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O
jornalismo visto através da pesquisa
Denise
Tavares[1]
PUC-Campinas
Resumo:
Este artigo pretende discutir alguns caminhos e reflexões
que envolvem a prática da pesquisa em jornalismo em seu
primeiro momento, ou seja, na graduação. Para tanto, além
da bibliografia relacionada ao tema, considera depoimentos e
colocações de um corpo discente específico – alunos que
cursaram a disciplina pesquisa aplicada, no primeiro
semestre de 2004, no curso noturno - que trazem à tona
inquietações e descobertas destes futuros jornalistas, ao
se confrontarem com o desafio de produzir uma monografia.
Palavras-chaves:
jornalismo; pesquisa em jornalismo; ensino em jornalismo
Introdução:
Com
uma insistência que logo revelou-se em sua melhor face –
ou seja, persistência, seriedade, vontade de dar o melhor
de si – Joana Fernandes[2]
solicitava, mais uma vez, que a professora tornasse a
explicar o que estava equivocado no projeto de pesquisa
proposto pelo seu grupo pois, apesar de tudo o que havia
sido colocado, ainda não se sentia segura para ir à campo.
Era difícil para ela, e também para o restante da classe,
aceitar que, sem um objeto claro de pesquisa, não se
poderia dar o passo seguinte. Este é, sem dúvida, um dos
primeiros desafios para os futuros jornalistas: por que se
deve “cercar” tanto algo aparentemente tão mínimo,
quando se está acostumado às macro-análises, aos debates
cujos temas são gerais e amplos?
Ministrada
pelo segundo ano na Faculdade de Jornalismo da Puccamp, pois
faz parte do novo currículo cuja primeira turma forma-se
agora, em 2004, a disciplina “Pesquisa Aplicada em
Jornalismo” foi definida como segunda etapa de um processo
iniciado anteriormente com a disciplina “Pesquisa em
Jornalismo”. Modulada em 1/30 – ou seja, um professor
para cada 30 alunos -, tem como ementa o desenvolvimento de
pesquisa realizada em grupo (máximo de 4 alunos), que deve
resultar em uma monografia sobre o tema escolhido e, também,
na produção de um memorial por aluno. Está localizada no
5º semestre (o curso tem oito semestres). Tais especificações
procuram ser o mais adequadas possíveis à realidade de um
curso oferecido por uma instituição particular, como é a
Puccamp. (Por exemplo, o fato de boa parte dos alunos
trabalharem, especialmente os alunos do curso noturno).
O
quadro resumido acima, portanto, já indica uma seqüência
de desafios a serem vencidos: projeto desenvolvido em grupo;
alunos com pouca disponibilidade de tempo em horário
comercial; produção de monografia, ou seja, de texto científico;
etc. Mas, o principal desafio é o aluno compreender o papel
desta disciplina na sua formação. E, compreender, aqui,
deve ser entendido como percepção de que os caminhos
percorridos durante o semestre significarão acréscimo
pessoal, descoberta de novos horizontes de atuação, reflexão
sobre os conhecimentos que têm tanto do jornalismo como da
comunicação e, por último, localização individual no
caudaloso rio de sua existência enquanto futuro jornalista,
no sentido de se perceber enquanto alguém que pensa
criticamente o atual estágio das mídias e seu papel na
sociedade.
Todas
estas reflexões, para jovens cuja média de idade é 20
anos, não são simples. E é justamente por sua
complexidade que se procurou registrar através deste
artigo, mesmo que brevemente, o que significou estar no
papel de orientadora destes alunos, cujos questionamentos
diretos foram proporcionais ao empenho com que se dedicaram
aos objetivos da disciplina. Assim, apesar dos resultados
desiguais de cada monografia – absolutamente coerentes,
tanto pelas dificuldades diferenciadas que cada tema de
pesquisa coloca, quanto pelas qualificações, também
diferenciadas, de cada grupo – o que se pretende com este
trabalho é compartilhar este percurso – reconhecendo-se,
claro, sua singularidade e os limites decorrentes desta –
trazendo à tona, especialmente, as vozes dos alunos e as
indagações e primeiras respostas encontradas diante do que
era colocado.
1.
