| Volver al Indice |

| Atras |

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Notícias no celular: tecnologias e experiências  

 

Paulo Henrique de Oliveira Ferreira

ECA/USP*

   

Resumo

Este artigo tem o objetivo de apresentar as principais tecnologias que tornam possível a difusão de notícias através de aparelhos celulares e mostrar algumas das principais experiências em torno do mundo. Com isso, o artigo pretende levantar a discussão sobre o jornalismo digital móvel e como ele tem sido desenvolvido nas atuais redes de celulares digitais.

Palavras-chaves: jornalismo digital móvel, celulares, mobilidade

   

1. Introdução

O telefone celular já se firmou como uma ferramenta de comunicação protagonista na sociedade humana. Sobretudo desde a década de 90 - quando a telefonia móvel entrou em um constante ritmo de desenvolvimento tecnológico e comercial - as redes celulares passaram de analógicas para digitais; as linhas telefônicas móveis ficaram mais baratas, com planos de pagamento mais acessíveis para os usuários; e os dispositivos móveis ficaram sofisticados, com capacidade de transmissão de dados e acesso à internet.

Este vigoroso desenvolvimento tornou o mercado de telefonia celular mais complexo. Para conquistar mais clientes, as operadoras de telefonia celular oferecem recursos avançados, tais como: capacidade de envio e recebimento de textos curtos, e-mails e imagens; acesso a conteúdo como jogos, notícias, entretenimento e outras informações. Devido à necessidade de aumentar os serviços disponíveis no celular, as operadoras induzem empresas de outros segmentos (editorial, bancário, serviços corporativos, etc) a publicarem seus serviços nas redes de telefonia móvel.

Neste sentido, a estratégia de operadoras em todo mundo contempla também os interesses das empresas jornalística, que por sua vez já enxergam o potencial do celular como um novo suporte multimídia para difusão de notícias e informações em geral.

O objetivo deste artigo, portanto, é conhecer um pouco mais sobre as tecnologias já disponíveis para a publicação de conteúdo móvel e alguns casos que já estão em operação em diversos países. Os aspectos analisados no presente artigo servirão para mostrar que a telefonia móvel já faz parte da estratégia de grandes grupos de comunicação e que “à imprensa, ao rádio, à televisão e à internet, agora se adicionou o telefone celular, o quinto suporte por onde pode se transmitir massivamente conteúdo informativo” (BRAGINSKI, 2004) [1].

   

2. Tecnologias

Apesar da telefonia móvel ser desenvolvida desde a década de 40, o primeiro serviço comercial de telefonia celular foi oferecido apenas em 1978, em Bahrein, no Golfo Pérsico. Em 1979, a operadora japonesa NTT inaugurou uma rede que cobria a área metropolitana de Tóquio. Em 1981, a novidade chegou às Américas: a Cidade do México foi a primeira cidade dos três continentes americanos a ter uma rede celular comercial. Neste mesmo ano, os europeus também inauguraram sua telefonia celular e, em 1982, foi a vez dos americanos entrarem no jogo, com a criação do padrão analógico, que foi adotado por diversos países no mundo - inclusive no Brasil, que inaugurou sua primeira rede celular em 1990. (GRECO, 2003, p. 58 e 59).

E após a comercialização do padrão analógico de telefonia celular - batizado pelo mercado de “primeira geração” de celulares (1G) - foram desenvolvidas as redes digitais para resolver os problemas técnicos dos padrões analógicos. Daí foram desenvolvidas as redes digitais de “segunda geração” (2G), que entraram em funcionamento na década de 90 e, posteriormente, lançadas redes de “segunda geração e meia” (2.5G) que oferecem recursos multimídia para transmissão de dados. TAURION define bem esta evolução tecnológica das redes celulares:

"a indústria classifica os sistemas de telefonia celular em gerações: a primeira geração (1G) analógica; a segunda geração (2G), já digital e em uso intenso no Brasil; a segunda e meia geração (2.5G), com melhorias significativas em capacidade de transmissão de dados e na adoção da tecnologia de pacotes (...); a terceira geração (3G), ainda em experiências iniciais no Japão e na Europa. E já em desenvolvimento a 4G" (2001, p. 17).

