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Prática
Extensionista: complexidade educativa e agir comunicacional
Irenilda
de Souza Lima
Resumo
Neste
trabalho estão organizadas algumas idéias sobre a relação
dos aspectos de objetividades e a subjetividades presentes na prática
extensionista enquanto prática educativa. Os objetivos são de
contribuir com a indicação de conteúdos teóricos para a
formação de profissionais para a extensão rural na
perspectiva do desenvolvimento local sustentável. Consideramos
que numa abordagem interdisciplinar é possível fazer a
compatibilização da fundamentação teórica que fundamentam
as práticas: educativas e extensionistas na perspectiva de que
promova o encontro de sujeitos cognoscentes.
Palavras
chaves: Extensão Rural. Educação Agrícola. Comunicação.
Título
do trabalho: Prática Extensionista: complexidade educativa e
agir comunicacional[1]
Irenilda
de Souza Lima - UFRPE[2]
No
texto que se tornou referencia teórica obrigatória para a
extensão rural, em Extensão ou Comunicação? Paulo Freire
(1992) sustenta a idéia de que qualquer esforço de educação
popular, seja no campo ou nas áreas urbanas, deve possibilitar,
através da problematização do homem-no-mundo ou das suas relações
com o mundo e com os homens, que estes mesmos sujeitos devem ter
a oportunidade para que aprofundem o nível de consciências da
realidade na qual e com a qual estão inseridos.
As
reflexões sobre as idéias de Paulo Freire são extremamente
importantes quando se pensa em práticas educativas, porém,
estas práticas educativas aqui referidas não estão somente
identificadas nas ações realizadas nas escolas. Muito pelo
contrário, cada vez mais há referencia de práticas pedagógicas
em tudo que se faz.
Como
exemplo de que a educação deve ser elemento norteador de várias
ações vamos pensa-la na área de comunicação de massa, neste
sentido encontramos em Mattelart (1994) a recomendação de que
a vocação pedagógica dos meios de comunicação ou dos mass
media, seja sinônimo de compromisso social.
Contemporaneamente
estamos numa sociedade pedagógica em que os inúmeros segmentos
sociais são conclamados a fazer pedagogia, a realizar orientações
educativas principalmente para os projetos que visem a
sustentabilidade.
Se
vivemos numa sociedade em que reconhecemos a educação
permeando todas as práticas sociais, devemos igualmente pensar
nos sujeitos principais deste processo, Quem ensina e quem
aprende. E nesta visão da educação permeando quase tudo,
conforme o momento, podemos encontrar qualquer um dos sujeitos
envolvidos, ora na situação de aluno ou de educador, numa
interação constante.
Baseando o pensamento da educação na possibilidade de
parceria entre os sujeitos envolvidos na situação educativa, e
na concepção da educação dialógica e comunicativa, estamos
lembrando de Freire (1992: 78) quando afirma “
Educador-educando e educando-educador, no processo educativo
libertador, são ambos sujeitos cognoscentes diante de objetos
cognoscíveis, que os mediatizam.”
Educação
e comunicação
A
maior parte dos enfoques dados à Educação e à Comunicação
toma como base as duas áreas como campos de conhecimento
distintos, cada qual com seu próprio referencial e
instrumental.
Estas
áreas de conhecimento se necessitam mutuamente e que o estudo
separado tem prejudicado o desenvolvimento de ambas. A
necessidade da integração desses campos foi defendida por Juan
E. Díaz Bordenave, na década de sessenta. Destacamos, um livro
do autor sob título Educação Rural no Terceiro Mundo,
publicado em 1981, quando faz apologia à educação‑comunicação
e enfatiza que são muitos os
comunicadores que não percebem que estão educando quando
comunicam e há educadores que não sabem comunicar. Faz
analogia da necessidade desta integração, comparando esta união
com a inseparabilidade de um velho matrimônio camponês. Foi no
Brasil um dos precursores da integração da educação com a
comunicação mas, além disso, trouxe grande contribuição teórica
para a construção de uma nova área multidisciplinar no campo
da comunicação que foi a Comunicação Rural. Ao enfocar a
combinação dos objetivos da comunicação rural e da Educação
Rural, Bordenave chamou a esse entrosamento de comunicação-educação
rural.
Atualmente,
na América Latina, e em alguns países da Europa, já se
consolida a linha de pesquisa e um novo campo epistemológico
evidencia, a importante integração da comunicação/educação.
