Daniela
Dumaresq
FFLCH-USP (doutoranda)
CNPq/Fapesp
Resumo
Neste
texto, faço a opção por uma visão de conjunto dos primeiros filmes
de Rouch. Tendo sempre em mente o que os filmes propõem, abordo as
relações entre técnica e estética, imagem e ‘real’. Seus filmes participam de uma tradição que
associa a imagem ao seu referente, sobretudo pelo uso da máquina como
mediadora. Despontam em uma fase de questionamentos em torno da
construção do discurso nos filmes documentários. As novas
tecnologias (câmeras leves e som sincronizado) apontavam duas direções:
uma pretendia a interação, outra a invisibilidade, Rouch está com
os primeiros.
Palavras-Chave
Documentário
– Interação – Cinema-verdade
O
cinema de Jean Rouch[2]
parece ser um lugar privilegiado para discutir algumas questões que
relacionam técnica e estética no chamado cinema documentário. Seus
filmes mais conhecidos foram produzidos entre os anos 50 e 60. Moi, un
Noir (1958) é uma das influências da Nouvelle Vague. Ao lado de
Edgard Morin, ele fez Chronique d’un Été (1960) e inaugurou o
cinema-verdade francês. Estamos diante de um período que põe novos
problemas para o cinema. Rouch aparece propondo a interação como método
de construção da narrativa fílmica. Fundamental para este método
foram as câmeras mais leves e com som sincronizado que ele ajuda a
desenvolver. A situação criada pelo encontro entre cineasta, câmera,
atores não-profissionais, lugar e história permite que as
personagens e a narrativa se desenvolvam. Assim, a interação é um
problema central na constituição de seus filmes. Sua obra pode nos
ajudar a refletir sobre como a interação opera na construção de um
discurso sobre o real. Real que nunca é dado, mas construído a
medida em que construímos um discurso sobre ele. Assim, as questões
que parecem se impor são as relações entre técnica e estética,
imagem e realidade, imagem e verdade assim como a interação,
pensadas no contexto da tradição documentária.
A
primeira questão a ser pensada é como a interação pode interferir
na relação entre imagem e realidade. A produção de imagem no
cinema documentário, pensado em oposição ao ficcional prevê o uso
de locações naturais em oposição aos estúdios, de atores não-profissionais
em oposição aos profissionais, de roteiros abertos em oposições
aos detalhados ou técnicos[3].
Tais práticas podem colocar a produção em situações inesperadas e
mesmo indesejadas, pois somente na interação com os espaços e os
atores não-profissionais a produção dimensiona seu objeto. No caso
dos filmes de Rouch isso ganha um significado ainda maior. A interação
é assumida pelo diretor como parte do processo criativo. Para o teórico
americano Bill Nichols, Chronique d’un Été é um dos filmes
fundadores do modo interativo no cinema documentário. Erik Barnouw,
em seu livro sobre a história do cinema de não-ficção, aponta a
interação como método de construção fílmica central na
filmografia de Rouch. No decorrer do texto voltarei a Nichols e
Barnouw, por enquanto fiquemos com a declaração de Rouch:
O
que eu disse diante deste microfone eu não diria se nós estivéssemos
diante de um copo de cerveja. Simplesmente porque há um microfone. Há,
então, aí um fenômeno muito estranho. E este fenômeno é uma espécie
de catalisador que permite revelar, sem dúvida, uma parte fictícia
de cada um de nós, mas que para mim é a faceta mais real do indivíduo.
Com
esta fala, Rouch não apenas apresenta seu ponto de vista sobre o
papel da interação, prevendo uma mudança de comportamento conforme
seu contexto, mas pretende dar ao resultado do processo interativo um
estatuto de verdade. Rouch admite que o encontro, a presença da máquina,
a mudança de lugar ou de contexto altera a cena. Defende a presença
evidente e ativa da câmera e reconhece a alteração que sua presença
provoca na cena. Mas isso não importa muito, ou por outra, isso não
desfaz a realidade, podendo ser mais real. Ao revelar os mecanismos da
construção do discurso, ao abrir espaço para que seu interlocutor
se manifeste e interaja com a situação proposta, Rouch pretende que
certa realidade se manifeste. Mas ao hierarquizar os níveis de
realidade, ao dizer de um real que seria mais real, não encontramos o
discurso da verdade? Verdade que Rouch e Edgar Morin escolheram para
nomear o cinema que praticam, verdade que os filmes Chronique d’un
Été[5]
e Les Maîtres Fous[6]
(1954) nos convidam a ver. Verdade que se confunde com realidade e
parece querer ser fato e desfazer a noção de construção que deve
estar sempre intimamente relacionada à noção de imagem. É neste
sentido que vejo a interação funcionando como estratégia do desejo
de intensificar as noções de verdade e realidade na filmografia de
Rouch, tornando mais complexo o problema da construção do discurso
sobre o real.
A
reflexão em torno da fotografia nos ajuda a dimensionar a relação
entre máquina, realidade e verdade na produção de imagem. Para
Bazin, a fotografia se beneficia de um forte sentimento de
credibilidade: “Sejam quais forem as objeções de nosso espírito
crítico, somos obrigados a crer na existência do objeto
representado, literalmente re-presentado, quer dizer, tornado presente
no tempo e no espaço”.[7]
Para ele, ao ser tocada apenas pela luz a fotografia teria um
incremento de credibilidade, pois as marcas de construção não
figurariam nela como na pintura com suas pinceladas vistas. Assim, ele
minimiza a percepção do fotógrafo, seu poder de escolha e de
construção.
