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A CONTRIBUIÇÃO DE ESTRATÉGIAS DE COMUNICAÇÃO NO PLANEJAMENTO DAS AÇÕES DO PROJETO GARABI-ITÁ¹

 

Autor: Marcela Guimarães e Silva²

Orientador: Hugo Vela³

Instituição: UFSM – Universidade Federal de Santa Maria – RS/Brasil

 

Resumo: O Projeto Garabi-Itá em quatro anos desenvolveu um trabalho de compensação florestal e educação ambiental na região noroeste do estado do RS, com o objetivo de cumprir uma medida compensatória devido à retirada de vegetação nativa para a construção da Linha de Transmissão Garabi-Itá, promover a conscientização e o desenvolvimento local. Para que houvesse a participação dos atores sociais no planejamento de suas ações, utilizou estratégias de comunicação, voltadas às comunidades rurais, que contribuíram nesse processo, integrando os interesses e objetivos das partes envolvidas.

Palavras-chave: estratégias de comunicação, comunidades rurais, planejamento participativo

 

INTRODUÇÃO

 

            O avanço tecnológico em benefício da qualidade de vida humana, resulta muitas vezes em problemas ambientais e culturais. A partir deste pressuposto torna-se fundamental entender os impactos provocados na sociedade pela construção de linhas de transmissão de energia elétrica, já que esta, gradativamente, transformou-se numa necessidade básica para as pessoas.

            Diante deste contexto e no sentido de amenizar esses impactos, o Empreendimento “Linha de Transmissão Garabi-Itá - Projeto de Compensação Florestal no Estado do Rio Grande do Sul”, concretizou-se como uma iniciativa do setor privado voltada a atender as necessidades da sociedade. No entanto, tanto a organização quanto à comunidade atingida, assumiram um compromisso com o desenvolvimento da coletividade, implicando num processo de conscientização, mudanças de comportamento, valores e atitudes.

Desta forma, este estudo consiste em uma analise da contribuição de estratégias ______________________________________________________________________

¹ Estudo realizado no Curso de Pós-Graduação em Extensão Rural da UFSM – Universidade Federal de Santa Maria.

² Mestranda do Curso de Pós-Graduação em Extensão Rural da UFSM – Universidade Federal de Santa Maria e Bal. em Comunicação Social – Hab.: Relações Públicas.

³ Professor Doutor, Coord. Curso de Pós-Graduação em Extensão Rural da UFSM – Universidade Federal de Santa Maria e orientador desse estudo.

de comunicação adotados pelo Projeto Garabi-Itá, ao relacionar-se com as comunidades rurais atingidas, bem como a suas contribuições na aceitação e inserção de algo novo, viabilizando meio para tornar uma causa de interesse privado e legal em ações de benefício e interesse da coletividade.

Ao longo do trabalho e experiência adquirida com o Projeto Garabi-Itá, através do planejamento e execução de estratégias de comunicação e ao findar do Curso de Graduação em Comunicação Social – Habilitação em Relações Públicas, surgiu o interesse em realizar um estudo sobre o impacto e as contribuições de projetos sociais para a comunidade através das ações que desenvolve visando à conscientização e o desenvolvimento social das mesmas, bem como situar a importância da comunicação neste processo. Sendo este Projeto apenas um exemplo, para a discussão a cerca da comunicação e extensão rural.

 

O PROJETO GARABIITÁ E SUAS ESTRATÉGIAS DE AÇÃO

 

            O “Empreendimento Linha de Transmissão Garabi-Itá – Projeto de Compensação Florestal no Estado do Rio Grande do Sul”, resultou da parceria entre a FIDENE – Fundação de Integração, Desenvolvimento e Educação do Noroeste do Estado, através de suas mantidas IRDeR – Instituto Regional de Desenvolvimento Rural e UNIJUÍ – Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul  e a CIEN – Companhia de Interconexão Energética, do grupo espanhol ENDESA, com a intervenção da SEMA - Secretaria Estadual de Meio Ambiente e do DEFAP – Departamento de Florestas e Áreas Protegidas.