Portanto, com o advento das redes 2G e 2.5G - encontradas em pleno funcionamento no mundo - é que o celular passou a ser utilizado para aplicações além da voz, como envio e recebimento de mensagens de textos, sons e imagens, através de tecnologias como WAP, SMS e MMS, que serão definidas abaixo. Para SOUZA E SILVA  os telefones celulares "já não são mais apenas telefones celulares, mas incluem SMS (Torpedos), imagens, vídeo, conexão com a Internet e sistemas de posicionamento celular" (2004, p. 165).

   

2.1 Tecnologias do jornalismo móvel

Com a introdução no mercado de aparelhos celulares cada vez mais sofisticados, hoje um aparelho médio tem a capacidade de, no mínimo, transmitir mensagens curtas (SMS) e acessar a internet através do protocolo WAP. Afora estes dois recursos, hoje em dia já existem novas tecnologias como MMS e o sistema Imode, que permitem a utilização de recursos multimídia. A oferta de diferentes tecnologias faz do celular um meio que permite o uso de aplicações como e-mails, notícias, sons polifônicos, papel de parede, proteção de tela, entre outros tipos de informações e serviços.

E hoje, as principais tecnologias que possibilitam a publicação de conteúdo móvel são, sobretudo o WAP, o SMS e o MMS, além do Imode – sistema japonês que não opera no Brasil. Estes recursos serão apresentados na próxima sessão do artigo e nos darão base para conhecer os casos de difusão de notícias no celular através destas tecnologias, já desenvolvidos no mundo.

   

2.1.1. WAP

O WAP (Protocolo de Aplicação Sem Fio, sigla em inglês) é definido como "um suite de protocolos destinado a disponibilizar conteúdo de internet para dispositivos de comunicação móvel, assim como serviços avançados de telefonia". (GRANATO, 2000, p. 1). Desenvolvido em 1997 por um pool de empresas (Phone.com, Ericsson, Nokia e Motorola), o WAP foi projetado para ser um padrão aberto para transmissão de dados sem fio, difundido em escala global (ibid, p. 2).

Lançado em diversos países no mundo, o WAP foi divulgado como a chegada da “internet móvel”, causando grande expectativa no mercado mundial. No entanto, o WAP não era a internet móvel, mas sim um sistema de acesso sem-fio, monocromático, lento e com modelo de cobrança mal definido. No primeiro momento, o sistema “não emplacou no Brasil. Nem aqui, nem em qualquer outra parte do globo” (GUIZZO, 2001)[2].

Mas nem a frustração generalizada foi suficiente para riscar o WAP do mercado. Pelo contrário, hoje o protocolo encontrou seu lugar no ambiente móvel, fornecendo aplicações maduras e com um modelo de negócio mais flexível. Hoje, por exemplo, o acesso via WAP pode ser cobrado por pacote de dados - os consumidores pagam por dados recebidos, e não por tempo de conexão - modelo que torna o serviço mais barato. Como reflexo desta maturidade, a VIVO (maior operadora da América Latina), anunciou a marca de 1.2 milhão de clientes únicos de WAP em sua rede, em janeiro de 2004[3].

   

2.1.2. SMS

O SMS é o serviço de mensagem curta para celulares, com capacidade de envio de mensagens de texto de até 160 caracteres. Desenvolvida a partir da tecnologia de transmissão de mensagens curtas dos antigos pagers, o serviço foi incorporado nos celulares em 1992.

Com um modelo de negócio claro (o usuário paga por mensagem enviada) e com um uso bem mais simples que o WAP, a utilização de SMS se popularizou sobretudo entre os jovens. Conhecido informalmente como "Torpedo", o SMS logo assumiu a dianteira das aplicações móveis e foi o grande propagador do uso de dados nos celulares. Segundo estimativas do mercado brasileiro, em 2003, "o tráfego de SMS no país foi de aproximadamente 7 bilhões de mensagens” (PAIVA, 2004, p. 17).

   

2.1.3. MMS

MMS (Multimedia Message Service) é o termo popular para o serviço de mensagens multimídia.  O serviço possibilita o envio de mensagens multimídia, com imagens coloridas e sons, como por exemplo, cartões virtuais ou foto-legendas. Para FIORESE[4], “sendo uma evolução do serviço SMS, o serviço MMS terá muito do seu sucesso baseado na interoperabilidade” (2002).

Ou seja, seguindo o modelo do SMS – de envio de mensagens entre usuários de operadoras diferentes – a tecnologia tem potencial de sucesso pela sua simplicidade de uso, alta penetração entre usuários e modelo de negócio baseado na cobrança por mensagem enviada. O MMS foi lançado comercialmente no Brasil em dezembro de 2002.

