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COMUNICAÇÃO,
IDENTIDADE E IMAGEM CORPORATIVAS: O CASO DA CAIXA ECONÔMICA
FEDERAL, BRASIL
Ana
Regina Barros Rego LEAL
Mestra
em Comunicação e Cultura, Universidade Federal do Rio de Janeiro
Professora
da Universidade Federal do Piauí
Gerente
Regional de Marketing e
Comunicação da Caixa Econômica Federal, Piauí
e-mail:
ana.rani@uol.com.br
Maria
das Graças TARGINO
Pesquisadora
do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico
Doutora
em Ciência da Informação, Universidade de Brasília, Brasília
e-mail:
gracatargino@hotmail.com
RESUMO
Este
paper objetiva estudar a identidade, imagem da Caixa Econômica
Federal (CAIXA) em processo de comunicação integrada. Discorre
sobre a evolução histórica da Instituição, enfatizando o
processo de unificação de suas unidades e a multiplicidade de
funções que assume ao longo dos anos. A seguir, aborda questões
genéricas sobre comunicação empresarial/organizacional, além
de identidade e imagem corporativas para se deter, então, no caso
específico da Caixa. A partir das discussões dos elementos
relatados, acredita-se que o novo modelo conceitual de comunicação
integrada da CAIXA agregará a necessidade de revisão,
tornando-se, essencialmente, ciclodinâmica.
Palavras-chave:
CAIXA
ECONÔMICA FEDERAL – COMUNICAÇÃO ORGANIZACIONAL
CAIXA
ECONÔMICA FEDERAL – IMAGEM
CAIXA
ECONÔMICA FEDERAL – IDENTIDADE
PREÂMBULO
A Caixa Econômica
Federal (CAIXA) é, hoje, o terceiro maior banco comercial do
Brasil e o maior banco social da América Latina. Sua atuação
abrange 100% dos municípios brasileiros e sua carteira de
clientes oscila entre 25 a 27 milhões de pessoas, destas, cerca
de 13 milhões são clientes do banco comercial, enquanto os
beneficiados pelas ações da Instituição totalizam números
superiores. Isto porque, a CAIXA está presente na vida dos
brasileiros em muitos momentos, através da viabilização do
sistema de abastecimento de água, pavimentação, saneamento,
habitação, ou em horas difíceis, com o seguro-desemprego e o
Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), ou quando
ingressam em cursos universitários, sem contar com produtos e serviços bancários. Na verdade, o
seu tamanho e a pluralidade de áreas de atuação fazem da CAIXA
um dos bancos mais complexos em termos de organograma
administrativo, e, sobretudo, de modelo de comunicação. Assim,
este paper relata um
estudo de caso cuja pretensão limita-se ao processo de diagnóstico
sobre a comunicação, identidade e imagem corporativas da CAIXA.
A
CAIXA ECONÔMICA FEDERAL E SUA UNIFICAÇÃO
Durante os anos do Segundo Reinado, o Imperador Dom Pedro
II governa o Brasil através do ambíguo poder Moderador, que
concedia ao Monarca poderes acima do Parlamento, e que se
fundamenta em bases políticas instáveis, alternando
conservadores e liberais no poder. No entanto, o Imperador mantém
maior simpatia para com os conservadores, o que se
evidencia na permanência do Partido Conservador por um período
duas vezes superior à quantidade de anos dos gabinetes liberais,
durante o meio século que perdura o seu reinado. Ademais, outras
posições também demonstram a inclinação conservadora do
Imperador, como a concernente ao modelo econômico e ao sistema
financeiro adotado no Brasil, a partir, sobretudo, da terceira década
de seu reinado.
O mercado financeiro,
em meados do século XIX, é liderado, na Corte, por portugueses e
por banqueiros favoráveis ao liberalismo econômico, como Mauá,
cuja escola prioriza os princípios do capitalismo inglês. Os
conservadores, por sua vez, em sua maioria, inimigos de Mauá,
liderados pelo Barão de Uruguaiana e pelo Visconde de Itaboraí,
desfavoráveis à iniciativa privada no Brasil, criam a Lei No
1.083 (denominada de Lei dos Entraves), de 22 de agosto de 1860, a
qual prevê, dentre outras medidas, a instalação das Caixas Econômicas
do Império, com o intuito de impedir o crescimento das casas
privadas de poupança e crédito.