            A iniciativa de realizar o Projeto Garabi-Itá, como ficou reconhecido pelas comunidades rurais, correspondeu a uma medida compensatória de reposição florestal pela empresa CIEN, devido à retirada de vegetação nativa para a instalação da Linha de Transmissão Garabi-Itá, que liga o município de Garruchos, no Rio Grande do Sul, com a Usina Hidrelétrica de Itá em Santa Catarina. Este Projeto em quatro anos realizou o plantio de mais de 280 mil mudas de essências florestais nativas em mata ciliar em algumas microbacias de oito municípios da Região Noroeste do Estado, sendo eles: Ajuricaba, Bozano, Doutor Maurício Cardoso, Eugênio de Castro, Ijuí, Panambi, Santo Ângelo e São Marinho.

            A implementação desse projeto aconteceu através da adesão espontânea de produtores rurais, escolas e lideranças municipais. Para tanto, foi necessário que a Compensação Florestal e a Educação Ambiental, os dois eixos norteadores do trabalho, acontecessem de forma contínua e sistematizada. Como afirma SORRENTINO,

“Não é possível nos contentarmos em lançar as sementes, doarmos as mudas ou mesmo plantarmos as árvores e não nos responsabilizarmos pelo sucesso do seu “pegamento” desenvolvimento e mais do que isto, com o aprofundamento de uma ação/reflexão educacional que tenha no plantio apenas a porta de entrada, de sensibilização para que uma temática muito mais ampla, que é o compromisso com a vida e os sistemas naturais e sociais que a suportam, com a sustentabilidade e aprimoramento da vida da nossa e de todas as espécies do Planeta”. (2000, p. 129).

 

            Diante dessa realidade, a Equipe de Trabalho do Projeto buscou a parceria e apoio das pessoas da comunidade, formando as Comissões Municipais de Apoio ao Projeto em cada município, responsáveis por intermediar a relação de interesses do projeto com a comunidade. Estabelecendo assim uma ponte viável para aceitação e adoção do mesmo pelas comunidades rurais abrangidas.

            O fluxograma abaixo representa a forma de intervenção do projeto nas comunidades. No entanto é importante ressaltar que o planejamento era feito pelo grupo de pessoas que integravam as Comissões Municipais de Apoio em parceria com a Equipe do Projeto.

Figura 01: Fluxograma da forma de atuação da Equipe do Projeto Garabi-Itá nos municípios.

 

            A partir da formação destas Comissões o planejamento da Compensação Florestal

e Educação Ambiental passaram a ser feitos de forma participativa, tendo em vista a necessidade de atender e compreender as peculiaridades de cada comunidade parceira.

            Para a realização do trabalho de Compensação Florestal inicialmente foram levantadas áreas para a efetivação dos plantios, considerando os recursos naturais existentes em cada município. Além de selecionadas as espécies, que melhores se adaptam as condições do local e a necessidade de recuperação a vegetação ciliar dos municípios.

            A Equipe de Técnica do Projeto monitorou os plantios, bem como acompanhou o desenvolvimento das mudas com a colaboração dos produtores rurais, que aderiram ao trabalho espontaneamente. Além de oferecer as mudas, os insumos e os mecanismos necessários para o plantio e desenvolvimento das mudas, prestou assistência técnica para os produtores rurais ao longo desses quatro anos de trabalho, estabelecendo o comprometimento tanto do Projeto Garabi-Itá, como destes produtores com a recuperação do ambiente.

            O fluxograma a seguir apresenta as atividades desenvolvidas pela Equipe Técnica do Projeto, bem como a sua forma de intervenção junto as comunidades rurais.

Figura 02: Fluxograma de execução das ações de Compensação Florestal nos municípios de atuação do Projeto Garabi-Itá.

            Concomitante à Compensação Florestal realizou-se um trabalho de Educação Ambiental fomentando o processo de conscientização das pessoas envolvidas no Projeto. O engajamento das comunidades contou com a participação das escolas e entidades municipais, através das quais estimulou-se o participação dos produtores rurais no Projeto, viabilizando a conscientização e preservação da mata ciliar.

