvimento. Neste caso, a localização geográfica apenas corrobora, não sendo central, e menos ainda determinante.

Em Munique, os oito principais Clusters[7], entendidos como uma espécie de células cristalizadas do conhecimento e produção, estão em constante mutação dada a fluidez arejada, propiciada pelo fator relacional. Estes Clusters estão assim distribuídos: 1)- Mecânica, engenharia e manufatura; 2)- Eletrônico e Tecnológico; 3)- Mídia; 4)- Biotecnológico; 5)- Médico (medicina); 6)- Patentes; 7)- Universidades; 8)- Livraria e Museus.

O predomínio, entendido aqui como células, ou concentração de Clusters, e do setor de mídia. Em seguida vem o de eletrônica e tecnológica e, posteriormente, o de manufatura. O de patentes apresenta células significativas, bem como o setor de medicina. Os setores de biotecnologia e universitario apresentam Clusters bastante concentrados, seguindo assim também aqueles de livrarias e museus. (Munich City of Knowledge, Department of Labour and Economic Development, 2002)

As pesquisas aplicadas ao desenvolvimento nas firmas da cidade de Munique estão bastante diluídas entre as empresas. Existe aproximadamente cinqüenta grandes empresas de projeção internacional presentes na cidade, dentre as quais destacamos as conhecidas BMW, Siemens, IBM e Rhode. Vale anotar que todas as pesquisas ou trabalhos de pesquisa sobre desenvolvimento local, estão diretamente ligadas às empresas. Percebe-se assim, uma tendência dominante de pesquisas ligadas ao desenvolvimento tecnológico, eletrônico e de Softwares, seguida do setor de serviços e financeiro. Ademais da indústria mecânica e automobilística, que se equiparam àquele de consultoria, marketing e pesquisa propriamente dita, segue aquelas de biotecnologia, farmácia e aviação.

Das pesquisas em andamento na cidade existe grande ênfase no setor de manufaturas, mas principalmente na área de computação e desenvolvimento tecnológico. Forte presença no setor de telecomunicações, mas menor se comparado com os anteriores. Pesquisas ligadas à informação e conhecimento cresceram nos últimos anos, chegando a se equiparar com o setor de telecomunicações, por exemplo. ( City of Munich and Bavarian, 2002, p. 07)

Segundo os principais estudos sobre desenvolvimento local da cidade de Munique, e aqui enfatizamos principalmente documentos oficiais da Secretaria de Trabalho e Desenvolvimento Econômico, a atenção esta voltada para a transmissão (transferência) de conhecimento e interação entre os atores locais. Fala-se também da relação entre cooperação e competição, que acaba dando a tônica do desenvolvimento da região. (City of Munich and Bavarian, 2002). Vale anotar que esta relação se dá, e assim é explorada, no âmbito local. O local que aqui deve ser entendido mais como a cidade de Munique do que a região da Baviera.

Para se ter uma idéia, as livrarias, museus e teatros são considerados locais “privilegiados” de transmissão do conhecimento. Também por isso existe um forte investimento nestes setores no que concerne à infra-estrutura. Neste particular, vale anotar que Munique é das únicas cidade da Alemanha em que o número e a qualidade dos museus tem crescido. Enquanto outras cidades fecham museus, principalmente por falta de público, Munique tem investido grandes somas nos últimos anos para a criação de museus. São sessenta e oito só na cidade de Munique, sendo que dentre estes estão alguns considerados como os principais da Europa, como é o caso do Deutschland Museum[8].

O exemplo dos museus reflete a preocupação na difusão do conhecimento compreendido no âmbito do desenvolvimento local. Livrarias são outro exemplo, contando com aproximadamente setessentas na cidade. No que concerne às editoras, foram publicados 3.2 milhões de livros no ano de 2001. (Department of Labour and Economic Development of City of Munich, 2002). Outros como música, teatros, escolas, e principalmente Internet, são considerados os principais centros de transmissão do conhecimento.

Conforme apontam os estudos realizados pela Secretaria de Trabalho e Desenvolvimento Local da cidade de Munique, a qualificação profissional, ou o trabalho qualificado, entendido aqui em sentido bastante amplo, se forma neste ambiente. Ou seja, o resultado do trabalho qualificado tem nesta relação com o local, dentro dos aspectos apontados, seu principal ambiente de formação e difusão. A transmissão do conhecimento se da de forma bastante particular por meio da troca e do fluxo de informações entre os agentes.

O exemplo dos dados apresentados logo acima, serve como referencial para pensar as novas formas de relação de trabalho amparadas no que aqui chamamos de nova economia do conhecimento[9].

