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Pós-Mídia: a comunicação
das multidões[1]
Alexandre
Rocha da Silva
Resumo
Trata-se
de uma proposta para inserir os estudos de comunicação
naquilo a que Félix Guattari denominou Revolução
Molecular. Parte-se de uma breve crítica das formas capitalísticas
do Império, que sustentam a clausura de uma concepção de
comunicação restrita à sua dimensão atualizada, para
chegar à identificação de linhas de fuga capazes de
expressar o universo virtual em que se tornam pertinentes
reflexões sobre elementos que, neste artigo, sustentam uma
abordagem pós-midiática dos fatos de comunicação.
No
ano 2000, Antônio Negri e Michael Hardt publicaram Império,
um livro que procura descrever os mecanismos do capitalismo
contemporâneo e identificar os modos de resistência que
continuamente são produzidos pelas multidões. Segundo os
autores, Império não é uma metáfora, mas um conceito,
uma “substância política que, de fato, regula essas
permutas globais, o poder supremo que governa o mundo”.
Não deve ser confundido com o Imperialismo, regime
sustentado pelo conceito de Estado-nação e que entrou em
declínio na fase atual do capitalismo globalizado, cedendo
sua soberania às novas formas políticas de dominação:
“Nossa
hipótese básica é que a soberania tomou nova forma,
composta de uma série de organismos nacionais e
supranacionais, unidos por uma lógica ou regra única [...]
que não estabelece um centro territorial de poder, nem se
baseia em fronteiras ou barreiras fixas. É um aparelho de
descentralização e desterritorialização do geral que
incorpora gradualmente o mundo inteiro dentro de suas
fronteiras abertas e em expansão.[5]”
Associado
à idéia de não territorialidade, o Império apresenta-se
como a-histórico e se auto-designa não como uma conquista,
mas como uma forma que determina, pela eternidade, o estado
de coisas existente. Seu funcionamento engloba todos os
registros sociais, reterritorializando-os de acordo com os
novos critérios de realização vigentes.
Esses
critérios, construídos a partir da hegemonia neoliberal
reforçada pelo fim do bloco socialista no final da década
de oitenta, ao contrário do que propõem os defensores do
fim da história,
não são a-históricos. A passagem do Estado-nação, e
suas políticas colonialistas e imperialistas, para o Império,
e seus tentáculos multinacionais, criou no interior de cada
Estado nichos de grande desenvolvimento e outros de extensa
pobreza. É possível encontrar em Nova York ou em Porto
Alegre expressões do Primeiro e do Terceiro Mundos
simultaneamente. Os grandes códigos do capitalismo
industrial que dividiam o mundo entre países desenvolvidos
e subdesenvolvidos perdem potência ao mesmo tempo em que
problemas, como o da miséria, ganham dimensão global
Esse
deslocamento não implica necessariamente o triunfo do
neoliberalismo sobre as formas de controle político. O que
houve nesta passagem foi uma transição dos poderes da
esfera do Estado-nação para os organismos internacionais
que, embora os exerçam dissimuladamente, garantem sua eficácia
baseados na “destruição (pela bomba), no julgamento
(pelo dinheiro) e no medo (pela comunicação)”.
Tal exercício de poderes, entretanto, encontra resistência
nas multidões, o que evidencia que o motor da história
continua a andar, oferecendo novas possibilidades para as
forças de libertação.
Por
onde passariam, então essas forças? Negri e Hardt insistem
em reconhecê-las na multidão, em uma multidão incomensurável
porque se refere à virtualidade que investe de poderes de
agir, de transformar, de criar todo o tecido político. Essa
incomensuralibidade, como modalidade de pensamento, tem sido
interdita: “ao longo da modernidade, o incomensurável foi
alvo de uma proibição absoluta, uma proibição epistemológica”.
Essa proibição é explicada, em o Império,
na medida em que Negri e Hardt reconhecem ontologicamente a
multidão e as
resistências como anteriores ao Império e sua constituição.
“Os investimentos reais do Império e todas as suas
iniciativas políticas são construídos ao ritmo dos atos
de resistência que constituem o ser da multidão. Em outras
palavras, é preciso atribuir, finalmente, a eficácia dos
procedimentos reguladores e repressivos do Império à ação
virtual e constitutiva da multidão”.
Evidencia-se,
aqui, portanto, um deslocamento fundamental para que se
pensem as modalidades de resistência no Império, e, por
extensão, no universo das comunicações pós-midiáticas:
a passagem do atual para o virtual. Inspirado em Bergson,
Deleuze apresenta dois movimentos de ordens diferentes: o
que relaciona o possível e o real, e o que relaciona o
virtual e o existente. Entre as possibilidades e suas
realizações há uma redução de numerosos mundos possíveis
a um mundo real, e entre o virtual e o existente o que há
é uma força criativa a ser ressaltada capaz de se
atualizar de maneira imprevista. Entre o virtual e o que se
atualiza, portanto, há uma passagem pelo possível.
