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Migrações contemporâneas como instância de recepção midiática: incursões metodológicas em torno de um projeto de cooperação acadêmica Brasil-Espanha 

 

Prof. Dra. Denise Cogo[1]

Prof. Dr. Nicolás Lorite García[2]

 

Resumo: O texto propõe o levantamento e a discussão de quatro implicações metodológicas para o estudo das migrações como instância de recepção midiática. Uma primeira diz respeito às fronteiras e inter-relações entre instâncias midiáticas e não midiáticas no marco da noção de ethos midiatizado. Uma segunda faz referência às possibilidades de demarcação, no universo da recepção, das incidências, entre imigrantes e não imigrante, desse ethos midiatizado sobre as migrações contemporâneas. Uma terceira e última perspectiva aponta para as implicações identitárias das experiências migratórias na configuração de especificidades de lógicas e estratégias de usos das mídias.

Palavras-chaves: mídias, migrações, recepção

 

Introdução

Esse artigo reúne reflexões oriundas das experiências de docência e investigação desenvolvidas no primeiro semestre de 2004  no marco do projeto bi-lateral de Cooperação Acadêmica Brasil-Espanha intitulado “Mídia e interculturalidade: estudo das estratégias de midiatização das migrações contemporâneas nos contextos brasileiro e espanhol e suas repercussões na construção midiática da União Européia e do Mercosul”. Participam como parceiros do projeto pesquisadores  vinculados ao Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos – RS) e ao Observatorio y Grupo de Investigación en Comunicación y Migración (MIGRACOM) do Departamento de Comunicación Audiovisual y Publicidad da Universidade Autônoma de Barcelona [3]. O projeto inclui, entre suas ações, o desenvolvimento de uma pesquisa de recepção midiática, entre imigrantes e não imigrantes, sobre as imagens das migrações contemporâneas nos contextos espanhol e brasileiro, cuja primeira etapa exploratória foi realizada na cidade de Barcelona, em abril e maio de 2004.

 

Das estratégias de midiatização das migrações contemporâneas: da produção à recepção

A opção por focalizar, no âmbito do projeto de cooperação acadêmica Brasil-Espanha, os processos de recepção das estratégias de midiatização das migrações contemporâneas deriva, de um lado, da percepção sobre os processos de configuração e presença social crescentes de uma cultura ou ethos midiatizado sobre as migrações contemporâneas, construído com a colaboração de uma materialidade constituída pelas mídias impressas, televisivas, radiofônicas e digitais nos contextos brasileiros e espanhóis e para a qual concorrem distintos campos e  atores sociais. 

Para o entendimento de ethos midiatizado, tomamos como ponto de partida a compreensão oferecida pelo pesquisador brasileiro Muniz Sodré quando aponta que a presença da mídia (“meios” e “hipermeios”) nas sociedades contemporâneas  “implica uma nova qualificação da vida, um bios virtual. Sua especificidade, em face das formas de vida na criação de uma eticidade (costume, conduta, cognição, sensorialismo) estetizante e vicária, uma espécie de ‘terceira natureza’.”[4]

 De outro lado, essa opção por uma abordagem da recepção orienta-se pelos questionamentos que vamos formulando em torno das incidências desse ethos seja na constituição de experiências e culturas interpretativas e relacionais dos imigrantes e da  sociedade em geral frente à interculturalidade representada pelas migrações contemporâneas seja  nas dinâmicas de inserção e/ou integração socioculturais desses imigrantes nas sociedades atuais, sobretudo a espanhola e brasileira.

Como percursos orientadores da pesquisa de recepção, ambas perspectivas derivam dos resultados de um conjunto de investigações sobre as estratégias de midiatização das migrações contemporâneas desenvolvidas pelos grupos de pesquisa espanhol e brasileiro, entre os anos de 1996 e 2003.  Nos três estudos do grupo espanhol (MIGRACOM), são privilegiadas análises quantitativas e qualitativas sobre o tratamento desde o âmbito da produção e recepção midiáticas, nos contextos catalão e espanhol,  das imigrações oriundas de países não europeus, especialmente de nações da África e da América Latina.  Os estudos abrangem as mídias impressas, televisivas, radiofônicas e digitais. [5]

No caso brasileiro, os referenciais são extraídos de uma pesquisa sobre a construção midiática das migrações contemporâneas em uma amostra de dez mídias impressas brasileiras desenvolvida,  entre 2001 e 2003, em que foram mapeadas a presença de um conjunto de doze tipologias migratórias e analisadas as estratégias de midiatização das migrações orientadas à União Européia, as migrações dinamizadas no contexto do Mercosul e as chamadas imigrações históricas de matriz européia no Brasil.[6]

Orientados pelas reflexões derivada desse conjunto de investigações, iniciamos, em abril e maio de 2004, o desenvolvimento de uma pesquisa piloto de recepção junto a imigrantes e não imigrantes na cidade de Barcelona, Espanha, buscando um mapeamento preliminar de referenciais sobre as incidências de matrizes constitutivas desse ethos midiatizado das migrações contemporâneas sobre imigrantes de diferentes nacionalidades e de cidadãos nascidos na região da Catalunha ou no restante da Espanha.