            Para tanto foram realizados trabalhos com as comunidades, onde a comunicação auxiliou no processo de envolvimento dos públicos prioritários. Além disso, foram produzidos instrumentos e adotadas técnicas que corroboram para a participação destes através do planejamento participativo e identificação com o Projeto.

            Neste sentido a Educação Ambiental, serviu de percurso para a concepção das ações de Compensação Florestal, contemplando um objetivo maior, ou seja, contribuir para a formação de uma consciência preservacionista, como afirma MEDINA, a

“Educação Ambiental é um grande instrumento para esse processo de construção de uma nova sociedade, de novas identidades sociais e éticas, democráticas, que construiremos se realmente acreditarmos e pensarmos que existe um futuro potencial para nós mesmos e para o resto da humanidade” (2000, p.123).

 

            A Educação Ambiental no interior do Projeto Garabi-Itá se compôs em três fases, sendo a primeira de sensibilização, a segunda de discussão do conhecimento e por final a ação. Porém se sabe que além destas três fases a Educação Ambiental, conforme dito anteriormente por MEDINA, serve como instrumento de construção da cidadania, mas esta fase só inicia a partir do momento em que as comunidades aceitam e assumem a causa como algo próprio, fazendo do trabalho um caminho para o seu desenvolvimento social e melhorar a qualidade de vida das pessoas.

            As atividades de mobilização e sensibilização compreenderam desde apresentações dos objetivos e justificativa do Projeto, com grupos de pessoas potencialmente interessadas no reflorestamento, até as reuniões diretamente com grupos de produtores. Já as atividades de discussão do conhecimento foram encaminhadas a partir das anteriores, culminando com o envolvimento de alunos de escolas, através dos cursos de instrumentalização, e de professores e representantes da comunidade.

            Sendo assim, as ações começaram a serem implementadas quando as lideranças da comunidade e das escolas envolvidas iniciaram o trabalho, juntamente com os técnicos da Equipe de Trabalho, consolidando com práticas de plantio.

            O fluxograma abaixo apresenta, o processo de implementação das atividades de Educação Ambiental, de forma a contemplar os objetivos da Compensação Florestal.

Figura 03: Fluxograma de execução das ações de Educação Ambiental nos municípios de

      atuação do Projeto Garabi-Itá.

 

            Aliado a Educação Ambiental, a comunicação cooperou para a aceitação do Projeto pelas comunidades rurais tornando-se no meio para a socialização dos interesses das partes envolvidas, segundo CALLOU E SANTOS,

“a perspectiva do desenvolvimento local incorporado à comunicação rural, redefiniu esta atividade, tornando-a instrumento viabilizador de fórum locais com capacidade de definir e gerenciar políticas de desenvolvimento.” (INTERCOM, 2002).

 

            Além disso, a comunicação rural veio a contribuir para que o debate sobre a questão ambiental e desenvolvimento local fosse promovido com e pela própria comunidade. A partir dessa discussão,  foram planejadas ações concretas em que a coletividade assumisse o compromisso com a transformação da realidade. Para PERUZZO,

“A participação da população nas decisões... implica o exercício do poder em conjunto, de forma solidária e compartilhada, como participação-poder... ela leva à co-responsabilidade pelo que é feito. Não é concedida, mas conquistada, realizando-se tanto nas decisões como na execução e nos resultados.”

 

            No fluxograma da comunicação são apresentadas algumas estratégias adotadas pelo Projeto Garabi-Itá, que contribuíram para aceitação do Projeto pelas comunidades pela identidade visual e institucional que promoveram do mesmo, o que foi fundamental para a formação da identidade não só do Projeto, mas principalmente dos atores sociais envolvidos, despertando nestes o sentimento de pertencimento a um determinado grupo.

Figura 04: Fluxograma das Estratégias de Comunicação.

