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MULHER: objeto de
desejo – análise da representação da mulher em mensagens
publicitárias
Aparecida Macena
da Silva – FEMA/IMESA – Assis-SP - Brasil
Gisele Andrade
Porto da Silva
Resumo
Este trabalho teve por objetivo fazer uma leitura crítica da
representação social da mulher em mensagens publicitárias. Para
isso, escolhemos, aleatoriamente, algumas peças publicitárias,
classificadas por categorias de produtos: limpeza, perfume e
bebida alcoólica que serviram de objeto de análise. O método
escolhido foi o de “análise de conteúdo” que para Ander-Egge
(1978:198, apud Marconi & Lakatos, 1982:99) é
a (técnica mais difundida para investigar o
conteúdo das comunicações de massas, mediante a classificação, em
categorias, dos elementos da comunicação.).
Palavras-chave:
Comunicação, ensino, representação social.
I – A Construção do Desejo: algumas implicações
sociais
A construção social da realidade se
dá a partir da racionalidade humana. A racionalidade humana,
durante muito tempo, foi estudada sem levar em conta as questões
relativas à vivência, porém, há uma relação dialética entre a
vivência individual e a social.
Esta concepção deu início a um
movimento teórico sobre a realidade humana construída
coletivamente. Berger e Luckmann ilustram esta perspectiva dizendo
que:
o
processo de tornar-se homem se efetua na correlação com o
ambiente... e
que ...a autoprodução do homem é sempre e necessariamente um
empreendimento social, os homens em conjunto produzem um ambiente
humano, com a totalidade de suas formações sócio-culturais e
psicológicas (1991, p.71 e 75).
Assim, o homem usa de ações que se
tornam habituais e servem de referência para seu acervo geral de
conhecimentos, auxiliando-o na tomada de decisões vivenciadas no
cotidiano. Os indivíduos em conjunto produzem, em seu ambiente,
suas formações psicológicas, sociais e culturais.
Outros fatores de importância são as
instituições, que desempenham papel fundamental para este
controle. Para Berger e Luckman, as instituições ...
têm
sempre uma história, da qual são produtos. É impossível
compreender adequadamente uma instituição sem entender o processo
histórico em que foi produzida. As instituições, também, pelo
simples fato de existirem, controlam a conduta humana
estabelecendo padrões previamente definidos de conduta, que a
canalizam em uma direção por oposição às muitas outras direções
que seriam teoricamente possíveis.
(1991, p. 75).
I. 1 – A percepção dos dentidos
A disposição da mente e do corpo
influencia na percepção dos sentidos. Cada um tem uma estrutura
social e uma cultura diferente, o que permite interpretar de
diferentes formas uma mesma situação ou objeto. A criatividade é
muito mais complexa do que imaginamos, pois ela depende dessa
percepção dos sentidos.
Olhar é um ato de escolha. A
(maneira como vemos as coisas é afetada pelo que sabemos ou pelo
que acreditamos) (Berger & Luckman,1991:10). As circunstâncias
determinam a percepção visual de uma determinada experiência. Um
mesmo objeto ou situação pode ser visto de diferentes formas,
intensidades. Isso acontece devido à diferente atribuição de
valores que é feita geralmente pela convivência. O olhar crítico
direciona a percepção visual das pessoas de diversas formas,
portanto, a classe social, a cultura, a escolaridade e alguns
outros fatores influenciam diretamente essa percepção.
Assim, é possível entender que toda
imagem incorpora uma forma de ver. Berger e Luckman dizem que (Apresentada
uma imagem como obra de arte, o modo pelo qual as pessoas a olham
é afetado por toda uma série de premissas aprendidas sobre a arte.