Em
Benjamin, a discussão sobre a fotografia tem um relevo diferente. Por
um lado, ela tem essa capacidade de aprisionar um passado, de fazer
com que um grupo permaneça junto através dos tempos, mesmo que de
uma forma alada, a fotografia.[8]
Mas ele salienta o papel do fotógrafo, sua peripécia, e seu
planejamento, e busca encantamento justo onde o acaso traiu o fotógrafo
e chamuscou a imagem com sua realidade. E ainda, Benjamin ressalta o
poder da câmera de nos revelar o que o olho não podia ver. “A
natureza que fala à câmera não é a mesma que fala ao olhar; é
outra, especialmente porque substitui a um espaço trabalhado
conscientemente pelo homem, um espaço que ele percorre
inconscientemente”.[9]
Encontramos em Benjamin uma forma mais sutil de entender a relação
entre imagem e realidade. Se ela pode nos dizer do real, não é por
ser um discurso verdadeiro ou objetivo. Mas por surgir onde se
encontram o objeto, a máquina, o fotógrafo e, com sorte, o acaso.
Mas também por nos mostrar além daquilo que o olho pode ver, ou
seja, uma imagem que escapa à nossa capacidade óptica e apenas é
possível através da máquina.
Em
Moi, un Noir, um acaso é responsável por um dos momentos mais belos
do filme. A beira da lagoa de Abidjan, cidade da Costa do Marfin, o
protagonista (Edouard G. Robinson/Oumarou Ganda) relata e encena suas
memórias da guerra da Indochina. Guerra que ele lutou ao lado dos
vencidos. Ele conta como viu os colegas morrerem e como ele mesmo foi
corajoso. Mas o espectador que estava tomado pela emoção do relato
tem sua atenção desviada. Um homem branco esquiando
despreocupadamente invade a cena. Aqui encontro outro sentido para o
inconsciente ótico. A máquina não apenas revela o que olho humano não
podia ver, não apenas é um olho mais poderoso que a câmera como
queria Vertov.[10]
A imagem consegue unir o que permanece separado, colocando no mesmo
quadro a guerra de um e a distração de outro. Um e outro estavam visíveis
aos transeuntes de Abidjan. Mas é a união operada pelo filme que nos
permite ver uma outra dimensão desta cena da guerra. Agora não mais
a da Indochina, mas guerra cotidiana, a luta pela sobrevivência que a
personagem enfrenta no filme. Assim, outra guerra é revelada pelo
acaso.
Ainda
nesta relação entre imagem e realidade, Dubois aponta três estágios
para a teoria da fotografia. No primeiro, a relação da fotografia
com o real dar-se-ia de maneira mimética, seria da ordem da semelhança;
depois, seria vista como construção, através de um conjunto de
convenções, aqui seria preciso denunciar a idéia de cópia do real,
tornando claro o valor de convenção da imagem[11];
por fim, existiria uma relação de contigüidade entre a imagem e o
real, traduzido pelo discurso do índice e da referência.[12]
Para Dubois, Benjamin e Bazin estão no primeiro estágio, pois
“proclamam a libertação da arte pela fotografia”.[13]
e ressaltam suas características miméticas. Mas por outro lado, para
Dubois, quando Bazin ressalta a “transferência das aparências do
real para a película sensível”, ele não ressalta necessariamente
o caráter de semelhança, “o que interessa não é a imagem feita,
é mais o próprio fazer”.[14]
Já em Benjamin isso estaria de maneira ainda mais clara: “quer se
queira, quer não, além de todos os códigos e de todos os artifícios
da representação, o ‘modelo’, o objeto referencial captado,
irresistivelmente, retorna”.[15]
Para Dubois, isto permite relacioná-los ao terceiro momento, e levar
Bazin e Benjamim para o lado de Barthes de A Câmera Clara.
O
isso-foi de Barthes diz da certeza da existência do referente.
Na
fotografia jamais posso negar que a coisa esteve lá. Há dupla posição
conjunta: de realidade e de passado. E já que essa coerção só
existe para ela, devemos tê-la, por redução, como a própria essência,
o noema da fotografia. O que intencionalizo em uma foto (...) não é
nem a Arte, nem a Comunicação, é a Referência, que é a ordem
fundadora da Fotografia.
O
nome do noema da Fotografia será então: Isso-foi.
Em
A Câmera Clara, Barthes nos diz da posição que a foto pode assumir
para quem a olha. Ele constrói seu texto partindo de vistas pessoais,
carregadas de subjetividade, sobre fotos diversas. Para ele a “vidência
do Fotógrafo não consiste em ‘ver’, mas em estar lá”.[17]
No lugar e na hora de um acontecimento o fotógrafo dispara o
obturador de sua câmera. O que ele viu? Talvez nem seja a mesma coisa
que a câmera focou. E embora possa não ter visto o mesmo que a máquina
registra, dada a pressa ou a falta de atenção, ou simplesmente a
falta de habilidade de nosso olho. Falta de habilidade que lembra mais
uma vez Vertov, e ainda, o ‘inconsciente óptico’ de Benjamin.
