Elisa
Lübeck[1]
e Ada Cristina M. da Silveira[2]
RESUMO
A
pesquisa tem por finalidade analisar a situação de
interatividade e a linguagem dos sites eletrônicos voltados aos
pequenos e médios produtores rurais. O
meio rural brasileiro vem passando por profundas transformações nos
últimos anos devido, principalmente, ao aumento da concorrência e à
conquista de novos mercados nacionais e internacionais. Esses fatores
exigem dos produtores um posicionamento diferenciado e uma mudança de
atitude. Com vistas a esta problemática, analisou-se
três sites eletrônicos voltados para organizações de produtores,
visando detectar aspectos positivos e negativos que favorecem a inclusão
ou a exclusão digital de uma camada bastante desfavorecida da população
brasileira através de critérios como: abrangência, adequação de
linguagem e eficácia do processo de comunicação utilizado; dinâmica
de produção dos sites; nível de adequação dos recursos multimídia;
e freqüência com que o fluxo de comunicação é alimentado. Dessa
forma, a inclusão digital já não é vista isoladamente, mas como
elemento da cidadania e da inclusão social, representando acesso a
oportunidades fundamentais para o desenvolvimento das comunidades na
era do conhecimento.
Palavras-Chave:
exclusão digital – Internet - sociedade da informação -
tecnologias de informação e comunicação - telecentros.
1
- INTRODUÇÃO
O
meio rural brasileiro vem passando por profundas transformações nos
últimos anos devido, principalmente, ao aumento da concorrência e à
conquista de novos mercados nacionais e internacionais. Esses fatores
exigem dos produtores um posicionamento diferenciado e uma mudança de
atitude. Nesse contexto, observa-se que o meio rural passou a
visualizar a administração com critérios empresariais,
profissionalizando-se e investindo maciçamente em treinamento e, também,
em novas tecnologias. Esse movimento tem proporcionado maior
lucratividade, produtividade e reconhecimento internacional da
qualidade dos produtos agropecuários brasileiros.
Atualmente,
a comunicação apresenta-se como uma importante ferramenta para
promover o desenvolvimento local e regional através do incentivo à
participação da comunidade em todas as esferas da sociedade. Dessa
forma, o acesso às novas tecnologias de comunicação por parte das
organizações de produtores rurais é uma forma de garantir o
desenvolvimento das mesmas e também de propiciar o seu crescimento
através do acesso à informação e da ampliação da participação
de todos. Porém isso só será possível se os sites eletrônicos
voltados para esse tipo de público utilizem uma linguagem comum a
todos, uma linguagem que realmente propicie a interação e a troca de
informações, pressupostos básicos da comunicação.
Este trabalho é resultado de uma análise de três sites eletrônicos
voltados para organizações de produtores, visando detectar aspectos
positivos e negativos que favorecem a inclusão ou a exclusão digital
de uma camada bastante desfavorecida da população brasileira. São
seus objetivos verificar a abrangência, a adequação de linguagem e
eficácia do processo de comunicação utilizado;
descrever a dinâmica de produção dos sites; verificar o nível
de adequação dos recursos multimídia; além de observar a freqüência
com que o fluxo de comunicação é alimentado. No que se refere às
expectativas pode-se afirmar que o objeto de estudo relaciona-se com a
utilização adequada do canal de comunicação visando à correta
disponibilização das informações - de forma planejada - para
atingir o público-alvo com mais eficiência, aumentado a troca de
informações e divulgando as organizações de produtores rurais no
Estado do Rio Grande do Sul.
Para
sua realização, optou-se pela abordagem qualitativa, visto que esta
engloba um universo mais amplo das relações, dos processos e dos fenômenos
que não podem ser reduzidos a simples variáveis. Para o levantamento
das informações necessárias utilizaram-se a pesquisa bibliográfica
e a observação sistemática, além de entrevistas semi-estruturadas
com os administradores dos sites do Movimento dos Trabalhadores Sem
Terra (MST), da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural
(EMATER) e do Telecentros-RS. Os sites eletrônicos de todas estas
organizações visam a inclusão de camadas menos favorecidas da
sociedade no uso das novas tecnologias de informação, utilizando-se
dessas tecnologias como uma ferramenta para o crescimento das
comunidades, para a busca de novas oportunidades, para o acesso e
produção de informação com fins ao desenvolvimento.