Suposições a respeito de beleza, verdade, gênio, civilização,
forma, status, gosto ect). (1991:13)
Um exemplo são os nus europeus que,
segundo estes autores, foram pintados como se a mulher estivesse a
serviço do desejo do espectador (geralmente masculino),e
pressupõem um relacionamento desigual presente até hoje na nossa
cultura, de que homens e mulheres têm presenças sociais diferentes
e agem como tais, (a presença social de uma mulher é
especificamente diferente da do homem) (1991:48)
A presença da mulher geralmente
atrai valores sexuais. Na publicidade sua aparição dá-se como
forma de atrair a atençãodo homem. Berger e Luckman destacam que:
(a publicidade usa, de modo crescente, a sexualidade para
vender qualquer produto ou serviço.) (1991:146)
Assim, Berger e Luckman definem a
publicidade como um conjunto de visões competindo umas com as
outras e que: A (publicidade é a cultura da sociedade de
consumo. Ela propaga, através de imagens, a crença daquela
sociedade nela mesma). A imagem publicitária é uma
continuidade direta da pintura a óleo, uma vez que, tanto quanto
aquela forma de arte, ela é a celebração da propriedade privada
uma vez que (Antes de ter sido qualquer coisa, a pintura a óleo
era a celebração da sociedade privada. Como forma de arte ela
derivou do princípio de que você é aquilo que tem) (
1991:141).
I. 2 – Erotismo: a magia da
identificação sedutora
O erotismo está cada vez mais
presente no cotidiano, incitando os consumos. Podemos observar
imagens eróticas, por exemplo, invadindo a todo o momento os meios
de comunicação. Estão presentes nos programas de TV, revistas,
filmes, novelas, mas se encontram, principalmente, na publicidade
que utiliza ícones sexuais que nos convidam a todo instante a
consumir produtos das mais variadas espécies, até mesmo aqueles
que não têm ligação direta ao sexo. (A humanidade,
significativa do interdito, é transgredida no erotismo. Ela é
transgredida, profanada, maculada). (Bataille, 1987: 136).
O erotismo pode levar
o processo de venda de determinados produtos a ser feito por meio
de exploração de aspectos eróticos, que vão gerar valores e
comportamentos estereotipados no contexto social. A publicidade
descobriu um canal interessante de suscitar desejos. Porém, se
isso não for bem feito, ou não tiver comprometimento de
correspondência com a sensualidade mais verdadeira dos indivíduos,
gera a falsa idéia do erotismo. Segundo Fabiano,
as implicações decorrentes da relação entre a publicidade e o
erotismo levam a questões sociais mais amplas que o profissional
da publicidade deve ter em mente como pressuposto ético.
Sempre que um anúncio é veiculad,
está disputando o olhar do público com outros anúncios, com o
próprio noticiário e também com reportagens e os apelos diversos
que estão presentes na mídia. Esta é a razão de a criatividade ser
tão valorizada na propaganda. A necessidade de criar peças
originais, capazes de chamar e prender a atenção, é o que faz a
propaganda empregar e valorizar artistas não apenas em seus
departamentos de criação.
Os anúncios têm sido orientados
segundo o princípio de sua comercialização e não segundo seu
próprio conteúdo. Os produtos lançados no mercado, ao exibirem
modelos e atrizes provocando não só o desejo masculino, como o
feminino, põe em jogo a magia da identificação sedutora; a
mercadoria faz o papel de mulher desejável, para ser desejada
pelas mulheres, apelando para seu desejo de serem desejadas pelos
homens. É como se o homem ao adquirir o produto estivesse mais
perto da modelo ou atriz. Na medida de sua atração, uma mulher
serve de alvo ao desejo dos homens (Bataille,1987: 123), e
para a mulher, é como se o produto viesse junto com as virtudes da
modelo. Outro exemplo vem dos comerciais de produtos de higiene
bucal, em que a finalidade principal do produto é a prevenção das
cáries ou a prevenção do mau hálito, mas que, no processo
comunicativo, acabam carregados de apelos pelo desejo de dentes
brancos, sorriso irresistível e vontade de beijar.