O desafio do objeto e do recorte da pesquisa
...Cultura
era muito amplo. Tínhamos que definir uma linha de raciocínio
e essa parte foi difícil. Demorou cerca de um mês até que
tudo ficasse esclarecido. Mas, surge o objeto de estudo: os
grupos de teatro de Campinas e o enfoque que o Caderno C dá
para esses grupos. Pronto. Pronto? Pronto nada! Esse era
apenas o começo. Realizamos uma intensa pesquisa na
biblioteca da Puc o que, por sinal, me rendeu uma série de
multas por ficar mais que o tempo estipulado com os
livros...(Thaís
Castilho)[3]
A
especificidade da pesquisa em Comunicação, já tão bem
demarcada pela professora Maria Immacolata em uma das
obras-base deste campo do conhecimento[4],
é um dos caminhos para se estabelecer o diálogo com estes
jovens que escolhem a profissão de jornalistas sem, claro,
neste momento de escolha, compreenderem o papel da pesquisa
no mundo acadêmico. Este foi o ponto de partida que moveu a
autora deste artigo, quando se dispôs a participar de um
processo seletivo para a disciplina “Pesquisa Aplicada em
Jornalismo”. (Nele, também está incluído, claro,
afinidade pessoal e profissional). Portanto, a conversa
inicial resgatou Lopes:
A
primeira questão dez respeito ao esclarecimento conceitual
de Comunicação. A palavra “comunicação” costuma ser
empregada tanto para indicar uma disciplina ou estudo, a
Comunicação, quanto o seu objeto de estudo, a comunicação.
A ambigüidade da palavra não deve obscurecer o fato de a
Comunicação ter sido constituída como um campo de estudos
que progressivamente se autonomiza dentro da grande área de
conhecimento que são as Ciências Sociais e Humanas. Isto
porque progressivamente tem demonstrado a especificidade
intrínseca de seu objeto – os fenômenos comunicacionais
da sociedade atual. (Lopes: 1990, p.11)
A
partir, então, desta primeira discussão, que desdobrou-se
em “especificidade do jornalismo”, já que a disciplina
tem este foco, procurou-se recuperar os objetos de pesquisa
que deveriam já ter sido delimitados na disciplina cursada
no quarto semestre, como já colocado anteriormente. No
entanto, este “resgate” não ocorreu como previsto pois
o sistema curricular, em módulos, não permitiu que os
grupos fossem mantidos. Esta alteração, se em um primeiro
momento assustou os alunos, logo se configurou como uma
ampliação de possibilidades. Ou seja, passada a desconfiança
inicial, os integrantes de cada grupo começaram a perceber
que definir um novo objeto, tendo agora um domínio maior
dos referenciais teóricos que implicam este início de
pesquisa, seria muito mais simples e permitiria maiores vôos
do que o realizado no semestre anterior.
Mas,
ao mesmo tempo, os alunos tinham claro suas deficiências
– ou, quem sabe, melhor dizer, inseguranças – em relação
ao desenvolvimento da pesquisa. Primeiro, porque o limite de
tempo impunha, de pronto, a não inclusão de pesquisa de
recepção – vista, muitas vezes, como uma “muleta”
capaz de solucionar os impasses que circundam a reflexão
pautada “apenas” em revisão bibliográfica e em análise
de produto. Além disso, como também foi destacado por
Lopes (op. cit. p.35), a atualização dos paradigmas teóricos
em comunicação, extensivo ao jornalismo, não pode ser
visto como uma tarefa simples ao aluno de graduação cuja
grade curricular concentra em apenas um semestre a
disciplina “Teoria da Comunicação”, que é o elo
imediato ele estabelece, quando se fala de “referencial teórico”.
O
trabalho teve início com a busca de informações sobre o
assunto e a partir da delimitação do objeto de pesquisa
passamos a procurar as bibliografias para os fichamentos.
Foi um tanto quanto complicado nos vermos envolvidos com
autores que nunca tínhamos ouvido falar. Por outro lado,
era a oportunidade de retomar outros nomes ligados à
academia que já tinham sido estudados em momentos
anteriores. (Lucas Alves)[5]
Considerando,
então, mais esta dificuldade, acentuada pela fragmentação
já tão detectada nos atuais processos de educação e
formação de quaisquer profissão – e o jornalismo parece
não escapar disso – o que se procurou fazer foi
concentrar na etapa da definição do objeto de pesquisa,
sumário e texto da introdução de cada monografia, a maior
carga de discussão sobre as macros questões que envolviam
cada objeto, e, ainda, a relação que tal processo de
pesquisa provocava, no sentido de se redescobrir, de forma
clara, os posicionamentos individuais quando diante do vasto
campo teórico que envolve a Comunicação Social e o
Jornalismo.