Contribuições teóricas e práticas nesta área foram dadas
por Celestin Freinet, Martin Barbero, Guilhermo Orozco Gómez, Mário
Kaplún e pelos brasileiros como Paulo Freire, Ismar de Oliveira
Soares, Adilson Citelli, entre outros.
Ainda
não foi possível uma plena integração das duas áreas. De um
lado a educação ainda não aproveitou plenamente os
conhecimentos da comunicação; por outro lado, para os
profissionais da comunicação, cuja atividade vincula-se ao
objetivo de informar e de formar opinião, a função educativa
não tem sido preocupação de primeira ordem.
Henry
Giroux (1983), por sua vez estabelece a relação da educação
com a comunicação, ressaltando que em meio à diversidade da
produção teórica de um período de 50 anos, a Escola de
Frankfurt forneceu valioso insight para o estudo das relações
entre teoria e sociedade. Ao fazer isso, estabeleceu o
fundamento de um arcabouço dialético que torna possível a
compreensão das mediações existentes entre as instituições
e as atividades da vida diária, de um lado, e as forças
determinantes e lógicas que modelam a totalidade social mais
ampla.
No
pensamento comunicacional, dialógico e interacionista de Paulo
Freire (1992), encontramos que educação é comunicação, é
diálogo na medida que não é transferência de saber, mas um
encontro de sujeitos interlocutores que buscam a significação
dos significados. Não sendo possível compreender a relação
educação e comunicação fora do princípio cognoscitivo e
comunicativo. Na publicação do livro Comunicação ou Extensão?,
na década de setenta, referido no começo deste texto, Freire
focaliza os processos comunicacionais que se inserem no agir
pedagógico libertador. Fazendo reflexões sobre o trabalho dos
extensionistas rurais chamou a atenção do modelo
comunicacional subjacente ao modelo pedagógico da ação destes
profissionais. Destaca o autor a importância da comunicação
na construção do conhecimento que colabora para a autonomia do
educando.
Outro
enfoque teórico encontra-se no referencial da Escola de
Frankfurt e mais precisamente de um membro desta escola foi possível
associar idéias que relacionam educação e comunicação. Nas
idéias da Ação Comunicativa, de Habermas, neste aporte teórico,
podemos destacar que quando os seguintes argumentos: quanto o
sujeito se comunica com outro, pela mediação da linguagem,
visando ao entendimento mútuo, cada sujeito utiliza-se de
pretensões de validade com relação a três tipos de proposição:
a) a que se refere ao mundo objetivo das coisas; b) ao mundo
social c) ao mundo subjetivo das vivências e emoções.
Na
exposição do modelo de comunicação de Habermas, fazemos a
relação com o que ocorre na ação pedagógica, citada por
Paulo Freire. O sujeito de Habermas pode ser visto como o
professor, o extensionista ou como o aluno, o agricultor, pois
em ambos ocorre fenômeno análogo. Quando o educador, o
extensionista, organiza mentalmente o
que vai ensinar ao aluno, relaciona o material com o
mundo objetivo das coisas, ao mundo social e ao mundo subjetivo
das vivências e emoções. Fizemos a relação do pensamento de
Habermas com a aprendizagem significativa no modelo proposto por
David Ausubel (Moreira 1999).
Citado
por Habermas, o valor da subjetividade vem à baila a ponto de
poder se afirmar que esta passa a incorporar a relação dos
sujeitos cognoscentes na perspectiva de diálogo, de discursos e
interdiscursos, cuja heterogeneidade permite a incorporação de
diferentes vozes sociais.
Neste
trabalho objetivamos deixar mais aparente o diálogo possível
entre a objetividade e a subjetividade presentes na prática
extensionista educativa. Os objetivos são de contribuir com a
indicação de conteúdos teóricos para a formação de
profissionais para a atuação na extensão rural na perspectiva
de experiências inovadoras de desenvolvimento local.
Consideramos
que estes elementos de análise priorizando as questões de
objetividade e subjetividade podem ainda ser associados a outras
forma de pensar as práticas educativas. Sem pretensão de
dicotomizar os elementos como pares de opostos, evidenciamos
também que, seja qual for a prática educativa, outro dilema
aparecerá.É o dilema da humanização e o da socialização
dos indivíduos. Educar uma pessoa para fortalecer a sua cultura
e seu jeito de ser no mundo, ou para que ela haja de
conformidade com o grupo social que determina o status quo
predominante e estabelecido verticalmente? Educar para
autonomia, individualidade e emancipação ou para integração
social?
