Este
artigo tem o objetivo de apresentar as principais tecnologias
que tornam possível a difusão de notícias através de
aparelhos celulares e mostrar algumas das principais experiências
em torno do mundo. Com isso, o artigo pretende levantar a
discussão sobre o jornalismo digital móvel e como ele tem sido
desenvolvido nas atuais redes de celulares digitais.
Palavras-chaves:
jornalismo
digital móvel, celulares, mobilidade
1.
Introdução
O
telefone celular já se firmou como uma ferramenta de comunicação
protagonista na sociedade humana. Sobretudo desde a década de
90 - quando a telefonia móvel entrou em um constante ritmo de
desenvolvimento tecnológico e comercial - as redes celulares
passaram de analógicas para digitais; as linhas telefônicas móveis
ficaram mais baratas, com planos de pagamento mais acessíveis
para os usuários; e os dispositivos móveis ficaram
sofisticados, com capacidade de transmissão de dados e acesso
à internet.
Este
vigoroso desenvolvimento tornou o mercado de telefonia celular
mais complexo. Para conquistar mais clientes, as operadoras de
telefonia celular oferecem recursos avançados, tais como:
capacidade de envio e recebimento de textos curtos, e-mails e
imagens; acesso a conteúdo como jogos, notícias,
entretenimento e outras informações. Devido à necessidade de
aumentar os serviços disponíveis no celular, as operadoras
induzem empresas de outros segmentos (editorial, bancário,
serviços corporativos, etc) a publicarem seus serviços nas
redes de telefonia móvel.
Neste
sentido, a estratégia de operadoras em todo mundo contempla
também os interesses das empresas jornalística, que por sua
vez já enxergam o potencial do celular como um novo suporte
multimídia para difusão de notícias e informações em geral.
O
objetivo deste artigo, portanto, é conhecer um pouco mais sobre
as tecnologias já disponíveis para a publicação de conteúdo
móvel e alguns casos que já estão em operação em diversos
países. Os aspectos analisados no presente artigo servirão
para mostrar que a telefonia móvel já faz parte da estratégia
de grandes grupos de comunicação e que “à imprensa, ao rádio,
à televisão e à internet, agora se adicionou o telefone
celular, o quinto suporte por onde pode se transmitir
massivamente conteúdo informativo” (BRAGINSKI, 2004)
[1].
2.
Tecnologias
Apesar
da telefonia móvel ser desenvolvida desde a década de 40, o
primeiro serviço comercial de telefonia celular foi oferecido
apenas em 1978, em Bahrein, no Golfo Pérsico. Em 1979, a
operadora japonesa NTT inaugurou uma rede que cobria a área
metropolitana de Tóquio. Em 1981, a novidade chegou às Américas:
a Cidade do México foi a primeira cidade dos três continentes
americanos a ter uma rede celular comercial. Neste mesmo ano, os
europeus também inauguraram sua telefonia celular e, em 1982,
foi a vez dos americanos entrarem no jogo, com a criação do
padrão analógico, que foi adotado por diversos países no
mundo - inclusive no Brasil, que inaugurou sua primeira rede
celular em 1990. (GRECO, 2003, p. 58 e 59).
E
após a comercialização do padrão analógico de telefonia
celular - batizado pelo mercado de “primeira geração” de
celulares (1G) - foram desenvolvidas as redes digitais para
resolver os problemas técnicos dos padrões analógicos. Daí
foram desenvolvidas as redes digitais de “segunda geração”
(2G), que entraram em funcionamento na década de 90 e,
posteriormente, lançadas redes de “segunda geração e
meia” (2.5G) que oferecem recursos multimídia para transmissão
de dados. TAURION define bem esta evolução tecnológica das
redes celulares:
"a indústria classifica os
sistemas de telefonia celular em gerações: a primeira geração
(1G) analógica; a segunda geração (2G), já digital e em uso
intenso no Brasil; a segunda e meia geração (2.5G), com
melhorias significativas em capacidade de transmissão de dados
e na adoção da tecnologia de pacotes (...); a terceira geração
(3G), ainda em experiências iniciais no Japão e na Europa. E já
em desenvolvimento a 4G" (2001,
p. 17).