Então, no ano
seguinte, em 12 de janeiro, o Imperador instala, oficialmente, a
Caixa Econômica da Corte (Decreto No 2.723). No dia 4
de novembro do ano de 1861, a CAIXA abre suas portas, recebendo,
em seu primeiro dia, 10 clientes, responsáveis pelo depósito
total de 190 mil réis. Para Bueno, E. (2003), desde as cinco
horas inaugurais, a CAIXA exibiu duas tendências, ambas
consolidadas ao longo dos anos. Primeiro, ao atrair pessoas
pobres, depositantes de quantias
modestas. Segundo, dentre as 10 primeiras contas, quatro
foram abertas por pais ou avós
para filhos ou netos, hábito, ainda hoje, em
voga. Esses aspectos marcantes da identidade
corporativa da empresa se solidificam em seus 143 anos de história,
construída em sintonia com a história do País.
O relacionamento entre
CAIXA e escravos é um bom exemplo. Doze dias após a abertura da
Instituição, a escrava Margarida Luíza, pertencente a
Joaquim José Madeira, abre a caderneta de poupança (No
59), ativa por três anos, até sacar 353.542 réis para comprar
sua alforria. Este fato se repete algumas vezes antes da promulgação
da Lei do Ventre Livre, Lei No 2.040/1871, cujo Artigo
No 4 permite
ao escravo a formação de um pecúlio, com base no que lhe
provier de doações, legados, heranças ou de seu próprio
trabalho e de economias, além de prever a possibilidade de
alforria, para quem consiga fundos para indenização de
seu valor. Além disto, o Decreto No 5.153 (13 de
novembro de 1873), determina à CAIXA a obrigatoriedade de acolher
depósitos advindos de escravos, na Corte e nas demais províncias
(BUENO, E., 2003).
Em 1934, Ricardo Xavier
da Silveira, então presidente da Instituição, propõe a unificação
das Caixas Econômicas do País, mediante a homologação da Lei
No 24.246,
embora tão-somente 34 anos depois, o processo se concretize,
ironicamente, por meio do temido Ato Institucional No 5
(AI-5), que concede ao Regime Militar vigente, poderes ilimitados
sobre a nação, suas instituições e seu povo. O Decreto No
759/1969 constitui a Caixa Econômica Federal (CEF), vinculada ao
Ministério da Fazenda, como instituição financeira sob a forma
de empresa pública, dotada de personalidade jurídica de direito
privado, com patrimônio próprio
e autonomia administrativa. Especifica, também, as suas
atividades, a saber: receber depósitos de poupança; conceder
empréstimos e financiamentos para pessoas físicas e jurídicas;
operar no setor habitacional como agente do então Banco Nacional
de Habitação (BNH); explorar, com exclusividade, os serviços de
loterias (à época, com duas modalidades, Federal e Esportiva); e
prestar serviços à população brasileira. Este último item
permite a instalação gradativa de outras ações, paulatinamente
agregadas às funções da CAIXA.
MULTIPLICIDADE
DE FUNÇÕES
Como decorrência, tomando como parâmetro o ano de sua
unificação, 1969, até os dias atuais, registra-se crescimento
considerável da CAIXA, tanto em patrimônio, como em estrutura e
volume de produtos e serviços disponíveis à população
brasileira. Hoje, são cerca de 14 mil pontos de atendimento,
distribuídos pelo País, sob a forma de agências, postos de
atendimento bancário (PAB), postos de atendimento eletrônico
(PAE), casas lotéricas e correspondentes bancários, denominados
CAIXA AQUI que favoreceram a expansão da Empresa aos 5.561 municípios
brasileiros, em 2002.