A
seleção deste conjunto de sites eletrônicos origina-se da consideração
acerca de uma distinção primordial entre o que se apresenta urgente
e o que é importante. Sendo a realidade da exclusão digital pouco
conhecida no Brasil, cabe a indagação sobre como, ou por onde,
deveria começar a estudar a questão. Ricardo Thorton (2003) indaga
sobre “como será o processo de adoção/apropriação da Internet
pelos produtores rurais do Conesul da América ao nível
individual”. Ada Cristina M. da Silveira (2003) responde que este
tipo de análise deve, inicialmente, ser empreendida ao nível dos
agentes coletivos, os quais respondem, antes que os indivíduos, por
determinadas opções complexas e que envolvem riscos e aproximações
difíceis. Foi neste sentido que se optou pelo conjunto de três sites
eletrônicos institucionais:
1
- O MST foi fundado oficialmente em 1984 e é responsável pela
organização de famílias de produtores que buscam terra e condições
mais dignas de trabalho e de vida. É um movimento bastante organizado
que atua em diversos estados brasileiros e envolve mais de 1,5 milhão
de pessoas. O movimento possui um site na rede mundial de computadores
com inúmeras informações como histórico, últimas notícias,
campanhas, além de apresentar versões em várias línguas como
espanhol, inglês e francês.
2
- A EMATER é uma organização que tem como missão promover
e desenvolver ações de assistência técnica e extensão rural,
mediante processos educativos, em parceria com as famílias rurais e
suas organizações, priorizando a agricultura familiar, visando ao
desenvolvimento rural sustentável, através da melhoria da qualidade
de vida, da segurança e soberania alimentar, da geração de emprego
e renda e da preservação ambiental. A EMATER possui um escritório
central localizado em Porto Alegre e mais dez escritórios regionais
em diferentes cidades do estado, além de inúmeros escritórios
municipais, totalizando, aproximadamente, 483 unidades no Rio Grande
do Sul.
3 - A Rede
Telecentros RS é um programa que busca a popularização das
tecnologias de informação e comunicação. É uma iniciativa da
Secretaria da Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul que busca a
crescente inserção da totalidade da população gaúcha na sociedade
da informação. O programa conta com o projeto Via Pública
(Procergs), constituído de pontos de acesso gratuito à Internet, o
projeto Espaço Virtual-Portal (Procergs), quiosques de informação
ao cidadão dentro das Universidades e na Biblioteca Pública do
Estado, na Biblioteca Romano Reif (Bairro IAPI/Porto Alegre), no Vida
Centro Humanístico (Porto Alegre), na Biblioteca Pública de Caxias
do Sul e na Biblioteca Pública Pelotense.
2
- A ANÁLISE DE SITES
Um site eletrônico
pode ser caracterizado como uma interface[3],
ou seja, um lugar de troca, de passagem, de tradução. Mas essa
interface deve ser dinâmica, plástica e flexível. Para isso existem
inúmeros recursos gráfico-visuais e a conseqüente exploração
deles dão aos sites a aparência de algo vivo. A aparência do vivo
na Internet, mais que uma qualidade, parece ser uma condição de
existência.
No que se
refere à composição de páginas, sabe-se que é um processo que está
se desenvolvendo sempre com o objetivo de apresentar as informações
de forma mais densa e organizada. Dentro desse contexto, a avaliação
torna-se uma necessidade constante. E a avaliação de um site eletrônico
consiste na apreciação dos elementos utilizados na elaboração da página.
Sabe-se que a interação adequada dos elementos possibilitam uma
melhor visualização e compreensão na perspectiva de satisfazer as
exigências do usuário.
Os atributos
considerados mínimos que um site deve conter são: disponibilidade de
acesso as 24 horas do dia, resposta rápida do servidor, estatísticas
de origem e quantidade de visitantes, registro nos sites de busca,
conter apenas links válidos e ser visualizado por qualquer tipo de
programa de navegação. Outros aspectos também devem ser observados
como cor da fonte e cor de fundo (background); existência de figuras
com textos explicativos; links internos e externos conectados; sugestão
de outros sites relacionados com a página; e-mail para contato; data
da construção e última atualização; entre outros.
Outros
elementos poderão ser considerados na avaliação, caso o usuário
entenda como conveniente, como por exemplo: compatibilidade do
browser; disponibilidade de som, idiomas, etc. A questão da
usabilidade também deve ser considerada, ou seja, a qualidade da
interação dos usuários com a interface.
Esta qualidade está associada aos seguintes princípios:
facilidade de aprendizado, facilidade de lembrar como realizar uma
tarefa após algum tempo, rapidez no desenvolvimento das tarefas,
baixa taxa de erros, satisfação do usuário.
Os
problemas de usabilidade referem-se à navegação como, por exemplo:
se os usuários têm dificuldade para encontrar a informação
desejada no site; se encontram problemas ocasionados pelo uso
inadequado de recursos multimídia;
uso excessivo de cores causando fadiga visual e desviando a
atenção do usuário com relação à mensagem; ausência de informação
e a inadequação do texto também constituem problemas de
usabilidade. Contudo, a regra geral para a determinação de um
problema de usabilidade é se o problema impede ou dificulta a realização
de uma tarefa pelo usuário.