Talvez o que não podia ser visto seja enfim revelado. Duplo processo
de revelação, o químico faz a imagem aparecer no papel, o outro faz
o acontecimento aparecer para nós.
Bazin,
Benjamin e Barthes desenvolveram teorias sobre a relação da imagem
com o mundo visível pautadas pelo poder referencial da fotografia.
Sob conceitos diferentes (“re-presentar”, “inconsciente ótico”
ou “isso foi”), os três autores defendem certa crença na imagem
para informar sobre o real. A referência permanece um problema para
os estudos de documentário, pois estão na base da construção de
uma ilusão de verdade, senão para o autor do filme, pelo menos para
o público.
Por
um lado, Rouch se beneficia dessa crença na imagem, no olhar da máquina,
em alguma medida é assim que o público vê seus filmes. Mas ele
reconhece que algo acontece apenas porque a máquina está presente, e
mais, propõe que esse algo possa ser provocado pelo próprio cineasta
e sua câmera. Não apenas algo acontece diante da câmera, mas a câmera
provoca acontecimentos. Duplo movimento que aparece na cena da guerra.
O acaso, vimos com a irrupção do esquiador. Já a guerra é encenada
apenas para que a câmera filme. O caráter de encenação é
denunciado pelo artifício: Robinson usa paus e pedras encontradas
pelo caminho como bombas ou barricadas. Encenação que combina o
relato e a representação da guerra a partir da provocação da câmera
e da interação com o lugar, com a personagem que ouve Robinson, com
o acaso. Assim, nos filmes de Rouch o improviso, a interferência do
acaso e a interação parecem orientar a leitura dessa relação entre
imagem e realidade.
Entre
o documentário e a ficção
Todos
os grandes filmes de ficção tendem ao documentário, como todos os
grandes documentários tendem à ficção.
J.
L. Godard
A
frase de Godard foi extraída de um artigo seu sobre Moi, un Noir.[18] Se serve para pensarmos o cinema de um modo geral,
mais ainda nos diz dos filmes de Rouch. Definir documentário é uma
problemática de pesquisas sobre o tema. Uma multiplicidade de
produtos (vídeos e filmes) se abriga sob esta legenda, desde os
difundidos telejornais e seus variantes até pesquisas científicas,
passando por produtos mais ligados ao entretenimento. Eles manuseiam
as possibilidades da linguagem audiovisual criando estratégias
discursivas diferentes e mesmo contraditórias. Já Rouch utiliza técnicas
provenientes tanto das práticas documentais quanto ficcionais.
Colocando seus filmes em uma região cujos limites são ainda mais tênues
e os problemas intensificados.
Um
repórter de atualidades, é como Godard apresenta Rouch neste artigo.
Um repórter que segue as desventuras de um pequeno e ingênuo grupo
de nigerianos em busca de fortuna na bela cidade de Abidjan. Mas é
antes sonho que fato o assunto da reportagem. Então, podemos dizer
que Moi, un Noir conta a história de um grupo de jovens que revela e
realiza seus sonhos diante de uma câmera. Neste mundo de faz-de-conta
cada um pode ser aquilo que sonha. Ficção? O problema apresentado de
forma genérica por Godard aparece mais claramente relacionado aos
filmes de Rouch, em forma de pergunta, em entrevista com o cineasta:
Quando
colocamos o problema da extraordinária diversidade de sua
filmografia, nos perguntamos como você gere tamanha complexidade de
approche e consegue conciliar duas exigências de seu cinema, a saber,
de um lado, o respeito rigoroso do real (sobretudo pelo emprego do
plano seqüência) e, de outro, tudo que é contrário a isto, seu
gosto pela fábula..., pelo psicodrama..., a irrupção da ficção, o
trato com o imaginário; enfim, o método científico e a criação
artística?
Esse
mundo da ficção, da fábula, do imaginário aparece em Moi, un Noir
quando Robinson realiza seu sonho de ser campeão do mundo na luta de
boxe. Jaguar (rodado em 1954, finalizado em 1967)
começa fazendo alusão às fábulas “Adamou, vamos te contar
uma história.” Ele
pergunta: “Que história?” E o narrador continua: “Nossa viagem
a Gana. Que se chamava, na época, Costa do Ouro. Lugar aonde as
pessoas iam procurar riqueza.” Essas palavras introdutórias
ressaltam certo valor de ficção ao intensificar o caráter de
narrativa e o papel do narrador/contador de histórias. Parece nos
remeter a personagens aventureiras que partem em busca do ouro. E é
disso que tratará o filme. Mas não dá mesma forma como vemos nos
filmes de Hollywood ou nas histórias infantis. Dos três homens que
partem nessa aventura, um é pastor de gado, outro é pescador e por
fim o galante Damouré Zika, personagem título do filme. As imagens
nos revelam uma África agreste e homens que lidam com redes e
chicotes em seus trabalhos. Assim, a beleza ingênua dos contos
infantis é substituída pelo olhar antropológico de Rouch. A viagem,
situação de partida da narrativa, foi criada especialmente para o
filme. A partir dessa situação as cenas serão improvisadas
aproveitando-se das interferências, dos encontros que acontecerão
pelo caminho. Os filmes de Rouch podem partir de situações criadas
especialmente para a câmera, mas se abrem para os acontecimentos
provocados ou oferecidos pelo acaso.