A atuação da CAIXA
abrange o tripé: (a)
transferências de benefícios; (b)
serviços financeiros; (c)
desenvolvimento urbano. No âmbito do primeiro
setor, realizam-se significativos números de atendimento ao
trabalhador brasileiro. Dados alusivos ao primeiro trimestre de
2002 dão conta de 33,5 milhões de pagamentos de benefícios,
somando R$ 8,4 bilhões, entre pagamentos do FGTS, Seguro
Desemprego, Abonos e Rendimentos do Programa de Integração
Social (PIS) e os programas do Governo Federal, na época,
Bolsa-Escola e Auxílio-Gás. Os serviços
financeiros incluem em torno de 500 produtos e serviços
oferecidos à sociedade em geral e
aos clientes, em particular,
que vão desde os já tradicionais poupança, penhor e
habitação até fundos de investimento, cartões de crédito,
previdência privada, letras hipotecárias, financiamentos e
diversos empréstimos. Quanto ao desenvolvimento
urbano, a Empresa atua como agente operador da maioria das políticas
públicas do Governo Federal em programas direcionados para habitação
para baixa renda, saneamento, pavimentação, planejamento urbano,
dentre outros.
Permeando estes três
setores macros, no momento, a CAIXA desenvolve projeto de inclusão
social, iniciado no governo do presidente Fernando Henrique
Cardoso, com a instalação dos correspondentes bancários em todo
o País e, intensificado no atual Governo, com a Conta CAIXA AQUI
ou Conta Cidadã. Em dezembro de 2003, apenas seis meses depois do
lançamento, esta permitiu que um milhão de brasileiros fossem
bancarizados, com a ressalva de que se trata de segmento de
mercado, cujo potencial para consumo ainda não está totalmente
mensurado, despertando, então, o interesse da concorrência.
Outra
forma de atuação de destaque é o mercado de loterias, cujo
monopólio federal é detido pela CAIXA. Em 2001, a arrecadação
atinge a cifra de R$ 2,8 bilhões, distribuídos em pagamento dos
prêmios (R$ 879 milhões), seguridade social (R$ 529 milhões) e
destinados ao Imposto de Renda (R$ 340 milhões). Os produtos lotéricos
diversificados, pouco a pouco, para atender as exigências dos
diferentes estratos sociais, abrangem bilhetes de raspadinhas com
prêmios imediatos até pequenas ou grandes apostas para os prêmios da cobiçada
Mega Sena. Além disto, a CAIXA atua como incentivadora da cultura
nacional, patrocinando áreas, como teatro e música. Mantém,
ainda, conjuntos culturais nas principais cidades brasileiras, com
calendários permanentes de atividades e desenvolvimento de
projetos, como o Criança Arteira (Brasília), que visa à inclusão
cultural.
COMUNICAÇÃO
EMPRESARIAL/ORGANIZACIONAL
O processo de comunicação dentro das empresas brasileiras
é relativamente recente, evoluindo nas últimas três décadas,
em busca de um modelo que integre, sinergicamente, todos os
setores da empresa envolvidos com a comunicação e com o marketing.
De forma sucinta, a história mostra que, na década de 1970, em
pleno Regime Militar, a comunicação empresarial
se dá de forma isolada, ou seja, os setores responsáveis
pela criação e manutenção da imagem das instituições, quase
não se comunicam entre si. Como resultado, publicações
internas, produção de releases,
organização de eventos, veiculação de produtos publicitários
etc. desarticulados entre si, acarretando desperdício de tempo e
dinheiro, e, principalmente, contribuindo para a desagregação
dos fatores integrantes da identidade de qualquer instituição.
Contudo, é ainda nos
anos 70, que se esboça o perfil de uma comunicação empresarial
eficiente, graças ao ingresso de profissionais da área nas
atividades internas das empresas, tais como: relações públicas,
jornalistas e publicitários, que assumem os postos, antes
ocupados por pessoas com outra formação. Na década seguinte, os
processos comunicativos ganham impulso no mercado brasileiro,
quando grandes empresas e instituições do País criam setores
especializados de comunicação, nos quais se destacam os papéis
do jornalista empresarial e do profissional de relações públicas.
O processo evolutivo
ocorre de tal forma que, no último decênio do século XX, a
comunicação empresarial passa a ser considerada estratégica
para grande parte das empresas atuantes no mercado nacional, em
sua maioria, influenciadas pela onda do marketing
e dos processos de reengenharia, que invadem o mercado e ganham
reflexos nas principais academias brasileiras de administração.