O
processo foi exaustivo: Fizemos a introdução com muito
custo, depois a fizemos outra vez, então a refizemos e,
“trefizemos”, até que estressamos. Depois da quase
desistência, finalmente conseguimos...[6]
Mas todos conseguiram. Nesta altura, o nível da discussão
era outro. Já vislumbrando (e desejando) ir à campo, os
alunos buscavam discutir um dos maiores desafios para o
pesquisador: definir a metodologia. De novo, a base veio de
Lopes, acrescida agora da revisão bibliográfica realizada
em torno da sempre assustadora “Teoria da Comunicação”.
Um momento que também permitiu os primeiros “insights”
em relação à futura profissão: questionamentos éticos,
limites profissionais, clareza na formulação crítica dos
objetos escolhidos, etc.
Enfim,
a abertura a novos temas resultou nas seguintes escolhas:
Fotojornalismo nos dois jornais diários de Campinas –
Correio Popular e Diário do Povo (que, na verdade,
pertencem a um único grupo econômico); divulgação dos
grupos de teatro da cidade no Caderno C, do jornal Correio
Popular; a charge na imprensa sindical, destacando o
chargista Ubiratan Dantas, o Bira; análise do Lazer de
Corpo & Arte, revista quinzenal produzida pela
Secretaria Municipal de Cultura, Esportes e Turismo de
Campinas; análise das matérias publicadas pela revista
Veja, sobre os programas de auditório do Ratinho, Gugu e
Faustão e análise do Jornal da Cultura, da TV Cultura.
2. Em campo
Aí
veio a parte mais gostosa. Eu parei de me preocupara com
livros, definições, teorias e parti para a investigação.
Como eu e a Thaís trabalhamos juntas neste projeto, exceto
algumas vezes, a nossa maior preocupação, no início, foi
a de conseguir pesquisar nos arquivos do Correio... Com a
pesquisa nos arquivos ficou fácil perceber que, muito mais
do que imaginávamos, a quantidade de matérias sobre os
espetáculos de teatro da região, era insuficiente para
cobrir tudo o que se produzia. A confirmação foi ainda
maior quando, ao pesquisar os grupos de teatro, percebi,
junto com os demais integrantes, a riqueza cultural e artística
do teatro na região de Campinas. (Joana Fernandes)[7].
O texto
apaixonado de Joana, reproduzido acima, deve ser considerado
revelador do estado de ânimo e disposição do grupo.
Vencido o desafio de se localizar em relação ao “o que
é pesquisar”, o grupo aliou a paixão que têm pelo tema
– teatro – à clareza que tinham em como o trabalho
seria desenvolvido. Como este grupo, também os alunos que
escolheram fotojornalismo e o Jornal da Cultura, caminhavam
neste momento com bastante segurança, seguindo,
pontualmente, o cronograma. Mas, os outros três grupos, por
motivos distintos, não conseguiam ir adiante: o grupo que
analisaria a Veja, não conseguia retorno da revista em relação
a informações básicas:
O
maior problema foi adquiri informações da revista Veja
sobre sua editoria de TV. Primeiro, eu mandei um e-mail para
o atendimento ao leitor, requisitando estas informações
referentes aos programas tratados no trabalho. Recebi um
e-mail resposta com um arquivo de reportagens feitas pela
revista sobre tais programas. Mas, a maioria, a gente já
tinha em xerox. E as informações da editoria de TV, nada!
Mandei um segundo e-mail diretamente para quem tinha me
respondido, e prontamente recebi uma resposta: “Caro, boa
tarde, primeiramente gostaríamos de informar que não
entramos em detalhes sobre a linha editorial da revista”.