Portanto,
com o advento das redes 2G e 2.5G - encontradas em pleno
funcionamento no mundo - é que o celular passou a ser utilizado
para aplicações além da voz, como envio e recebimento de
mensagens de textos, sons e imagens, através de tecnologias
como WAP, SMS e MMS, que serão definidas abaixo. Para SOUZA E
SILVA os telefones
celulares "já não são mais apenas telefones celulares,
mas incluem SMS (Torpedos), imagens, vídeo, conexão com a
Internet e sistemas de posicionamento celular" (2004, p.
165).
2.1
Tecnologias do jornalismo móvel
Com
a introdução no mercado de aparelhos celulares cada vez mais
sofisticados, hoje um aparelho médio tem a capacidade de, no mínimo,
transmitir mensagens curtas (SMS) e acessar a internet através
do protocolo WAP. Afora estes dois recursos, hoje em dia já
existem novas tecnologias como MMS e o sistema Imode, que
permitem a utilização de recursos multimídia. A oferta de
diferentes tecnologias faz do celular um meio que permite o uso
de aplicações como e-mails, notícias, sons polifônicos,
papel de parede, proteção de tela, entre outros tipos de
informações e serviços.
E
hoje, as principais tecnologias que possibilitam a publicação
de conteúdo móvel são, sobretudo o WAP, o SMS e
o MMS, além do Imode – sistema japonês que não
opera no Brasil. Estes recursos serão apresentados na próxima
sessão do artigo e nos darão base para conhecer os casos de
difusão de notícias no celular através destas tecnologias, já
desenvolvidos no mundo.
2.1.1.
WAP
O
WAP (Protocolo de Aplicação Sem Fio, sigla em inglês) é
definido como "um suite de protocolos destinado a
disponibilizar conteúdo de internet para dispositivos de
comunicação móvel, assim como serviços avançados de
telefonia". (GRANATO, 2000, p. 1). Desenvolvido em 1997 por
um pool de empresas (Phone.com, Ericsson, Nokia e Motorola), o
WAP foi projetado para ser um padrão aberto para transmissão
de dados sem fio, difundido em escala global (ibid, p.
2).
Lançado
em diversos países no mundo, o WAP foi divulgado como a chegada
da “internet móvel”, causando grande expectativa no mercado
mundial. No entanto, o WAP não era a internet móvel, mas sim
um sistema de acesso sem-fio, monocromático, lento e com modelo
de cobrança mal definido. No primeiro momento, o sistema “não
emplacou no Brasil. Nem aqui, nem em qualquer outra parte do
globo” (GUIZZO, 2001).
Mas
nem a frustração generalizada foi suficiente para riscar o WAP
do mercado. Pelo contrário, hoje o protocolo encontrou seu
lugar no ambiente móvel, fornecendo aplicações maduras e com
um modelo de negócio mais flexível. Hoje, por exemplo, o
acesso via WAP pode ser cobrado por pacote de dados - os
consumidores pagam por dados recebidos, e não por tempo de
conexão - modelo que torna o serviço mais barato. Como reflexo
desta maturidade, a VIVO (maior operadora da América Latina),
anunciou a marca de 1.2 milhão de clientes únicos de WAP em
sua rede, em janeiro de 2004.
2.1.2.
SMS
O
SMS é o serviço de mensagem curta para celulares, com
capacidade de envio de mensagens de texto de até 160
caracteres. Desenvolvida a partir da tecnologia de transmissão
de mensagens curtas dos antigos pagers, o serviço foi
incorporado nos celulares em 1992.
Com
um modelo de negócio claro (o usuário paga por mensagem
enviada) e com um uso bem mais simples que o WAP, a utilização
de SMS se popularizou sobretudo entre os jovens. Conhecido
informalmente como "Torpedo", o SMS logo assumiu a
dianteira das aplicações móveis e foi o grande propagador do
uso de dados nos celulares. Segundo estimativas do mercado
brasileiro, em 2003, "o tráfego de SMS no país foi de
aproximadamente 7 bilhões de mensagens” (PAIVA, 2004, p. 17).
2.1.3.
MMS
MMS
(Multimedia Message Service) é o termo popular para o serviço
de mensagens multimídia. O serviço possibilita o envio de mensagens multimídia, com
imagens coloridas e sons, como por exemplo, cartões virtuais ou
foto-legendas. Para FIORESE, “sendo uma evolução
do serviço SMS, o serviço MMS terá muito do seu sucesso
baseado na interoperabilidade” (2002).