Entretanto, deve-se reconhecer que as regras do possível não
são as mais abstratas: sempre há um resíduo de
virtualidade que continua a produzir criativamente
novidades. A esta ação prévia às atualizações e mesmo
a suas possibilidades, pode-se denominar comunicação pós-midiática.
Seus elementos constitutivos não se restringem a emissores,
canais e receptores, mas são, como as multidões, pré-pessoais,
pré-individuais, verdadeiras hecceidades.
Como
potências que são, essas comunicações pós-midiáticas não
podem ser reduzida nem ao universo do possível nem de suas
atualizações. Sua lógica é diversa: segue o paradigma
ecosófico proposto por Félix Guattari em suas As Três ecologias.
Por Ecosofia, Guattari entende a articulação entre três
registros ecológicos - o do meio ambiente, o das relações
sociais e o da subjetividade humana - responsáveis pela
indicação de linhas de recomposição das práxis humanas
nos mais diversos domínios.
Um
desses domínios é precisamente o das comunicações.
Guattari afirma:
“A
mesure que les révolutions déterritorialisantes, liées au
développement des sciences, des thechniques et des arts,
balaient tout sur leur passage, une compulsion de
reterritorialisation subjective se mobilise. Et cet
antagonisme s´aggrave d´autant plus avec l´essor
prodigieux des machinismes communicationnels et
informatiques que ceux-ci focalisent leurs effects déterritorialisants
sur des facultes humaines commo la mémoire, la perception,
l’énentendement, l’imagination, etc. C´est une
certaine formule de fonctionnement anthropologique, une
certain modèle ancestral d´humanité qui se trouve ainsi
exproprié au coeur de lui-même. Et je pense que c´est
foute de pouvoir faire face, de façon convenable, à cette
mutation prodigieuse, que la subjectivité collective s´abandonne
à la vague absurde de conservatisme que nous connaissons
actuellement. Quant a savoir à quelles conditions il
deviendrait possible de faire baisser l´étiage de ces eaux
maléfiques et quel role pourraient jouer, à cette fin, les
îlots résiduels de voluntés libératrices émergeant
encore de ce déluge, c´est précisément la question qui
est sous-jacente à ma proposition de transition vers une ère
post-mass-média. Sans anteciper plus avant sur cette thématique,
je dirais qu´il m´apparaît que le jeu de bascule qui nous
a portes vers une reterritorialisation subjective
dangereusement retrograde pourrait s´inverser
spectaculairement le jour où s´affirmeraient de façon
suffisante de nuvelles pratiques sociales émancipatrices e
sutout des Agencements alternatifs de production subjectifs
capables de s´articuler, sur um mode différent de celui de
la reterritorialisation conservatrice, aux révolutions moléculaires
qui travaillent notre époque.[11]”
Essa
transição para uma era ‘pós-mass-media’, identificada
por Guattari, corresponde ao desafio estético-ético-político
de se produzir modalidades de reterritorializações
comprometidas com ‘novas práticas emancipatórias’.
Essa produção, no entanto, não é apenas uma tarefa de
indivíduos ou instituições particulares, ainda que suas ações
sejam fundamentais, mas de toda a ´multidão’. É nesta
perspectiva de multidão, incomensurável, que este artigo
tece suas amarras cuja realização depende de alguns
deslocamentos
referentes ao conceito de objeto de comunicação e da
identificação de elementos que possam facilitar a
compreensão dessas passagens (comunicações) diagramáticas
do virtual ao atual, para que o campo da comunicação também
se transforme em um dispositivo de revoluções moleculares
emancipadoras, capazes de resistir aos domínios do Império.
Bourdieu
defende a idéia de que os objetos científicos
são diferentes dos objetos sociais e que não basta
identificar um fato produzido pela sociedade para depois
refletir sobre ele. É preciso recriá-lo na esfera dos
processos de significação em que se inserem, ou, para citá-lo:
“O que conta é, na realidade, a construção do objeto, e
a eficácia de um método de pensar nunca se manifesta tão
bem como na sua capacidade de constituir objetos socialmente
insignificantes em objetos científicos ou, o que é o
mesmo, na sua capacidade de reconstruir cientificamente os
grandes objetos socialmente importantes, apreendendo-os de
um ângulo imprevisto”.
Isso
significa rejeitar a independência dos objetos em relação
às teorias que lhes dão forma e compreender que a produção
de novos signos é dependente, simultaneamente, da natureza
do objeto e do ponto de vista a partir do qual este objeto
possibilita a significação.
Tal
perspectiva implica o reconhecimento imediato de que o
objeto não é uma entidade autônoma, mas um híbrido que
contém também formas historicamente atribuídas a ele. São
essas formas que estabelecem os limites que identificam a
especificidade dos objetos, muitas vezes confundida com
autonomia. A singularidade constitui uma intensidade pré-individual,
pré-pessoal que pode
estabilizar-se como identidade, em dada circunstância e sob
certo ponto de vista; portanto, é de natureza instável e
sujeita a modificações. A
autonomia/identidade, ao contrário, designaria uma possível
forma a caracterizar um objeto entre outros na vida social.