O
próprio Rouch parece não se incomodar com a dificuldade para
classificar seus filmes. Marsolais
atribui à prática de Rouch uma vontade de abolir as fronteiras entre
ficção e documentário.[20]
Vontade que foi reforçada pela colaboração entre o cineasta francês
e alguns cineastas do Quebec ligados ao National Film Board of Canada
(NFB).[21]
Entre eles, Rouch encontrou Michel Brault. O filme Les Raquetteurs do
canadense impressionou Rouch durante o Seminário Flaherty de 1959.
Para Marsolais, Les Raquetteurs é uma experiência radical que
rejeita a imagem pasteurizada e as formas lógicas e racionais da
narrativa. Tal experiência se apoiou no uso da lente grande-angular
que permitia uma maior aproximação da câmera e do cineasta em relação
aos acontecimentos e às pessoas filmadas. A experiência pioneira de
Brault se tornou fundamental no desenvolvimento da técnica do cinema
direto que Rouch utilizará nos filmes. Técnica vinda do cinema
documentário e colocada a serviço do cinema de improviso de Rouch.
Marsolais cita um trecho de texto de Rouch, de 1981, no qual ele fala
do seu posicionamento na fronteira entre ficção e documentário. Tal
texto foi produzido depois que seus filmes incentivaram a polêmica
sobre o assunto, sendo assim uma argumentação a posteriori.
Serve-nos, sobretudo, como ilustração da polêmica:
Para
mim, cineasta e etnógrafo, não há praticamente nenhuma fronteira
entre filme documentário e filme de ficção. O cinema, arte do
duplo, já é a passagem do mundo do real ao mundo do imaginário. E a
etnografia, ciência dos sistemas de pensamento dos outros, é uma
travessia permanente entre dois universos conceituais, ginástica
acrobática na qual perder o pé da situação é o menor dos riscos.
Um
caminho para entendermos a mistura oferecida pelo cinema de Rouch é
conhecermos melhor os limites entre documentário e ficção. A frase
de Godard, citada acima, faz-nos
pensar que todos os grandes filmes teriam em comum duas características:
a relação com a realidade e o apuro narrativo. Para Nichols, como
conceito ou prática o documentário não ocupa um lugar fixo. Entre
as produções pensadas como tal, encontramos filmes com características
técnicas e estilísticas diferentes. Daí, ele prefere se referir a
um domínio do documentário.[23]
Uma tradição construída em uma batalha envolvendo ética e técnica,
onde a preocupação com revelar o mundo histórico leva os produtores
por caminhos diversos[24]. Nichols encontra uma saída: “podemos dizer que
documentário é aquilo que olha para si mesmo como uma produção
documentarista”.[25]
Parece ser a única saída. Pois, como diante de um filme saber se
assistimos a um documentário ou a uma ficção? Em alguns casos, a
estética parece nos sugerir a natureza desta produção. Mas toda a
prática do documentário pode ser reproduzida por filmes de ficção,
e apenas a informação exterior ao filme pode nos dizer a que tipo de
produção estamos assistindo.
Mas
quais seriam as implicações de um discurso que se assume enquanto
documentário? Menezes nos lembra a origem etimológica da palavra
documentum: modelo, lição, ensino, demonstração, prova. E é em
busca destas lições, demonstrações ou provas de verdade ou
realidade que parte do público se dirige para os filmes documentários.
Por mais que os realizadores afirmem saber que seu filme é sempre uma
construção, uma visão parcial, uma interpretação, qual seria a
predisposição esperada do público diante de um filme que se
autodenomina documentário?[26]
O problema da fronteira entre ficção e documentário aqui aparece
como uma radicalização do posicionamento em favor da construção do
discurso. Para Menezes todos os filmes são ficção, pois todos os
filmes trabalham com a modelação, formação, criação em relação
ao “real”.[27]
Penso
que é importante reter dessa discussão que a diferença entre ficção
e documentário não se dá pela relação do filme com a
“realidade” ou com a “verdade”. Mas certas práticas, certas
questões éticas aparecem quando um filme autodenomina-se documentário.
Os debates que surgem aí criam uma tradição que ficou conhecida
como documentário. E mesmo que qualquer dos procedimentos do filme
documentário possa ser utilizado pela ficção, ainda assim eles
permanecem relacionados a uma leitura documentarizante do filme.
Assim, o uso da entrevista, dos atores não-profissionais, de
transformar a rua em locação e abandonar o estúdio, apenas para
citar alguns, atuam no filme incrementando sua ligação com um
referente que encontramos no mundo vivido. Tanto no filme que se
assume como ficção, quanto no que se assume como documentário, o
uso de técnicas relacionadas ao domínio do documentário age no
sentido de direcionar a leitura para o isso-foi de Barthes.