Para se medir a usabilidade devem ser levados em conta aspectos
como desempenho durante a realização de tarefas, conclusão de
tarefas, tempo de realização de tarefas, ocorrência e erros,
satisfação subjetiva do usuário, correspondência com os objetivos
do usário e adequação à padrões (normas, recomendações, regras
ergonômicas).
A
acessibilidade é o termo A diversidade de usuários também deve ser considerada, é
importante saber quem é o público-alvo, obter feedback
periodicamente e acompanhar as tendências dos usuários.
A
acessibilidade corresponde ao termo utilizado
para descrever problemas de usabilidade encontrados por usuários com
necessidades especiais (dificuldade auditiva, visual, cognitiva, física,
barreiras tecnológicas). A acessibilidade implica em tornar utilizável
a interface por qualquer pessoa. A acessibilidade e a usabilidade são
conceitos relacionados, pois buscam melhorar a satisfação e eficiência
de utilização da interface.
Para
melhor análise da estrutura e do conteúdo dos sites eletrônicos
optou-se por definir 12 categorias iniciais que foram reduzidas a
quatro categorias finais. Estas categorias permitiram a obtenção de
um perfil da estratégia comunicacional adotada por cada organização
conforme os critérios propostos por Marco Winckler (2001) (tabela
01).
Tabela
01. Categorias de análise dos sites eletrônicos.
|
Categorias
Iniciais
|
Categorias
Finais
|
|
1.
Facilidade de Identificação do link.
|
1.
Acessibilidade
|
|
2.
Clareza na disposição das informações.
|
|
3.
Presença de links internos e externos.
|
|
4.
Uniformidade do layout.
|
2.
Navegabilidade
|
|
5.
Histórico da organização.
|
|
6.
Descrição das atividades da organização.
|
|
10.
Disponibilidade do site em outros idiomas.
|
|
7.
Freqüência das alterações de informações.
|
3.
Usabilidade
|
|
8.
Presença de gráficos, ilustrações e fotos.
|
|
9.
Utilização dos recursos multimídia.
|
|
11.
Formas de contato com a organização.
|
4.
Interatividade
|
|
12.
Presença de informações e aplicativos adicionais
(valor-agregado).
|
Após
a definição de um perfil individual de cada site eletrônico,
realizou-se uma análise comparativa entre os três, o que permitiu a
visualização dos conhecimentos técnicos pesquisados.
3
- SITE DO MOVIMENTO DOS TRABALHADORES SEM-TERRA – MST
O
Movimento dos Trabalhadores Sem Terra foi fundado oficialmente em
1984, porém foi na década de 70 que começaram a surgir os primeiros
trabalhadores rurais sem terra, vítimas da intensa mecanização da
agricultura que acabou por introduzir o êxodo rural. Atualmente o MST
atua em 23 estados brasileiros, englobando mais de 1,5 milhão de
pessoas, cerca de 350 mil famílias foram assentadas através desta
luta e outras 80 mil vivem em acampamentos. Também foram criadas
cooperativas de produção agropecuária, cooperativas de prestação
de serviços, cooperativas regionais de comercialização e
cooperativas de crédito.
Portanto,
para difundir seus objetivos não poderia deixar de utilizar as novas
tecnologias de comunicação, em especial, da Internet. O site do MST
é bastante organizado e mantém a identidade do movimento,
utilizando-se da cor vermelha contrastando com o branco predominante.
As páginas são simples e repletas de informações, o menu fica na
parte superior e se mantém em toda a estrutura. Conforme dados fornecidos pelos administradores do site, a média
de acessos/mês é de 37.632. O
site também possui um ícone pequeno localizado na parte inferior
esquerda das páginas que fornece estatísticas em tempo real
fornecendo dados como últimos dez visitantes, país de procedência,
número total de visualizações até o momento do acesso, entre
outros. O que se observa
é que a linguagem utilizada na página é direcionada para o público
que deseja conhecer o MST e saber quais são as ações do movimento.
Em nenhum momento parece se dirijir ao próprio produtor ou aos
produtores sem terra visando estimulá-los a aderir ao movimento.
Prova disso é que o site está disponível em mais seis línguas além
do português. Outro ponto que não pode deixar de ser destacado é
que em cada língua a página apresenta um layout diferenciado,
perdendo a identidade apresentada na versão original.
Com
relação ao quadro comparativo das categorias de análise propostas,
observa-se:
Tabela
02. Categorias finais de análise do site do MST.
|
Categorias
Finais
|
Análise
|
|
1.