Esse levantamento exploratório junto ao universo da recepção envolveu a construção de um instrumento de pesquisa de caráter qualitativo, na definição de uma amostra de imigrantes de diferentes nacionalidades e na realização de um conjunto de 60 entrevistas com imigrantes e não imigrantes residentes na região metropolitana de  Barcelona [7]

É desde a articulação dessas duas perspectivas: de um lado, os resultados de investigações sobre as estratégias de midiatização das migrações contemporâneas na Espanha e no Brasil, desde o ponto de vista da produção e, de outro lado, dessa experiência de desenvolvimento de uma pesquisa exploratória de recepção midiática das imigrações em Barcelona – que levantamos a seguir algumas indagações metodológicas em torno da constituição das migrações contemporâneas como instância de recepção midiática.

 

Das incidências na recepção de um ethos midiatizado sobre as migrações

Uma primeira indagação diz respeito às fronteiras cada vez mais tênues entre midiático e não midiático, perspectiva epistemológica que assume distinta relevância do ponto de vista dos estudos de recepção se comparadas às pesquisas que têm se construído ancoradas na análise da materialidade dos processos produtivos e dos produtos de diferentes mídias.

Quando desprovida de tal materialidade e entendida radicalmente como “marca, modelo, matriz, racionalidade produtora e organizadora de sentido”, conforme encontramos sintetizado na reflexão da pesquisadora argentina Maria Cristina Matta [8],  nos deparamos com indistinções e/ou diluições do que é construído pela recepção como resultado das interações dos receptores seja com as instâncias das mídias seja com outras instâncias da vida cotidiana, tendo em vista o fato  dessas últimas estarem impregnadas de “realidades” midiáticas e cada vez mais configuradas como um ethos midiatizado.

 Concorrem, para isso, especificidades das dinâmicas urbanas observadas em cidades como Barcelona, em que a crescente presença migratória não está reduzida à lógica da “guetização” espacial, a exemplo do que se observa em outras cidades européias. O que acaba contribuindo para instaurar complexos processos de interculturalidade cotidiana que coloca em relação imigrantes e população local, coletivos  de imigrantes pertencentes a diferentes nacionalidades, imigrantes e turistas, etc.

Essa multiplicidade de espaços comunicacionais não materializados em dispositvos midiáticos, ainda que possam contar com a presença desses dispositivos e ou de suas matrizes, em que se dinamizam essas relações interculturais (ruas, metrôs, mercados, centro comerciais, festas populares, etc.) se mescla com uma pluralidade de espaços e ou vivências  mais diretamente subordinados ou visíveis em termos de materialidade midiática. 

Materialidade, constituída pela oferta diária  de um conjunto de imagens sobre as migrações contemporâneas em meios de comunicação de âmbito local, regional, nacional e mesmo transnacional de distintas naturezas (televisão, jornais, Internet, etc.) Como resultado de tais ofertas, dinamizam-se igualmente distintas modalidades de consumo simbólico de materiais e realidades midiáticas.

Tais consumos podem se pautar pelos usos individuais e coletivos de uma pluralidade de suportes midiáticos por parte de distintos grupos de imigrantes e por cidadãos espanhóis ou mesmo por modalidades de consumo fortemente demarcadas por experiências  identitárias como a  da nacionalidade observadas entre alguns imigrantes que, embora residam há muitos anos em Barcelona, seguem consumindo majoritária e, algumas vezes, unicamente, mídias de seus países. Soma-se a isso a presença crescente de um universo plural de mídias impressas e digitais produzidas pelos próprios coletivos de imigrantes e suas organizações (equatorianos, argentinos, africanos, etc.).

 “Gente en la calle”, como a imagem escolhida por um jovem imigrante de Bangladesh para definir a imigração na Espanha ou, ainda, “Yo no se si se recibi de los medios de comunicación o se ve en la calle”, segundo outra jovem imigrante argentina, são indicadores do quanto a especificidade das experiências migratórias contemporâneas colaboram para um apagamento dessas distinções entre midiático e não midiático, cujo aprofundamento tem sido assinalado pelo pensamento acadêmico comunicacional.

O que nos conduz a indagar, igualmente, sobre as suficiências dos instrumentos metodológicos consolidados no âmbito da sociologia e da antropologia, como a entrevista ou as histórias de vida, para capturar essas inter-relações. Ou, ainda, sobre a construção de estratégias metodológicas que nos permitam capturar ou evidenciar as especificidades e pesos de uma materialidade midiática constituída por sentidos ofertados sobre os processos migratórios como referentes configuradores de um ethos midiatizado sobre as migrações contemporâneas.