Rouch
manuseia técnicas do documentário. Ao mesmo tempo, cria com
liberdade personagens e histórias para seus filmes. Histórias que
podem surgir do imaginário de seus atores, dos sonhos ou desejos,
como a luta de boxe de Robinson em Moi, un Noir. Mas também da
observação do diretor, das situações propostas, dos improvisos e
imprevistos que podem acontecer diante da câmera, como as viagens de
Damouré à Costa do Ouro em Jaguar ou à Paris em Petit a Petit
(1970). Ainda propõe o
diálogo, o encontro, a conversa, como em La Pyramide Humaine (1959),
no qual promove o estreitamento da convivência e o debate entre
brancos e negros que estudam na mesma classe em uma escola de Abidjan.
Assim, ele se apropria de uma tradição para reinventá-la. Seus
filmes trazem novas questões éticas e estéticas e parecem tornar
ainda mais fluido o conceito de documentário.
O
modo interativo do documentário
Os
filmes dos modos expositivo e observacional, diferentemente dos filmes
dos modos interativo e reflexivo, tendem a mascarar o trabalho da
produção, os efeitos do aparato cinematográfico e o processo de
enunciação.
Bill
Nichols
Nichols
aponta Chronique d’un été, ao lado de Primary (1960), da americana
Drew Associates, como os filmes que trazem o modo interativo para o
centro da controvérsia.[28]
Enquanto os franceses se autodeclaravam cinema-verdade e assumiam a
interação, sendo apresentado como modo interativo; a produtora
americana aparece associada ao modo observacional. Os dois movimentos
surgem na mesma época e reivindicam Vertov e seu cinema-verdade como
fonte de inspiração.[29] Será pela comparação entre os dois modos definidos
por Nichols que se dará a apresentação da questão da interação
no documentário.
Os
modos interativo e observacional dividem as descobertas técnicas e
estilísticas da época. O que provocou algumas confusões e discussões
envolvendo nomenclatura, objetivos e modos de entender as
possibilidades discursivas do documentário: “cinema direto francês”,
“cinema-verdade” ou simplesmente “cinema direto”? O resumo de
Parente enumerando os diferentes movimentos relacionados ao ‘cinema
direto’ dimensiona o problema:
O
termo ‘cinema direto’ foi proposto por Mário Ruspoli, em março
de 1963, durante o MIPE TV, de Lyon, para designar esse cinema que
filma diretamente a realidade vivida e o real. (...) Com efeito, sendo
a expressão de Morin e Jean Rouch [cinema-verdade] bem infeliz, a de
Ruspoli se impôs rapidamente, designando e reagrupando várias tendências
diferentes: o ‘free cinema’, da escola documentarista inglesa
(1956-50), o ‘candid-eye’, do grupo de língua inglesa ONF
(1958-60), o ‘living-camera’, do grupo Drew Associates (1959-60),
o ‘cinema do comportamento’, de Leacock e Pennebaker, o
‘cinema-verdade’, de Rouch e Morin, o ‘cinema espontâneo’ e o
‘cinema vivido’, de M Brault, P. Perrault e outros etc.
As
tendências enumeradas por Parente defendem princípios diferentes e
até divergentes. “Cinema direto”, abarcando todas essas tendências
apenas pode ser entendido como uma técnica e não como uma escola ou
movimento. A confusão entre a técnica e as tendências que nela se
apoiaram se intensificam por conta do intercâmbio entre técnicos e
realizadores de tendências diferentes. No caso de Rouch a confusão
entre os termos se justifica pelo diálogo intenso entre ele e a
vertente francesa do NFB. Mas bem diferente é a vertente de cinema
direto que se desenvolve nos Estados Unidos amparada pela Drew
Associates de Robert Drew e Richard Leacock
Os
dois modos de pensar o documentário se encontram em algumas práticas
comuns, especialmente no uso da técnica do cinema direto. A idéia de
ter uma equipe pequena, equipamentos portáteis, som e imagem
sincronizados, deixar de lado o roteiro, filmar atores não-profissionais
em locações naturais. As diferenças aparecem no que diz respeito à
interação: enquanto o cinema-verdade francês abusa desta
possibilidade, o observacional procura manter distância do objeto
filmado e minimiza a função do diretor. Também evita técnicas de
interferência: minimizando a montagem, assim como o acréscimo de músicas
ou comentários. Já o modo interativo privilegia o encontro entre os
atores e a produção, e utiliza as possibilidades oferecidas pelo
encontro: conversa, entrevistas, depoimentos, etc. Enquanto um procura
a invisibilidade, o outro assume a interferência.
No
Canadá, as experiências realizadas pelo NFB com teleobjetiva, que
ficaram conhecidas como Candid Eye, se aproveitavam da capacidade da
lente de filmar à distância, para esconder a equipe e não alterar a
cena. Esta experiência tinha por objetivo apresentar o Canadá aos
canadenses. Segundo Piault, elas visavam abordar o quotidiano sem idéias
preconcebidas e preservavam certa ingenuidade no olhar.[31]
Logo, alguns cineastas ligados ao NFB descobririam a proximidade
possibilitada pela grande-angular, mudando o enfoque do esconder-se
para o ser aceito. Aqui, Rouch estreita as relações com os
canadenses, especialmente com Michel Brault.
Em
1960, Brault foi à Paris para trabalhar em Chronique d’un été.