Enquanto a identidade demandaria metodologias de pesquisa
empíricas, voltadas para o reconhecimento das formas atuais
dos objetos, a singularidade exige um trabalho de
reconhecimento das estratégias de produção que
estabilizaram determinadas formas, deixando outras tantas em
virtualidade, e de proposição de novas formas, possíveis,
articuláveis a partir de um dado ponto de vista.
A
esse processo de passagem do virtual ao atual Deleuze
denominou processo de atualização. Convém reiterar que o
virtual não é o mesmo que o possível. O possível é uma
categoria lógica inerente às formas atualizadas e age por
processos de realização, reconhecidos por Peirce como de
força bruta, Secundidade.
O virtual, ao contrário, possui ‘plena realidade por si
mesmo’ sem que, para isso, remeta à identidade e à
forma. Sua ação designa multiplicidades indiferentes a
partir das quais todos os existentes são produzidos
(Zeroidade). Este processo dá-se sempre por diferenciação:
“A
atualização rompe tanto com a semelhança como processo
quanto com a identidade como princípio. Nunca os termos
atuais se assemelham à virtualidade que eles atualizam: as
qualidades e as espécies não se assemelham às relações
diferenciais que elas encarnam; as partes não se assemelham
às singularidades que elas encarnam. A atualização, a
diferenciação, neste sentido, é sempre uma verdadeira
criação.[15]”
Assim,
porque são fundamentalmente os processos de atualização
que interessam às comunicações pós-midiáticas, o
problema da delimitação do objeto da comunicação não
pode ser resumida à identificação de um número
determinado de materiais a serem analisados, mas, ao contrário,
ele consiste em desenhar cartografias que demonstrem como as
potências virtuais estão construindo, incessantemente,
objetos atualizados. Esses objetos são enformados, em que
pese a determinação dos objetos dinâmicos a que
representam, também pela ação do representâmen
(fundamento do signo), ou seja, são as expressões dos
pontos de vista adotados, das teorias.
Cabe,
entretanto, ressaltar contra qualquer perspectiva
determinista, que a compreensão dessas teorias/ formas/
pontos de vista depende delas próprias, dos objetos a que dão
forma, das regras que os vinculam em dada circunstância e,
sobretudo, do sentido. Pensando em fins comunicacionais,
dir-se-ia que se realizam na sucessividade de usos que as
sociedades fazem deles.
Entre
os usos podem-se identificar aqueles que se estabilizaram,
que se institucionalizaram e aqueles que permaneceram em
dispersão, à espera de agenciamentos micropolíticos que
os atualizem. Como o que se quer compreender são os
elementos para uma teoria pós-midiática da comunicação,
estabeleceu-se como foco as pontes diagramáticas entre o
universo virtual do sentido e o universo atual dos signos e
os modos como determinadas formulações que não se
atualizaram em instituições, normas ou leis afetaram essas
instituições, normas e leis, e que tipo de regime de
signos se podem abduzir dessas formulações em dispersão.
Em
A paixão segundo GH,
Clarice Lispector coloca essa questão, criando formas literárias
que a configuram:
“Vou
agora te contar como entrei no inexpressivo que sempre foi a
minha busca cega e secreta. De como entrei naquilo que
existe entre o número um e o número dois, de como vi a
linha de mistério e fogo, e que é a linha sub-reptícia.
Entre duas notas de música existe uma nota, entre dois
fatos existe um fato, entre dois grãos de areia por mais
juntos que estejam existe um intervalo de espaço, existe um
sentir que é entre o sentir. Nos interstícios da matéria
primordial ainda está a linha de mistério e fogo que é a
respiração do mundo, e a respiração contínua do mundo
é aquilo que ouvimos e chamamos de silêncio."
Ora,
se é possível, literariamente, reconhecer que subsistem
sentidos entre códigos reconhecíveis, e que tais sentidos
participam dos jogos comunicativos além da idéia do
‘tornar comum’, então parece óbvia a pertinência de
se pensar a comunicação também como sentido, e não
apenas como significação, manifestação ou designação.
Evidenciam-se,
então, os mecanismos que permitem ao representâmen dar
formas e, portanto, constituir o objeto
que, por sua vez, determinará, incessantemente, signos mais
desenvolvidos que o representarão.
As
teorias ocupam, assim, duas funções não redutíveis uma
à outra. A primeira consiste em configurar o ponto de vista
a partir do qual o objeto está sendo construído. Tal função
corresponde aos processos de formulação de formas, dos
quais também participam agenciamentos de outras ordens,
como os tecnológicos, por exemplo. Peirce afirma que
“também os grandes marcos na história da ciência devem
ser colocados em pontos onde novos instrumentos ou outros
meios de observação são introduzidos”. Nessa perspectiva, ao
dar forma ao objeto, sob certo ponto de vista, a teoria
identifica-se com o próprio objeto. Ela não lhe é
exterior e, portanto, o constitui. Sua relevância seria,
então, proporcional à importância dos signos que foi
capaz de provocar a partir de sua relação com o objeto a
ser representado.