A reflexividade sobre os limites de evidenciar empiricamente os modos de incidência desse ethos no universo da recepção revela-se, assim, fundamental para o que se configura como uma segunda indagação metodológica de nossa pesquisa sobre recepção das migrações contemporâneas no contexto espanhol. Tal indagação orienta-se por nossos esforços em atribuir pesos e definir hierarquizações, no universo da recepção, no que se refere às distintas matrizes midiáticas constitutivas desse ethos que decorre da presença dos meios de comunicação na vida social.

Um exemplo são as imagens das chamadas pateras ofertadas pelas mídias televisivas e impressas espanholas [9] como uma das principais matrizes que vem colaborando fortemente para definir um ethos midiatizado sobre as migrações contemporâneas na Espanha em que a interculturalidade migratória aparece associada à conflitividade e criminalização. As três pesquisas sobre o tratamento informativo das imigrações na mídia espanhola realizadas pelos investigadores do MIGRACOM nos anos de 1996, 2000 e 2002, nos servem de insumo inicial para a formulação sobre as repercussões desse ethos midiatizado sobre as migrações no campo da recepção.

Em 1996, quando, ainda, é pouco significativo o agendamento das imigrações nas mídias impressas, televisivas e radiofônicas espanholas, os resultados de uma primeira  pesquisa situam as pateras como um dos pólos do que os investigadores do MIGRACOM denominam de “mirada bipolar” sobre a imigração por parte dos meios de comunicação. [10]

[...] se detectaban dos pólos antagónicos: de un lado, desde la “clásica” mirada negativa, centrada en mostrar la llegada de los inmigrantes en pateras y las dificultades legales, empezando por la también “clásica” Ley de Extranjería. De otro lado, desde la mirada positiva, casi de índole paternalista, de celebraciones festivas como la Fiesta de la Diversidad, organizada por SOS Racismo en Barcelona.[11]

No ano de 2000, ao mesmo tempo em que os pesquisadores do MIGRACOM observam um crescimento do espaço ocupado pela agenda das imigrações na mídia espanhola, a grande avalancha de pateras é o que demarca prioritariamente o tratamento midiático sobre a realidade migratória. Nomeada como “mirada unipolar”, essa modalidade de construção midiática das migrações nos meios de comunicação espanhóis compõe-se de um conjunto de informações em que são mostradas “cifras, máfias y paralelamente se observa, em este contexto casi por completo del ámbito de los sucesos, que el imigrante apenas es un número, que su voz no aparece en los medios y tampoco se le identifica cuando lo hace.” [12]

Na última pesquisa realizada, em 2002 nos meios impressos, televisivos, radiofônicos e digitais, os pesquisadores verificam um deslocamento do peso informativo das pateras e da “chegada em avalanche” dos imigrantes no processo de midiatização das migrações.  Nomeada como tratamento multipolar das imigrações, essa pluralização na construção da realidade imigratória local é, contudo, desigual e escassamente homogênea tanto nos meios de comunicação espanhóis em geral como em cada meio de comunicação particular analisado na pesquisa.

Los medios se dejan de interessar exclusivamente por la llegada de los inmigrantes en pateras. Pierden valor informativo las “avalanchas”, las crifras, las mafias, y gana peso un tratamento informativo de calidad dirigido a explicar los processos de integración con sus respetivas variantes laborales y socioculturales [...] [13]

A despeito dessa pluralização do tratamento informativo das imigrações nas mídias espanholas, os resultados da pesquisa do grupo de pesquisa espanhol atentam igualmente para a permanência, no universo da recepção, das pateras como principal matriz de um ethos midiatizado que associa essas imigrações a uma cultura da violência, reafirmando, desde uma perspectiva dos estudos midiáticos, a não correspondência e/ou a presença de assimetrias entre ethos nos campos da produção e da recepção das mídias.

De todas formas, cuando se pregunta a los receptores de las informaciones sobre cuál es su imagen de la inmigración actual, suelen mencionar la de las pateras. De un lado, se está trabajando la multipolaridad desde los medios, y así se observa al realizar un análisis cuantitativo. Pero, de otro modo, se detecta aún esta percepción visual, unipolar e negativa de la inmigración, desde las audiencias.[14]

Na pesquisa exploratória de recepção que realizamos em abril e maio de 2004, em Barcelona, nos deparamos com a reafirmação dessa incidência da imagem das pateras na memória dos receptores entrevistados – imigrantes e não imigrantes. Embora  nenhum dos entrevistados tenha mencionado ter chegado à Espanha nessas embarcações ou mesmo terem conhecido ou mantido contato com algum imigrante que tenha chegado ao país utilizando esse meio de transporte, as pateras são referidas majoritariamente como a primeira imagem que  os entrevistados lembram seja quando pensam em imigração seja quando destacam alguma imagem difundida pelos meios de comunicação espanhóis, especialmente a televisão.