Acessibilidade
|
Com
relação a acessibilidade o site não apresenta maiores
problemas visto que é bastante simples e apresenta os links
principais na primeira página.
|
|
2.
Navegabilidade
|
A
navegação é simples, porém poderia ser facilitada com a
existência de mais ícones ilustrativos. Outro aspecto
refere-se a mudança de layout observada quando se escolhe uma
outra opção de idioma, prejudicando a identidade.
|
|
3.
Usabilidade
|
O
site apresenta informações sobre o movimento, porém não se
dirige unicamente aos integrantes do mesmo, visto que a
linguagem é dotada de forte conteúdo ideológico. Através da
página o usuário pode acompanhar as atividades do movimento.
|
|
4.
Interatividade
|
O
site apresenta a possibilidade do envio de e-mail, deixar
recados no mural, ouvir músicas (sem opção de download), ou
adquirir produtos.
|
4
- SITE DA EMPRESA DE ASSISTÊNCIA TÉCNICA E EXTENSÃO RURAL –
EMATER
A
EMATER é uma empresa comprometida com os processos de desenvolvimento
rural sustentável e tem como missão promover e desenvolver ações
de assistência técnica e extensão rural, mediante processos
educativos, formando parcerias com as famílias rurais e suas organizações,
priorizando a agricultura familiar, visando ao desenvolvimento rural
sustentável, através da melhoria da qualidade de vida, da segurança
e soberania alimentar, da geração de emprego e renda e da preservação
ambiental.
O site da EMATER
apresenta uma estrutura com áreas bem delimitadas como institucional,
área técnica, informativos e comunicação. Na parte superior
apresenta ícones que permitem que o usuário entre em contato
identificado através de uma carta, além do Fórum Permanente de
Tempo e Clima. Na parte central apresenta notícias, as últimas
novidades referentes ao setor rural, eventos, entre outros. Segundo
dados fornecidos pelo Setor de Tecnologia de Informação da EMATER, a
empresa não possui informações sobre o perfil do usuário e também
não pode delimitar quais são as dúvidas mais freqüentes. O total
de acessos registrado no mês de outubro de 2003 foi 1.149.665 usuários.
Entre os acessos mais freqüentes encontram-se, respectivamente, países
como Brasil, Estados Unidos, Argentina, México, Portugal, Espanha,
Canadá, Itália, Uruguai, Moçambique, Israel, Holanda.
Na
página inicial da EMATER encontram-se ícones que permitem acessar o
plantão técnico, uma parte destinada a tirar dúvidas, dentre as opções
oferecidas encontram-se o número do telefone, horários do escritório
e e-mail. Outro ícone bastante interessante é o de economia doméstica
que apresenta de forma direta receitas diversas, além de apresentar
uma lista com as dez receitas mais acessadas e uma opção de busca de
receitas por categoria. A página também apresenta um calendário de
eventos.
Com relação à questão da acessibilidade o site é bastante
simples, permitindo que o usuário visualize todas as opções na página
inicial. E a existência de alertas técnicos, receitas culinárias e
outros, já são canais mais próximos do usuário. Entre os reparos
que se pode fazer, está o de que poderia existir mais apelo ao usuário
se fossem disponibilizadas chamadas tipo: deixe sua receita ou envie
suas dicas. Uma outra sugestão para esta parte da página seria
disponibilizar a foto dos pratos, chamando a atenção do leitor visto
que a imagem desperta o interesse das pessoas.
Tabela
03. Categorias finais de análise do site da EMATER
|
Categorias
Finais
|
Análise
|
|
1.
Acessibilidade
|
O
site é de fácil acesso e se utiliza de ícones que permitem
uma maior acessibilidade.
|
|
2.
Navegabilidade
|
A
navegação também é bastante facilitada devido a presença de
barras laterais com os links.
|
|
3.
Usabilidade
|
O
site disponibiliza informações de utilidade doméstica e plantão
técnico o que chama a atenção dos usuários.
|
|
4.
Interatividade
|
Permite
que o usuário envie suas dúvidas e sugestões, verifique os últimos
discursos do presidente da organização e, principalmente,
confira os preços dos produtos agrícolas.
|
5
- SITE DO TELECENTROS-RS
Com
a necessidade crescente de inserção da totalidade da população no
contexto da nova sociedade informatizada, torna-se fundamental a ação
do Estado para que as fantásticas ferramentas que se apresentam
possam ser utilizadas por todas as pessoas, antes que se constituam em
mais um instrumento de exclusão social em função de condições
econômicas e culturais.