A
segunda função da teoria, comumente aceita, a associa a
uma construção capaz de explicar, através de modelos, os
objetos, ou seja, na perspectiva que aqui se adota, capaz de
explicar as leis que relacionam os pontos de vista (1a
função da teoria) e os objetos que representam. Essa
segunda função – que se poderia denominar função
interpretante – em relação ao seu objeto, o constitui
como lei e, nesse âmbito, não estaria apta a produzir
diversidades, uma vez que uma “lei prescreve resultados
iguais para circunstâncias iguais”.
Essa teoria só estaria apta a compreender a diversidade
quando transformada em objeto de uma nova semiose a ser
desenvolvida sob um novo ponto de vista (1a função)
capaz de produzir, conseqüentemente, novos signos
interpretantes. É o conjunto dessas cadeias de
interpretantes que expressam o sentido e que constituem
comunicação.
Aqui,
a idéia de conjunto parece fundamental na medida em que
torna rizomáticas as comunicações que, antes, reféns da
idéia de semiose – seja em seu caráter linear ou
multidirecional -, construía uma cadeia de interpretantes
que na perspectiva linear poderia ser identificada com o
livro-raiz ou na perspectiva multidirecional com o
sistema-radícula, ou raiz fasciculada.
Agora
já se podem entrever os problemas advindos da redução da
primeira função da teoria à segunda, ou seja, da redução
da possibilidade de criação de novas formas e, portanto,
de novos objetos, às leis e aos modelos que caracterizam a
segunda função. O que se perde, fundamentalmente, com tal
redução é a possibilidade de tornar visível a
diversidade. Diz Peirce: “toda esta diversidade exuberante
da natureza não pode ser o resultado de lei. Portanto, o
que é espontaneidade? É a condição de não resultar de
acordo com a lei de alguma coisa antecedente”.
Assim,
a primeira e a segunda funções surgem como complementares
e necessárias uma à outra para que haja processos
comunicativos e, ambas, constituem o objeto. Portanto, uma
análise dos objetos, nessa perspectiva, comporta três
fatores indissociáveis - o ponto de vista, a designação
do objeto e seu sistema de regras de vinculação – e um
fator primordial que constitui o plano de imanência virtual
no qual todos os demais fatores se produzirão. Até agora,
buscou-se compreender o ponto de vista e as regras de
vinculação, deixando o objeto designado em suspenso, já
que ele fomentaria basicamente, mas não exclusivamente,
testes indutivos. Sem conhecer o ponto de vista não se
estaria apto a selecionar, abdutivamente, formas espontâneas
capazes de configurar e, por que não dizer, criar os
objetos; sem conhecer o sistema de regras de vinculação não
se estaria apto a, por dedução, compreender criticamente o
regime de signos em que estão enclausurados os
objetos-signos. Das relações entre esses três fatores se
poderiam selecionar elementos úteis a uma teoria pós-midiática
da comunicação que, ancorada sobre um plano virtual de
imanência, permitisse entrever regimes de signos
alternativos.
Este
trabalho de deslocamento, que nesta artigo passa pela
reconfiguração do que se convencionou denominar objeto da
comunicação, procura, inicialmente, dialogar com alguns
empreendimentos semelhantes. A idéia de que a comunicação
não é uma disciplina, mas uma máquina de “construir
Universais em todas as disciplinas”[22]
constitui, simultaneamente, (1) o território sobre o qual
convergirão as críticas mais consistentes às práticas
comunicativas e às suas teorias e (2) a expressão da
clausura a que está confinada a comunicação.
A
compreensão deleuzeana da comunicação como construtora de
universais apresenta-se oportuna quanto ao enfoque crítico,
mas parece concorrer para que fiquem mais acentuados os
limites da clausura. A proposta aqui é colocar toda a máquina
deleuziana contra a afirmação também deleuziana referente
à comunicação, para que o universo dos estudos
comunicativos incorporem os devires como objetos seus
quebrando, assim, o caráter violento que caracteriza o ato
comunicativo
.
Colocar
a máquina deleuziana contra tal afirmativa implica operar
deslocamentos no próprio conceito de comunicação, para
que outras práticas sejam possíveis. Ao se rejeitar a idéia
de identificar a comunicação exclusivamente com o que se
‘torna comum’, por considerar tal definição redutora
na medida em que prioriza o estudo daquilo o que já é código
em detrimento dos trabalhos de produção de signo/sentidos,
pode-se apropriar de uma idéia desenvolvida por Ione Bentz,
no artigo Sentido e comunicação: elementos para a leitura dos fatos de cultura
em que a comunicação aparece explicada a partir da “metáfora
de um signo cuja referencialidade não se terminou de
construir”. Uma vantagem de tal definição está,
justamente, no deslocamento dos estudos dos códigos e
estereótipos para as processualidades do trabalho de produção
que, em síntese, contemplam o estudo dos dispositivos
necessários, e também daqueles selecionados, à/ pela
comunicação e, simultaneamente, identificam nestes fazeres
o fazer comunicativo.