Vuelvo a decir lo de antes, yo no me siento miembro de ningún colectivo, y menos del inmigrante. Si me preguntas qué es lo que ofrecen las televisiones sobre la inmigración tengo la respuesta: pateras. En pocos canales ofrecen noticias de normalización, de crecimiento en comunidad. (estilista de moda venezuelana, 30 anos, há sete anos em Barcelona) .

La imagen de pateras, me parece real [...] La imagen de los abusos policiales sobre los immigrantes. Era una notícia sobre una patera que llegaba y dieron la noticia como algo anecdótico, sin dar importancia a lo que estaba pasando delante de la cámara, informando sobre immigracion ilegal sin hacer caso a lo que era realmente fuerte de la información, que eran las cargas que recibían. (co-proprietário de um estabelecimento comercial de alimentação procedente de Bangladesh, 29 anos, há anos em Barcelona)

Las pateras. Es una imagen parcial y tendenciosa porque da una imagen de invasión que ayuda a provocar miedo. No se trata a los inmigrantes como personas que tienen una historia detrás sino que es una imagen del inmigrante para dar pena, de alguien que se muere de hambre, inculto y desgraciado. (professora inglês e estudante universitária catalã, natural de Tortosa, Catalunha, 25 anos, há sete anos em Barcelona)

Cada día escuchas alguna cosa sobre las pateras [...] Yo aún no entiendo eso de las pateras, mi manera de entrar a España fue diferente, nos costó lo nuestro también. No entiendo porque tienen que arriesgarse tanto si después llegan aquí, y pa’ llà otra vez. Los niños [...] no lo entiendo. (empregada em serviços de limpeza colombiana, 32 anos,  há um ano e três meses em Barcelona)

Siento mucha lástima i sobretodo pienso en las pateras y en la de niños que mueren en ellas. Se tiene que hacer algo para evitar todo esto. (espanhola aposentada de serviços de limpeza, espanhola, natural de Sevilha, 63 anos) .

Depende, a veces salen cosas buenas y otras veces cosas malas pero normalmente salen los problemas, por ejemplo cuando vienen los inmigrantes con patera. A los españoles las pateras no les gustan porque hay mucha gente que muere, a mi tampoco me gusta nada” (pintor de plataformas senegalês, 25 anos, há quatro anos em Barcelona).

Las pateras [...] yo creo que es bueno que salga, porque, ahora mismo, yo si tengo un hermano o un familiar que quiere venir con la patera yo le digo “no hace falta que vengas”, como yo he visto lo que pasa con la patera [...] hay muchos africanos ahora mismo que su familia no sabe dónde están...puede ser que estén muertos dentro del agua [...] Mejor que las cosas que pasan salgan en televisión” (jardineiro senegalês, 32 anos, há dois meses em Barcelona e quatro anos na Espanha) .

Lamentablemente las pateras son las imágenes que más vemos en la televisión y que no veía en Viena [...] Una llegada masiva y todos en pateras cuando sabemos que muchos entran por los aeropuertos”. (estudante italiana, 36 anos, há três anos em Barcelona).

Ao destacar as pateras como a imagem que “mais a perturbou” nos primeiros dias que chegou à Espanha, o depoimento da estudante italiana que viveu em Viena antes de se estabelecer em Barcelona,  nos sugere uma reflexão, ainda, sobre incidência na recepção de um ethos midiatizado das migrações marcado não apenas pela matriz cultural associado ao regional (Europa), mas também pelas distintas e plurais matrizes nacionais configuradoras da Europa e da União Européia, na perspectiva proposta pelo investigador Alejandro Grimson de que “a nação, a região, a província, entre outros, constituem parâmetros perceptivos que definem relações sociais entre ‘nós’ e ‘os outros’ e organizam processos de interação social.”[15].

Um segundo referente sobre a incidência, junto à recepção, de uma materialidade configuradora de um ethos midiatizado está relacionado à relevância atribuída à nacionalidade como valor-notícia na construção da noticiabilidade das migrações contemporâneas. A associação entre nacionalidade, cultura de procedência ou qualquer outro signo de identidade do lugar de origem dos imigrantes com atos delitivos ou de ilegalidade tem sido uma das regularidades observadas nas estratégias de midiatização das migrações contemporâneas no contexto espanhol, conforme exemplificam os títulos a seguir extraídos da última investigação realizada pelo MIGRACOM. [16]

 

Detenido el argelino que mato a uma mujer em um gimnasio (ABC, edición de Madrid, 11-06-02, p. 34)”

 Una inmigante ecautoriana sin papeles asesinada em el bar que limpiaba por dos atracadores” (El Mundo, edición de Madrid, 09-06-02, portada del suplmento de Madrid).