Conforme
dados observados no ranking dos incluídos digitais o estado do Rio
Grande do Sul ocupa um lugar de destaque juntamente com o estado de São
Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Paraná. Dentro deste princípio,
a Secretaria da Ciência e Tecnologia promove a difusão tecnológica,
visando a introdução de uma nova cultura através de quaisquer
formas de acesso que possam ser disponibilizadas e com a participação
do maior número possível de instituições que se comprometam como
parceiras nesta revolução.
O
desenvolvimento da Rede TELECENTROS RS tem como objetivo articular o
acesso a serviços públicos às políticas de geração de renda, ao
comércio eletrônico e demais processos de gerência de recursos
humanos, relacionamento com o cliente e a automação de negócios.
Como também aliar o acesso à informação à capacidade de produção,
de processamento de conhecimento, de interferência nas condições
das relações sociais e nas relações entre a sociedade e o Estado,
relações essas que determinam em grande parte as condições de vida
dessas populações.
Na
página inicial do site do Telecentros RS encontram-se os seguintes
links principais: TeleCentros RS, TeleCentros do Brasil, Serviços Públicos,
Diversos, Educacionais e Entretenimento. A parte central contém as últimas
notícias com um título e uma pequena chamada (resumo). É importante
destacar que as últimas notícias são relacionadas com as
comunidades nas quais o projeto é desenvolvido como, por exemplo, o
projeto resgatando bairros. Ele visa valorizar as diversas culturas
locais que compõe a capital gaúcha através do relato da história
de vida das pessoas. Entrando no link telecentros RS o usuário
encontra toda a história do projeto telecento RS e quais são as
características de um telecentro.
No link TeleCentros RS aparecem as opções de página inicial,
telecentros RS, conceito, o que é o projeto e importância. No link
TeleCentros do Brasil são disponibilizadas três opções de
telecentros como o Telecentro Vida , Telecentro Chico Mendes, e o
Sampa.Org.
Na
parte de entretenimento o usuário encontra as últimas notícias,
sugestões de livros e jornais além de peculiaridades que atraem os
usuários como previsão do tempo e horóscopo. Os desenvolvedores do
site se preocuparam em colocar informações que gerassem valor
agregado, servindo de atrativo para os usuários. Além disso,
encontra-se disponível a página da Agência Comunitária de Notícias,
um espaço destinado ao cidadão e produzida por pessoas que
participaram de oficinas oferecidas pela Rede Telecentro RS.
O
usuário também pode criar um e-mail gratuitamente através do site,
passo-a-passo. Isso estimula a troca de informações com outras
pessoas e já vai aguçando o gosto das pessoas pelo fascinante mundo
das novas tecnologias de comunicação. A interatividade com o usuário
é verificada no momento em que o site disponibiliza o recurso para o
envio de cartões virtuais, porém este é um link com a Via RS da
Procergs.
Dessa forma, o site do Telecentros RS é um excelente exemplo
de uma linguagem simples e apropriada para o público com pouca experiência
frente as novas tecnologias, busca valorizar as informações do
estado do Rio Grande do Sul e retrata as ultimas notícias dos
bairros, eventos, lista de cursos, apostilas, entre outras informações
realmente úteis para as pessoas. Além disso, possui links com serviços
públicos, de grande interesse da maioria da população.
Com
relação ao quadro comparativo das categorias de análise propostas,
observa-se:
Tabela
04. Categorias finais de análise do site da Rede Telecentros RS.
|
Categorias
Finais
|
Análise
|
|
1.
Acessibilidade
|
O
site apresenta uma
disposição bastante simples, com links de interesse das
pessoas no que se refere à prestação de serviços. A
linguagem também é bastante simples e há partes construídas
pelos próprios cidadãos.
|
|
2.
Navegabilidade
|
A
navegação é extremamente fácil, pois os links são
apresentados na primeira página do site.
|
|
3.
Usabilidade
|
Com
relação à usabilidade isso é bastante marcante no site já
que ele apresenta informações úteis para todos os cidadãos.
|
|
4.
Interatividade
|
A
interatividade é marcada pela agência de notícias do cidadão,
com informações fornecidas pelas pessoas que utilizam o
telecentro. A possibilidade de criação de e-mail é outro
ponto positivo, pois favorece a inserção das pessoas nas NTC.
|
6
- ANÁLISE COMPARATIVA
Após a análise dos três sites eletrônicos volta-se a questão-problema
de pesquisa referente à apropriação da Internet e sua contribuição
para o combate à exclusão digital no meio rural brasileiro.