Ou
seja, seguindo o modelo do SMS – de envio de mensagens entre
usuários de operadoras diferentes – a tecnologia tem
potencial de sucesso pela sua simplicidade de uso, alta penetração
entre usuários e modelo de negócio baseado na cobrança por
mensagem enviada. O MMS foi lançado comercialmente no Brasil em
dezembro de 2002.
2.1.4.
Imode
O
Imode foi um sucesso tão retumbante no Japão, que se tornou,
por conseqüência, o caso mais expressivo no mundo de uso de
celular como meio de transmissão de dados. Lançado no Japão
em 1999, o Imode é o nome fantasia do sistema proprietário da
operadora japonesa NTTDoCoMo. Desenvolvido em c-HTML - uma
linguagem derivada do HTML - tem como resultado uma interface
muito parecida com as páginas disponíveis na World Wide Web.
Mesmo
com uma taxa de transmissão de dados a 9.6 kbps, o sistema fez
sucesso, pois seu modelo de conexão permanente e cobrança por
pacote de dados (e não por tempo de conexão), tornou o acesso
ao serviço uma experiência ágil e economicamente viável,
acessível a qualquer cidadão.
Sobre
este aspecto RHEINGOLD ainda destaca que os criadores do Imode
estabeleceram diretrizes básicas para seu lançamento
comercial: "o telefone deveria pesar menos que 100 gramas e
o serviço básico do sistema deveria custar menos que 300 Yen
(menos que U$ 3) por mês" (2002, p. 9). Outra característica
que assegurou o sucesso do sistema foi a abertura da rede para
desenvolvedores terceirizados de conteúdo. Com o modelo de negócio
baseado em divisão de receita (9% da assinatura do conteúdo em
questão vai como comissão para a operadora e 91%, para o
produtor), a rede se expandiu rapidamente e passou a oferecer
toda a sorte de serviços para os usuários, através de
"mais de 1800 sites oficiais com serviços exclusivos e 47
mil páginas compatíveis com o IMode" (YURI, 2001, p. 74).
3.
Casos
Estas
quatro tecnologias já funcionam no mercado e são as atuais
protagonistas para que os veículos possam disponibilizar suas
notícias. A partir destes recursos, já foi possível
desenvolver modelos de “jornalismo digital móvel”
(BRAGISNKI, 2004) em diversos países como Japão, Finlândia,
Alemanha, Noruega, EUA, Argentina Brasil, entre outros, como
veremos adiante.
3.1.
Japão
Com
o sucesso do lançamento do Imode, o Japão se tornou um caso
paradigmático de uso de celulares. Lançado em 1999, hoje o
Imode contabiliza quase 42 milhões de usuários que acessa o
seu conteúdo, em uma nação com cerca de 80 milhões de usuários
de telefonia celular.
Incentivando
o acesso a dados móveis, a NTT DoCoMo criou um catálogo de
sites oficiais - são sites de entretenimento, notícias,
informações e transações, desenvolvidos por empresas que
fecharam parceria com a operadora. Estes
sites cobram assinatura dos usuários, valores que são
debitados na conta telefônica, e dividem a receita com a
operadora. Hoje existem cerca de 4 mil sites oficiais, que
disponibilizam conteúdo para os assinantes.
Deste
4 mil sites, podemos destacar a presença dos maiores grupos de
comunicação do Japão como, por exemplo, os jornais Yomiuri
Shimbun e Asahi Shimbun, os principais jornais impressos do país.
O
Asahi Shimbum é o caso de maior destaque no jornalismo por
celular no Japão. Mesmo sendo o segundo jornal impresso com
maior circulação do país - ficando atrás do Yomiuri Shimbun
- o Asahi é, de longe, o mais acessado via celular, com cerca
de 1 milhão de assinantes da versão sem fio do jornal - contra
330 mil usuários que assinam o concorrente Yomiuri pelo
celular. Com seu debut em 1999 no Imode, o Asahi atingiu
este sucesso devido uma "uma forte promoção intra-canais,
usando o poder do alcance de massa do Asahi tanto em impresso
quanto mídia de difusão"
(BETTI, 2004, p. 19). Cobrando uma taxa de assinatura única
por mês (100 yenes - U$ 0.94), o Asahi conseguiu alcançar
novos leitores, sobretudo entre a população mais jovem do país:
"A
empresa procurou caminhos para almejar o mercado jovem. Pessoas
nos seus 20 anos correspondem apenas a 15% dos leitores do
Asahi. A edição impressa matutina vende 8 milhões e a
vespertina vende 4 milhões, mas são mais popular entre pessoas
da faixa etária de 50 anos ou mais. Correspondentemente, o site
do jornal na web atinge uma faixa mais jovem, a maioria pessoas
entre seus 30 e 40 anos, e a maior audiência do site wireless
está entre seus 20 e 30 anos". (ibid,
p. 21).