Detienen a um marroquí por el presunto secuestro de su mujer e hijo donostiarra (El Correo Español, 04-06-02, portada). [17]                      

Embora na investigação de 2002, seja constatada a incorporação, ainda que gradual, de termos como, por exemplo “vizinho” para fazer referência aos imigrantes de diferentes origens que vivem no país, os adjetivos qualificativos ligados à nacionalidade seguem tendo vigência na noticiabilidade das migrações no contexto espanhol.

[...] Pero se empiezan a usar otros calificativos como vecino. Los inmigrantes empiezan a ser tratados como ciudadanos o vecinos, pero todavía el lugar de origen tiene un valor noticioso importante. Es notícia, “el marroquí” y no el “vecino de Bilbao” que secuestra a su mujer. Pero de los lugares de origen delos inmigrantes apenas se habla y cuando se hace sigue siendo por algún conflicto, desastre ecológico o guerra.[18]

Na pesquisa exploratória realizada em Barcelona, observamos o acionamento de competências, no campo da recepção, orientada a três tipos de reconhecimento sobre o lugar ocupado pela nacionalidade nas estratégias de midiatização das migrações. Um primeiro diz respeito a essa demarcação da diferença ancorada na nacionalidade como uma estratégia enunciativa promotora da associação entre imigração e conflito/criminalidade. Um segundo tipo de reconhecimento faz referência à percepção dos receptores sobre  a emergência da nacionalidade como reatualizadora e reconfiguradora de matrizes culturais que põem em relação geopolítica e sociocultural espaços simbólicos como América Latina e Europa.

Um terceiro reconhecimento ancora-se na relação entre língua-nacionalidade e visibilidade midiática em que, quando as vozes dos próprios imigrantes assumem espaço nas mídias, a competência e manejo lingüísticos despontam, conforme a percepção dos receptores, como estratégias midiáticas que demarcam a diferença entre os imigrantes e os “outros” espanhóis.

Lo que me ha llamado la atención es que cuando ocurre algo, un asalto, siempre se habla de la nacionalidad de la persona. Siempre dicen que son de Ecuador, peruanos, mexicanos  (estudante mexicana, 25 anos, há dois anos em Barcelona)

[...] Lo peor!! Pateras! Parece que cojan lo peor. Todo el mundo habla mal. Por ejemplo cuando salen las pateras parece que cojan a la persona que peor habla castellano. No se por que hacen eso pero es horrible. Qué quieren conseguir? (empregada em serviços de limpeza colombiana, 32 anos, há um ano e três meses em Barcelona)

[...] la muerte de la chica dominicana y sus dos hijos em Alzira. Se ventiló mucho la palabra negro y dominicano.” (estilista de moda venezuelana, 30 anos, há sete anos em Barcelona)

 

Imigrantes? Sobre delimitação do universo da recepção e (auto)-atribuição identitária

Uma terceira indagação metodológica acerca da incidência de um ethos midiatizado na recepção e ao próprio desenho de uma pesquisa de recepção que assume o fenômeno migratório como objeto de estudo diz respeito à delimitação de um universo de receptores imigrantes frente à dispersão, fluidez, transitoriedade e clandestinidade, que caracterizam o mundo vivido das migrações contemporâneas.

O reconhecimento de tais reconfigurações das experiências migratórias contemporâneas tem provocado reorientações conceituais no próprio campo da sociologia das migrações, onde noções como de “espaços de vida” emergem para explicar experiências migratórias cada vez mais definidas e hierarquizadas por “múltiplas formas de mobilidade segundo critérios muito diversos, tais como a duração, a freqüência e a periodicidade de utilização de cada lugar, os modos de ser, a atividade, a formação, o modo de deslocamento, a distância, as incidências a curto e  a longo prazo, etc.” .[19]

O perfil migratório dos entrevistados de nossa pesquisa reafirma essa pluralidade que assume a experiência migratória. Antes de chegar a Barcelona, o jovem paquistanês afirmou ter passado por Arabia Saudita, Irã , Iraque, Turquia, Grécia, Itália e Holanda; a estudante mexicana contou sua experiência de imigrante e trabalhadora em Toronto e sua passagem por Madrid antes de escolher Barcelona para viver. A estudante italiana morou, anteriormente, em Viena, antes de mudar com o namorado catalão para Barcelona.