   

2.1.4. Imode

O Imode foi um sucesso tão retumbante no Japão, que se tornou, por conseqüência, o caso mais expressivo no mundo de uso de celular como meio de transmissão de dados. Lançado no Japão em 1999, o Imode é o nome fantasia do sistema proprietário da operadora japonesa NTTDoCoMo. Desenvolvido em c-HTML - uma linguagem derivada do HTML - tem como resultado uma interface muito parecida com as páginas disponíveis na World Wide Web.

Mesmo com uma taxa de transmissão de dados a 9.6 kbps, o sistema fez sucesso, pois seu modelo de conexão permanente e cobrança por pacote de dados (e não por tempo de conexão), tornou o acesso ao serviço uma experiência ágil e economicamente viável, acessível a qualquer cidadão.

Sobre este aspecto RHEINGOLD ainda destaca que os criadores do Imode estabeleceram diretrizes básicas para seu lançamento comercial: "o telefone deveria pesar menos que 100 gramas e o serviço básico do sistema deveria custar menos que 300 Yen (menos que U$ 3) por mês" (2002, p. 9). Outra característica que assegurou o sucesso do sistema foi a abertura da rede para desenvolvedores terceirizados de conteúdo. Com o modelo de negócio baseado em divisão de receita (9% da assinatura do conteúdo em questão vai como comissão para a operadora e 91%, para o produtor), a rede se expandiu rapidamente e passou a oferecer toda a sorte de serviços para os usuários, através de "mais de 1800 sites oficiais com serviços exclusivos e 47 mil páginas compatíveis com o IMode" (YURI, 2001, p. 74).

   

3. Casos

Estas quatro tecnologias já funcionam no mercado e são as atuais protagonistas para que os veículos possam disponibilizar suas notícias. A partir destes recursos, já foi possível desenvolver modelos de “jornalismo digital móvel” (BRAGISNKI, 2004) em diversos países como Japão, Finlândia, Alemanha, Noruega, EUA, Argentina Brasil, entre outros, como veremos adiante.

   

3.1. Japão

Com o sucesso do lançamento do Imode, o Japão se tornou um caso paradigmático de uso de celulares. Lançado em 1999, hoje o Imode contabiliza quase 42 milhões de usuários que acessa o seu conteúdo, em uma nação com cerca de 80 milhões de usuários de telefonia celular[5]. Incentivando o acesso a dados móveis, a NTT DoCoMo criou um catálogo de sites oficiais - são sites de entretenimento, notícias, informações e transações, desenvolvidos por empresas que fecharam parceria com a operadora. Estes sites cobram assinatura dos usuários, valores que são debitados na conta telefônica, e dividem a receita com a operadora. Hoje existem cerca de 4 mil sites oficiais, que disponibilizam conteúdo para os assinantes[6]. Deste 4 mil sites, podemos destacar a presença dos maiores grupos de comunicação do Japão como, por exemplo, os jornais Yomiuri Shimbun e Asahi Shimbun, os principais jornais impressos do país.

O Asahi Shimbum é o caso de maior destaque no jornalismo por celular no Japão. Mesmo sendo o segundo jornal impresso com maior circulação do país - ficando atrás do Yomiuri Shimbun - o Asahi é, de longe, o mais acessado via celular, com cerca de 1 milhão de assinantes da versão sem fio do jornal - contra 330 mil usuários que assinam o concorrente Yomiuri pelo celular. Com seu debut em 1999 no Imode, o Asahi atingiu este sucesso devido uma "uma forte promoção intra-canais, usando o poder do alcance de massa do Asahi tanto em impresso quanto mídia de difusão"  (BETTI, 2004, p. 19). Cobrando uma taxa de assinatura única por mês (100 yenes - U$ 0.94), o Asahi conseguiu alcançar novos leitores, sobretudo entre a população mais jovem do país:

"A empresa procurou caminhos para almejar o mercado jovem. Pessoas nos seus 20 anos correspondem apenas a 15% dos leitores do Asahi. A edição impressa matutina vende 8 milhões e a vespertina vende 4 milhões, mas são mais popular entre pessoas da faixa etária de 50 anos ou mais. Correspondentemente, o site do jornal na web atinge uma faixa mais jovem, a maioria pessoas entre seus 30 e 40 anos, e a maior audiência do site wireless está entre seus 20 e 30 anos". (ibid, p. 21). 