Para
publicar as notícias, o jornal adapta para a tela do celular -
através de um software automático - cerca de 120 notícias em
tempo real por dia, que são produzidas para a versão do jornal
na Web. Os não-assinantes podem ler as manchetes, mas para ter
acesso ao conteúdo, o usuário deve solicitar a assinatura do
Asahi Shimbun sem fio no menu do celular. Hoje a divisão wireless
do Asahi gera uma receita de 1 bilhão de yenes por ano e 70%
dos usuários assinam os serviços por mais de um ano. 20% deles
acessam o site mais do que 5 vezes ao dia (ibid, p. 21).
Além
destes grandes grupos, outras empresas do Japão e do mundo também
geram conteúdo para ser acessado via i-mode. Outros grupos –
como, por exemplo, a rede americana CNN e a Editora Abril –
fornecem seus conteúdo para assinantes do Imode. Eles também são
responsáveis pelo sucesso do sistema, pois divulgam seus serviços
móveis através de seus meios impressos e eletrônicos. É
"a divulgação da nova mídia pela velha mídia"
(FERREIRA, 2004, p. 20).
3.2.
Europa
Depois
do Japão, o continente europeu é a região onde a telefonia
celular mais tem influenciado nos hábitos da população. Países
como Finlândia, Noruega, Holanda, Alemanha, Itália e França já
levantam a discussão sobre como levar o conteúdo noticioso
para as redes de telefonia móvel. Um exemplo deste debate foi o
fórum realizado na Itália, no dia 14 maio de 2004, para buscar
alternativas para aumentar o interesse dos jovens por leitura de
jornais. Organizado pelo Observatório Permanente para a
Juventude e Editores, o evento reuniu editores de jornais
como "Los Angeles Times", "USA Today",
"New York Post" e "El Mundo", que apontaram
os telefones celulares como uma alternativa viável para difusão
de notícias, sobretudo entre a população jovem:
“os celulares estão cada vez mais invadindo o espaço do rádio,
televisão e mídia impressa. Segundo editores de jornais e
revistas dos Estados Unidos e Europa, o fenômeno se deve ao
fato de que os celulares são mais rápidos para transmitir notícias
e estão o tempo inteiro à disposição de seus donos” (MAGALHÃES,
2004, O Estado de São Paulo).
Esta
percepção é endossada a partir de casos como a Finlândia, líder
no mercado de transmissão dados no celular. Mais de 80% dos
finlandeses têm um telefone celular e empresas locais como a
Nokia e a operadora Sonera, são símbolos mundiais do avanço
da Finlândia em mobilidade.
Este
alto índice de penetração de celulares, portanto, abre espaço
para serviços de informações destinados ao grande público,
como por exemplo, notícias sobre esporte. O serviço da Finnish
Elite League Games, a primeira divisão do hockey no país,
oferece informações em tempo real via WAP e SMS, para todos os
celulares, com dados dos jogos da rodada. Segundo PAKARINEN, na
Finlândia “alertas de SMS, dando as últimas estatísticas,
placares, toques musicais ou imagens são lugares comuns”
(REVISTA ON, 2004, p. 47). Diferente de 2001, não há mais hype
em torno de SMS, pois os serviços mencionados funcionam: “os
serviços não tiram o fôlego de tão avançados, mas diferente
de 2001, eles funcionam. Todos os dias” (p. 47).
Mas além da Finlândia,
existem outras iniciativas na Europa que valem a pena serem
lembradas. A operadora KPN, por exemplo, levou o sistema japonês
Imode, para funcionar na Holanda, Alemanha e Bélgica. Com
parceria com jornais como De Telegraaf, De Volkskrant, Dutch
Press Agency, Reuters, Dow Jones/Wall Street Journal e CNN
Mobile, a operadora pratica o modelo de divisão de receitas,
com números semelhantes ao praticado pela NTT DoCoMo: 14% da
receita com assinaturas fica com a operadora e 86% vai para o
provedor de conteúdo (CAMPBELL, 2004).