A exigência de delimitação de um universo de imigrantes a serem entrevistados em uma pesquisa que pretende abordar a recepção nos leva igualmente a experimentar as implicações metodológicas de validar uma amostra, quantitativa e/ou qualitativa, ancorada nas estatísticas governamentais ou mesmo nas cifras difundidas pelas mídias que registram a presença de imigrantes de distintas nacionalidades  na cidade de Barcelona [20]. A exclusão ou alguns modos de inclusão nas estatísticas oficiais de imigrantes que não desfrutam de visto de residência,  designados, dentre outros, como clandestinos, ilegais ou sem papéis, pelos campos governamentais e midiáticos, tem se constituído em um dos principais limites metodológicos quando optamos por nos referenciar nessas estatísticas para a definição de uma amostragem de imigrantes para um estudo de recepção. [21]

Agrega-se a isso os usos e disputas políticas que envolvem a publicização, através do uso das cifras, de uma presença quantitativa dos imigrantes, conforme se observa quando se trata, por exemplo, da demanda por regulação e controle das imigrações no marco do alinhamento de distintas nações da Europa às políticas migratórias da União Européia.

Por outro lado, essa delimitação nos conduz a indagar a própria incidência, no campo da pesquisa acadêmica, desse ethos midiatizado como instância de atribuição identitária no que se refere à categoria imigrante. Quando optamos pelas categorias imigrantes e não imigrantes como recortes no universo da recepção podemos estar assumindo, em certa medida, um ethos que tem tratado de fixar e hierarquizar sentidos sobre essa identidade ao nomear como imigrantes os cidadãos que chegam à Espanha provenientes de países da África , da América Latina e do Leste Europeu e não designar como imigrantes os jogadores de futebol, os intelectuais,  ou, ainda, os cidadãos da União Européia. Essa preocupação se vê reforçada quando alguns do que definimos previamente como imigrantes para serem entrevistados em nosso estudo exploratório afirmam não se reconhecerem nessa auto-atribuição identitária quando indagados se se consideram ou se sentem imigrantes.

As possibilidades e limites de acesso e interação com determinados coletivos de imigrantes decorrentes de suas especificidades culturais e lingüísticas é outra perspectiva identitária que incide na delimitação de um universo de imigrantes, como é caso de imigrantes oriundos de países árabes que têm um domínio limitado dos idiomas espanhol e/ou catalão. Ou, ainda, de mulheres de alguns países muçulmanos, cuja participação em entrevistas está, muitas vezes, subordinada à presença do marido.

A própria pluralidade lingüística observada entre os coletivos de imigrantes instalados em Barcelona nos impõe um tipo de reflexividade acerca do procedimento da entrevista e da relação entrevistador-entrevistado como reveladora de dinâmicas de comunicação intercultural que vão sendo estabelecidas por alguns imigrantes no âmbito das culturas das sociedades por onde circulam e/ou se estabelecem. É o caso da opção por conceder a entrevista em catalão, e não em espanhol, por parte de um imigrante marroquino incluído em nosso estudo exploratório, nos  sugerindo leituras acerca das estratégias de afirmação de processo de integração cultural na relação entrevistador-entrevistado. [22]

 

Identidades imigrantes e as configurações de usos e competências na recepção midiática

Uma quarta e última ingadação consiste na busca de entendimento das interfaces entre um ethos midiatizado e as identidades imigrantes como uma das perspectivas da pesquisa de recepção sobre as migrações. As injunções da  transitoriedade, fluidez e fragmentação ou, ainda, os modos diferenciados de vivenciar as condições de cidadania associadas a distintas posicionamentos identitários de nacionalidade, gênero, classe, etc. ou, ainda,  o pertencimento à multiplicidade de redes sociais de caráter migratório ou não, vão gerando uma pluralidade de lógicas e estratégias específicas de usos e das mídias assim como o desenvolvimento de repertórios e competências de apropriação de dispositivos midiáticos.

Os relatos dos imigrantes na pesquisa exploratória realizada em Barcelona nos oferecem referências preliminares sobre a materialidade de tais lógicas e estratégias. É o caso do jovem comerciante paquistanês que segue conectado com as mídias de seu país assistindo o canal Al Jazira em árabe na televisão do restaurante onde trabalha e lendo regularmente “El Mirador”, um jornal paquistanês, do qual já participou escrevendo um poema.  A disponibilidade de serviço de ADSL que não dispunha no México intensificou o uso da Internet pela estudante mexicana, para leitura semanal de jornais de seu país, sobretudo para saber, conforme relata, “o que dizem sobre a Espanha”.

A estudante usa a Internet, ainda, para responder aos e-mails diários enviados por sua avó que, segundo ela, aprendeu a usar a Internet com a ajuda de um dos filhos para conectar com a neta na Espanha. Durante a entrevista, lembra igualmente que passou a assistir menos televisão do que quando vivia no México em função da redução de seu tempo livre e, sobretudo, por dispor de um único aparelho de televisão na sala de um apartamento que divide com mais três amigos.