Para publicar as notícias, o jornal adapta para a tela do celular - através de um software automático - cerca de 120 notícias em tempo real por dia, que são produzidas para a versão do jornal na Web. Os não-assinantes podem ler as manchetes, mas para ter acesso ao conteúdo, o usuário deve solicitar a assinatura do Asahi Shimbun sem fio no menu do celular. Hoje a divisão wireless do Asahi gera uma receita de 1 bilhão de yenes por ano e 70% dos usuários assinam os serviços por mais de um ano. 20% deles acessam o site mais do que 5 vezes ao dia (ibid, p. 21).

Além destes grandes grupos, outras empresas do Japão e do mundo também geram conteúdo para ser acessado via i-mode. Outros grupos – como, por exemplo, a rede americana CNN e a Editora Abril – fornecem seus conteúdo para assinantes do Imode. Eles também são responsáveis pelo sucesso do sistema, pois divulgam seus serviços móveis através de seus meios impressos e eletrônicos. É "a divulgação da nova mídia pela velha mídia" (FERREIRA, 2004, p. 20).

   

3.2. Europa

Depois do Japão, o continente europeu é a região onde a telefonia celular mais tem influenciado nos hábitos da população. Países como Finlândia, Noruega, Holanda, Alemanha, Itália e França já levantam a discussão sobre como levar o conteúdo noticioso para as redes de telefonia móvel. Um exemplo deste debate foi o fórum realizado na Itália, no dia 14 maio de 2004, para buscar alternativas para aumentar o interesse dos jovens por leitura de jornais. Organizado pelo Observatório Permanente para a Juventude e Editores, o evento reuniu editores de jornais como "Los Angeles Times", "USA Today", "New York Post" e "El Mundo", que apontaram os telefones celulares como uma alternativa viável para difusão de notícias, sobretudo entre a população jovem:

“os celulares estão cada vez mais invadindo o espaço do rádio, televisão e mídia impressa. Segundo editores de jornais e revistas dos Estados Unidos e Europa, o fenômeno se deve ao fato de que os celulares são mais rápidos para transmitir notícias e estão o tempo inteiro à disposição de seus donos” (MAGALHÃES, 2004, O Estado de São Paulo)[7].

Esta percepção é endossada a partir de casos como a Finlândia, líder no mercado de transmissão dados no celular. Mais de 80% dos finlandeses têm um telefone celular e empresas locais como a Nokia e a operadora Sonera, são símbolos mundiais do avanço da Finlândia em mobilidade.

Este alto índice de penetração de celulares, portanto, abre espaço para serviços de informações destinados ao grande público, como por exemplo, notícias sobre esporte. O serviço da Finnish Elite League Games, a primeira divisão do hockey no país, oferece informações em tempo real via WAP e SMS, para todos os celulares, com dados dos jogos da rodada. Segundo PAKARINEN, na Finlândia “alertas de SMS, dando as últimas estatísticas, placares, toques musicais ou imagens são lugares comuns” (REVISTA ON, 2004, p. 47). Diferente de 2001, não há mais hype em torno de SMS, pois os serviços mencionados funcionam: “os serviços não tiram o fôlego de tão avançados, mas diferente de 2001, eles funcionam. Todos os dias” (p. 47).

Mas além da Finlândia, existem outras iniciativas na Europa que valem a pena serem lembradas. A operadora KPN, por exemplo, levou o sistema japonês Imode, para funcionar na Holanda, Alemanha e Bélgica. Com parceria com jornais como De Telegraaf, De Volkskrant, Dutch Press Agency, Reuters, Dow Jones/Wall Street Journal e CNN Mobile, a operadora pratica o modelo de divisão de receitas, com números semelhantes ao praticado pela NTT DoCoMo: 14% da receita com assinaturas fica com a operadora e 86% vai para o provedor de conteúdo (CAMPBELL, 2004)[8].

Já no caso do tablóide VG, da Noruega, a assinatura do conteúdo não é vista como fonte de receita. Serviços como envio de notícias em SMS, bem como a versão do site de WAP, não geram divisas significativas para a empresa. Estes serviços são mantidos em funcionamento, pois servem como ferramenta de marketing e reforço institucional. O que gera receita para o jornal são os serviços de outra natureza, como downloads de toques telefônicos, logotipos e imagens coloridas de proteção de telas, cobrados através do envio de um SMS Premium[9]. Esporadicamente, serviços pontuais de notícias, como informações sobre a lista oficial do mercado financeiro (publicada anualmente no mês de outubro), também são disponibilizadas no modelo de cobrança através do envio de um SMS Premium (custa 1 Euro). “Os serviços móveis contabilizam cerca de 10% da renda da operação digital do VG” (ibid).