Nesta, que aqui chamamos de nova economia e transmissão do conhecimento, o fator relacional não pode ser mensurado. Não e mensurável, importante que se diga, entre o correspondente relacional da parte material e imaterial da produção. Assim, é impossível separar a parte material e imaterial de qualquer produto. Para dar um exemplo simples, rápido e preciso, basta dizer que quem compra um computador, esta de fato comprando uma máquina, com tecnologia e conhecimento incorporado. Contudo, não é por isso, e nem só, que se compra um computador. O uso que se faz, e, diga-se de passagem, o conhecimento em sentido amplo, a produção e circulação do conhecimento é realmente incomensurável[10]. Também não pode ser precisado o fluxo de troca que passa ou não pelo mercado. E ainda, vale lembrar da criação coletiva proporcionada pela network, e que de fato não tem autoria precisa.

   

Circulação e transmissão do conhecimento em network

O que se procura apontar é que o conhecimento em si se constitui em produção, porém esta imaterial, e que, portanto fora do circuito de mensuração. O fator relacional que apontamos como central para o entendimento acerca da nova economia, diz respeito, principalmente, ao fluxo de conhecimento que transita, se produz e reproduz ininterruptamente. Basta dizer rapidamente que na nova economia, o conhecimento é o principal produto. Mas não se trata de um conhecimento preparado para ser vendido a um consumidor final, sem que este participe da produção[11]. (Cocco, 1999). O consumidor, na nova economia[12] é também agente produtivo. O que Gorz (2003) chama de trabalho complexo[13] e impossível de ser mensurado segundo os parâmetros da economia clássica.

Neste sentido, a tendência e para o desaparecimento da relação dual entre produção e consumo, estes dois pólos se aproximam e acabam se fundindo num único. Portanto, circulação e transmissão do conhecimento são agora o terreno da produção. Sendo o conhecimento a principal força produtiva, este não pode encontrar barreiras de contenção, difunde-se como um vírus na sociedade. Por mais que não caiba discutir aqui este ponto, basta dizer que é nele que Gorz (2003) se apóia para defender o que chama de renda universal de cidadania[14].

A fluidez dos fluxos de informação, e que se constituem em rede, possibilitam e impulsionam a nova economia. Agora é importante que se diga que, este fluxo de informação e conhecimento, encontra na Internet, e nas redes de softwares, terreno privilegiado, mas que não podem ser considerados em separados de outros[15].

No caso em estudo sobre a região de Munique, por exemplo, o que se procura privilegiar é a facilidade e aproveitamento deste fluxo de informação. O desenvolvimento regional facilita (e possibilita) esta relação por várias razões. Uma delas diz respeito ao espaço (localização geográfica), contudo, este fator, se considerado isoladamente, pouco explica. Dentro de uma dada região, fatores como o econômico e cultural, por exemplo, dentre outros, tendem a se desenvolver segundo uma relação de equilíbrio entre cooperação e competição. Este é, grosso modo, apontado como dos principais fatores que possibilitam o desenvolvimento regional. Na medida em que esta relação se estabelece de forma mais e mais dependente e complexa internamente, o desenvolvimento de uma dada região cresce. Fica cada vez mais difícil a penetração de agentes externos que não possam ser aproveitados positivamente pelo circuito produtivo local.

Portanto, e Hesse (2004) parece apontar neste sentido, quanto maior o grau de dependência e complexidade interna, maior e a força do desenvolvimento local. Quando esta relação, já consolidada, entra no fluxo da globalização, o faz como uma espécie de células, pequenos núcleos cristalizados. A força desta relação de dependência e complexidade interna acaba fazendo com que exista uma espécie de filtro que opera no circuito global, e que permite apenas a permeabilidade de aspectos que vem fortalecer ainda mais esta relação. Desta forma o que entra no circuito global não e uma massa disforme a ser definida neste mesmo circuito global. A economia mundo ganha de fato forma própria, mas apenas a partir da força e complexidade do local. Assim, contraria de pronto as teses que vem a globalização como uma massa homogenia e disforme que se define sem a existência de um núcleo embrionário. Afrontam também as teses estruturalistas[16] e deterministas que sempre primaram pela idéia de projeto que antecede a qualquer realização humana[17].

Como se pode perceber, sendo os fatores definidos localmente, com maior grau de dependência e complexidade, acaba sendo formada uma rede (e aqui pensamos mais no global) que procura aproveitar e incorporar as diversidades e os aspectos positivos do local. Hesse (2004) aponta dois deles bastante caros à sociologia, e que parece, apenas podem encontrar seu núcleo germinal, no contexto local. Trata-se da confiança e do capital social.  Estes, apontados por Hesse (2004), tendem a substituir, fazer como figurem desnecessárias as velhas instituições reguladoras como os sindicatos e associações em geral. Ou ainda, tendem a reformar as velhas instituições. Não deve ser tomado como devaneio, ou mero acaso, a declaração feita por uma grande federação sindical alemã, como aponta Gorz (2003); que sugeriu que seria necessário organizar estes novos trabalhadores, empreendedores de si mesmo, na forma de uma organização sindical mais representativa do que são hoje as câmaras de comércio e os sindicatos patronais[18].