Embora disponha também de ADSL, a jovem argentina, empregada de um restaurante nos arredores de Barcelona, não usa ou e-mail para contato com parentes e amigos em seu país de origem ou a Internet para ler jornais argentinos ou buscar qualquer informação sobre a Argentina. O que sugere a especificidade de um uso midiático pautado pelo “não contato com o lugar de origem” e mediado por um certo “desencanto nacionalista” que, evidenciado durante a entrevista, assumiu peso igualmente na decisão da jovem por emigrar à Espanha [23]

 

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[1] Professora titular e coordenadora do grupo de pesquisa Mídia e Multiculturalismo (www.midiamigra.com.br) do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), em São Leopoldo, RS, Brasil. Coordenadora brasileira do projeto de cooperação acadêmica Brasil-Espanha financiado por CAPES e MECD. E-mail: denisecogo@uol.com.br

[2] Professor titular do Departamento de Publicidad e Comunicación Audiovisual e coordenador do Observatorio y Grupo de Investigación en Comunicación y Migración (MIGRACOM) de la Universidad Autónoma de Barcelona (www.migracom.org). Coordenador espanhol do projeto de cooperação internacional Brasil-Espanha financiado por CAPES e MECD. E-mail: Nicolas.lorite@uab.es

[3] O projeto foi aprovado pela comissão mista constituída pela Secretaria de Universidades do Ministério de Educación, Cultura y Deportes (MECD) e pela Comissão de y Entidade do Governo Brasileiro voltada para a formação de recursos humanos (CAPES). Desenvolvido pelos grupos de pesquisa Mídia e Multiculturalismo, do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação da Unisinos e Mídia e Multiculturalismo  e Processos Comunicacionais: Epistemologia, Midiatização, Mediações e Recepção do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação da Universidade do Vale do Rio dos Sinos e Observatorio y Grupo de Investigación en Comunicación y Migración (MIGRACOM) da Universidade Autônoma de Barcelonao projeto envolve um conjunto de ações no campo da docência, pesquisa e extensão.

[4] SODRÉ, Muniz. Antropológica do espelho – uma teoria da comunicação linear e em rede. Petrópolis: Vozes, 2002, p. 11.

[5] A metodologia dessas investigações não será detalhada nesse texto, mas apenas os resultados das três principais pesquisas realizadas pelo MIGRACOM que têm privilegiado o estudo do tratamento informativo das imigrações contemporâneas. Um detalhamento sobre a metodologia das pesquisas pode ser encontrado em LORITE GARCIA, Nicolás. Tractament Informatiu dels immigrants no comunitaris als mitjans de comunicació (premsa, ràdio i televisió) a Catalunya, any 1996. Barcelona: Observatori i Grup de recerca Migració i Comunicació de la Universitat Autônoma de Barcelona/Departament de Benestar Social de La Generalitat de Catalunya, 1996. (relatório de pesquisa). LORITE GARCIA, Nicolás. Tractament dels immigrants no communitaris als mitjans de comunicació a Catalunya. Barcelona: Observatori i Grup de recerca Migració i Comunicació de la Universitat Autônoma de Barcelona/Departament de Benestar Social de La Generalitat de Catalunya, 2000 (relatório de pesquisa) e LORITE GARCIA, Nicolás (dir.). Tratamiento de de la inmigración en España. Año 2002. Madrid: Instituto de Migraciones y Servicios Sociales/Ministerio de Trabajo y Asuntos Sociales, 2004.

[6] Realizada pelo grupo de pesquisa Mídia e Multiculturalismo da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), a pesquisa consistiu na análise discursiva e de 1868 textos midiáticos publicados, entre julho de 2001 e julho de 2003, por nove jornais brasileiros e uma revista de circulação nacional, da observação das rotinas de produção jornalística das editorias Mundo dos jornais Folha de São Paulo e Zero Hora e de entrevistas com imigrantes e representantes de ONGs que atuam junto a imigrantes estrangeiros. Ver COGO ,Denise. Mídia, migração e interculturalidade. São Leopoldo: Unisinos/CNPq/Fapergs, 2004 (relatório de pesquisa vol.  I e II).

[7] O trabalho exploratório foi realizado como atividade acadêmica do curso internacional Interculturalidad y medios de comunicación – la mediatización de las migraciones contemporânea,s ministrado, em Barcelona, em abril e maio de 2004, pelos autores desse trabalho e com a participação de 29 alunos de diferentes nacionalidades. Na elaboração desse artigo, são utilizados os dados de um total de 16 entrevistas, três com não imigrantes (uma catalã, um espanhol e uma espanhola) e treze com imigrantes das seguintes nacionalidades (um paquistanês, uma polonesa, uma italiana, uma mexicana, uma argentina, um argentino, uma venezuelana,  uma colombiana, dois senegaleses, dois marroquinos e um natural de Bangladesh, realizadas pelas alunas Lola Barceló, Eva Queralt Llobregat, Marta Roda Milá,  Ágata Ylla, Jenni Roda Casado, Cristina Brotons e pela co-autora desse artigo, Denise Cogo. As demais entrevistas ainda não haviam sido entregues pelos alunos até a data de elaboração desse artigo. Pesquisa exploratória de recepção semelhante será realizada no Brasil entre agosto e outubro de 2004 como atividade do projeto de cooperação internacional.