Com a câmera no ombro, ele fez alguns planos considerados audaciosos
na época.[32]
O equipamento era inadequado ao uso pretendido, denunciado o desejo de
ultrapassar os limites impostos pela tecnologia. Neste filme foi usado
pela primeira vez um protótipo da câmera Coutant-Mathot-KMT 16mm e o
Nagra Neopilot Perfectone. A câmera era portátil, mas ainda sem som
sincronizado. As 25 horas de filme rodado tiveram que ser
sincronizadas palavra por palavra. Tal situação levou ao diálogo
com engenheiros que desenvolveram a Éclair 16. Brault fala da experiência:
“Jean Rouch foi o motor principal que provocou a reunião entre
Kudelsky-Nagra e Coutant-Eclair. Neste momento nasceu o cinema direto,
que a principio se chamou cinema verdade”.[33]
Barnouw
faz uma diferenciação entre cinema direto e cinema-verdade que é
bastante esclarecedora. Ele dimensiona o papel da interação no
trabalho de Rouch e aponta a câmera provocação como principal método
criativo:
O
documentarista do cinema direto leva sua câmera para uma situação
de tensão e espera confiante pela crise; a versão do cinema-verdade
de Rouch tenta precipitar uma. O artista do cinema direto aspira a
invisibilidade; o artista do cinema-verdade de Rouch está sempre
pronto para participar. O artista do cinema direto atua como um
espectador; o artista do cinema-verdade desempenha o papel de
provocador.
Devido
às confusões entre os diferentes modos de utilizar as técnicas do
cinema direto, prefiro utilizar o termo “cinema-verdade”, nome de
batismo escolhido por Rouch e Morin, acrescentando “francês” para
o distinguir do cinema de Vertov. Mas também fazendo coro com
Barnouw, que reserva o termo cinema direto para o que Nichols chama de
observacional.
Devo
salientar, aqui, que a câmera provocação assim como a relação com
a subjetividade nem sempre foi clara para Rouch. Em Les maîtres fous,
somos convidados para ver um rito filmado sem concessões ou dissimulações
(ver nota nº 6). Rouch leva sua câmera para o local onde se dá o
rito e filma sem fazer o papel do provocador que lhe atribui Barnouw.
O resultado foi uma grande polêmica. Loizos comenta a informação de
Stoller sobre o comportamento de seus alunos diante do filme. Em cada
turma que foi exibido, pelo menos um passou mal, chegando mesmo a
vomitar. O filme carece de melhores explicações sobre o que estamos
vendo: um ritual de possessão de migrantes do Songhay que vivem em
Gana e cultuam o espírito Houka. Para Stoller, este filme sem explicações, desafiar-nos-ia a
modificar o nosso olhar em relação àquela cultura. Para Loizos,
Stoller pode entender assim o filme de Rouch por ser ele próprio um
especialista na cultura do Songhay e na obra de Rouch.[35]
Em
Les Maîtres Fous, não temos situação provocada, entrevista, diálogo
ou alguma forma de interferência evidente no rito. A interferência
aparece na montagem. A voz-over interpreta o
rito. Este seria uma resposta à violência do colonizador ou
ainda um remédio que permite suportar as dificuldades do cotidiano.
Leitura que colide com o discurso imagético. O excesso de closes nos
homens transformados pelo transe aproxima demasiadamente o espectador
da violência do rito, levando-os a esquecer a violência do
colonizador anunciada na fala de Rouch. A imagem do colonizador
aparece relacionada a um rito oficial ascético. Poderíamos falar em
violência simbólica. Mas a rapidez com que as imagens são mostradas
e a aceitabilidade por parte da sociedade ocidental desse tipo de rito
prejudicam tal leitura. Para que a leitura do filme como resposta à
violência ou como remédio fosse mais clara seria necessário
aprofundar os argumentos, talvez enfatizando a violência exercida
pelo poder colonial ou pelo cotidiano com outros recursos de montagem.
Em Les maîtres fous, a opção pela interferência controlada, assim
como a fragilidade da interação, parece estar na origem da controvérsia
levantada pelo filme.
A
experiência da câmera provocação acontece em Jaguar, Petit a
Petit, La Pyramide Humaine como proposição de situações. A situação
filmada existe para que o filme exista. Ao comentar Jaguar, Stoller
fala que faz parte da cultura Songhay a migração sazonal, viajar e
retornar. [36] O que faz com que muitos homens tenham histórias de
aventura para contar. As personagens Damouré, Lam e Illo partem em
busca de suas próprias histórias e o filme funciona como narrativa
de suas aventuras. Assim, a situação fílmica se constrói para a câmera,
mas a partir da interação com as pessoas e culturas envolvidas na
filmagem. Se nada garante que eles fariam essa viagem não fosse o
filme, também tal viagem não é algo estranho à cultura dos atores.
Em
Chronique d’un été e também em La Pyramide Humaine a interação
aparece como interpelação e debate. As personagens são reunidas
para discutir um assunto proposto por elas mesmas, mas também por
Rouch (e Morin em Chronique d’un été). Aparece, ainda, como encenação
em Moi, un Noir. Para mostrar o que seria a vida típica do migrante
em Abidjan, a personagem de Robinson trabalha como diarista no porto,
come nos locais mais baratos e descansa deitada na calçada. Mas, fora
do filme, Robinson trabalhava como assistente de pesquisa de Rouch. No
começo do filme, Rouch fala um pouco do método de construção dessa
história: as personagens podiam fazer e dizer o que quisessem.