O marketing, em termos
de realidade nacional, ultrapassa os limites da administração e
alia-se à comunicação, gerando discussões conceituais, tanto
para os leigos como para os profissionais.
A este respeito, Bueno,
W. (2003) acredita que a concepção de comunicação
empresarial se aprimora, ao longo do tempo, deixando de ser tão-somente
um conjunto de atividades fragmentadas, para se configurar como
processo integrado que orienta o relacionamento das empresas
com os seus públicos. Torquato (2002), no entanto,
diante do processo evolutivo da área, opta por substituir a
expressão – comunicação empresarial –, utilizada por ele
mesmo, nos anos 1970, pela denominação – comunicação
organizacional –, mais abrangente e aplicável a instituições
públicas, sindicatos, confederações, escolas etc. De fato, quer
se utilize uma ou outra terminologia, no contexto de uma instituição
pública ou empresa, a comunicação ou a propagada comunicação
integrada de marketing
assume, na realidade atual, um conjunto de novas competências,
que agregam a formação e manutenção da boa imagem, mediante a
intensificação da venda de produtos e serviços.
Todavia, é preciso
registrar que a evolução no mercado não é visível apenas na
comunicação. Outros fatores, como a globalização econômica; a
evolução dos processos de gestão; a evolução nos sistemas de
vendas e distribuição face às novas tecnologias; a democratização
da educação e da informação e a divulgação do conceito de cidadania concorrem para a nova postura das organizações.
Estas se tornam mais agressivas mercadologicamente, mas também,
mais responsáveis e cidadãs, favorecendo aos consumidores e
cidadãos o exercício de seus direitos e deveres.
Então, retomando a concepção de comunicação
organizacional, para Torquato (2002), ela integra quatro
modalidades. A primeira, a comunicação
cultural, é mensurada a partir da observação dos climas
internos das empresas, os quais refletem a cultura de cada
organização. A comunicação
administrativa diz respeito à comunicação oficial e/ou
autorizada, mediante a utilização dos veículos e canais
alternativos definidos pelas organizações. A terceira
modalidade, a comunicação
social, envolve o jornalismo empresarial, o trabalho de relações
públicas, a publicidade, a editoração e o marketing.
A última se refere ao sistema de informações da instituição,
onde estão os bancos de dados relativos a produtos, serviços,
clientes, e outros.
Confirmando a complexidade conceitual presente nos termos
em discussão, Pimenta (2003) separa cultura organizacional de
clima organizacional. Em sua visão, a primeira é medida pelos
objetos, pelas criações e pelos valores da empresa, visíveis
nos discursos das pessoas e dos pressupostos básicos, que
conferem identidade aos membros do grupo. Correspondem à maneira
como as pessoas percebem, pensam e sentem o trabalho, a empresa, a
hierarquia etc. O clima organizacional, então, é mais intangível
do que a cultura, embora influencie na qualidade de produtos e
serviços. Sua percepção se dá através da maneira como os
membros do grupo trabalham, isto é, em cooperação ou não.
Essa mesma autora, no que tange à comunicação integrada,
adota a sigla CEMP para definir a comunicação empresarial como o
somatório de todas as ações de comunicação da empresa,
resultando em atividade
multidisciplinar. É a conjugação de métodos e técnicas de
relações públicas, jornalismo, assessoria de imprensa,
propaganda, promoção, pesquisa, endomarketing e marketing. Ogden
(2002), por seu turno, numa acepção mais mercadológica,
argumenta que a comunicação
integrada de marketing é, em sua essência, a expansão do
elemento de promoção do mix do próprio marketing. Mas, a bem da
verdade, já em 1986, Kunsch defendia uma linha de ação
similar a dos dois autores, ao afirmar ser impossível
isolar a comunicação institucional e a de mercado. Defende uma
comunicação integrada, que incorpore as duas atividades,
formando, o que denomina de “composto da comunicação”.