O sexo tem sido um dos mais fortes
argumentos publicitários, nas suas formas de sensualidade, desejo
e erotismo, o que tem provocado uma interminável discussão sobre o
bom e o mau gosto, o moral e o imoral, o erótico e o debochado.
Embora as sociedades tenham se tornando mais abertas e tolerantes,
sexo ainda provoca surpresa quando apresentado na mídia, seja em
suas formas sutis ou explicitamente pornográficas. Em paralelo à
sua utilização como recurso publicitário, o sexo tornou-se um
produto industrial explorado com as mesmas técnicas de marketing
utilizadas por todos os produtos existentes no mercado.
De acordo com Bataille, a beleza
influi nos sentidos, é ela quem caracteriza e agrega valores. No
caso de um objeto é a beleza que aponta ao desejo. Subjetiva, a
beleza varia de acordo com quem a aprecia. O papel da beleza no
erotismo é justamente evidenciá-lo. Ela se torna o canal, chamando
a atenção para o erotismo.
I. 3 - O poder sedutor da estética
A globalização causou a queda da
atração e do interesse do público em relação à publicidade. Como
conseqüência, a estética vem sendo usada pelo marketing e pela
publicidade como forma de fortalecer a relação entre a imagem de
sua marca e o consumidor. Na realidade, a estética vem sendo usada
para criar um envolvimento com o consumidor.
A publicidade influencia o social, a
cultura e até a economia, além de manipular o consumidor. Ela
produz desejos, que são projetados na sociedade e cria um
envolvimento e, inclusive, a fidelidade do consumidor para com a
marca ou o produto. Sua maior função é interferir no receptor,
causar desejos, e fazer com que ele adquira o produto ou serviço
anunciado.
As impressões e sensações que a
imagem causa diferenciam os concorrentes. Com isso, ss o
consumidor não escolhe as características do produto, mas sim a
promessa feita. Isso justifica o fato de mulheres lindas e jovens
estarem sempre presentes em mensagens publicitárias de produtos de
beleza e em vários outros produtos destinado ao público masculino,
que passa a ver o produto como forma de obter a mulher do anúncio.
Ou seja, o público compara através da estética sua aparência
pessoal com a aparência que a mensagem do produto passa, e assim,
escolhe qual produto comprar.
O mercado se desenvolveu e, com
isso, a publicidade teve que buscar novas ferramentas para chamar
a atenção do público-alvo. No entanto, a imagem continua sendo um
elemento importante na sedução do consumidor. O sistema industrial
tem usado a moda e a estética como forma de manipular a cultura.
Atributos comportamentais são embutidos no conteúdo das mensagens,
e esses, por sua vez, atingem os consumidores, levando-os a
buscarem ser diferentes através do estilo, e, assim, também pela
marca.
A estética encontrou grande aliado
na ciência que tem buscado o corpo perfeito, o não envelhecimento
e outros padrões ditados pela moda. Um exemplo é o fato da
sociedade, em geral, querer permanecer jovem, seja por meio de
roupas, maquiagens, cosméticos ou até cirurgias. Lahn (2003)
coloca que
a moda é
cruel em todos os setores, não há como escapar dela, pois é uma
manifestação de uma indústria cultural, que finge dar opções de
escolha ao homem, mas que no fundo, busca oferecer-lhe
representações de comportamentos que não são seus.
A sociedade capitalista e consumista
manipulou os meios de comunicação. Hoje é a moda, ditada pela
publicidade, o maior instrumento dessa sociedade manipuladora, que
não tem como base a realidade, pois ela apresenta cada vez mais
produtos para consumo, enquanto a pobreza mundial cresce. É certo
que casas, carros, mulheres maravilhosas, produtos de beleza, de
bebida e boa alimentação fazem parte do sonho da maioria das
pessoas, porém, o seu acesso está cada vez mais distante de uma
grande parcela da população, pelo acentuado distanciamento
provocado entre os dois pólos da sociedade capitalista: classe
dominante e classe trabalhadora.