Tomando
como base as questões formuladas por Ada Cristina M. da Silveira
(2003, p.44), indaga-se: “a) como os agentes coletivos se utilizam
da Internet?; b) quais as estratégias de apropriação que disseminam
para seus afiliados?; c) quais os conteúdos preferidos?; d) com base
em seu discurso multimídia a que públicos se dirigem,
prioritariamente?”. Este conjunto de questões fornecem o sentido da
apropriação que se pensa realizar. Após realizada a análise,
observam-se os seguintes resultados (tabela 05):
Tabela
05 – Análise comparativa dos Sites
|
a)
Como os agentes coletivos se utilizam da Internet?
|
|
MST
|
Utilizam,
praticamente, todos os recursos multimídia, embora, com pouca
uniformidade (perda de identidade) e pouca interação com a inúmera
maioria dos militantes do MST.
|
|
EMATER
|
Divulgação
de informes técnicos.
|
|
Rede
Telecentros RS
|
Utilizam
praticamente todo os recursos multimídia, com enfoque na criação/uso
de endereços eletrônicos.
|
|
b)
Quais as estratégias de apropriação que disseminam para seus
afiliados?
|
|
MST
|
Promoção
do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, cyberativismo.
|
|
EMATER
|
Disponibilização
de informações de caráter institucional.
|
|
Rede
Telecentros RS
|
Capacitação
de usuários.
|
|
c)
Quais os conteúdos preferidos?
|
|
MST
|
Histórico
do movimento, acompanhamento das últimas notícias relativas ao
movimento (ocupações, ações da justiça, etc.).
|
|
EMATER
|
Assistência
técnica através de informes técnicos, além de um breve histórico
da organização, escritórios, entre outros.
|
|
Rede
Telecentros RS
|
Conteúdos
referentes aos bairros, produzidos pelos próprios integrantes
da Rede, notícias, serviços públicos, banco de currículos,
além de conteúdos e notícias dos cursos disponíveis.
|
|
d) Com
base em seu discurso multimídia a que públicos se dirigem,
prioritariamente?
|
|
MST
|
Militantes
e simpatizantes brasileiros e estrangeiros.
|
|
EMATER
|
Extensionistas,
técnicos e profissionais da área.
|
|
Rede
Telecentros RS
|
Usuários
(comunidades carentes tanto do meio urbano quanto rural),
agentes da rede e órgãos de governo.
|
Com relação aos questionamentos realizados pode-se destacar
que todos os sites utilizam os recursos multimídia disponíveis, com
maior ou menor intensidade, porém alguns permitem uma maior interação
com os usuários fornecendo informações como links de serviços de
utilidade pública, possibilidade de criação de e-mail, entre
outros. O site da Rede Telecentros-RS merece destaque visto que possui
uma agência de notícias popular, onde os usuários do telecentro
disponibilizam informações. Outro aspecto interessante é que
oferece cursos e apostilas para capacitação dos usuários visando
uma maior interação com as novas tecnologias. Sua linguagem é
bastante simples facilitando a compreensão e destina-se
principalmente às populações carentes tanto do meio urbano quanto
do meio rural.
Já
o site da EMATER apresenta a possibilidade de o usuário tirar dúvidas
utilizando o plantão técnico, além de um link com receitas de
economia doméstica. É um site essencialmente institucional que
permite aos usuários obterem informações sobre questões técnicas
relacionadas à agricultura. É de fácil navegação, pois mantém a
identidade visual em todas as suas páginas.
Por
fim, o MST apresenta notícias do movimento e sua história,
possibilitando ao usuário obter uma contextualização da luta pela
terra no Brasil. É dirigido a um público diferenciado visto que a
linguagem utilizada não é tão simples e apresenta as informações
em vários idiomas. Possibilita aos usuários a compra de produtos e a
opção de músicas relacionadas ao movimento. Sua navegação é
facilitada pela barra de links superior que se mantém em todas as páginas,
somente é alterada quando o usuário escolhe outra opção de idioma.
Utiliza as cores do movimento com predominância da cor vermelha,
mantendo a identidade do site.
Dessa
forma, a realização desta análise permite verificar quais são os
sites eletrônicos voltados aos produtores rurais e quais deles
permitem que eles tenham contato com as novas tecnologias de informação
de forma simples. Isso contribui para diminuir a exclusão digital no
Brasil. É importante destacar que muitos outros sites disponíveis na
Internet devem ser constantemente analisados no sentido de verificar
sua adequação ao público a que se destinam prioritariamente,
observando questões de linguagem, interatividade, navegabilidade e
acessibilidade. Se todos os desenvolvedores de sites eletrônicos e
instituições forem criteriosos neste sentido, certamente as informações
na rede mundial de computadores serão cada vez mais acessíveis aos
usuários menos experientes, diminuindo a barreira existente entre
incluídos e excluídos digitais.