           

            Foram elaborados diversos materiais de comunicação institucional e informativo como o Jornal Ambiente Vivo, criado especialmente para registar e refletir a evolução do Projeto, num total de 12 edições, com uma tiragem de 180 mil exemplares. Foram confeccionados folders institucionais e instrutivos, um Caderno de Educação Ambiental distribuído para escolas rurais, além de 16 vídeos institucionais e educativos que contaram com a participação de agricultores e da comunidade escolar. Destaca-se ainda a campanha “Garabito e Você – amigos do ambiente”, marcada pelo lançamento de um CD com as aventuras do “GARABITO”, mascote do Projeto, além de materiais promocionais como camisetas, bónes, banners, cartazes, calendários, folders visando a divulgação do Projeto entre as comunidades rurais.

            É importante ressaltar que além da participação das escolas e produtores rurais na implementação destas estratégias, foi fundamental o apoio recebido pela imprensa regional na veiculação, distribuição e divulgação desses materiais.

            A partir deste exemplo, de projeto realizado por uma construtora de linha de transmissão de energia elétrica, ter-se-ia base para que a discussão sobre o papel da comunicação e da extensão rural através do estudo dos impactos e contribuições que geram para a sociedade, no processo de desenvolvimento local.

 

A OPORTUNIDADE DE PROMOVER O  PRÓPRIO DESENVOLVIMENTO

 

            As mudanças nas relações econômicas, políticas e sociais decorrentes do fenômeno global podem ser visualizadas também a partir do novo modelo de gestão empresarial adotado por algumas empresas, principalmente do setor privado. Neste modelo, as empresas situam-se no interior da sociedade, reconhecendo a sua função social e compromisso com os interesses não só dos consumidores, mas de todos os seus diferentes públicos.

            Esta postura quando incorporada pelas construtoras de linhas de transmissão de energia elétrica caracteriza-se como um desafio, ou seja, produzir o que as pessoas precisam, ao mesmo tempo em que proteger o ambiente que pertence a todos, diante da degradação ambiental muitas vezes geradas pelas suas instalações, ou até mesmo forma de extração dos recursos naturais.

GRAZIANO NETO afirma que a produção de energia está ligada ao desenvolvimento, e enquanto para a população representa um bem-estar, para a indústria ela é fundamental para a produção em escala. Segundo o autor a energia elétrica é produzida para a indústria, e não para a população, e como conseqüência afeta o ambiente, excluindo o trabalhador tanto na indústria como da terra, a modernização leva a degradação ambiental e social. (1982, p.120).

Da mesma forma que GRZYBOWSKI acredita que o Estado incentiva a produção de energia elétrica, pela necessidade de melhorar as condições de vida da população e principalmente, beneficiar a industrialização como forma de desenvolvimento econômico. Porém apenas o desenvolvimento econômico não é suficiente nem para se manter e muito mesmos para atender as necessidades da população. (1990, p.26).

            Partindo de que a energia elétrica deixou de ser um elemento de luxo para a humanidade, SANTOS e MILLS afirmam que “a tecnologia e o progresso são ao mesmo tempo a causa e a solução em potencial para o problema”.(1995, p.57), considerando-se que a produção de energia elétrica hoje se configura como uma condição para o desenvolvimento. Ainda segundo os autores as organizações preocupadas com o seu papel social devem ir “ao encontro das necessidades críticas da humanidade com programas duplos de crescimento econômico e proteção ambiental”.(1995, p.58), viabilizando meios para o desenvolvimento sustentável.

            A questão ambiental é considerada um dos principais focos dos projetos e programas das empresas, enquanto fomentadoras de um processo de conscientização e incorporação de atitudes e valores por parte da sociedade em abandono de muitos outros historicamente traçados. Segundo TACHIZAWA,

“A expansão da consciência coletiva em relação ao meio ambiente e a complexidade das atuais demandas sociais e ambientais que a comunidade repassa às organizações induzem a um novo posicionamento por parte dos empresários e executivos em face de tais questões”.(2002, p. 21).