E, logo em seguida, ele deixa algumas informações que eu
tinha requisitado, mas que eram sobre o perfil do leitor da
revista. Depois disso, tive que revirar o histórico da Veja
para fazer ligações com a atualidade que podem ser vistas,
principalmente, na conclusão deste trabalho. (Ismael
Moreno)[8]
Já
o grupo que estava pesquisando a Lazer de Corpo & Arte,
achava a revista ótima, mas com todos os membros do grupo
trabalhando não conseguiam prosseguir nem nas entrevistas
– que só poderiam ser realizadas em horário comercial,
nem na pesquisa de documentos sobre a constituição da
Secretaria e das publicações que antecederam a atual
revista. Por último, o grupo que trabalharia a charge na
imprensa sindical era o que tinha maior dificuldade em relação
ao recorte da pesquisa. Primeiro, porque apresentaram uma
proposta que era, na verdade, paráfrase gigantesca de
textos que narram a trajetória da charge no Brasil. Além
disso, o foco sobre um único chargista parecia-lhes, em um
primeiro momento, narrar a vida do jornalista-artista. Ou
seja, não conseguiam articular o trabalho do Bira enquanto
chargista atuante na imprensa sindical e o papel histórico
da charge nesta imprensa e, mais especialmente, nos
sindicatos em que Bira atua ou atuou em Campinas.
Trabalhando
com orientação distribuída igualmente entre os grupos e
constatando as diferenças de resultado entre eles tendo, à
frente, um cronograma muito apertado, era preciso encontrar
saídas. Nesta hora, o que mais prevalece, é a relação
entre professor e aluno. Uma conversa, um tanto conclusiva,
foi suficiente para alterar o rumo do grupo que pesquisava a
revista da Secretaria de Cultura: Foi, então que
descobrimos (graças ao desabafo cativante da professora), o
quanto nosso trabalho poderia ser interessante e o quanto
poderíamos colher bons frutos chegando até o final.
(Fabiano Malta)[9].
Já o grupo da Veja, foi mais simples: eles tinham todos os
artigos na mão, então, era hora de análise e, esqueçam a
revista. E, por último, o grupo da “charge”:
meia-volta! Ou seja, voltem à bibliografia, refaçam o sumário
e busquem novas fontes primárias, isto é, diretores e
jornalistas que se posicionem sobre imprensa sindical,
charge e Bira.
Estas
conversas pouco ortodoxas, na verdade, estavam embasadas em
um esforço pessoal, no sentido de procurar clarear a
discussão trazida pela obra fundamental de Lopes e os diálogos
que esta autora estabelece com as áreas das Ciências
Sociais. Quando, por exemplo, imbrica-se o método à
investigação e procura-se exigir do uma atitude consciente
e crítica do investigador quanto às operações científicas
que realiza na investigação (Lopes: 1990, p.80), abre-se
espaço para que a orientação não gire em torno das questões
práticas que permeiam qualquer disciplina, inclusive a
aprovação. Há, evidente, uma tendência, tanto do aluno
quanto do professor, que este tema venha à baila, mas é
preciso, neste instante, novamente resgatar o amplo leque de
vivências intelectuais e profissionais que a disciplina
permite. Neste sentido, é inegável o valor de sua inclusão
no atual (e novo) currículo da Faculdade de Jornalismo da
Puccamp.
3.
Considerações finais
Toda
vez que encontrava o Ismael, vulgo Sabiá ou Bem-te-vi,
perguntava se ele havia feito a parte dele. Ficava muito
furiosa e ele, com seus assobios e bicadas... Tinha vontade
de matá-lo! Pobre pássaro... Imagine ficar sem o mascote
da sala? Mas, com o tempo tudo foi se encaixando...Acho que
este trabalho foi um bom exercício para o projeto de
conclusão de curso, no ano que vem. Vai ser um parto muito
demorado mas, com certeza, vai nascer muito bonito também!
E sem espingardas nos sabiás... (Maki Maeda)[10]
A intensidade de uma experiência, quase sempre, depende de
como a retomamos. No jogo da memória, o resgate pauta-se
por um aspecto emocional que costuma facilitar as inúmeras
revisitas ao percurso do que foi vivido. Neste sentido, é
inegável que a relação extremamente positiva estabelecida
com os alunos do curso de Jornalismo noturno, da disciplina
Pesquisa Aplicada, motivou boa parte destas breves reflexões.
Mas, é preciso ir além e, o segundo momento foi a análise
criteriosa do processo e, também do resultado, expresso nas
monografias entregues.