Na Áustria, outra experiência mostra o apelo do noticiário esportivo no celular. A operadora local One oferece aos usuários um serviço chamado One Smile, que é um menu pré-instalado em celulares da operadora que, com um único clique, leva os usuários a acessarem notícias sobre esportes, em SMS, MMS e vídeo. “Por exemplo, entusiastas de futebol podem assinar um serviço de alerta de gol do seu time favorito na liga Australiana de Futebol. Além disso, One oferece uma grande variedade de notícias especiais sobre principais eventos esportivos como a Olimpíadas na Grécia em 2004 e o Campeonato de Futebol Europeu 2004” (PAKARINEN, 2004, 48). O serviço conta com notícias de empresas de conteúdo como a agência Austrian Broadcasting e Sport1.

Além destes exemplos, as principais operadoras de países como Itália, Espanha, França e Grécia também já trabalham com o Imode ou sistemas similares de publicação, no intuito de desenvolver a demanda por conteúdo móvel, estimulando a participação de provedores de conteúdo.

   

3.4. Outras regiões

Os Estudos Unidos é um país onde a transmissão de dados via telefonia celular ainda está em amadurecimento (SOUZA E SILVA, 2004, p. 229). No entanto, este caminho já se mostra irreversível. Talvez a maior evidência deste processo é o produto CNN Mobile, um dos mais populares serviços de informação via celular em todo o mundo. A rede americana oferece uma gama de serviços que vai desde 25 categorias de alerta de SMS, WAP, serviços multimídia, e até vídeo por celular. Nos EUA, o serviço já está disponível nas principais operadoras do país (AT&T, Cingular, Nextel, T-Mobile, Sprint, Verizon), que cobram por alertas enviados, por assinatura, ou ainda, por pacote de dados, durante a navegação em WAP. O serviço também está disponível para diversas operadoras em todo mundo, incluindo operadoras da Europa, America Latina, Ásia e Oriente Médio. Segundo o site oficial da empresa, ao todo são 24 países em todo o mundo que disponibilizam o conteúdo da CNN Mobile para mais de 90 milhões de assinantes[10].

Na Argentina, a emissora Canal 13 e a TV a cabo TN já transmitem parte de sua programação para modelos de telefones mais sofisticados da operadora Personal. O jornal Clarin “acaba de apresentar o serviço Personal News, um serviço pelo qual os clientes da Personal podem receber todas as notícias de último momento que se publicam no Clarin.com (na Web)” (BRAGINSKI, 2004). As outras operadoras que atuam no país também oferecem diferentes serviços no celular, geralmente vinculados a alguma produtora de conteúdo noticioso (ibid).

Tal qual na Argentina, no Brasil todas as operadoras que atuam no país já fornecem serviços de notícias no celular, seja via WAP, SMS e MMS. As principais operadoras locais (Vivo, Claro, TIM e Oi) oferecem canais de esporte, notícias financeiras e boletins diários. Segundo levantamento feito pela revista VEJA (2004, p. 115), as operadoras cobram de R$ 0.14 a 0.99 centavos por SMS com notícia enviada para o celular do usuário, ou ainda oferecem assinaturas mensais para recebimento de boletins diários. Segundo a reportagem, há a opção de notícias através de navegação WAP, cobrada por minuto (cerca de R$ 0.36 o minuto), ou ainda, já há a opção de navegação WAP cobrada por pacotes de dados, cujo preço varia entre 0.04 a 0.05 por kbyte navegado.

As empresas brasileiras de conteúdo também já se posicionaram neste mercado: no dia 24 de março de 2000, a Folha de São Paulo lançou o “FolhaWAP”, o primeiro serviço de notícias por celular no Brasil. Hoje, a Folha de São Paulo não só continua oferecendo serviços de WAP e SMS, como lançou, em dezembro de 2002, o serviço “Fotogol” - o primeiro serviço noticioso de MMS para celulares no país, com fotos dos lances decisivos da final do Campeonato Brasileiro de Futebol, disputada na ocasião entre Santos e Corinthians (ANGELO, 2002)[11].