A questão é que sendo a informação e o conhecimento a principal força produtiva, esta pode ser cristalizada numa única, ou então em poucas pessoas, e com pouca base material. Ou em outras palavras, não e mais o capital material de uma empresa que conta[19].

Cabe então voltar os olhos para a produção deste conhecimento. Pois este não pode ser produzido de maneira isolada, a base da sua existência, reprodução e difusão esta fundada na cooperação. (considerando aqui a competição como uma forma de cooperação).

   

Qualificação Profissional

A qualificação Professional deixa de ser exclusividade dos sindicatos, quando o trabalho sai da fábrica e se dilui pelo território. (Cocco, 1999) Estes, que pese toda a literatura específica sobre o tema, tendem a reformar a base mesma de suas estruturas, sob pena de desaparecerem. Desde então, com a difusão do trabalho, abre-se um amplo leque de possibilidades que deve reconhecer as particularidades e especificidades como condição de existência. Em outras palavras, a crise do estruturalismo nas ciências significa reconhecer que além de não existir mais um único caminho e nem um projeto acabado, não existe também um agente social puro na forma de uma classe homogênea. Os agentes são agora constelações (como as estrelas mesmo) que se identificam nas diferenças e não nas igualdades. Como na forma de Mil Platos (Delleuze e Guattari, 1980)

Neste sentido várias são as ações que buscam impulsionar a produção e a integração das diferenças no trabalho. (pode se empregar mercado de trabalho, não o fazemos diretamente por que pensamos ser o termo por demais carregados de inculcações ideológicas e acadêmicas).

Se sinergia e desenvolvimento em rede contemplam toda a gama de complexidade que apontamos anteriormente, como ambiente interativo (museus, livraria, música, cultura e todo ambiente interativo que nem sempre é remunerado), passa a existir um terreno propício à criatividade. Mas vale anotar que esta criatividade emerge dos próprios agentes que a produzem, minando qualquer poder de regulação institucional. Sendo assim, é a tônica das necessidades criadas pelos agentes que devem também serem  resolvidas de maneira criativa (também alternativa) pelos mesmos agentes.

Em Munique tomamos contato com uma experiência de qualificação Professional bastante interessante e que desfoca completamente dos velhos modelos. Chamo atenção para o fato do adjetivo “interessante”, uma vez que ele contempla esta relação em movimento inverso que apontamos acima. Dos agentes criativos e produtivos para o mercado, e não do mercado e do poder de regulação estatal para os agentes.

Trata-se de projeto de “Formacão Profissional para Mulheres com Grau Universitario”. Este projeto, mantido dentro da rede de incubadoras de projetos e centro de motivação, busca atender as necessidades de mulheres com grau universitário e que acabaram de criar seus filhos.[20]  Um dos objetivos centrais do projeto é aquele de aumentar o número de mulheres da região da Baviera na participação das empresas. (criação de empresas na verdade). No ano de 2003, por exemplo, houve a participação de uma média de mil mulheres, sendo que o projeto é financiado e mantido com recursos do Ministério de Ciências e Pesquisa e também pela Comunidade Européia.

Estes cursos de formação profissional parecem privilegiar uma realidade interativa, e até motivacional. Não existe a rigidez de programas e módulos a serem inculcados, e nem mesmo os privilégios entre a comunicação em rede e a presença física dos participantes. Ambos os recursos são mobilizados. Não é por acaso que o projeto que se desenvolve desde 1998, já conseguiu fundar uma média de quarenta empresas, algumas de empreendimento bastante pessoal, como e o caso geralmente de artistas, outras com a participação de várias pessoas que inclusive empregam trabalhadores como em setores: médico, doméstico, educação de crianças e etc.

Este exemplo concreto de iniciativa desenvolvida em âmbito regional e por nós apontada como uma maneira de aproveitar o potencial criativo de mulheres que não podem (ou até simplesmente não querem) se dedicar em tempo exclusivo. (as acachapantes oito horas de trabalho, como se quem não trabalhasse oito horas não fossem, ou não pudessem ser criativos!) Também, é importante que se diga, segundo informações que recebemos pela responsável pelo projeto uma média de 20% das mulheres que participam destes cursos simplesmente foram “expulsas” do mercado formal de trabalho, isso considerando que a taxa de desemprego em Munique bateu o indice de 7.8% no final de 2003 (considerar o inverno, pois neste período, segundo informações, sempre sobe um pouco a taxa de desemprego, uma vez que muitos trabalhos, como de construção civil, por exemplo, não podem ser realizados dada sua exposição aos auspícios do clima).