Outra
vantagem é decorrente dessa recusa de se tomar as
referencialidade e, portanto, a estabilidade dos sentidos
expressos em códigos e, mesmo, encerrados por esses códigos,
como o objeto da comunicação. Entende-se, aqui, que essa
perspectiva referida, em sua radicalidade, concebe a
referencialidade estabilizada como a morte da comunicação.
E é dessas estabilidades, das matérias dessa morte
expressas pelos estereótipos, pelas regulações
normativas, que vivem os discursos sobre a comunicação,
sobre os entendimentos, sobre os acordos, sobre as coerências,
sobre as domesticações. Essas características, em uma
perspectiva pós-midiática, não seriam generalizáveis; ao
contrário, seriam circunscritas a um determinado regime de
signos, ainda hegemônico: o regime significante do sigo.
A perspectiva aqui defendida quer discutir a comunicação
como trabalho de construção de referencialidades, o que
permite pensar que há diferentes trabalhos e diferentes vínculos
construídos pelas sociedades e que não todos os trabalhos
produziram referencialidades enunciáveis e não todos os vínculos
experimentados se institucionalizaram. Dessas
referencialidades e dessas institucionalizações restaram
sobras que constituem índices de outros regimes de signos
articuláveis em diagramas ainda não descritos, mas imagináveis.
Ao
afirmar que “os processos comunicativos estão intimamente
relacionados com a constituição de uma esfera pública”,
em que “o jogo das interações sociais e o movimento dos
atores ganham visibilidade” seguindo determinações
institucionais,
Adriano Rodrigues reconhece como objetos da comunicação os
vínculos sociais. Tais vínculos são identificados,
elaborados, deslocados e restituídos segundo não a ordem
do campo em que estavam inscritos como ‘acontecimento’,
mas segundo a ordem que caracteriza o ‘campo dos media’
- com suas estéticas, com suas éticas e com suas semióticas
-, cuja natureza híbrida é resultado dos valores de mediação
entre os outros campos sociais.
Tal
resultado constitui o que se convencionou chamar de ‘mundo
comum’, uma espécie de média entre campos instauradora
dos consensos e das condições de comunicabilidade.
Não são, entretanto, apenas dessas condições responsáveis
pela articulação de discursos sociais universalizáveis em
tese (e como utopia) que
se quer falar, mas, também, e principalmente, dos
mecanismos que engendram tal campo como ação micropolítica.
Esses
mecanismos são explicados por Adriano Rodrigues a partir de
uma analogia com as estratégias militares, responsáveis,
ambas – as estratégias militares e as estratégias midiáticas
– pela criação de uma gigantesca máquina de fabricação
de efeitos especiais e de desrealização. Tal mecanismo
hiper-realizado constrói modelos de significação fechados
sobre si mesmos e impermeáveis a qualquer sentido
referencial, caracterizando a sideração.
Ora,
pela natureza híbrida do campo da comunicação,
poder-se-ia pensar, como Adriano Rodrigues, que “a pretensão
à universalidade e à formação de consensos aproxima o
campo dos media e o campo científico”
ao mesmo tempo em que os distancia justamente pelos critérios
de transparência e publicidade, próprios das mídias, e de
rigor e adequação ao real, próprios da ciência. Nessa
perspectiva, uma elaboração teórico-metodológica
respeitaria a existência de um real descritível
(ideologicamente?) pela ciência. A separação ciência –
mídia permitiria estabelecer critérios científicos
capazes de contribuir para uma crítica dos processos midiáticos
em sideração. O problema de tal perspectiva, segundo
Barthes,
é que o objeto libertado seria também destruído.
Outra
perspectiva seria reconhecer a impenetrabilidade desse real
extrínseco e construir um ponto de vista teórico
delirante, capaz de fazer siderar a sideração. Tal ponto
de vista – excluindo-se os procedimentos ingênuos que
fazem das teorias uma analogia dos processos midiáticos que
caracterizam o ‘campo dos media’ – construiria sua crítica
na lógica dos interpretantes, ou seja, permitiria que se
compreendesse o funcionamento dos objeto-signos
simultaneamente a
partir dos hábitos interpretativos ensejados por esses
mesmos objetos e pelo conjunto de saberes disponíveis. Se,
então, as operações do ‘campo dos media’ são
preponderantemente caracterizadas pela sideração, o ponto
de vista teórico-crítico que se quer produzir precisa
fazer a meta-sideração. O problema de tal perspectiva que
compreende a teoria como criação (poética?)
é que ela produz um interpretante imediato mistificado, um
interpretante dinâmico irremediavelmente afetado pelas
operações-siderações que caracterizam seu objeto e um
interpretante final crítico, cuja característica
fundamental diante da clausura do regime de signos midiático
tem sido o sarcasmo. Nada, entretanto, garante que o
desenvolvimento de tal semiose esteja de acordo com os parâmetros
de uma estética ajuizadora tal como preconizada por Max
Bense, ou seja, de acordo com um procedimento que leve em
conta as possibilidades repertoriais virtuais que um dado
objeto enseja.