Em sua trajetória evolutiva, o setor
publicitário percebeu que é muito mais eficaz atingir e envolver o
público apelando para o desejo. Assim, para atingir um público
masculino, por exemplo, com o objetivo de vender um carro, a
mensagem publicitária é permeada com mulheres maravilhosas, como
se elas também fizessem parte do carro; para vender perfumes, os
modelos masculinos estão com mulheres em posições que lembram o
ato sexual ou somente mulheres que, na peça (ver exemplo no item
análise), são atraídas pelo perfume, como se isso fosse acontecer
ao adquirir o produto.
II – ASPÉCTOS DA LINGUAGEM PUBLICITÁRIA
II. 1 – Mulher: ícone de sedução
A sociedade de consumo identifica e
reforça o papel da mulher como a sustentadora interna na casa.
Carvalho coloca que (a mulher desempenha a função de protetora
/provedora das necessidades da família e da casa, constituindo a
própria imagem da doméstica), (2002:23). A mulher é atingida
em relação ao poder de decisão e compra, que, no decorrer dos
anos, deixou de ser apenas a de opinar no cardápio do almoço e
passou a ter espaço no mercado de trabalho; conseqüentemente, o
sexo feminino passou a consumir muito mais do que simples panelas
e panos de prato. Quando uma propaganda vende um sabonete ou um
xampu, observa-se claramente que, junto a esta imagem, está a
chance da mulher estar na mesma posição que uma atriz famosa e,
supostamente, perfeita.
Existem várias fazes na vida da
mulher: mãe, profissional, esposa, e dona de casa. Em todas elas,
a publicidade coloca que para ser feliz e bem sucedida a mulher
precisa estar bela e parecer jovem. A cultura do glamour move as
lucrativas indústrias de cosméticos, publicações, esportes e
academias de ginástica e sua isca é a mulher.
O uso de mulheres
bonitas e famosas passa credibilidade ao produto, despertando o
desejo de identificação. Somente silhuetas não bastam para a
mulher atual, elas buscam coisas que lhe dão sentimentos de poder.
(Além de agradar o homem ela quer um lugar de respeito na
sociedade. Essa situação exige, pois, um simbolismo mais sutil,
matizado com doses bem-estudadas de imaginação e fantasia, e uma
erotização apenas sugerida.) (Carvalho,2002: 25).
A mulher é considerada a compradora
oficial do lar. Além de produtos de beleza, de moda e femininos em
geral, é ela quem faz as escolhas de compra da casa e da família
como material de higiene, limpeza, roupas, brinquedos e móveis.
No entanto, a mulher atual não aparece exclusivamente como
meio utilizado para atingir determinado fim, hoje a mulher aparece
junto ao produto, mas como alvo a atingir. Ela também é vista como
consumidora potencial. (Carvalho,2002: 24)
Para conquistar o
público feminino vêm sendo usadas estratégias por meio da
projeção e da identificação. Para isso, a linguagem e a imagem da
mensagem publicitária devem estar adequadas ao seguimento de
mercado ao qual se destina. As receptoras da mensagem publicitária
vêem a mulher do anúncio como um exemplo a seguir, um espelho das
suas expectativas: ser bela, elegante, sexy, dinâmica, moderna.
Entretanto, para o homem, a mulher é tida, quase sempre, como um
atrativo das atenções masculinas, sendo os anúncios caracterizados
por uma forte tendência sexual, de atração e paixão, quaisquer que
sejam os produtos em causa.
A realidade da mulher na sociedade mudou, mas as
mensagens publicitárias continuam utilizando de um apelo direto ao
prazer que partes do corpo da mulher podem proporcionar. A
imagem da mulher moderna é aquela que tem uma ocupação
profissional, que é independente, que cuida de si e domina o seu
meio de ação.