A Editora Abril também enxerga a importância estratégica do celular como um novo suporte na distribuição de conteúdo. Além dos esforços públicos de levar o conteúdo das revistas Placar e da Contigo para o Japão, a editora tem trabalhado para o desenvolvimento do mercado editorial móvel no Brasil. A editora trabalha com diferentes operadoras no país e oferece, entre outras, o conteúdo da Revista Veja, Infoexame, VIP, Playboy, Superinteressante. Esta motivação fica clara na opinião de Roberto Civita, presidente do grupo Abril, em seu artigo “Os próximos 50 anos”:

“Vamos criar, reunir, organizar, empacotar e entregar informação e entretenimento de qualidade. Não importa se impresso, se no computador, se em celulares”. Quem está no ramo de comunicações tem que pensar, simultaneamente, em como vai tornar a leitura acessível para seus milhões de leitores (e mais aqueles que ainda não chegaram lá) e, do outro lado, como tornar disponível seu conteúdo, o conhecimento, em outras plataformas” (CIVITA, 2000, p. 80).

Outras empresas como O Estado de São Paulo, portal Terra, IG e Revista Trip, já têm operações nos celulares e trazem notícias para os usuários, tateando este mercado de mobilidade, em busca de definições técnicas e de modelos sustentáveis de negócios.

 

 

4. Conclusão

As tecnologias e os casos aqui apresentados serviram para levantar a discussão em torno da “imprensa móvel” (COSTA, 2003)[12]. Estes aspectos mostram que já é possível disponibilizar conteúdo noticioso para os leitores via celular e que algumas empresas já geram receita com este o suporte.

No entanto, existem aspectos que não foram aprofundados neste artigo, tais como as tendências do mercado sobre qual o melhor modelo de negócio a ser praticado - aspecto investigado por CAMPBELL (2004); ou ainda, quais são as principais características do jornalismo no celular, já analisadas por BRAGINSKI (2004); entre outras abordagens que carecem investigação.

O maior desafio deste trabalho, no entanto, foi contribuir com mais um tema nas pesquisas sobre jornalismo - “o jornalismo digital móvel” (ibid). Como vimos, as tecnologias disponíveis já abriram espaço para investimentos em telefonia celular, uma vez que esta é “uma área que nenhum jornal deve ignorar, este é um mercado que está crescendo rápido e qualquer um com conteúdo, uma marca e uma base de consumidores deveria estar apto para capitalizar nele” (CAMPBELL, 2004).

   

Referências Bibliográficas

ANGELO, Fernanda. Sistema MMS traz mensagens multimídia para a tela do celular in: Folha de São Paulo. 16/12/2002. Disponível em:

http://www1.folha.uol.com.br/folha/informatica/ult124u11839.shtml - acessado em 27/03/2004

BETTI, Leeroy. The new news medium in: "On the new world of communication magazine". Ericsson. Suécia, Janeiro de 2004.  

BRAGINSKI, Ricardo. Celulares, los suportes Del periodismo digital móvil. In: “Periodistas online”. Buenos Aires, Argentina, junho-julho 2004. Acessado em:

http://www.periodistaonline.com.ar/uvirtual/uvir06_072004.htm

CAMPBELL, Cecilia. A new mass market at our feet - European newspapers and mobile in: “Newspaper Techniques”. INFRA. Fevereiro, 2004. Disponível em:

http://www.ifra.com/website/ifra.nsf/html/ENS_mobile_services.

CIVITA, Roberto. Os próximos 50 anos in Revista Abril in: “Edição especial: Os primeiros 50 anos". 2000.

CNN Mobile. Website. Acessado em: http://edition.cnn.com/mobile/service.providers.html

COSTA, Luciano Martins. Vem aí a nuvem da imprensa móvel. in: “Observatório da imprensa”. 2003. Artigo disponível em:

http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos/sai260820031.htm, acessado em

01/04/04.

DE SOUZA E SILVA, Adriana Araújo. Interfaces móveis de comunicação e subjetividade contemporânea: de ambientes de multiusuários como espaços (virtuais) a espaços (híbridos) como ambientes de multiusuários. Rio de Janeiro. UFRJ/CFCH/ECO, 2004.

FERREIRA, P.H.O. As lições de Minitel in: “Rede@Telecom”. Fevereiro, 2004. no. 39, Ano 4 p. 20.