Já
no caso do tablóide VG, da Noruega, a assinatura do conteúdo não
é vista como fonte de receita. Serviços como envio de notícias
em SMS, bem como a versão do site de WAP, não geram divisas
significativas para a empresa. Estes serviços são mantidos em
funcionamento, pois servem como ferramenta de marketing e reforço
institucional. O que gera receita para o jornal são os serviços
de outra natureza, como downloads de toques telefônicos,
logotipos e imagens coloridas de proteção de telas, cobrados
através do envio de um SMS Premium.
Esporadicamente, serviços pontuais de notícias, como informações
sobre a lista oficial do mercado financeiro (publicada
anualmente no mês de outubro), também são disponibilizadas no
modelo de cobrança através do envio de um SMS Premium (custa 1
Euro). “Os serviços móveis contabilizam cerca de 10% da
renda da operação digital do VG” (ibid).
Na
Áustria, outra experiência mostra o apelo do noticiário
esportivo no celular. A operadora local One oferece aos usuários
um serviço chamado One Smile, que é um menu pré-instalado
em celulares da operadora que, com um único clique, leva os usuários
a acessarem notícias sobre esportes, em SMS, MMS e vídeo.
“Por exemplo, entusiastas de futebol podem assinar um serviço
de alerta de gol do seu time favorito na liga Australiana de
Futebol. Além disso, One oferece uma grande variedade de notícias
especiais sobre principais eventos esportivos como a Olimpíadas
na Grécia em 2004 e o Campeonato de Futebol Europeu 2004”
(PAKARINEN, 2004, 48). O serviço conta com notícias de
empresas de conteúdo como a agência Austrian Broadcasting e
Sport1.
Além
destes exemplos, as principais operadoras de países como Itália,
Espanha, França e Grécia também já trabalham com o Imode ou
sistemas similares de publicação, no intuito de desenvolver a
demanda por conteúdo móvel, estimulando a participação de
provedores de conteúdo.
3.4.
Outras regiões
Os
Estudos Unidos é um país onde a transmissão de dados via
telefonia celular ainda está em amadurecimento (SOUZA E SILVA,
2004, p. 229). No entanto, este caminho já se mostra irreversível.
Talvez a maior evidência deste processo é o produto CNN
Mobile, um dos mais populares serviços de informação via
celular em todo o mundo. A rede americana oferece uma gama de
serviços que vai desde 25 categorias de alerta de SMS, WAP,
serviços multimídia, e até vídeo por celular. Nos EUA, o
serviço já está disponível nas principais operadoras do país
(AT&T, Cingular, Nextel, T-Mobile, Sprint, Verizon), que
cobram por alertas enviados, por assinatura, ou ainda, por
pacote de dados, durante a navegação em WAP. O serviço também
está disponível para diversas operadoras em todo mundo,
incluindo operadoras da Europa, America Latina, Ásia e Oriente
Médio. Segundo o site oficial da empresa, ao todo são 24 países
em todo o mundo que disponibilizam o conteúdo da CNN Mobile
para mais de 90 milhões de assinantes.
Na
Argentina, a emissora Canal 13 e a TV a cabo TN já transmitem
parte de sua programação para modelos de telefones mais
sofisticados da operadora Personal. O jornal Clarin “acaba de
apresentar o serviço Personal News, um serviço pelo qual os
clientes da Personal podem receber todas as notícias de último
momento que se publicam no Clarin.com (na Web)” (BRAGINSKI,
2004). As outras operadoras que atuam no país também oferecem
diferentes serviços no celular, geralmente vinculados a alguma
produtora de conteúdo noticioso (ibid).
Tal
qual na Argentina, no Brasil todas as operadoras que atuam no país
já fornecem serviços de notícias no celular, seja via WAP,
SMS e MMS. As
principais operadoras locais (Vivo, Claro, TIM e Oi) oferecem
canais de esporte, notícias financeiras e boletins diários.
Segundo levantamento feito pela revista VEJA (2004, p. 115), as
operadoras cobram de R$ 0.14 a 0.99 centavos por SMS com notícia
enviada para o celular do usuário, ou ainda oferecem
assinaturas mensais para recebimento de boletins diários.
Segundo a reportagem, há a opção de notícias através de
navegação WAP, cobrada por minuto (cerca de R$ 0.36 o minuto),
ou ainda, já há a opção de navegação WAP cobrada por
pacotes de dados, cujo preço varia entre 0.04 a 0.05 por kbyte
navegado.