7
- CONSIDERAÇÕES FINAIS
A Inclusão
Digital representa um canal privilegiado para equalização de
oportunidades da sociedade em plena era do conhecimento, ficando cada
vez mais próxima da cidadania e da inclusão social. Entretanto,
devido ao tardio reconhecimento da importância do tema no escopo das
políticas públicas aliada à escassez de fontes de informação
sistemáticas, existem poucos diagnósticos no contexto brasileiro
sobre o binômio inclusão/exclusão digital. Neste trabalho buscou-se
estabelecer uma plataforma para o estudo de ações de inclusão
digital através da análise de sites voltados para organizações de
produtores.
O que se observou foi a falta de conteúdos direcionados para
as comunidades rurais, justificado, em parte, pelo fato de a rede
mundial de computadores ser um fenômeno essencialmente urbano, tanto
na questão dos usuários quanto nos produtores de sites. Para o autor
Bernardo Sorj (2003), um outro aspecto importante é a ausência de
informação destinada aos anseios locais de comunidades carentes,
pequenas cidades, bairros pobres e zonas rurais, representando um
desafio tecnológico para a Sociedade da Informação no sentido de
produzir conteúdos específicos para essas populações que não
sejam orientados por uma lógica exclusivamente comercial.
Isso
pode ser observado no conteúdo disponível nos sites em estudo,
somente um deles (Telecentros RS) possui uma linguagem um pouco mais
direcionada para o seu público, permitindo que os próprios usuários
alimentem o sistema, difundindo informações através de uma agência
comunitária de notícias. O site da EMATER apresenta uma linguagem
bastante direcionada para técnicos e extensionistas e o do MST
apresenta um forte apelo ideológico. Uma estratégia interessante
seria disponibilizar depoimentos dos trabalhadores falando sobre suas
impressões do movimento, expectativas, entre outros.
Sabe-se
que nos países em desenvolvimento, um desafio particularmente difícil
é o fortalecimento das populações inseridas em culturas e valores
tradicionais e, não raro, com um grande número de cidadãos
analfabetos. Nesse contexto, os sistemas educacionais e os projetos públicos
têm como responsabilidade formar pessoas com habilidades para
adquirir conhecimento, tornando-se tanto produtores quanto usuários
de conteúdos baseados em TIC.
Sendo
assim, o que se verifica é a valorização do conhecimento como
principal fonte de criação de valor, transformando a aprendizagem em
um constante processo de formação permanente, pela necessidade de se
atualizar e se adaptar às exigências dos novos conhecimentos e
transformações tecnológicas e nenhuma camada da população
brasileira, seja ela, urbana ou rural, deve ficar à margem desse
processo. A Internet facilita o intercâmbio e a expressão de idéias
em tempo real e, ao desenvolver cursos on-line, rompem-se as barreiras
que limitavam e cercavam o acesso e a transmissão da informação.
Uma
outra perspectiva de utilização efetiva da rede por parte das
organizações de pequenos e médios produtores rurais seria sua
utilização como um canal de comercialização para seus produtos, um
portal do pequeno e médio produtor.
Sabe-se que a Internet possui o maior número de usuários nas
classes mais favorecidas, dessa forma, poderia ser estimulado o que se
convencionou chamar de consumo solidário.
Dentro
desse contexto, a utilização eficaz de toda nova tecnologia exige
uma adequação a cada situação. Conhecer suas potencialidades e
limitações é tão ou mais importante do que, propriamente,
implementá-las. A Internet, ou qualquer outro meio de comunicação
digital, exige uma nova forma de gerir as informações, pois suas
características requerem uma postura comunicacional diferente daquela
assumida anteriormente.
A
multimídia designa uma convergência tecnológica de mídias,
combinando figuras, animações e sons gerenciados por um sistema de
hipertexto. Porém, a grande vantagem da multimídia em relação aos
sistemas lineares de organização da informação é a facilidade que
o usuário tem de "folhear" os diversos documentos e
"navegar" entre os elementos da rede informacional construída.
Ela possibilita que os conteúdos sejam interligados por associações
de contexto, por relações lógicas e semânticas, criando um
ambiente instigante e propício para a descoberta que, como já dizia
São Thomás de Aquino, constitui um dos principais caminhos para o
conhecimento.
Portanto, a
nova mídia exige que as organizações voltadas para os produtores
rurais compreendam os novos paradigmas para criar relacionamentos
diferenciados com os seus públicos, através de uma linguagem comum,
agregando valor ao campo e ampliando a oportunidade de negócios. Também
deve ser fonte de informação para os produtores e deve primar pela
interatividade com os usuários que não possuem uma grande experiência
frente aos computadores. Representando uma oportunidade de inserção
de jovens rurais e organizações não-governamentais na Sociedade da
Informação no Brasil.