Pelo contrário, tal semiose tem-se caracterizado pela não
observação das sobras que essas mesmas semioses
mistificadoras produzem como testemunho de sua incompletude.
Um
exemplo desse interpretante sarcástico pode ser encontrado
no manifesto A religião
do capital
escrito por Paul Lafargue em 1886 como uma sátira às
religiões. Nesse manifesto, Lafargue, para desenvolver
alguns temas da economia marxista, cria um novo credo e um
novo deus: o Deus-Capital, capaz de congregar diferentes
Estados e diferentes religiões na mesma crença desde cerca
de 1500. O tom cáustico que caracteriza toda a sua escrita
é expresso, principalmente, quando descreve o sermão da
cortesã. Lá, as cortesãs aparecem, em três contextos
diferentes. No contexto das sociedades primitivas, elas eram
deificadas, porque simbolizavam a força da natureza que
cria e destrói. No contexto das sociedades morais regidas
por diferentes religiões, elas eram insultadas por
“corromper a juventude em flor e por macular os cabelos
brancos da velhice”.
Agora, no contexto regido pelo mais universal dos deuses, o
Deus-Capital, ela ocupa um lugar mais elevado: “ela vende
o amor, tal como o merceeiro vende o sabão e a vela, tal
como o poeta vende o ideal”.
O sarcasmo pode ser ainda melhor identificado na seguinte
passagem:
“A
cortesã, que possui a graça eficaz do Deus-Capital, [...]
envolve a sua alma em um gelo polar que nenhum fogo de paixão
amorosa funde; porque desgraçada, três vezes desgraçada a
Dama das Camélias que se dá e não se vende. [...] A
cortesã furta aqueles que a compram; obriga-os a pagar pelo
peso do ouro o prazer de amor que trazem neles. E porque,
quando vende o amor, a mercadoria vendida não existe, o
nosso Deus-Capital, para quem o roubo e a falsificação são
as primeiras virtudes teologais, abençoa a cortesã.”
Mulheres
que me escutais, revelei-vos o mistério da enigmática
frieza da cortesã, da cortesã marmórea, que convida toda
a classe dos eleitos do capital para o banquete do seu corpo
e lhes diz: ‘Tomai, comei e bebei, isto é a minha carne e
isto é o meu sangue’.”[35]
A
produção de um interpretante sarcástico metaforizando os
procedimentos capitalistas tornou o Manifesto A religião do capital um instrumento de propaganda das idéias
marxistas, o que permite reconhecer os limites e a
oportunidade de tal procedimento teórico-crítico. Os
limites poderiam ser descritos pela primeira perspectiva
aqui apontada, que separa ciência e mídia, e as
oportunidades pelas próprias características do ‘campo
dos media’ apontadas por Adriano Rodrigues de certa
informalidade e de menor estabilidade, se comparadas às
características de outros campos sociais, regidas pelo
princípio da dessacralização. Ora, tal princípio não
confere aprioristicamente primazia a qualquer forma de
saber, nem mesmo aos saberes científicos. Pelo contrário,
dessacraliza os dogmas religiosos, mas também os científicos.
O procedimento dessa dessacralização pode estar
configurado simplesmente como uma espécie de propaganda política
simplificada e divertida para não iniciados, conforme
atesta a nota introdutória do manifesto, mas, também, e
sobretudo, como um interpretante sarcástico que se tem
transformado em objeto de outras tantas semioses que vêm
construindo uma espécie diferente de crítica. Diria que à
primeira perspectiva corresponderiam, em geral, as críticas
tradicionais próprias dos campos sociais instituídos e, à
segunda, as críticas nascidas nesse campo genuinamente
moderno que é o ‘campo dos media’. O sarcasmo e as
obras de arte seriam, então, modalidades dos fazeres críticos
próprios dessa modernidade midiática concernentes às
estratégias de mediação.
O
projeto de um paradigma ecosófico (ético-político), capaz
de cuidar bem da proliferação dos signos criando uma
articulação necessária entre ética e lógica do sentido,
vê-se comprometido com a superação dessas duas
encruzilhadas identificadas por Roland Barthes –
ideologizar ou poetizar. Diz Barthes:
“[...]
hoje em dia, pelo menos por enquanto, só existe uma escolha
possível, e essa escolha só pode incidir sobre dois métodos,
igualmente excessivos: ou estabelecer a existência de um
real inteiramente permeável à história, e
‘ideologizar’; ou, pelo contrário, estabelecer a existência
de um real finalmente impenetrável, irredutível e, nesse
caso, poetizar. Resumindo, não vejo ainda nenhuma síntese
entre a ideologia e a poesia (entendendo por poesia, numa
concepção muito lata, a procura do sentido inalienável
das coisas).
É,
sem dúvida, na exata medida de nossa atual alienação, que
não conseguimos ultrapassar uma apreensão instável do
real: vogamos incessantemente entre o objeto e sua
desmistificação, incapazes de lhe conferir uma totalidade:
pois, se penetrarmos o objeto, libertamo-lo, mas destruímo-lo;
e, se lhe deixamos o seu peso, respeitamo-lo, mas
devolvemo-lo ainda mistificado”[36].