Quanto mais importância à mulher tem na sociedade
mais importante ela se torna para a publicidade e o lado sexual é,
sem dúvida, aquele que mais é trabalhado em publicidade. A imagem
das partes sexualmente mais atrativas da mulher como a boca, os
seios, e as pernas aliadas aos significados explícitos ou
implícitos da verdadeira mensagem que se quer transmitir, faz
desse tipo de mensagem um sucesso na venda de bebidas a perfumes.
Numa pequena amostragem pode-se perceber que o sexo, o erotismo, a
sensualidade são temas muito explorados em publicidade e,
paralelamente, precisam ser avaliados e questionados criticamente,
uma vez que seu destino final é o corpo social.
II. 2 – O impacto visual das cores em mensagens
publicitárias
A cor exerce grande impacto sobre a
percepção e sobre a emoção humana. Podem ser associadas a diversas
situações da vida do homem, por isso ela pode ser usada para
indicar condições diversas tais como: perigo, atenção, qualidade
de alimento e outros. As associações recebem influências dos
aspectos geográficos, culturais e a idade. Os costumes também são
fatores de intervenção nas escolhas das cores (Farina, 1990).
Ao escolher uma cor, deve-se ter em
mente que ela age como elemento de estímulo imediato e que atinge
diretamente a emoção humana. Está associada às características da
moda e ao estilo de vida ou à cultura de cada sociedade.
A publicidade faz uso das cores para
chamar ou captar a atenção e passar mensagens ao consumidor. É a
cor o elemento que mais contribui para a transmissão da mensagem.
Para escolher a cor diversos fatores devem ser levados em
consideração, como o tipo específico de mensagem para um produto
ou serviço a ser consumido. Essa escolha é baseada na análise do
mercado e suas tendências para que o desejo do consumidor seja
antecipado, além de prever a ocasião da compra por impulso.
É através da cor que se desperta
sentimentos, juízos ou avaliação na compreensão de algo lindo,
feio, agradável, desagradável, conveniente ou inconveniente,
levando sempre em consideração que a recepção da mensagem pode
mudar, mesmo que, por alguns momentos influenciando no
comportamento do consumidor.
Há cores quentes e frias, leves e
pesadas, calmantes e excitantes, de alívio e opressivas. Cada cor
tem propriedades e função em si mesma. Os efeitos psicodinâmicos
da cor são de variados, tendo como predominância o sentido da
visão sobre todos os demais sentidos do homem.
As circunstâncias interferem e
determinam no uso das cores, a psicodinâmica que elas têm pode até
determinar comportamentos complexos. Um exemplo é o uso da cor
vermelha, considerada a cor mais sexual e mais ativa, que conota a
sexualidade do homem ou da mulher. Assim, cada pessoa responde e é
atraída pela cor de uma forma particular. A escolha pode ser
baseada no tipo de personalidade, nas condições circunstanciais ou
em seus desejos e processos mentais mais íntimos, profundos e até
inconscientes. Isso significa que as cores não têm influências
somente no físico, mas no mental e no emocional.
De acordo com Farina (1990), existem algumas
indicações seguras quanto ao uso das cores em publicidade, como o
exposto na tabela a seguir:
Tabela nº 1
|
VERMELHO |
Aumente a atenção, é
estimulante, motivador. Aplicado em anúncios que indicam calor
e energia; artigos técnicos e de ginástica. |
|
LARANJA |
Aplicado em formas
mais modernas nos mesmos casos do vermelho. |
|
AMARELO |
Visível à distância e
estimulante. É motivadora em publicidade. |
|
VERDE |
Estimulante porém com
pouca força sugestiva, oferece sensação de repouso; costuma
caracterizar azeites, verduras, frutas e similares. |
|
AZUL |
Grande poder de
atração; neutraliza inquietações; aplicado em anúncios que
caracterizam frio. |
|
ROXO |
Acalma o sistema
nervoso; usado em anúncios de artigos religiosos, viaturas,
acessórios funerários, etc. |
|
PÚRPURO |
Representam valor e
dignidade; usado em artigos de luxo. OU OURO |
|
MARROM |
Esconde a qualidade e
o valor, por isso é pouco recomendado em publicidade; pode
transmitir sensação de chocolate. |
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VIOLETA |
Entristece o ser humano, também não é muito indicado o seu
uso. |
|
CINZA |
Atitudes neutras e diplomáticas; é muito usado em publicidade. |
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PRETO |
Pouco recomendável (em anúncios de 4 cores) pois deixa o ser
humano geralmente frustrado (caso haja excesso).
|
Fonte –
Farina,1990: p 201.