Enfim, qualquer que seja o entendimento ou a
terminologia adotada, os objetivos da comunicação organizacional
apregoados pelos autores referenciados confluem para o que a
conjuntura mercadológica atual exige, ou seja, a integração
entre o gerenciamento da imagem e a governança dos processos de
venda mercadológica.
IDENTIDADE
E IMAGEM CORPORATIVAS
Diante do exposto até então e dos aspectos peculiares à
CAIXA apresentados, mesmo de forma sucinta, é que se tenta traçar
o seu perfil da identidade corporativa, a partir do entendimento
dos processos de comunicação integrada e do marketing
da instituição.
Sem dúvida, a identidade
de qualquer organização é construída com base em sua história,
seus valores, a qualidade de seus produtos e serviços, seu
atendimento, sua aparência e seus pontos de atuação positivos e
negativos. A identidade congrega o que de fato é a empresa, seu
caráter e sua personalidade. Torquato (2002: 104)
enfatiza que a identidade diz respeito ao plano dos conteúdos lógicos, concretos, apreendidos e assimilados
pelo nível do consciente. Assim, a
construção de uma identidade considera valores e critérios,
tais como “[...] o foco, a essência; a capacidade de permanência;
a singularidade, que preserva a especificidade e a unicidade, que
garante a coerência.” Vemos, pois, que vários são os
componentes de uma identidade corporativa e diversos são os
aspectos de uma identidade pessoal. Em ambos os casos, a estética
ocupa lugar de destaque. No caso da identidade corporativa, a estética
tem conquistado terreno, impulsionada pela concorrência acirrada
entre as organizações mercadológicas, pois quando a técnica se
nivela, os valores subjetivos de relacionamento e atendimento
aliados aos valores estéticos prevalecem, reforçando a fala de
Simonson e Schmitt (2002: 59):
[...]
o gerenciamento de identidade distanciou-se no mundo todo de sua
origem simplista em design de produto e design gráfico,
envolvendo-se com questões societárias mais abrangentes de missão
e cultura corporativas. Cada vez mais a identidade é utilizada
estrategicamente. A essência do gerenciamento de identidade é a
criação de uma estética corporativa (ou de marca) que expresse
a “personalidade” da organização (ou da marca) por meio de
elementos de identidade atraentes.
Enquanto isto, a imagem
corporativa é o reflexo da identidade no imaginário simbólico
coletivo do público no mercado consumidor, onde a empresa está
inserida, compreendendo clientes, empregados e público em geral.
A imagem pressupõe a apreensão de valores subjetivos externados
pela instituição em diversos momentos de sua existência e de
sua atuação. A percepção do público se dá a partir da fixação
da marca exposta por muito tempo, como também, pela qualidade de
atendimento, produtos e serviços, e, principalmente, pelas políticas
empresariais adotadas em relação à sociedade. Exemplificando: a
empresa que desrespeita o meio ambiente ou adota uma política de
demissão de trabalhadores em massa possui imagem mais negativa do que aquela que investe parte dos lucros em
projetos ambientais ou culturais. É o que Torquato (2002:162)
alerta, ao afirmar ser impossível dissociar
“[...] o conceito de uma entidade da imagem que se pretende para
ela. Ou seja, quando se distorce para mais ou para menos a imagem
de uma entidade, gera-se uma dissonância [...]”, que, em algum
momento, é percebida pelos seus clientes.
CAIXA
– IDENTIDADE, IMAGEM E PROCESSO DE COMUNICAÇÃO INTEGRADA
Retomando a história da CAIXA, é mais fácil compreender
a formação da sua identidade corporativa. Criada, em 1861, com o
nome de Caixa Econômica e
Monte Socorro, visava receber economias populares sob a
garantia do Governo, enquanto ao Monte
Socorro competia emprestar recursos a juros módicos, sob
penhor, para as classes menos favorecidas. Poucos anos depois, em
1874, são criadas outras Caixas Econômicas nas capitais das províncias,
atuando junto à Delegacia da Fazenda Nacional. A seguir, no ano
de 1892, essas Caixas agregam o perfil de bancos comerciais,
passando de meras coletoras de depósitos e “monte
de socorro” a operadoras de
empréstimos sob caução de títulos da dívida pública
da União, letras e bilhetes do Tesouro Nacional, com garantia e
assistência governamental. Como visto, a unificação das Caixas
acontece somente em 1969, e a CAIXA, hoje, atua em múltiplos
setores.