Sem
chance de assumir um status de neutralidade, o trabalho do
educador-extensionista ou do extensionista-educador deve ser
pensado, a partir de sua visão de mundo e de sociedade, do
perfil formativo de homem e de mulher, para o qual desejar
contribuir com subsídios oriundos de sua prática profissional.
Não podemos mais pensar na formação dos profissionais com função
de mediação, tendo a idéia ingênua de que esta ação tem
origem numa chamada vocacional. Muito pelo contrário, fica cada
vez mais evidente que a prática de intervenção social na direção
de uma pedagogia da autonomia deve ter como premissa básica de
uma atitude principalmente política. Este trabalho político
pedagógico faz-se necessário na medida em que o contexto
social está paradoxalmente marcado, por um lado, pelo
empobrecimento e exclusão e, por outro, pelo crescimento da
riqueza, pelo imperialismo e pela globalização.
Diante
deste quadro social contemporâneo, é evidente que
subjetivamente e até objetivamente, este modelo de sociedade
influencia nos momentos de objetividade da prática educativa. E
assim, cada momento didático, cada encontro comunicativo, em
sala de aula ou em várias outras práticas sociais é precedido
de uma multiplicidade de acontecimentos: sócias, culturais, políticos
e outros. Portanto, está fora de cogitação pensar no ato
pedagógico desvinculado de aspectos de objetividade e de
subjetividade ao mesmo tempo.
Consideramos
pertinente a associação desta tentativa de articular a
objetividade e a subjetividade do agir pedagógico, com as idéias
de pós-modernidade referida por Pourtois e Desmet (1997, p 27)
ao afirmar que:
“O
universo pós-moderno será inelutavelmente complexo. Verá a
perda do sentimento da certeza, reconhecerá o caráter instável
de todo conhecimento; estabelecerá mediações entre os fatos
contraditórios; ao mesmo tempo que continuará a fazer
descobertas, integrará saberes: não rejeitará os progressos
do período moderno, as os articulará. Eis, em perspectiva a
nova etapa que se descortina nos caminhos do conhecimento. Disso
resultará um sistema de pensamento menos disperso, mais
integrador e, por isso mesmo, mais complexo.”
A
complexidade percebida na abordagem da educação pós-moderna não
deve ser encarada como um obstáculo intransponível, muito pelo
contrário deve ser vista como um desafio motivador na construção
de uma educação, extensão rural, com perspectivas de
desenvolvimento local sustentável, pela autenticidade e
legitimidade da proposta (Morin, 1996).
Na
linha da abordagem pós-moderna, descrita anteriormente, sobre
complexidade e o
contexto rural, Maria Isaura Pereira de Queiroz (1979), afirma
que há uma complexidade que só tende a aumentar quando, por
exemplo, se faz relação do campo com a cidade no Brasil,
justifica tal idéia ao sinalizar que em lugar de lidarmos com
processos novos que tomam o lugar dos antigos, a tendência
brasileira é, ou somar os processos novos aos antigos, ou
interpretar os processos novos dentro da ótica dos antigos, de
tal modo que o antigo nunca é aniquilado. Do mesmo jeito,
afirma ainda a autora que a tentativa de mostrar que processos
independentes existiam no meio rural, em relação ao urbano,
mostram que eles são limitados e, por outro lado, não se
desligam das [sociedade urbanas] modernas. Ainda mais, embora se
trate de problemas aparentemente independentes, são também
processos criadores de cidades.
Aponta
Manoel Correia (1989) que a complexidade e problemática da vida
do campo é bem diferente da vida urbana. Justificando esta
afirmativa ele observou a existência de relações sociais
peculiares e também relações de trabalho bastante
diversificadas.
Todas
estas colocações podem ser transportadas para se questionar
ainda mais a peculiaridade da educação rural, trazendo à tona
a questão da especificidade da área. Manter a identidade e
conviver com o universalismo que permeia a sociedade contemporânea
numa relação dialética do local com o global, da socialização
ou da humanização..
Por
outro lado, sobre aprendizagem, os diferentes mecanismos
cognitivos que são acionados para que alcancemos a desejada
aprendizagem significativa. Os conteúdos e as metodologias para
este público devem trazer a articulação de um projeto pedagógico
específico e a concepção de sociedade que se deseja
construir. Educação aqui, enquanto complexidade e promotora do
processo dialético de objetividade e complexidade, se configura
como negociação, onde o ideal seria articular a formação
para um saber técnico, mas com vistas ao coletivo e para uma ação
política de intervenção na realidade, visando à formação
do agricultor enquanto cidadão.