Os
dois métodos barthesianos parecem comprometidos, nesta fase
de suas pesquisas, com uma concepção de real associado ao
‘estado de coisas’ parametrada
pelos regimes significantes dos signos, de um lado, e
das formas do corpo, de outro. Uma perspectiva ecosófica
necessariamente rompe com esta perspectiva lógica das
designações e estabelece uma outra relação entre dois
planos – o do ser unívoco, de um lado, e o dos corpos e
linguagens que vão se formando e se diferenciando, de
outro, ou, em outros termos, entre o virtual e o que vai se
atualizando por diferenciação,
entre o plano de imanência e os planos de referência.
Embora
este artigo não seja de filosofia, razão pela qual não se
vai discutir epistemologicamente os fundamentos da
univocidade do ser apresentados por Deleuze em Diferença
e repetição, precisam-se recuperar alguns desses
fundamentos a fim de que se compreenda que tipo de
rompimento é necessário se se quiser reivindicar uma
abordagem pós-midiática para os estudos de comunicação.
A univocidade do ser corresponde à concepção deleuzeana
de real;
portanto, com esta configuração, pode-se superar o dilema
barthesiano. O real não está nos objetos designados e suas
representações, mas constitui uma instância anterior,
imanente, que forma, por processos de diferenciação tanto
os corpos quanto as linguagens. A natureza deste uno,
deve-se salientar, não é a identidade, mas a
multiplicidade. Inspirado em Nietzsche, Deleuze argumenta:
“O
eterno retorno não pode significar o retorno do idêntico,
pois ele supõe, ao contrário, um mundo (o da vontade de
potência) em que todas as vontades prévias são abolidas e
dissolvidas. Retornar é o ser, mas somente o ser do devir.
O eterno retorno não faz o ‘mesmo’ retornar, mas o
retornar constitui o único Mesmo do que devém. Retornar é
o devir-idêntico do próprio devir. Retornar é, pois, a única
identidade, mas a identidade como potência segunda, a
identidade da diferença, o idêntico que se diz do
diferente, que gira em torno do diferente. Tal identidade,
produzida pela diferença, é determinada como ‘repetição’.[40]”
A
relação de atualização, que se constitui neste artigo
como um problema a ser considerado pelo campo da comunicação,
reconfigura o dilema barthesiano ao romper com seu sistema
semiológico e ao propor uma alternativa: a de que se
considerem, para além das palavras e das coisas, todos os
agenciamentos que as formam tal qual atualmente são
conhecidas. Alguns desses elementos reivindicam a pertinência
de uma ação micropolítica no campo da comunicação que
se constitua como um possível front de desordem em relação ao Império.
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SILVA,
Alexandre Rocha da. A
dispersão na semiótica das minorias. São Leopoldo:
Unisinos, 2001.
Trabalho apresentado no VII Congreso Latinoamericano de
Ciências de la Comunicación (ALAIC)
[2]
Professor e pesquisador na Universidade do Vale do Rio
dos Sinos (UNISINOS) e no Instituto Superior Luterano de
Educação de Santa Catarina (IELUSC), com doutorado em
Ciências da Comunicação, Mestrado em Semiótica e
Graduação em Jornalismo. Autor do livro A dispersão na semiótica das minorias, atualmente desenvolve a
pesquisa Devires
minoritários na construção midiática de brasilidades
e participa do Diretório de Pesquisa do CNPq Micropolíticas
das mídias como devires de cultura.
alers@terra.com.br
[3]
HARDT, Michael e NEGRI, Antônio. Império.
Rio de Janeiro: Record, 2001.
[4]
HARDT, Michael e NEGRI; Antônio. Império.
Rio de Janeiro: Record, 2001, p. 11.
[5]
HARDT, Michael e NEGRI; Antônio. Império.
Rio de Janeiro: Record, 2001, p. 12.
[6]
FUKUYAMA, Francis. O fim da história e o último homem.
In:
FUKUYAMA, Francis et all. A
experiência do século.
Porto Alegre: Palmarinca, 1992.
[7]
HARDT, Michael e NEGRI; Antônio. Império.
Rio de Janeiro: Record, 2001, p. 378.
[8]
HARDT, Michael e NEGRI; Antônio. Império.
Rio de Janeiro: Record, 2001, p. 382.
[9]
Deleuze e Guattari definem hecceidade como individuações
sem sujeito.
[10]
GUATTARI, Félix. As três ecologias. Campinas, SP: Papirus, 1990.
[11]
GUATTARI, Félix. Cartographies
schizoanalytiques. Paris: Éditions Galilée, 1989, p.
54-5.
[12]
A realização não depende apenas destes elementos
identificados. Algumas práticas de rádios-livres, por
exemplo, contribuíram com este projeto, conforme descrição
de Guattari em Cartografias
do desejo (GUATTARI, Félix; ROLNIK, Suely. Micropolíticas:
cartografias do desejo. 6ª ed. Petrópolis: Vozes,
2000). Esta tese, no entanto, ainda que não ignore a
importância de tais atividades, priorizou uma discussão
de caráter teórico-metodológico, razão pela qual não
há análise exaustiva de materiais.