Há,
é claro, uma série de questões que exigem maior tempo de
maturação. Por exemplo, o trabalho de pesquisa e escrita
em grupo: até que ponto não provoca esconderijos? Neste
sentido, a exigência do relatório individual, chamado
“memorial” na tentativa de não se perder no ranço que
já existe na terminologia “relatório”, permitiu maior
desvendamento quanto à participação de cada um no
trabalho. No entanto, há uma colocação que não pode ser
camuflada: a identificação do aluno com a pesquisa científica.
Em outras palavras: nem todo aluno deseja este percurso para
si.
Como
não há disciplinas eletivas no currículo da Puccamp – e
esta é uma realidade de boa parte das faculdades de
jornalismo – não é possível respeitar as afinidades. A
melhor opção – e, investe-se nela a médio prazo – é
permitir a escolha o que, com certeza, reconfigurará a
proposta da disciplina. Mas, é médio prazo... Hoje, a
realidade objetiva é clara: todos têm que cursar Pesquisa
Aplicada em Jornalismo. Este é o quadro. E, diante dele,
como caminhar?
Este
artigo, reconhecendo, evidente, seus limites, pretendeu-se
articulador dos diversos discursos individuais dos alunos,
buscando ressaltar as falas uníssonas que
descaracterizassem, principalmente, as diferenças
existentes entre eles. O objetivo foi, como dito
inicialmente, emergir estas vozes que, mesmo produzidas
separadamente, apontaram questões que envolvem a pesquisa
na graduação em Jornalismo. Entre elas, destacou-se a
dificuldade de recorte, de articulação do referencial teórico,
da própria viabilidade de se colher dados ou seja,
pesquisar “em campo” e mesmo a dificuldade de ser claro
nos textos. Além destas, um dos maiores desafios foi fazê-los
perceber a tendência à paráfrase quando não, apropriação
do discurso alheio. Outra discussão relevante envolveu método
e texto científico: afinal, não se tratava de realizar uma
grande reportagem temática...
Desde
o início do trabalho, em março, a maior dificuldade foi
colocar a teoria de uma pesquisa científica em prática.
Seguir modelos e normas, buscar referências e conseguir
aplicá-las em um texto claro, ao mesmo tempo em que se
busca a dúvida, foi a maior dificuldade que encontrei ao
realizar a pesquisa. Num golpe de sorte, encontrei muitos
livros interessantes que propiciaram uma adequação à
pesquisa. Buscando modelos anteriores de pesquisa, para ter
um exemplo ou base, assim como uma ótima orientação da
professora, fizeram o “oculto” da construção da
pesquisa se transformar numa corrida contra o tempo
para
conseguir coletar todas as informações necessárias para
concluir a pesquisa. (Julianno Nogueira)[11]
Este
sentimento de desafio ou mesmo impotência, tão clarificado
pelas indagações contínuas da Joana, citada na introdução
deste trabalho, foi sendo transformado à medida que os
alunos mergulhavam, de fato, no projeto que cada grupo
escolheu. Ao mesmo tempo, começaram a relacionar seus
movimentos, à percepção de novas dimensões da profissão
que pretendem seguir depois de formados. Tanto a pesquisa
bibliográfica, quanto à documental e, mais ainda, as
entrevistas realizadas, foram percebidas, por quase todos,
como atuações jornalísticas ou, no mínimo, que
contribuem para a formação.
É esta percepção,
principalmente, que merece ser destacada, na perspectiva da
Comunicação Social reconhecer-se cientificamente autônoma
- A esfera cultural – como conjunto distinto de relações
de produção, circulação e consumo de bens simbólicos
– passa a reger-se por uma lógica própria, dentro do
conjunto dos demais setores da sociedade. (Lopes: 1990,
p.12) – perspectiva também assumida pelo Jornalismo,
abrigado na Comunicação Social, sem perder suas
especificidades.
Assim, as frases
finais dos memoriais, reafirmavam o aspecto positivo, tanto
por se ter conseguido concluir a monografia, mas,
claramente, pela ampliação pessoal e profissional que o
trabalho de pesquisa proporcionou.Eu só tenho a agradecer
à pesquisa, pois ela foi responsável por uma mudança
muito grande em mim. Agora sou mais confiante como
jornalista e como pessoa – escreveu Joana. Sua colega de
grupo, assumiu praticamente a mesma posição:
Sem
dúvida nenhuma, essa monografia acrescentou, e muito, no
nosso desenvolvimento, seja ele intelectual ou mesmo no convívio
com o grupo ou com as pessoas que entrevistamos.