A
idéia de Rouch sobre interação e cinema presume a câmera como um
fator impulsionador da ação. Isto significa que ele buscou trabalhar
levando em conta as possibilidades abertas pelos atores de seus
filmes. E implica que do ponto de vista ético e estético seus filmes
podem apresentar uma novidade entre os filmes produzidos até então.
Por um lado, ouvimos enfim a voz dos africanos, a contribuição dos
atores está visível em filmes como Moi, un Noir. Por outro, Rouch
permanece o diretor, controla os mecanismos de produção e edição,
é dele a palavra final. Mas ainda que a contribuição dos outros
envolvidos na interação sofra com o controle exercido pela produção/direção/finalização,
seus filmes representam um diferencial para os filmes documentários,
na busca da aproximação e do entendimento do outro.
Creio
que este texto apontou alguns caminhos e alguns problemas para a
discussão acerca dos filmes de Rouch, e que nos ajudam a pensar o
chamado cinema documentário. Aqui, a ligação entre o real e o filme
aparece como convite para ver um filme sem concessões,
proposta de Les maîtres fous, mas também para ver a verdade
sugerido pelo nome do movimento cinema-verdade francês, escolhido
pelo próprio Rouch e por Morin. Em contrapartida, as experiências
que pretendem alcançar uma narrativa sobre o real apontam para uma
diversidade de possibilidades: fábula, psicodrama, ficção, imaginário,
criação artística, e ainda a câmera provocação, a opção pela
interação,.
A
interação aparece como um dos fatores fundamentais para a construção
dos filmes de Rouch, sendo sua principal estratégia metodológica.
Tal estratégia foi potencializada pelo uso de câmeras leves e som
sincronizado, permitindo maior mobilidade, abrindo ainda mais espaço
para o improviso e o acaso. A fala de Rouch no início deste texto
aponta para uma crença no poder da interação como fator de revelação
de realidade. A interação funciona também como “prova” da
narrativa fílmica, oferecendo “testemunhas”. Neste sentido, Rouch
desenvolve diversas abordagens interativas. Se Les Maître Fous é difícil
de ser entendido, visto ou aceito, Moi, um Noir parece incentivar a
relação empática entre as personagens e o espectador com uma
narrativa construída a partir da interação. Seus filmes nos
oferecem uma variedade de possibilidades interativas. Variedades que
parecem buscar cada vez mais um discurso no qual a ética e a estética
estejam aliadas para falar do “real”.
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Bacharel em Jornalismo pela UFC, mestre em Comunicação e Cultura
pela UFRJ, já atuou como jornalista em Fortaleza e como
professora universitária das disciplinas de “Teoria da
imagem” e “Redação e roteiro para televisão”. Atualmente,
é doutoranda em Sociologia na FFLCH-USP, onde desenvolve pesquisa
sobre o cinema de Jean Rouch.
O francês Jean Rouch (França, 1917 – Nigéria, 2004) formou-se
em engenheira civil de pontes e pavimentos e, mais tarde, doutor
em antropologia. Em 1941, começou suas visitas à África, ainda
como engenheiro. Logo começaria a filmar, realizando La Danse des
Possédés. Com este filme ganhou o grande prêmio do festival de
Biarritz de 1949 e uma nova profissão. Entre suas atividades estão:
pesquisador do Museu do Homem, em Paris, e diretor científico do
Instituto Francês da África Negra, em Niamey e presidente da
Cinemateca francesa.
Essas características apenas dão conta do que é mais comum em
cada tipo de produção, sem ser uma definição ou norma rígida.
Apenas lembramos o contraponto do Neo-realismo italiano, escola
que utilizou locações naturais e atores não-profissionais em
seus filmes de ficção.
Rouch em entrevista
a Esnault, Philippe. Jean Rouch ou Les Aventures d’un nègre
blanc. La Revue du Cinema – Image et Son. No. 249, Avril, 1971,
p. 72.
A primeira fala que ouvimos no filme diz: “Este filme não é
feito com atores, mas vivido por homens e mulheres, que se doaram,
em um momento de suas existências, a uma experiência do
cinema-verdade”.
O filme inicia com a seguinte apresentação: “O produtor, ao
apresentar este documentário, sem concessões nem dissimulação,
alerta para a violência de certas cenas”. Depois da apresentação
do produtor e das legendas iniciais temos a cartela que termina
assim: “[no rito Houka] Nenhuma cena é proibida ou restrita,
mas sim aberta a quem estiver disposto a entrar no jogo”.
Bazin, André. Ontologia da imagem fotográfica. In: O
Cinema: ensaios. São Paulo, Brasiliense, 1991, p. 22.
Cf. Benjamin, Walter. Pequena história da fotografia. In:
Magia e Técnica, Arte e Política: ensaios sobre literatura e
história da cultura. Obras Escolhidas. Vol. I. São Paulo,
Brasiliense, 1985, p. 99.
Benjamin, Walter. Pequena história da
fotografia,
op.cit., p. 94.
Cf. Vertov, Dziga. Resolução do conselho dos três. In: Xavier,
Ismail, (org.).
A Experiência do Cinema: antologia. Rio
de Janeiro, Graal, Embrafilme, 1983, p. 253.