A Gründer Regio M e V[21], é uma agência no âmbito da qual, este, e outros programas de qualificação profissional e de políticas para emprego e renda, atuam e se desenvolvem.

Quanto aos sindicatos, na Alemanha, apesar de não ser o tema deste trabalho, vale mencionar, por se tratar de organização historicamente privilegiada que sempre esteve atenta às políticas de formação profissional, eles já se deram conta da mudança substancial na economia, e, portanto, no trabalho. Aqui, não estivemos preocupados em levantar dados sobre as políticas de formação profissional realizadas especificamente pelos sindicatos. Todavia, pelo que nos foi informado, cada vez mais os sindicatos mudam seus eixos de atuação na tentativa de uma representação que vá além daquela clássica.

O exemplo apontado neste tópico, e apenas um, dentre outros, que foram citados durante o período em que estivemos em Munique. Este apenas sintetiza os eixos que tentamos abordar. Também por que neste caso, pudemos contar com o depoimento concedido pela pessoa responsável pelo programa.

   

Trabalho Qualificado

Nunca dantes, como no período de concentração produtiva industrial, as políticas de qualificação profissional foram tão propagadas . Sem entrar em maiores detalhes, pois não é o caso, vale anotar que o entendimento dos órgãos representativos de classes, e que pese as diferenças de cada caso, sempre dispenderam grandes esforços nestas políticas. É bem verdade, que muitos sindicatos, principalmente aqueles de grande influência anarquista, viam a qualificação profissional como um sistema totalizante, que ia para muito além da relação de assalariamento formal.

Para simplificar as coisas, sem minimizar a importância do tema, basta lembrar que para o mercado de trabalho fordista, este tipo de qualificação totalizante, não interessava. Sendo assim, na outra ponta, estavam aqueles sindicatos e organizações, que tinham como proposta um modelo de formação profissional, que de fato interessava ao mercado de trabalho. Este modelo, que pese as diferenças e épocas distintas, primava pelo treinamento rápido, com movimentos precisos e repetitivos. Era preciso destituir o trabalhador de qualquer capacidade e potencial criativo, os transformando em meros executor de tarefas previamente planejadas.

Portanto, esta é a grande diferença distintiva com relação à nova realidade do trabalho e aquela do trabalho manufatureiro da grande indústria taylorizada. Enquanto na nova economia o trabalhador produtivo necessita ser criativo, e ter sempre a capacidade de enfrentar situações novas e inesperadas, no fordismo, os trabalhadores apenas eram produtivos e operantes, depois de serem completamente espoliados de qualquer saber e capacidade de decisão. A rotina cotidiana e as divisões parcelares do trabalho se ocupavam cada vez mais de destitui os trabalhadores de qualquer capacidade criativa e imaginativa. 

Admitida a tese da economia do conhecimento, necessariamente nos colocamos diante de uma condição em que o velho modelo de formação profissional centrado na fábrica, no aprendizado rápido e especifico, entra em crise. Entra em crise o emprego formal centrado no trabalho regulado e mensuravel, e entra em crise o parametro de regulacão material da producão. Para resumir este ponto muito rapidamente, basta dizer que os modelos e propostas de qualificação profissional ligadas ao fordismo desaparecem simplesmente por que existem hoje, máquinas mais eficientes e produtivas que os trabalhos mecanicos dantes feito pelos trabalhadores. A máquina substituiu de fato com muito mais eficácia e eficiência os trabalhos de aprendizado mecânico, rápido e repetitivo.

Com relação à reprodução e reformulacão das informações, por exemplo, o conhecimento formal pode ser facilmente reproduzido, principalmente pela Internet. E se o são, é por que podem ser codificados, e nisso hà que se admitir que a màquina é melhor que o homem para codificar e guardar informações.  No Brasil, por exemplo, alguns membros da academia ligados à área da Educação ficaram (e ainda ficam) de “cabelo em pé” quando se fala em módulos de cursos passados via internet. A primeira e maior resistência encontra justificativa na afirmação, segundo a qual, o conhecimento humano estaria sendo substituído por máquinas inteligentes  E importante que se diga que está mesmo. Mas não se trata do conhecimento humano que carece de produção e reprodução constante, em outras palavras, o conhecimento que se forma e se reproduz apenas por meio da experiência e da cooperação (uso). Aquele, que carece da capacidade de memoria e esquecimento.O conhecimento formal, este em que se busca o simples intento de sua difusão, este sim esta sendo substituído por máquinas inteligentes, e com muito mais eficiência, baixos custos, e maior potencial democratizador. E isso é ainda mais fantástico na medida em que o custo material dos softwares são muito mais baixo, e se pensarmos na pirataria então esta proporção ganha dimensões assustadoras, e que diga-se de passagem não passam pela antiga fórmula do valor, não é necessariamente mensurávele regulado pelo padrão dinheiro. O conhecimento formal e constituído, está cada vez mais sendo colocado a disposição de todos, e isso assusta e destitui do emprego remunerado, aqueles que sempre privatizaram o acesso ao conhecimento. Levy (2000) foi dos pioneiros a perceber que a Internet contém um germe revolucionário quanto a socializacão e difusão deste tipo de conhecimento.