No tocante à composição
da marca e assinatura, a CAIXA já possuiu algumas, como podemos
verificar nas figuras (1,2,3,4,5 e 6) abaixo. Estas retratam, como
natural, o respectivo período histórico. Entre 1996 a 1997, a
partir do projeto de reengenharia de 1994 (Programa de Racionalização
e Competitividade, PRC), responsável pela
modificação dos seus processos, em todos os níveis, a
Empresa necessitou renovar imagem, marca, logomarca, logotipo e
todos os itens estéticos da identidade corporativa, tomando como
referencial os resultados de uma pesquisa de imagem corporativa.
Os principais indicativos que fundamentam as modificações da
Empresa, não somente no que se refere à marca, mas também, à
infra-estrutura física, ao modelo de gestão e até mesmo ao
portfólio de produtos e serviços, vinculam-se à clientela,
majoritariamente, envelhecida, a agências e postos de atendimento
sem processos de atendimentos padronizados, a sistemas de gestão
de informação sem comunicação entre si, ao parque de
equipamentos computacionais e a terminais eletrônicos
ultrapassados, a produtos e serviços não competitivos.

Figuras
1,2,3,4,5
Figura 6
Então, segundo dados
contidos no Manual da Marca, ano de 1997, a escolha da palavra – CAIXA – resultou do fato de ser a mais popular e a forma
mais coloquial empregada pelo público externo e interno para se
referir à Instituição. Além do mais, numa feliz coincidência,
é um termo que guarda vários significados vinculados à missão
da Empresa, qual seja: guardar, poupar, valor, depósito. À
época, também se adotou o elemento síntese não existente
anteriormente. O X foi
então retirado da marca, para ser usado, separadamente, em ações
de reforço ou alusão à marca, como em sinalizações de sala de
auto-atendimento em agências.
É evidente que tudo
isto conduz à transformação geral da Empresa, iniciada com uma
revisão nos processos administrativos, incluindo a área de
Recursos Humanos e o Plano de Cargos e Salários. A partir de então,
a CAIXA passa a adotar o incentivo à formação especializada e o
processo seletivo para ascensão aos distintos cargos.
Paralelamente, as diversas áreas da logística renovam todos os
pontos de venda (agências, postos de atendimento bancário e
casas lotéricas, inicialmente), padronizando-os num primeiro
momento, chamado de Projeto
500, responsável pela modernização das 500 maiores agências
do País, atingindo, a seguir, a rede, em sua íntegra.
No segundo momento, as unidades da CAIXA passaram por mais
dois ou três processos de revisão de layout
e de modificação de mobiliário, sempre adequando aos novos
modelos conceituais de atendimento, compatíveis com a dinâmica e
realidade do mercado.
De forma similar, a área
de mercado também passou por profundas mudanças. Hoje, está
dividida em gerenciamento da rede, gerenciamento de
produtos para pessoa física, jurídica ou para estados e municípios,
e gerenciamento dos segmentos de clientes de acordo com faixas de
renda e atividades. Sua atuação se dá de forma mais agressiva,
com a adoção do modelo de segmentação, entre 2000 a 2001, período
em que a CAIXA também adota e expande os canais alternativos de
atendimento, como terminais de auto-atendimento, Internet e casas
lotéricas, buscando direcionar produtos e serviços específicos
para cada público e cada cliente.