O Brasil tem
como meta subir no ranking dos países que priorizam a inclusão
digital. É claro que isso não será possível somente com
computadores, mas também com uma infra-estrutura de telefonia, satélite
e rádio. Conforme relatório apresentado, em novembro de 2003, pela
União Internacional de Telecomunicações (ITU - International
Telecommunications Union), agência ligada à Organização das Nações
Unidas (ONU), o Brasil ficou em 65º entre os países com maior acesso
digital. O estudo foi realizado em 174 países e levou em consideração
a infra-estrutura; preço; alfabetização; qualidade e número de usuários.
Os primeiros países são: Suécia, Dinamarca, Islândia, Coréia do
Sul, Noruega, Holanda, Hong Kong, Finlândia, Taiwan e Canadá. Um
dado marcante é que o Brasil fica atrás de países como o Kuwait
(60), Argentina (54), Uruguai (51) e Chile (43). Essas desigualdades
se devem aos problemas na distribuição de renda.
De
acordo com a pesquisa, no Brasil somente 8,2% da população têm
acesso, pois, como foi detectado, o valor cobrado pelos provedores de
Internet é alto. Além disso, para os que precisam do telefone para
conexão, a situação é mais delicada, pois somente 22,3% possuem
uma linha fixa e 20,1% têm telefone celular. Sem levar em consideração
que o custo do acesso aumenta mais ainda, pois o valor dos pulsos
cobrado pelas empresas telefônicas varia muito.
Essa
fragilidade do país em acompanhar o desenvolvimento das novas
tecnologias foi percebida em outras pesquisas realizadas no ano de
2003 pelo CDI. Nela verificou-se que quase nove em cada dez
brasileiros não têm computador em casa (12,46% das pessoas) e apenas
8,31% dispõem de acesso doméstico à Internet. Pior que isso é a
comparação feita, na análise, do Distrito Federal, onde 75% dos
moradores possuem computadores pessoais, com o Maranhão, onde 98% da
população é excluída.
Porém,
mesmo com tantas dificuldades, de acordo com a pesquisa realizada pelo
Fórum Econômico Mundial (WEF) em 102 países, e apresentada em
dezembro de 2003, o Brasil teve um crescimento de 309%, nos três últimos
anos (1999 a 2002), no uso de tecnologia, alcançando o 39° lugar,
ficando apenas atrás do Chile (32) na América Latina. Os critérios
levados em consideração na análise foram: existência ou não de
regulamentação das tecnologias de informação; a capacidade da
população, das empresas e do Estado de utilizá-las e o seu nível
de conhecimento.
Assim,
mesmo não estando entre os dez primeiros países que investem em
novas tecnologias, há um esforço para fazer do Brasil um lugar onde
a população tenha condições de ter um computador, uma linha telefônica
e acesso à Internet. E, com o envolvimento de todos os segmentos da
sociedade a expectativa é de que vários projetos possam ser
colocados em prática para que possam incluir a população
digitalmente. Espera-se que esses esforços sejam intensificados e
que, junto com a sociedade civil e as empresas, o governo possa
encontrar soluções para ajudar os brasileiros a terem condições de
serem membros da Sociedade da Informação e do Conhecimento.
8
– REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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realizada pelo Grupo Telefônica do Brasil,2002/2003.
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de Políticas Públicas de Infoinclusão. Disponível no endereço: www.infoinclusao.org.br.
Acesso em: 12 de novembro de 2003.
Datos
de las Autoras: Elisa Lübeck : Analista de Sistemas pela Universidade
Franciscana de Santa Maria. Relações Públicas e Mestre em Extensão
Rural do Curso de Pós-Graduação em Extensão Rural da Universidade
Federal de Santa Maria. E-mail: lubeck@infoway.com.br
e Ada Cristina M. da Silveira:
Professora Orientadora. Universidade Federal de Santa Maria-RS.
E-mail: adamach@ccsh.ufsm.br
[1]
Analista de Sistemas pela Universidade Franciscana de Santa Maria.
Relações Públicas e Mestre em Extensão Rural do Curso de Pós-Graduação
em Extensão Rural da Universidade Federal de Santa Maria. E-mail:
lubeck@infoway.com.br
Professora Orientadora. Universidade Federal de Santa Maria-RS.
E-mail: adamach@ccsh.ufsm.br
[3]Processo
de tradução e estabelecimento de contato entre meios heterogêneos.
Objetiva seduzir o usuário em potencial ligando-o cada vez mais
ao sistema. RIBEIRO (1997) diz ser os elementos de composição
das páginas, responsáveis por manter uma arquitetura gráfica e
estética própria, visando um equilíbrio harmonioso, em que
textos e ilustrações estejam entrosados, o que irá despertar o
interesse pelo assunto exposto.