 

            Desta forma a avaliação dos impactos e contribuições dos projetos sociais implementados pelas companhias construtoras de linhas de transmissão energia, traz a tona outros aspectos a serem considerados para entendimento e identificação dos mesmos, uma vez que as propostas dos projetos se revelam preocupadas com a aceitação e adesão dos públicos atingidos, neste caso o rural, como ponto de partida para que o processo de conscientização e desenvolvimento local aconteça.

            Um destes aspectos implica em conhecer a realidade das pessoas da comunidade, através da construção de um diagnóstico participativo capaz de apontar as potencialidade e deficiências do local de atuação do projeto, bem como inserir e comprometer as pessoas com o trabalho, tornado-as consciente de sua importância para o mesmo. O diagnóstico constituir-se-ia como uma fonte para definição das prioridades da comunidade diante de tantos problemas a serem solucionados, determinado às limitações de atuação deste projeto, uma vez conhecidas suas características econômicas, políticas e culturais, amenizando os impactos decorrentes da inserção da empresa na região.

            Nesta fase no entendimento de GAJARDO, a pesquisa com participação do povo rural seria o meio para este participasse ativamente da mudança e do progresso social. Segundo a autora

“Delineiam-se estratégias para romper com o que se denomina monopólio do saber e do conhecimento. Inicia-se a procura de métodos e técnicas que permitam conhecer, transformando, e questionar e agir sobre o objeto ou realidade estudada. Métodos e técnicas que possibilitem a participação dos setores populares na tarefa de descobrir e transformar sua própria realidade”.(1986, p.16).

...assim se evitaria a execução de um trabalho sem a colaboração da parte mais interessada e a pesquisa adquiria um caráter social.

            A aceitação de um projeto social transformador estaria vinculada diretamente ao entendimento que os envolvidos têm quanto à importância de encontrar soluções para seus problemas ambientais e culturais no interior da própria comunidade rural, segundo FRIEDRICH,

“são os próprios produtores e suas famílias que precisam tomar consciência de suas realidades e dos problemas que elas encerram. Só quando os problemas se situam em nível da consciência é que constituem desafios e exigem, por parte dos sujeitos que os captam, a elaboração (mental) de um projeto de ação que os resolva”. (1988, p.49).

 

            Além disso, ARGUMEDO aponta para três dimensões da pesquisa participante: “a produção de conhecimento, a educação e a orientação para a ação, entendida esta última como modificação da realidade (BECA, 1982:1)”.(in BRANDÃO, 1985, p.197). Então identificadas as dificuldades do local, caberiam a estes projetos subsidiar as pessoas do meio rural no processo de conscientização e democratização dos interesses da comunidade. Não somente no que se refere à qualidade ambiental, pois NOBLES e ARAÚJO afirmam que

“as análises do problema ambiental adquirem cada vez mais um conteúdo social e político, uma vez que aumenta a consciência de que o destino do ambiente e do homem são interdependentes, de que é preciso viabilizar os ecossistemas e encontrar formas de organização para a manutenção de uma vida de qualidade”. (2000, p. 69).

E neste contexto que a extensão rural seria uma aliada na instrumentação dos produtores rurais e suas famílias fornecendo a informação de forma sistematizada apontado caminhos e alternativas para a solução das deficiências sociais, bem como seria um instrumento para que a troca de experiência entre os produtores e demais pessoas da comunidade, contribuindo para a construção participativa do crescimento econômico e social do meio rural. No entendimento de FONSECA, a extensão rural diante dos problemas rurais de desenvolvimento através dos extensionistas representa...

“...não apenas o caráter pedagógico (transmissão de conhecimentos técnicos e mudanças de atitudes pela adoção dos mesmos), mas também o caráter  político da atividade extensionista, cuja viabilidade vincula-se à possibilidade de se firmar como um instrumento para fazer cumprir objetivos sócio-econômicos concretos (melhoria de nível de vida atrelada a um aumento da produtividade, da propriedade e do trabalho agrícola), objetivos esses definidos em razão de uma concepção maior, não apenas de desenvolvimento rural, mas também de um tipo de sociedade a se atingir”.( 1985, p.51).