Como conseqüência
dos processos ora relatados, a comunicação e o marketing da CAIXA, antes divididos em duas superintendências
nacionais, se fundem, o que ocorre, em 2001, com a criação da Superintendência
de Marketing Institucional. A SUMAI congrega, à época, as
Gerências Nacionais: (1) Gerência de Relações Institucionais (GEREL), responsável pela
política de patrocínio e marketing
cultural; (2) Gerência
de Marketing Corporativo
(GEMAC), incumbida dos processos da identidade corporativa no
tocante às questões estéticas de padronização em todos os níveis,
desde a comunicação interna (cartões, placas de obra etc.) ao
portal na internet e intranet, além da realização de eventos,
dentre outras atribuições; (3)
Gerência de Comunicação (GENCO), a quem compete
contratar as agências de publicidade licitadas a cada biênio e
negociar as campanhas solicitadas pelos diversos segmentos da
Empresa; (4) Gerência
de Mercado (GEMEC), encarregada do gerenciamento de pesquisas de
mercado e da qualidade do atendimento, acabando por migrar, em
2003, para a área de mercado. No momento atual, há mais uma gerência
no âmbito da SUMAI: Gerência de Padrões e Planejamento (GPP). A
Assessoria de Imprensa (ASSIMP) continua atuando paralelamente à
SUMAI, embora de forma integrada, a partir de sua vinculação
institucional: ambas estão subordinadas à Diretoria Colegiada e
à Presidência.
De fato, desde 2001,
desenvolve-se um esforço concentrado no sentido de adotar ações
integradas de marketing
e comunicação, o que vem conquistando apoio das áreas citadas e
mais do Cerimonial, ligado ao Gabinete do Presidente. Assim, o
planejamento das atividades da CAIXA nos diversos setores de atuação
e para os diversos segmentos, norteia o planejamento da SUMAI, que
procura alcançar os objetivos pretendidos. O lançamento de um
produto, por exemplo, envolve inúmeras áreas e mais de uma
centena de pessoas. Compreende fases que vão
desde a pesquisa de mercado até o pré-teste e
desenvolvimento do produto, além da adoção dos sistemas necessários
para a sua operacionalização, o treinamento dos empregados
encarregados da venda do produto, a sua divulgação interna e
externa (responsabilidade das áreas de marketing
e comunicação), seja através de canais diretos ou dos portais,
seja através de peças publicitárias, seja através de patrocínio
a eventos, cujos públicos constituam alvo do produto, seja através
da divulgação de matérias via ASSIMP.
Por exemplo, a Campanha
Poupança Premiada, entre os anos de 2001 a 2002, é um dos
casos de maior sucesso das ações integradas de planejamento de
comunicação e marketing,
responsáveis pela conquista de aproximadamente 14 % do mercado
nacional de poupança. A Campanha consistia na premiação dos
poupadores com saldos médios superiores a R$ 100,00. Os prêmios
eram divididos em duas etapas mensais. Na primeira, cerca de 3.000
poupadores conquistavam prêmios de R$ 1.000,00 e passavam,
a concorrer aos prêmios de R$ 10 mil, R$ 20 mil, R$ 2 milhões
e R$ 4 milhões. O planejamento da Campanha envolveu tanto a área
do produto, como os setores de comunicação e marketing. A publicidade, orientada pela GENCO, criou peças
informativas para os empregados a fim de sensibilizá-los para a
divulgação e o convencimento da clientela. Tais peças eram
renovadas, sistematicamente, ante a inserção de novos elementos
na Campanha. A divulgação externa envolveu mídia eletrônica
nas principais redes de rádio e TV, assim como merchandising nas novelas de
maior audiência na rede Globo. A ASSIMP teve atuação
importante, ao alimentar os meios de comunicação com notícias
sobre a evolução da poupança interna do País, alertando para a
importância do processo, como também identificando os
beneficiados. Eventos foram realizados em todas as regiões, de
tal forma que tanto aqueles de maior abrangência, como os
realizados nas próprias agências contribuíram para o sucesso
obtido.
Em suma, afirmamos que
o modelo adotado pela CAIXA para marketing
e comunicação vem obtendo bons resultados, embora ainda não
consiga abranger todos os aspectos da mega-instituição. A
evidente expansão da Empresa, mensurada nos lucros de 2003,
advindos de fatores diversos, como: expansão da carteira de
clientes, maior credibilidade, atuação social mais visível,
confiabilidade crescente na poupança e expansão do banco da casa
própria. No entanto, ao contrário dos demais bancos, cuja imagem
está associada à figura masculina, mais dura, com cobrança de
juros maiores e atendimento seletivo, a CAIXA detém uma imagem
feminina que conduz à sua visualização como “a
mãe do povo brasileiro”. Isto concorre para que a população
se sinta à vontade para reclamar e exigir melhores serviços, o
que contribui para que muitas questões ligadas à sua imagem
continuem imutáveis.