Aqui, Dubois insere quatro correntes diferentes: os semiológicos
ou semióticos (Metz, Eco, Barthes), os inspirados pela psicologia
da percepção (Arnheim, Kracauer), os que explicitam o caráter
ideológico da imagem (Damisch, Bourdieu, Baudry e os Cahiers du
Cinéma) e os usos antropológicos da foto. Na última corrente a
questão é relacionar a produção e leitura das imagens ao seu
contexto cultural. Cf. Dubois, Phillippe. O Ato Fotográfico.
Campinas, SP, Papirus, 1993, p. 36-42.
Cf. Dubois, Phillippe. O Ato Fotográfico, op. cit., p. 26.
Dubois, Phillippe. O Ato Fotográfico, op. cit., p. 30, grifos do
autor.
Dubois, Phillippe. O Ato Fotográfico, op. cit., p. 35, grifo do
autor.
Dubois, Phillippe. O Ato Fotográfico, op. cit., p.46, grifo do
autor.
Barthes, Roland. A Câmera Clara. Rio de
Janeiro, Nova fronteira, 1984,
p. 115. Grifos do autor.
Barthes, Roland. A Câmera Clara, op.
cit., p. 76. Grifos
do autor.
Godard,
Jean-Luc. L’Afrique vous parle de la fin et des moyens. In:
Cahiers du Cinéma. N.º 94, Avril,
1959, p. 21.
Prédal, René. Rouch d’hier à demain. CinémAction.
N. º 81 (Jean Rouch ou le ciné-plaisir). França,
Éditions Corlet, Télérama, 1996, p. 36-37.
Cf. Marsolais, Gilles.
Une amitié
feconde: le système d’echange entre le cinèma québécois et
le cinéma de Jean Rouch. In: CinémAction. N. º 81 (Jean Rouch
ou le ciné-plaisir). França, Éditions
Corlet, Télérama, 1996, p. 131.
A sigla também aparece em francês, ONF,Office National du Film.
Rouch citado por Marsollais, Gilles. Une
amitié feconde: le système d’echange entre le cinèma québécois
et le cinéma de Jean Rouch, op. cit.,
p. 131.
Cf. Nichols, Bill.
Representing Reality. Bloomington: Indiana University Press, 1991,
p. 12.
Ele analisa as práticas de diversos cineastas e propõe quatro
modos de se fazer documentário: expositivo, reflexivo,
observacional e interativo. Ao apresentar os modos, Nichols resume
as idéias que norteiam a produção, as estratégias narrativas,
as técnicas utilizadas e algumas questões éticas que envolvem
cada um deles. O autor nos chama a atenção para que a classificação
tem fins didáticos, e que normalmente os filmes se distanciam da
descrição geral de seu modo, podendo propor outras características
ou se misturar, formando modos híbridos. Cf. Nichols, Bill. Representing Reality, op. cit., p. 32-75.
Nichols, Bill. Representing Reality, op. cit., p.15.
Cf. Menenzes, Paulo. Representificação: as relações (im)possíveis
entre cinema documental e conhecimento. Revista Brasileira de Ciências
Sociais. Vol. 18, Nº 51, 2003, p. 91.
Cf. Menezes, Paulo. Representificação: as relações (im)possíveis
entre cinema documental e conhecimento, op. cit., p. 94.
Cf. Nichols, Bill. Representing Reality, op. cit., p. 44.
Vertov era um defensor radical das possibilidades do cinema: som
direto, câmera móvel e... construção do sentido pela montagem
(Cf. Vertov in: Xavier, Ismail. A Experiência do Cinema:
antologia, op. cit., p. 245-266). Em O Homem da Câmera (1929),
ele explora tanto as possibilidades narrativas das imagens em seqüência,
como recria o sentido dos quadros lançando mão de trucagens. O
que leva Piault a dizer que ele não faz um inventário do visível,
mas revela-o e interpreta-o. Cf. Piault, Marc-Henri.
Anthropologie
et Cinéma. Paris, Nathan, 2000, p.
57-58.
Parente, André. Narrativa e Modernidade: os cinemas não-narrativos
do pós-guerra. Campinas, SP, Papirus, 2000, p. 112.
Cf. Piault, Marc-Henri.
Anthropologie
et Cinéma. op. cit., p.173.
Cf. Marsolais, Gilles. Une amitié feconde: le système
d’echange entre le cinèma québécois et le cinéma de Jean
Rouch. op. cit., p. 130.
Brault em entrevista a Maggi, France e Gilbert, Entretien
avec Michel Brault. In: CinémAction. N. º 81 (Jean Rouch ou le
ciné-plaisir). França, Éditions Corlet, Télérama, 1996,
p.134. Grifos do autor.
Barnouw, Erik. Documentary: a history of the non-fiction film. New
York, Oxford, Oxford University Press, 1993, p. 254-255.
Cf. Loizos, Peter.
Innovation
in Ethnographic Film: form innocence to self-consciousness
(1955-1985). Chicago, The University of Chicago Press, 1993, p.
48-49.
Cf. Stoller, Paul. The Cinematic Griot: the ethnography of Jean
Rouch. Chicago e Londres, The University of Chicago Press, 1992,
p. 131-132.