O
agir educativo baseado no conhecimento do publico, e no respeito
ao saber trazido por este público, de sua lógica cultural e de
produção, conhecimentos trazidos, ecossistemas e identidades
locais pode trazer muito mais possibilidades para a promoção
de uma aprendizagem efetiva. Como princípio básico estes
elementos estruturantes colaboram cognitivamente para que de
fato haja um alcance democrático na oportunidade de acesso ao
saber e que todas as pessoas sejam atendidas com metodologias
adequadas, o que facilitará que de fato aprendam ou que de
verdade haja mudança conceitual e significativa.
Parece
certo que a educação escolar e a educação que ocorre em
outras práticas sociais fora da escola, têm sido
predominantemente apresentada de forma dicotômica. Ou seja, de
forma desvinculada: saber escolar e vida. Também de maneira
fragmentada onde o saber não é visto em função de um
cotidiano ou de uma identidade do grupo assistido.
Algumas
iniciativas formativas já unificam este mundo predominantemente
direcionado para uma aprendizagem tecnicista e mecânica . Assim
podemos usar como exemplo os programas e conteúdos vivenciados
na formação proposta durante o curso de Licenciatura em Ciências
Agrícolas da UFRPE. Este curso tem como objetivo a formação
do educador agrícola, traz não somente a formação do
professor para o espaço de sala de aula, mas, sobretudo a intenção
de desenvolver a competência de gestor de desenvolvimento
local. E competência aqui tem a conotação proposta por
Perrenoud (2000) que diferencia competência e habilidade.
Habilidade como possibilidade de reprodução de uma idéia e
competência como capacidade de dispor o conhecimento para ser
mobilizado, ou seja, como a capacidade de reelaborar o
conhecimento e de utilizá-lo em outras situações.
Se
por um lado está em pauta a reivindicação de que as
atividades de extensão rural tenham bem presente a preocupação
com a ação educativa, do outro lado já é premissa básica
que os cursos que formam professores para a educação no campo
que tenham a perspectiva de uma prática pedagógica que não se
limite ao espaço de sala de aula. A idéia é a promoção da
formação de um educador para pensar e agir sobre a educação
para além dos muros da escola. E mais do que isso que consiga
trazer o público não matriculado regularmente na escola,
principalmente os agricultores familiares para participarem de
um projeto de escola como centro do desenvolvimento local.
Para
Tavares de Lima e Figueiredo (2003:82) na formação de
educadores agrícolas são realizadas atividades na
possibilidade de que haja um diálogo entre o saber acadêmico e
o popular fazendo a articulação para um novo conhecimento...
“Práticas
sociais as mais variadas e em distintas situações foram
oferecidas, podendo ser relacionadas atividades de educação
ambiental, educação de jovens e adultos. Assessoria a
assentamentos rurais e conjuntos habitacionais de baixa renda
como objetivo de identificar melhoria de vida e de renda. Curso
e treinamentos, visitas e experiências de referencia, instituição
de prêmios de produção acadêmica para assuntos relacionados
com a educação e meio ambientes. Práticas que ajudaram no
delineamento de um projeto político-pedagógico de formação
em que a diversidade, o diálogo e a constante reflexão destas
ações foram uma constante no processo e proporcionou alterações
conceituais importantes. (...) se desenvolveu uma série de
instrumentos e procedimentos de intervenção, que, socialmente
construídos, incorporaram o conhecimento local, o que
contribuiu para o uso e a mudança de comportamento em relação
a sua atitude em relação ao mundo”.
As
atividades propostas neste projeto formativo estão coerentes
com o pensamento de Paulo Freire (1977:69) quando sustenta que:
“A educação é comunicação, é diálogo, na medida em que
não é transferência de saber, mas um encontro de sujeitos
interlocutores que buscam a significação dos significados”.
Outra
linha teórica a ser pensada para uma proposta de educação
comunicativa e a partir da cultura local, vem de Driver e sua
equipe da Universidade de Leeds, Inglaterra (Driver 1986).
Baseada nos estudos cognitivistas deste grup, podemos observar
as seguintes recomendações, mesmo que tenha sido originalmente
criadas para a didática escolar, podem também nortear as
metodologias de intervenção na extensão rural para o
desenvolvimento local, são elas: a) identificar as idéias das
pessoas e dos grupos sociais e suas próprias perspectivas sobre
desenvolvimento e melhoria de vida. b) Colocar em questão as
referidas idéias mediante contra-exemplo e questionamentos. c)
negociação de significados para introdução de novos
conceitos e novas possibilidades. D) utilização das novas idéias
em outros contextos. O saber em processo de reelaboração.