[13]
BOURDIEU, Pierre. O poder simbólico. Rio de Janeiro: Bertrand, 1989, p. 20.
[14]
As definições de Primeiridade, Secundidade,
Terceiridade e Zeroidade serão apresentadas no capítulo
4.
[15]
DELEUZE, Gilles. Diferença e repetição. Rio de Janeiro: Graal, 1988, p. 340.
[16]
Essas três relações que estabelecem o círculo das
proposições são analisadas por Deleuze em Lógica do sentido (1998).
[17]
Tal constituição dá-se em relação, não como
determinação.
[18]
PEIRCE, Collected
papers, pár.102
[19]
PEIRCE, collected
papers, pár. 161
[20]
Em Mil platôs,
Deleuze e Guattari criticam tanto os modelos lineares de
produção de signos, explicados como metáfora de uma
árvore e realizados como representações que se fundam
a partir de uma unidade principal, quanto os modelos
multidirecionais que, mesmo apagando a unidade que os
articulava para que se enxertem múltiplas raízes
secundárias, ainda preservam uma unidade passada ou a
ser criada, para defender a perspectiva rizomática;
esta, fundada nos princípios de conexão,
heterogeneidade, multiplicidade, ruptura, cartografia e
decalcomania. Para os autores, “um rizoma não começa
nem conclui, ele se encontra sempre no meio, entre as
coisas, inter-ser, intermezzo.
A árvore é filiação, mas o rizoma é aliança,
unicamente aliança” ( (DELEUZE, Gilles e GUATTARI, Félix.
Mil platôs:
capitalismo e esquizofrenia. Vol. 1. Rio de Janeiro:
Nova Fronteira, 1996).
[21]
PEIRCE, Collected
papers, pár. 161
[22]
DELEUZE, Gilles; GUATTARI, Félix. O
que é a filosofia. Rio de
Janeiro: Ed. 34, 1992, p. 15.
[23]
Conforme DELEUZE, Gilles; GUATTARI, Félix. Mil
platôs. Vol 2. Rio de Janeiro: Ed. 34, 1995, p.
11-2.
[24]
BENTZ, Ione M. G. Sentido e
comunicação: elementos para a leitura dos fatos de
cultura. Temas de
semiótica e comunicação. Verso
e reverso: Revista da comunicação, ano XI, no
23, p. 87-97. 1997.
[25]
RODRIGUES, Adriano Duarte. Estratégias da comunicação:
questão comunicacional e formas de sociabilidade.
Lisboa: Presença, 1990, p. 141.
[26]
MORIN, Edgar. Cultura de massas no século XX: o espírito
do tempo – Neurose. 8ª ed. Rio de janeiro: Forense,
1990, p. 48-53.
[27]
Adriano Rodrigues fala em estratégias mediáticas, para
estabelecer diferenças entre meio (media) e suportes (mídias).
Nesta tese, utiliza-se a palavra mídia designando meio
e suportes, uma vez que suas especificações –
suportes – constituem diferenças em uma ordem atual.
As diferenças que são relevantes a uma comunicação pós-midiática
são aquelas estabelecidas pelo processo que vai do
virtual ao atual (atualização).
[28]
RODRIGUES, Adriano Duarte. Estratégias da comunicação:
questão comunicacional e formas de sociabilidade.
Lisboa: Presença, 1990, p. 155.
[29]
BARTHES, Roland. Mitologias. 11ª ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2001, p. 178.
[30]
BARTHES, Roland. Mitologias. 11ª ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2001, p. 178.
[31]
BENSE, Max. Pequena estética. São Paulo: Perspectiva, 1971, p. 20.
[32]
LAFARGUE, Paul. A religião do capital. 3a ed. São Paulo: Kairós, 1983.
[33]
LAFARGUE, Paul. A religião do capital. 3a ed. São Paulo: Kairós, 1983,
p. 74.
[34]
LAFARGUE, Paul. A religião do capital. 3a ed. São Paulo: Kairós, 1983,
p. 77.
[35]
LAFARGUE, Paul. A religião do capital. 3a ed. São Paulo: Kairós,
1983,p. 78.
[36]
BARTHES, Roland. Mitologias. 11ª ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2001, p. 178.
[37]
DELEUZE, Gilles. Diferença e repetição. Rio de Janeiro: Graal, 1988.
[38]
DELEUZE, Gilles; GUATTARI, Félix. O
que é a filosofia. Rio de Janeiro: Ed. 34, 1992.
[39]
BADIOU, Alain. Deleuze: o clamor do ser. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1997.
[40]
DELEUZE, Gilles. Diferença e repetição. Rio de Janeiro: Graal, 1988, p. 83.
[41]
HARDT, Michael e NEGRI, Antônio. Império.
Rio de Janeiro: Record, 2001.
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