FIORESE, Virgílio. Serviço de Valor Adicionado - algo mais que serviço de voz!!! Disponível em: http://geocities.yahoo.com.br/wirelessbrasil/virgilio_fiorese/valor_adicionado_05.html - acessado em 27/03/2004  

GRANATO, Sérgio. Seminario WAP - Wireless Application Protocol. 2001. Disponível em: http://www.gta.ufrj.br/~granato/WAP2001.html#1%20- Acessado no dia: 25/03/2004

GRECO, Maurício. Do telefone tijolo ao 3G in: “Revista Infoexame, edição extra: Guia do celular”. Editora Abril. São Paulo, Setembro 2003.

GUIZZO, Érico. O Wap Morreu. Viva o Wap! in: “Revista Exame”. Agosto de 2001. Acessado em: http://www.compera.com.br/imprensa_view.asp?cat=2&id_noticia=46 no dia 25/03/2004

JMAGALHÃES. Celulares tomam espaço de jornais e revistas. Agência Estado. 11 de maio de 2004. Acessado em: http://www.estadao.com.br/tecnologia/informatica/2004/mai/11/56.htm

MORENO, Alexandre. Abril Sem Fio leva Contigo! para usuários brasileiros de telefonia móvel no Japão. Press release Abril Sem Fio. 06 de maio de 2004. Arquivado em: http://www.bansen.com.br/NEWS/ABRILCOM/abril_sem_fio_leva_contigo.htm

NTT DoCoMO Website: Subscriber Growth. Acessado em: http://www.nttdocomo.com/companyinfo/subscriber.html. 06/06/2004

NTT DoCoMo. Historical Growth of Japan´s Cellular Market. Japão, março de 2004. Acessado em: www.nttdocomo.co.jp/english/corporate/investor_relations/referenc/presentations/pdf/20040507/p03.pdf

PAIVA, Fernando. Diversão com letrinhas in “Revista Teletime”. Março de 2004. no. 64, Ano 7.

PAKARINEN, Risto. Staying in the game in: "On the new world of communication magazine". Ericsson. Suécia, Janeiro de 2004.

REVISTA VEJA. "Ligado na notícia", p. 115, ano 37, no. 13. Editora Abril. São Paulo, 31 de março de 2004.

RHEINGOLD, Howard. Smart Mobs: The next social revolution. Cambridge: Perseus Books Group, 2003.

TAURION, Cezar. Internet Móvel; tecnologias, aplicações e modelos. Rio de Janeiro: Campus, 2002.

VIVO, Assessoria de Imprensa. WAP: Vivo alcança o número recorde de 1,2 milhões de usuários ativos e leva para a telexpo o novo WAP 2.0 com navegação colorida. Disponível em: http://www.vivo.com.br/imprensa_press061.php

YURI, Flávia. TIM oferece MMS in: “Infoexame online”. 10/12/2002. Disponível em: http://info.abril.uol.com.br/aberto/infonews/122002/10122002-15.shl - acessado no dia: 27/03/2004.

 

*Autor:

Paulo Henrique de Oliveira Ferreira é mestrando na ECA-USP.

 


[4] http://geocities.yahoo.com.br/wirelessbrasil/virgilio_fiorese/valor_adicionado_05.html

[6] http://www.nttdocomo.com/companyinfo/subscriber.html

[9] SMS Premium: serviço no qual o usuário envia um SMS para um número específico e solicita determinado serviço, que por sua vez é tarifado de forma diferenciada (de acordo com o valor previamente estabelecido pelo serviço). O sistema de SMS Premium é utilizado para fazer assinaturas de conteúdo, requisitar notícias, baixar músicas, imagens, entre outros serviços. Outra alternativa para solicitar um determinado serviço móvel é a partir de navegação via WAP – tarifada por pacotes ou por tempo de conexão – para o usuário requisitar a assinatura do serviço no site do próprio fornecedor, mediante login e senha. Esta segunda alternativa é muito utilizada no sistema Imode. Em ambos modelos, há a possibilidade de divisão de receita entre a operadora e os provedores de conteúdo.

[11] http://www1.folha.uol.com.br/folha/informatica/ult124u11839.shtml

[12] http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos/sai260820031.htm

 



Todos los derechos reservados Facultad de Periodismo y Comunicación Social de La Plata.
Programación y diseño: 
PaulaRomero |Hernan Rodriguez Azpiazu
La Plata | Buenos Aires
| Argentina.
- 2004 -