As
empresas brasileiras de conteúdo também já se posicionaram
neste mercado: no dia 24 de março de 2000, a Folha de São
Paulo lançou o “FolhaWAP”, o primeiro serviço de notícias
por celular no Brasil. Hoje, a Folha de São Paulo não só continua
oferecendo serviços de WAP e SMS, como lançou, em dezembro de
2002, o serviço “Fotogol” - o primeiro serviço noticioso
de MMS para celulares no país, com fotos dos lances decisivos
da final do Campeonato Brasileiro de Futebol, disputada na ocasião
entre Santos e Corinthians (ANGELO, 2002).
A
Editora Abril também enxerga a importância estratégica do
celular como um novo suporte na distribuição de conteúdo. Além dos esforços públicos de
levar o conteúdo das revistas Placar e da Contigo para o Japão,
a editora tem trabalhado para o desenvolvimento do mercado
editorial móvel no Brasil. A
editora trabalha com diferentes operadoras no país e oferece,
entre outras, o conteúdo da Revista Veja, Infoexame, VIP,
Playboy, Superinteressante. Esta
motivação fica clara na opinião de Roberto Civita, presidente
do grupo Abril, em seu artigo “Os próximos 50 anos”:
“Vamos criar, reunir, organizar, empacotar e entregar informação e
entretenimento de qualidade. Não importa se impresso, se no
computador, se em celulares”. Quem está no ramo de comunicações
tem que pensar, simultaneamente, em como vai tornar a leitura
acessível para seus milhões de leitores (e mais aqueles que
ainda não chegaram lá) e, do outro lado, como tornar disponível
seu conteúdo, o conhecimento, em outras plataformas” (CIVITA,
2000, p. 80).
Outras
empresas como O Estado de São Paulo, portal Terra, IG e Revista
Trip, já têm operações nos celulares e trazem notícias para
os usuários, tateando este mercado de mobilidade, em busca de
definições técnicas e de modelos sustentáveis de negócios.
4.
Conclusão
As
tecnologias e os casos aqui apresentados serviram para levantar
a discussão em torno da “imprensa móvel” (COSTA, 2003).
Estes aspectos mostram que já é possível disponibilizar conteúdo
noticioso para os leitores via celular e que algumas empresas já
geram receita com este o suporte.
No
entanto, existem aspectos que não foram aprofundados neste
artigo, tais como as tendências do mercado sobre qual o melhor
modelo de negócio a ser praticado - aspecto investigado por
CAMPBELL (2004); ou ainda, quais são as principais características
do jornalismo no celular, já analisadas por BRAGINSKI (2004);
entre outras abordagens que carecem investigação.
O
maior desafio deste trabalho, no entanto, foi contribuir com
mais um tema nas pesquisas sobre jornalismo - “o jornalismo
digital móvel” (ibid). Como vimos, as tecnologias
disponíveis já abriram espaço para investimentos em telefonia
celular, uma vez que esta é “uma área que nenhum jornal deve
ignorar, este é um mercado que está crescendo rápido e
qualquer um com conteúdo, uma marca e uma base de consumidores
deveria estar apto para capitalizar nele” (CAMPBELL, 2004).
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*Autor:
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de Oliveira Ferreira é mestrando na ECA-USP.
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[6]
http://www.nttdocomo.com/companyinfo/subscriber.html
[9]
SMS Premium: serviço no qual o usuário envia um SMS para
um número específico e solicita determinado serviço, que
por sua vez é tarifado de forma diferenciada (de acordo com
o valor previamente estabelecido pelo serviço). O sistema
de SMS Premium é utilizado para fazer assinaturas de conteúdo,
requisitar notícias, baixar músicas, imagens, entre outros
serviços. Outra alternativa para solicitar um determinado
serviço móvel é a partir de navegação via WAP –
tarifada por pacotes ou por tempo de conexão – para o usuário
requisitar a assinatura do serviço no site do próprio
fornecedor, mediante login e senha. Esta segunda
alternativa é muito utilizada no sistema Imode. Em ambos
modelos, há a possibilidade de divisão de receita entre a
operadora e os provedores de conteúdo.
[11]
http://www1.folha.uol.com.br/folha/informatica/ult124u11839.shtml
[12]
http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos/sai260820031.htm