[8] MATTA, Maria Cristina. De la cultura masiva a la cultura mediática. Diálogos de la Comunicación. Lima: Felafacs. nº 56, p. 80-90, out. 1999.

[9] Pequenas embarcações que transportam imigrantes desde países africanos, como Marrocos, para a costa espanhola.

[10] Desde uma perspectiva quantitativa, nas três redes de televisão espanholas de âmbito estatal (TVE, Tele 5 e A-3) triplicou, entre 2000 e 2002, o tempo destinado a unidades informativas sobre imigração em telejornais. Em 1996, essas três redes dedicavam 0.61%, em 2000, 2,29%  e em 2002, 7,3% do tempo de seus telejornais veiculadas durante a tarde-noite a temas relacionados direta ou indiretamente com a imigração. Nos três anos, a análise, em uma amostra de televisões de foi realizada em edições dos telejornais veiculadas nos meses maio e junho. Ver LORITE GARCIA, Nicolás (dir.). Tratamiento de de la inmigración en España. Año 2002. Madrid: Instituto de Migraciones y Servicios Sociales/Ministerio de Trabajo y Asuntos Sociales, 2004. p. 74-75.

[11] LORITE GARCIA, Nicolás (dir.). Tratamiento de de la inmigración en España. Año 2002. Madrid: Instituto de Migraciones y Servicios Sociales/Ministerio de Trabajo y Asuntos Sociales, 2004. p. 11.

[12] LORITE GARCIA, Nicolás (dir.). Tratamiento de de la inmigración en España. Año 2002. Madrid: Instituto de Migraciones y Servicios Sociales/Ministerio de Trabajo y Asuntos Sociales, 2004. p. 12. Esse é também um tipo de tratamento predominante na mídia impressa brasileira no que se refere às migrações contemporâneas orientadas à União Européia.

[13] LORITE GARCIA, Nicolás (dir.). Tratamiento de de la inmigración en España. Año 2002. Madrid: Instituto de Migraciones y Servicios Sociales/Ministerio de Trabajo y Asuntos Sociales, 2004. p. 12.

[14] LORITE GARCIA, Nicolás (dir.). Tratamiento de de la inmigración en España. Año 2002. Madrid: Instituto de Migraciones y Servicios Sociales/Ministerio de Trabajo y Asuntos Sociales, 2004. p. 13.

[15] GRIMSON, Alejandro. Nacionalidad y nacionalismo en un puente bloqueado. Contrastes periodisticos en la frontera argentino-paraguaya. Estudios migratorios latinoamericanos. Buenos Aires, v. 1, n. 40-41, p. 511-537, 1998/1999.

[16]  As mesmas regularidades são verificadas na pesquisa sobre o tratamento midiático das migrações na mídia impressa brasileira no que se refere às migrações orientadas à União Européia.

[17] LORITE GARCIA, Nicolás (dir.). Tratamiento de de la inmigración en España. Año 2002. Madrid: Instituto de Migraciones y Servicios Sociales/Ministerio de Trabajo y Asuntos Sociales, 2004. p. 37.

[18] LORITE GARCIA, Nicolás (dir.). Tratamiento de de la inmigración en España. Año 2002. Madrid: Instituto de Migraciones y Servicios Sociales/Ministerio de Trabajo y Asuntos Sociales, 2004. p. 13.

[19] DOMENACH, Hervé; PICOUET, Michel. Les migrations.  Paris: Presses Universitaires de France, 1995. p. 10.

[20] No caso de Barcelona, essas estatísticas indicam, por exemplo, uma maior presença de equatorianos e marroquinos entre os coletivos de imigrantes.

[21] O uso das cifras como dispositivo retórico da construção midiática das migrações aparece nos resultados das pesquisas dos grupos espanhol  e brasileiro e tem sido reiteradamente observadas em outras investigações sobre a midiatização das migrações, como é o caso das pesquisas pioneiras coordenadas por Teun Van Djik. Ver VAN DIJK, Teun A. Racismo y análisis crítico de los medios. Buenos Aires: Paidós 1997.

[22] As dinâmicas lingüísticas repercutem na própria disputa e negociação dos imigrantes pela ocupação de espaços nas mídias locais, resultando em experiências como a de um programa informativo multilingüístico lançado pela BTV (Barcelona TV) no primeiro semestre de 2004.

[23] A jovem argentina, que não possui visto de residência, divide o apartamento que vive em Barcelona com a mexicana também entrevistada em nossa pesquisa.

 


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