Tanto
Paulo Freire, como Driver, trouxeram grande contribuição para
modo de pensar contemporâneio para uma educação que seja
significativa. Estas idéias devem ser aprofundadas para torná-las
sempre coerentes com o objetivo de gerar a participação, o diálogo
e a valorização da cultura local experienciada. Mesmo porque a
cultura local, se não sofresse a intervenção da cultura
estranha ao local, já seria considerada significativa e
suficientemente útil para a sobrevivência daqueles que naquele
contexto vivem.
Ainda
do campo teórico da educação, outras referencias podem servir
de embasamento para as perspectivas de uma didática para o
desenvolvimento local. Considero pertinente, para associar educação
cognitivista, extensão rural, educação rural e
desenvolvimento local, outros teóricos como: David Ausubel
(1980) com o conceito de aprendizagem significativa; Edgar Morin
(1996) com as idéias da Teoria da Complexidade. Para a base das
escolhas de estratégias didáticas e metodologias apropriadas
para grupos com culturas peculiares, podemos seguir a inspiração
das abordagens etnometodológicas. Tais metodologias servem para
atendimentos de grupos etnicamente definidos ou com cultura
local definida em suas peculiaridades sociais e de interesses
baseados nos aspectos de relevância situacional. A participação
e o diálogo devem ser igualmente relevantes para práticas
educativas com estes diferentes públicos.
Sugestões de roteiro a
partir de uma abordagem contemporânea e que vise uma ação
educativa na extensão rural para o desenvolvimento local:
1-
Adota como princípio que a educação é comunicação
na medida que é o encontro de sujeitos cognoscentes
mediatizados pelo mundo cultural de cada sujeito e de um
contexto geral mais abrangente (Freire, 1977).
2-
Identificar e considerar as idéias das pessoas e dos
grupos sociais e suas próprias perspectivas de melhoria de vida
e projetos coletivos (Gil Pérez D. & Carvalho, A. M. P.
2000).
3-
Valorizar as idéias e ao mesmo tempo colocar em questão
as referidas idéias mediante contra-exemplo e questionamentos e
na possibilidade de mediação.
4- Negociação de significados para introdução de novos
conceitos e novas possibilidades
(Gil Pérez D. & Carvalho, A. M. P. 2000).
5-
Utilização das novas idéias em outros contextos. O
saber em processo de reelaboração (Gil Pérez D. &
Carvalho, A. M. P. 2000).
6- Reconhecer o
papel do mediador de processos educativos situando-o como autor,
co-autor, co-criador
e sujeito no processo de gestão do desenvolvimento local
significativo ( Lima , 2002)
7-
Estudar os recursos e as metodologias em experiências
onde predomine a busca a parceria, participação e a
aprendizagem que seja significativa.
8-
Estudar e construir alternativas de uso e reflexão. e
valorização da didática que surja a partir do perfil de cada
profissional e do uso de elementos com a
peculiaridade local.
Assim,
devemos pensar na construção de novas estratégias para uma prática
Extensionista com vistas ao projeto de desenvolvimento local sem
perder de vista a complexidade
educativa e do agir comunicacional, para isso devemos investir
com conteúdos significativos na possibilidade de formação de
mediadores para projetos educativos e como diz Tavares de Lima
(2003:92):
“A
formação profissional é um enorme desafio. E formar para um
mundo com uma outra lógica produtiva imposta pela velocidade da
informação hoje existente, onde tantos conceitos parecem
superados e tantos pensados superados reaparecem, exigem cautela
e o abandono definitivo de verdades absolutas”.
Cientes
da complexidade também nos projetos de formação profissional
para a extensão rural educativa, insistimos na importância de
que seja ressaltado a co-existência
da objetividade, visualizada
na prática e a subjetividade, como pertinente a
identidade de cada sujeito envolvido e cultura local
experienciada. Estes elementos devem ser considerados numa prática
extensionista enquanto prática educativa. Numa abordagem
multidisciplinar é possível fazer a compatibilização teórica
da complexidade das práticas: educativas e extensionistas. E
reforçando, as idéias de Paulo Freire, nesta relação da
educação com extensão e comunicação rural é possível
visualizar a presença de uma práxis que promova o encontro dos
sujeitos cognoscentes.
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71-92.
Trabalho apresentado ao VII ALAIC. Grupo
de Trabajo: COMUNICACION, TECNOLOGIA Y DESARROLLO
Doutora em Ciências da Comunicação e professora do Depto
de Educação da UFRPE.
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