O saber, o verdadeiro saber enquanto criação eminentemente humana não pode ser codificado, por isso não se reproduz, se recria. O que a nova economia do conhecimento deve produzir e facilitar é a capacidade relacional, apenas esta não pode ser substituída pela máquina[22].

A partir de então, se pode dizer que falar em módulos de cursos de formação profissional já é em si um absurdo do ponto de vista da nova economia do conhecimento. Apenas o conhecimento formal, estruturado e constituído, pode ser reproduzido. Para darmos um exemplo, a gramática pode ser passada com muita eficiência via Internet, a capacidade cooperativa de falar a língua (para a qual a mesma gramática se destina) esta não se produz senão na mobilização do uso (e modificação) coletiva. A atividade coletiva, produção de subjetividade e conhecimento, esta não tem valor de troca capaz de resumi-la num produto.

O tema da qualificação profissional, quase sempre esteve atrelado à idéia de reprodução formal do conhecimento. Neste sentido falar em modulos de treinamentos ràpidos e especificos como se estes fossem de fato qualificação parece um equivoco. Todavia, não significa descartar este conhecimento formal codificado, mas sim propiciar formas de qualificação que saibam aproveitar o conhecimento formal, e todas as formas possiveis de difusão e seleção deste conhecimento, sem contudo se resumir a eles.

   

Conclusão

Procuramos demonstrar aqui a maneira pela qual a nova economia impulsiona para um novo conceito de produção e assim de qualificação profissional. Neste sentido, a qualificação profissional centrada em treinamentos rápidos e específicos entra em crise, indo inclusive na contramão do fluxo da nova economia. Desta forma os modelos profissionais centrados na fábrica, e na reprodução formal do conhecimento, entram em crise por estarem descontextualizados com relação ao novo fluxo de produção e trabalho, ou seja, com a nova economia.

Mostramos também que admitir a tese da nova economia, não significa aceitar as exigências de um Mercado “endemoniado” e excludente.  O que se procura chamar atenção sobre esta questão e que estamos de fato, por assim dizer, diante de uma nova materialidade do mundo, em que as velhas receitas e projetos entram em crise pelo fato de sua descontextualização.

Portanto, a produção da humanidade pelo trabalho, agora na forma de uma nova economia. Produção de cultura comum por meio de uma troca “possivelmente” não mercantil. A questão é que esta riqueza  fundada no conhecimento tende a externalidade com relação ao mercado tal qual o conhecemos. Vai para além dele. Isso acontece uma vez que o conhecimento não pode ser totalmente apropriado pelo sistema econômico, e pela ética da racionalidade cientificista. Sendo assim, é este que deve se subordinar aos ditames daquele. A força produtiva deste trabalho imaterial, é em princípio captada e privatizada pelo mercado, mas nunca o pode ser em sua totalidade.

Assim, a luta deve ser formada contra todo tipo de monopólio, privatização e tentativa de homogeneidade. Para muito além do monopólio e privatização de questões pontuais e determinadas como as já clássicas bandeiras dos movimentos sociais contra a privatização da saúde e educação por exemplo, deve se atentar contra a privatização das idéias e do espaço. Contra o poder de manipular, quer este poder venha da iniciativa privada ou do Estado. Contra os proveitos privados de criações, ações e construções genuinamente públicas no sentido mais laico do termo.

O ponto é que nesta nova realidade da economia do conhecimento, os esforços gratuitos para distribuição do valor podem (segundo Gorz ja é são) ser muito maior que aquela destinada a sua criação. Economiza trabalho remunerado e diminui o valor de troca. Em outras palavras, no capitalismo, e não fora dele (Negri, 2001), é que está o germe da nova sociedade.

   

Bibliografia

-BATAILLE, G.  L Experiènce intérieure, Gallimard, Paris, 1943.

-COCCO. G. A Nova Qualidade do Trabalho na Era da Informacao, (?), Rio de Janeiro (?)