Particularmente, aprendi a escutar o outro e a partir disso,
definir minhas conclusões sem prévio julgamento. (Thais
Castilho).
Outro
depoimento interessante é de um aluno que não é de
Campinas, e creditou à pesquisa uma de suas primeiras e
mais significativa transição pela cidade:
Posso
dizer que este trabalho me proporcionou diversas novas
experiências. Conheci a Biblioteca Municipal de Campinas, o
Departamento de Comunicação da Prefeitura, a Estação
Cultura, além de ter entrevistado pessoas interessantes que
participaram, ou ainda participam do projeto como um todo.
(Guilherme Frota)[12]
Estas
reflexões, que à primeira vista podem até parecer
generosas demais em relação à produção realizada, foram
discutidas posteriormente e compartilhadas após as definições
das avaliações. Vale dizer que os grupos foram avaliados
diferencialmente, respeitando-se uma série de quesitos que
recebem, através de um texto impresso, na primeira aula do
semestre. Não se escamoteou, portanto, dificuldades, equívocos
de abordagem, falta de clareza do texto, etc. Mas, ao mesmo
tempo, desde os primeiros momentos da orientação, a ênfase
foi sempre a oportunidade de cada aluno se situar frente aos
aprendizados dos outros momentos do curso, especialmente as
chamadas disciplinas teóricas, com destaque para Teoria da
Comunicação. O que se percebeu, portanto, ao final desta
jornada, foi que todos procuraram, de uma forma ou de outra,
compreender a importância da construção do conhecimento
e, melhor, sentiram-se parte deste processo.
A realização deste trabalho, sob um ângulo pessoal, foi
especialmente interessante, pois contribuiu para o aumento
da minha experiência nos contatos com fontes, através de
entrevistas. Acarretou também no maior conhecimento acerca
do tema e, em particular, fez com que, após tamanha carga
de pesquisa teórica e prática, eu realmente pudesse começar
a enxergar a fotografia com outros olhos. (Maria
Emília Zampieri)[13]
Referências
Bibliográficas
BAUER,
Martin W. e GASKELL, George. Pesquisa
qualitativa com texto, imagem e som. 2ª edição. Petrópolis:
Vozes, 2000.
LOPES,
Maria Immacolata Vassalo. Pesquisa em Comunicação –
Formulação de um Modelo Metodológico.
RAMPAZZO,
Lino. Metodologia Científica para alunos de graduação e pós-graduação.
Lorena: Stiliano e Centro Unisal, 1998.
RUDIO,
Franz Victor. Introdução ao Projeto de Pesquisa Científica.
31ª ed. Petrópolis: Vozes, 2003.
THIOLLENT,
Michel. Metodologia da Pesquisa-Ação. 12ª ed. São Paulo:
Cortez, 2003.
[1]
Denise Tavares é jornalista, professora da PUC-Campinas
na Faculdade de Jornalismo e do Curso de Comunicação
Social do Centro Universitário Salesiano – unidade de
Americana. É pesquisadora do NUCOM (Núcleo de
Pesquisa, Produção e Extensão da Comunicação do
Unisal) e do Grupo de Pesquisa Comunicação & Política,
liderado pelo Prof. Dr. Bruno Fuser, do CLC (Centro de
Linguagem e Comunicação) da PUCCamp.
[2]
Os alunos aqui citados autorizaram suas vozes e, também,
utilizar suas identidades reais.
[3]
Trecho do memorial da aluna.
[4]
Referência à obra Pesquisa em Comunicação... citada
na biliografia.
[5]
Extraído do memorial de Lucas Alves, aluno.
[6]
Trecho do memorial de Fabiano Malta, aluno.
[7]
Trecho do memorial da aluna
[8]
Texto extraído do memorial descritivo do aluno.
[9]
Trecho do memorial do aluno.
[10]
Trecho do memorial da aluna Maki Maeda
[11]
Trecho do memorial do aluno.
[12]
Trecho do memorial do aluno.
[13]
Trecho do memorial da aluna que trabalhou o tema
“Fotojornalismo”.
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