A humanização da extensão rural através dos agentes envolvidos no trabalho com as comunidades rurais agrega credibilidade ao mesmo, na proporção em se estabelece uma relação entre cidadãos preocupados com o bem estar da coletividade.   Mas para que esta relação com e entre os produtores rurais carece da instauração de uma comunicação participativa com função capaz de socializar dos interesses das comunidades rurais. De acordo com FRIEDRICH...

“O objetivo da comunicação rural é incrementar os conhecimentos técnicos-científicos, econômicos e sócio-culturais dos produtores, com vistas a promover as modificações estruturais e comportamentais requeridas para o desenvolvimento rural. Naturalmente, para completar o objetivo haverá que indicar-se a intenção e o fim mais remoto ou último da comunicação rural: a humanização”. (1988, p.41).

Sendo assim, a comunicação e extensão rural para as empresas através de seus projetos, representariam instrumentos de trânsito de informações e fomento para que a discussão do conhecimento e dos problemas sociais do meio rural desentravasse em uma conscientização coletiva e no desenvolvimento rural. No entendimento de FRIEDRICH,

“em vez de massificar, domesticar, adestrar, robotizar o homem do campo, para transformá-lo num fator ou instrumento mais eficiente da produção agropecuária, pensamos que os esforços da comunicação, de extensão e educação rural só se justificam na medida em que promovem o ser humano”. (1988, p.57).

Diante destas transformações globais é que a cada dia se expande o interesse não

só do setor privado, mas dos serviços de extensão e comunicação em preparar e tornar os atores sociais em gestores do seu próprio desenvolvimento social e local, a partir de iniciativas como o Projeto Garabi-Itá, bem como de tantos outros projetos e ações desenvolvidas por diversos setores da sociedade.

           

ALGUMAS CONSIDERAÇÕES

 

            A partir do relato desta experiência podemos observar a importância a ser dada a cada etapa do processo de planejamento de projetos sociais, tendo em vista a repercussão e resultados a serem obtidos através da execução de um projeto voltado ao bem-estar coletivo. Sendo o Projeto Garabi-Itá, um exemplo para que possamos observar cada uma das etapas do planejamento, bem como a avaliar a parir de uma ação concreta a eficiência de projetos deste cunho.

            Além disso, podemos situar a contribuição da comunicação e da extensão rural na implementação de projetos deste gênero, exercendo funções que venham a engajar a comunidade nas ações promovidas, ao mesmo tempo em que coagindo no processo de conscientização da coletividade, necessária para a melhora da qualidade de vida e desenvolvimento local.

 

BIBLIOGRAFIA

 

BRANDÃO, Carlos R. (org.). Repensando a pesquisa participante. São Paulo: Brasiliense, 1985.

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FONSECA, Maria. T. L. A extensão rural no Brasil: Um Projeto Educativo para o Capital. São Paulo: Loyola, 1985.

FRIEDRICH, Odilo. A. Comunicação Rural: Proposição crítica de uma nova concepção. 2ª ed. Brasiliense: EMBRATER, 1988. 64p.

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MEDINA, Naná Minnini. Educação Ambiental: Um instrumento de transformação. Anais do I Seminário Estadual e IV Seminário Regional de Reflorestamento e Recuperação Ambiental. Ijuí : Ed. UNIJUÍ, 2000.

NOBLES, Antônio V. e ARAÚJO, Maria Cristina P. Direito Ambiental e Educação Ambiental: uma vinculação embrionária, porém necessária. Anais do I Seminário Estadual e IV Seminário Regional de Reflorestamento e Recuperação Ambiental. Ijuí: Ed. UNIJUÍ, 2000.

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Datos de la Autora: Marcela Guimarães e Silva Mestranda do Curso de Pós-Graduação em Extensão Rural da UFSM – Universidade Federal de Santa Maria e Bal. em Comunicação Social – Hab.: Relações Públicas.

 



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