-COCCO, G. Trabalho e Cidadania: produção e direitos na era da globalização, São Paulo, Cortez, 2000.-COCCO, G. URANI, A. GALVÃO, A. P. Empresários e Empregos nos novos Territórios Produtivos: o caso da Terceira Itália, Rio de Janeiro, DP&A Ed. 1999.

-DELEUZE, G. GUATTARI, F. Mille Plateaux: capitalisme et schizophrénie, Editions de Minuit, Paris, 1980.

-GLOTZ.  P. Die Beschleunigte Gesellschaft. Kultukämpfe im digitalen Kapitalismus, Kindler, München, 1999.

-GORZ, A. L Immateriale: conoscenza, valore e capitale, Bollati Boringhieri, Torino, 2003.

-LEVY. P, World Philosophie: le marchè, le Cyberspace, la Conscience, Odile Jacob, Paris 2000.

-MARAZZI. C. A Crise do New Economy e o Trabalho das Multidões, DP&A, Rio de Janeiro, 2002.

-NEGRI, A. LAZZARATO, M. Trabalho Imaterial: formas de vida e produção de subjetividade, Rio de Janeiro, DP&A, 2001.

-SCHWARTZ, G. As Profissões do Futuro, São Paulo, Publifolha, 2000.

   

Revista/periódico

-GLO[AL]  America Latina, n. 01, Publicacao Rede Universidade Nomade e CIEC/UFRJ, Rio de Janeiro, 2003

-HESSE. M. Globalization, Innovation, and Regional Development: Presentation to the Latin American Members of the ALFA Programme, University of München, Institute of Economic Geography, München, 12 january, 2004.

   

Documentos

-Munich, City of Knowledge, City of Munich, document Department of Labour and Economic Development, München, 2003.

-Panel News: Supportd by the Commission of the European Communities, Directorate-General Enterprise, Programme “ Innovation/SME”, published irregulary, n. 04, February, 2003.

-Panel News: Supportd by the Commission of the European Communities, Directorate-General Enterprise, Programme “ Innovation/SME”, published irregulary, n. 05, october, 2003.

   

Apresentação e Colóquios

-JOCHEMICH, M. Dipl. Geograph, PANEL Project Leader Munich, Gründer Regio, www.gr-m.de.

-WENZEL, B.  Projektleiterin EFFEKT, Gründer Regio M e V, www.gr_m.de.



[1] O Texto foi escrito por ocasião de estágio com permanência de seis meses na Europa estudando temas ligados a questão do “ desenvolvimento local”. O trabalho foi elaborado especificamente para o período de dois meses que estivemos em Munique, na Universidade que nos recebeu (LMU – Ludwig Maximilian University). O projeto de estágio para pesquisadores seniors foi financiado pelo Programa ALFA  - Latin America Academic Training, em co-parceria com a Comunidade Européia. Sendo assim, o texto esta disponivel na PLATAFORMA ALFA, grerida e organizada pela Universidade Livre de Barcelona.

[2] - Sociólogo, doutorando pelo Programa de Pos Graduação da FFCL da UNESP, Campus de Araraquara e pesquisador financiado pela FAPESP – Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado de São Paulo. Pesquisa temas relacionados a questão do trabalho, comunicaçao, desenvolvimento local, qualificação profissional e movimentos sociais.

[3] - Ao fazer referência ao caso italiano é importante que se diga que estivemos mais preocupados em estudar o modelo Veneto de produção. Neste sentido, entendemos que a conservação local de um saber, construído coletivamente durante décadas, (para não dizer séculos) no Veneto, foi dos principais fatores que contribuíram para a emergência econômica verificada nos ultimos anos. Como se sabe, a grande indústria com o regime de trabalho taylorista-fordista é distituidor do saber cooperativo. A própria condição para o sucesso da produção nas fábricas fordista requer a destituição de qualquer tipo de saber, remetendo os trabalhadores a mero executores de tarefas rápidas e repetitivas. A particularidade do Veneto foi ter permanecido rural sem passar por este processo de destituição do saber, ao mesmo tempo em que não figurou como simples marginal neste processo como e o caso do sul da Itália. Este entendimento contraria as teses deterministas no campo da economia que procuravam ver o desenvolvimento como um processo linear, que teria que passar necessariamente pelo desenvolvimento da grande industria. Sobre este tema tratamos em trabalho recente desenvolvido junto a VIU: Venice International Universit, e que constitui parte integrante deste mesmo trabalho. SAPIA CAMPOS, R. A Terceira Itália e a Nova Qualidade do Trabalho (perspectives para uma análise comparada), Venezia, Italia, Plataforma ALFA, 2003.

[4] - O termo é utilizado inicialmente por Bagnasco nos anì

___F___`___þ_______þ_______þ_______________j_____ura corrente sobre o tema. O que se procura de fato é particularizar um modelo produtivo especifico da região veneta no nordeste italiano. Esta diferença parece importante na medida em que o termo Terceira Itália abrange uma área maior que ultrapassa os limites territoriais do Veneto.