A este respeito,
pesquisa recente, contratada pela CAIXA, no primeiro semestre de
2003, realizada nas maiores praças brasileiras, ao mesmo tempo em
que comprova os aspectos positivos arrolados, dentre os quais, o
reconhecimento do público frente à sua atuação social, o seu
papel na política de habitação, a poupança para todos e o empréstimo
para classes desfavorecidas, mediante o penhor, também mostra
pontos de conflito na imagem da Empresa. Além de reafirmar o
envelhecimento da clientela, aponta problemas ligados a grandes
filas, ao mau atendimento, à lentidão e ao arcaísmo dos
terminais de auto-atendimento, e o que parece mais grave, indica
que seu extenso portfólio de produtos e serviços bancários, inclusive os
produtos direcionados ao setor público, são pouco conhecidos.
A imagem de banco
social tem sido reforçada, a cada dia, que o Governo Federal
delega mais atribuições para a CAIXA. Hoje, é responsável pelo
pagamento dos programas de inclusão do Governo, o que conduz milhões
de pessoas a procurarem pontos de atendimento, em qualquer
localidade. Contudo, com as atribuições, é premente a adoção
de novos investimentos em tecnologia e pessoal, para que o
atendimento dimensionado para um número X de pessoas não tenha o
padrão de qualidade reduzido, haja vista que o número de
clientes triplica, mensalmente, com a inserção de mais famílias
nos cadastros governamentais. No entanto, como os investimentos não
ocorrem com a mesma velocidade em que se dá a adesão dos novos
clientes, o atendimento não dá vazão, as filas permanecem, e a
rasura da imagem, também.
De qualquer forma, a
pesquisa citada levou ao redirecionamento da comunicação e dos
processos da Empresa. A
logomarca, que já passou por temas como: (1)
CAIXA, o banco da vida da gente; (2)
CAIXA, aqui o Brasil acontece, desde agosto de 2003, traz agora a
expressão: CAIXA, para você
e para todos os brasileiros. O processo deve resgatar, ainda,
o slogan VEM
pra CAIXA você também, da década de 1980, mas fortemente
incorporada à sua imagem.
Além
da pesquisa, o principal fator provocador de mudanças na
identidade e que se reflete na imagem da Instituição, foi o PPA
do Governo Federal elaborado com ampla participação da sociedade
civil em 2003, e, que provocou a necessária adequação da CAIXA
à nova conjuntura política, econômica e social do Brasil, o que
foi feito através da elaboração do planejamento estratégico da
Empresa com a participação dos empregados. Esse planejamento ou
o PPA CAIXA já acarretou na mudança dos processos na
mega-estrutura da matriz, mudanças que devem se estender aos
pontos de venda, trazendo benefícios aos clientes.
FINALIZANDO
Neste momento, a CAIXA, pautada pela conjuntura de seu
microambiente, e, pelas transformações do macroambiente, dentre
elas, as políticas e as do mercado financeiro, segundo as quais,
obedecendo às orientações da política monetária do atual
Governo, os juros devem ser reduzidos, e, por conseguinte, os
lucros bancários também, está revisando muitos dos seus
processos, inclusive em marketing e comunicação. Porém, em qualquer circunstância, é utópico
afirmar que alcançará a excelência no planejamento desses dois
setores, uma vez que não há como assegurar que os investimentos
em logística virão a tempo de atender as novas demandas da CAIXA
no mercado, melhorando o atendimento e, portanto, a sua imagem. No
entanto, com base nas discussões dos elementos relatados no
presente diagnóstico, e não obstante o clima de indefinições
do mercado financeiro brasileiro, acredita-se que o novo modelo
conceitual de comunicação integrada da CAIXA agrega a
necessidade de revisão permanente, tornando-se, essencialmente,
ciclodinâmico.
REFERÊNCIAS
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brasileira. Porto Alegre: Buenas Idéias/Meta Livros, 2003.
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