III
- Análise
Peça 01
·
Publicidade de Produto
·
Categoria: limpeza
·
Marca: Bom-Bril

Mais uma vez tem-se a imagem da mulher explorada
para divulgar um produto. Uma chaleira (utensílio de cozinha),
aparentemente de inox (material que concentra em si um brilho sem
a necessidade do uso de palha de aço, o contrário do alumínio)
reflete a imagem de uma jovem e bela mulher acabando de retocar o
batom, numa alusão ao texto principal da peça que diz:
Use Bom-Bril. E tenha mais tempo para brilhar.
Essa mulher ícone também traz os traços
de um padrão de beleza constantemente explorado pela mensagem
publicitária: loura, olhos azuis, lábios carnudos com batom
vermelho, unhas também com esmalte vermelho reforçando a mensagem
verbal referente à promessa básica do produto que é sempre o que
vem em primeiro plano.
Um segundo texto, intercalado entre
fibras de palhas de aço e uma embalagem do produto oferecido diz:
Bom-Bril tira qualquer tipo de sujeira muito mais rápido: da
cozinha até o banheiro, fica tudo limpinho. E você fica com tempo
de sobra para mil e uma coisas mais importantes. Neste
exemplo, o produto é colocado no lugar do sujeito: "Bom-Bril tira"
como se não houvesse a necessidade da intervenção de alguém na
remoção da sujeira.
Conclusão
O
levantamento bibliográfico para a realização deste trabalho nos
mostrou que o homem se organiza em conjunto para produzir um
ambiente humano. Este ambiente é constituído pelas formações
psicológicas, sociais e culturais. Estas servem de referência para
o acervo geral de conhecimentos do homem, auxiliando-o na tomada
de decisões vivenciadas no cotidiano.
O ato de ver está
associado à percepção dos sentidos. No entanto, cada indivíduo
está atrelado a uma estrutura social/cultural diferente e isto
permite interpretar de diferentes formas uma mesma situação ou
objeto.
Culturalmente, a mulher
tem sido apresentada como um objeto de contemplação. Com isso,
atribui-se a ela um papel social diferente da do homem.
Valoriza-se muito mais seus atributos sexuais que seu papel de
sujeito da ação social.
A publicidade, por sua
vez, vale-se deste papel estereotipado cristalizando-o a serviço
do sistema capitalista que tem no consumo sua mola propulsora.
Para atingir este objetivo consumista, dentre os vários mecanismos
de apelos comunicativos, a instigação do desejo é o principal
deles. Se nossas necessidades são limitadas, os desejos não o são.
Nesse processo, os produtos são apresentados como a via para a
realização dos desejos, e estes, via imaginário.
Para garantir que a
mensagem publicitária atinja seu objetivo de provocar estímulo no
receptor para que este reaja ao apelo de consumo para um grande
número de produtos, um outro mecanismo é acionado: o erotismo. Sua
implicação maior dá-se na medida em que sua exploração pode gerar
valores e comportamentos estereotipados do contexto social. Daí
nos depararmos com uma sociedade que valoriza muito mais a
aparência que a essência. A importância desses questionamentos,
principalmente para o profissional de publicidade em formação,
faz-se pela necessidade de desenvolver-lhe não só enquanto agente
criador a serviço de um sistema, mas, também, pelos pressupostos
de responsabilidade social e éticos com que deve operar os
mecanismos de comunicação.
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