[6] - O Veneto esta geograficamente numa região muito pouco privilegiada do ponto de vista tanto do escoamento da producão, quanto da proximidade estratégica com outras partes centrais da Europa.

[7] - Clusters são o aqui entendidos como cristalizações produtivas dentro do território.  Não faz, portanto, diferenciação quanto à qualidade, quantidade ou parte material e imaterial da produção.

[8] . O Deutschland Museum é considerado dos mais significativos e bem equipados museus da Europa. A interação dos visitantes com o meio, com a realidade retratada no museu em nada se compara a velha ocupação destes espaços que buscavam reproduzir ambientes opacos e mortos. (velhos museus sempre deram a impressão de um mundo que existiu mas que não tem mais comunicação com o nosso, por outro lado buscavam incrustar no visitante a (violenta) idéia de que antigos povos e povoações sempre foram melhores, passando a idéia de um passado remoto melhor que o presente)  Todo o progresso da ciência está ambientado, explicado, e ainda, propõe experiências interativas no Deutschland Museum.

[9] - Sobre o tema Ver: GORZ, A. L ` Immateriale: conoscenza, valore e capitale, Bollati Boringhieri, 2003; Ainda: MARAZZI, C.   Il Posto dei Calzini. La svolta Linguistica dell ` economia e il suoi effetti sulla Politica, Bollati Boringhieri, Torino, 1999.

[10] - Alem do mais, justamente em função desta característica de não mensurabilidade, fica cada vez mais difícil aplicar conceitos como mais-valia, sobre-trabalho, valor de troca, produto social bruto. Quando os especialistas em macroeconomia procuram quantificar com os instrumentos tradicionais os resultados econômicos e os padrões de desenvolvimento, estão na realidade, tateando no escuro.(p. 36) GORZ, A. (2003) Em entrevista concedida a GLO[AL] América Latina, n. 01, 2003.

[11] . Ver COCCO, G. A Nova Qualidade do Trabalho na Era da Informação,Rio de Janeiro (?) Se o consumo se torna produtivo e a vida e mobilizada, enquanto tal, dentro dos processos de valorização, e por que o intercambio lingüístico se torna produtivo. As redes de integração virtual que as novas TICs proporcionam se tornam estratégicas. (p. 274)

[12] - Para o conceito de Nova Economia, ver Gorz (op. cit) Em entrevista aponta: …na assim chamada nova economia cognitiva, os parâmetros econômicos tradicionais não são válidos. A principal forca produtiva - o saber- não e quantificável: a atividade laborativa fundada no saber já não pode ser medida por horas de trabalho. E, apesar de todos os possíveis artifícios, a transformação do saber em capital – capital monetário - encontra alguns obstáculos insuperáveis. Dentro em breve, as três categorias fundamentais da economia política – o trabalho, o valor e o capital – não mais poderão ser definidas em termos aritméticos, nem medidas por parâmetros unitários. Entrevista concedida por Gorz no final de 2003, para a Revista GLO[AL]  América Latina, n. 01, Publicação Rede Universidade Nômade e CIEC/UFRJ, Rio de Janeiro, 2003

[13] -  Il lavoro astratto sempleci che, dai tempi di Adam Smith, era considerato come la fonte del valore, e sostituito da lavoro complesso. Il lavoro di produzione materiale, misurabile in unità di prodotto per unità di tempo, è sostituito da lavoro ditto immateriale, al quale non sono più applicabili unità di misura classiche. (p. 09) GORZ, A. L `Immateriale: conoscenza, valore e capitale, Bollati Boringhieri, Torino – Italia, 2003.

[14] - Tutti contribuiscono alla produzione sociale per il semplice fatto di vivere in società e meritano dunque quella retribuzione che è il reditto di esistenza. Ora, questa consezione non si limita a prendere atto della messa all lavoro totale della persona. Essa la legittima: se il reddito di esistenza <remunera> il lavoro invisibile che è una fonte della produtività del lavoro visibile, questa remunerazione autorizza a esigere che il lavoro invisibile renda effetivamente il lavoro visibile il più produttivo possible. (p. 22-23) GORZ, A. L ` Immateriale: conoscenza, valore e capitale, Bollati Boringhieri, Torino – Italia, 2003.

[15] . Para compreender a dimensão imediatamente produtiva do uso de uma multimídia e suficiente conectar-se com a Internet: encontraremos uma vasta oferta, que precisamos “navegar” para torná-la um serviço. E o próprio usuário que “produz” a partir das possibilidades oferecidas pela Web. Esse serviço,  na realidade terá sido produzido por nós, pela “atualização”  (no sentido de realização), de uma das inúmeras virtualidades da rede. Ou seja, as redes não funcionam como espaços onde se trocariam bens (e serviços) produzidos em outros momentos e em outros lugares. Elas são, ao mesmo tempo, infra estruturas de circulação e locais de produção dos serviços. A transação e o produto. (p. 278) COCCO, G.  A Nova Qualidade do Trabalho na Era da Informação, (?) Rio de Janeiro, …..

[16] - Harvey (2002) aponta dentre outros, o mito das soluções que pretendem anteceder o próprio problema. Ver: DAVID H.  Mundos Urbanos Possíveis, Novos Estudos SEBRAP, (?) 2002.

[17] -A este respeito:  BATAILLE, G.  L Experiènce intérieure, Gallimard, Paris, 1943.

[18] - A partir da abertura do trabalho que saiu dos limites dos muros da fábrica e da regulacao do tempo cronometrado, houve uma grande abertura de possibilidades. Assim que lembramos da ja classica tese da  recomposição entre capital e trabalho. Esta recomposição entre capital e trabalho foi largamente perseguida pela tradição que se convencionou chamar marxista, haja vista ser um ponto central no pensamento de Marx. Ocorre que a velha tradição marxista sempre via esta possibilidade a partir da regulacão do Estado. O Estado como mediador, fora do capitalismo é que devia promover esta recomposição. Desnecessário dizer que a historia nos revelou surpresas. Para um estudo detalhado sobre este ponto Ver: COCCO. G. A Nova Qualidade do Trabalho na Era da Informacão, (?), Rio de Janeiro (?)

[19] . Quanto vale Microsoft? Quel che si vuole. L `investimento iniziale importa poco: può ridursi a uno o due computer, al fitto di uno studio in cui due amici avranno messo due settimane o due trimester a scrivere un programma che farà risparmiare tempo e denaro ai suoi utenti. Quel che costa non è necessariamente il lavoro di invenzione, è quell che serve per vendere quest`ultima prima che altri abbiamo trovato o siano riusciti a copiare quell che avete fatto. Quel che costa, insomma, è principalmente la transformazione dell`invenzione in merce e la sua immissione nel mercato come prodotto di marca patentato.(p. 39) GORZ, A. L `Immateriale: conoscenza, valore e capitale, Bollati Boringhieri, Torino, Italia, 2003.

[20] - Este “ acabaram de criar seus filhos” deve ser entendido dentro do contexto alemão e de suas necessidades. Segundo informações fornecidas diretamente pela responsável pelo projeto, o diferencial de grau universitário, serve como parâmetro de cursos de alta qualificação. Arte, escultura, musica etc. Não e um regulador absoluto, ou seja, muitas das mulheres que participam não tem o “ diploma” : grau universitário. Porém, têm condições e capacidade intelectiva capaz não só de acompanhar, mas de trazer idéias e inovações para o contexto do desenvolvimento dos trabalhos. Então não e o diploma formalmente assinado que conta, mas a capacidade que se pressupõe existir com o nível universitário. Quanto a acabar de criar os filhos, significa ter filhos  entre idades de quarto e cinco anos por exemplo. Isso ocorre uma vez que antes deste período as mães se dedicam em tempo integral a criação dos filhos. Já, a partir da idade de quarto e cinco anos as crianças começam a freqüentar a escola em meio período (geralmente pela manha) sendo que as mães permitem se ocupar de outras atividades que melhor lhes convenham. Contudo, estas ocupacões partem da iniciativa das próprias mães dentro das atividades em que elas foram formadas, ou que simplesmente lhes agrade. Sendo que não é comum creches para período integral como acontece no Brasil, e que são comumente as mães que se ocupam de seus filhos no período da tarde, elas procuram direcionar o potencial produtivo para três ou quatro horas de trabalho dentro do que lhes garante renda e prazer ao mesmo tempo.  

[21] - Gründer Regio: Project Manager Pane Munich – Entrepresseurshp Support in Germany and the Munich Region. Conforme apresentou Marc Jochenich, responsável pela agência que atual na região da Bavária, esta tem um perfil baste motivacional.

[22] - Neste ponto se deve considerar que a máquina não e um ente externo ao homem. Não e um simples instrumento do qual o homem pode se livrar sem ver prejudicado seu próprio corpo. Sobre este ponto, ver o conceito de Cyborg em NEGRI. A. LAZZARATO, M. Trabalho Imaterial: formas de vida e produção de subjetividade, Rio de Janeiro, DP&A, 2001. E Cyborg por que o homem se forma com a máquina, esta não e um ente separado do seu corpo, ou mero instrumento como se pode pensar. O homem tem o corpo prolongado pela maquina. 

 

 



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