Resumo:
O texto propõe o levantamento e a
discussão de quatro implicações metodológicas para o estudo
das migrações como instância de recepção midiática. Uma
primeira diz respeito às fronteiras e inter-relações entre instâncias
midiáticas e não midiáticas no marco da noção de ethos midiatizado. Uma segunda faz referência às possibilidades de
demarcação, no universo da recepção, das incidências, entre
imigrantes e não imigrante, desse ethos
midiatizado sobre as migrações contemporâneas. Uma terceira e
última perspectiva aponta para as implicações identitárias das
experiências migratórias na configuração de especificidades de
lógicas e estratégias de usos das mídias.
Palavras-chaves:
mídias, migrações, recepção
Introdução
Esse
artigo reúne reflexões oriundas das experiências de docência e
investigação desenvolvidas no primeiro semestre de 2004
no marco do projeto bi-lateral de Cooperação Acadêmica
Brasil-Espanha intitulado “Mídia e interculturalidade: estudo
das estratégias de midiatização das migrações contemporâneas
nos contextos brasileiro e espanhol e suas repercussões na
construção midiática da União Européia e do Mercosul”.
Participam como parceiros do projeto pesquisadores
vinculados ao Programa de Pós-Graduação em Ciências da
Comunicação da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos
– RS) e ao Observatorio y Grupo de Investigación en Comunicación
y Migración (MIGRACOM) do Departamento de Comunicación
Audiovisual y Publicidad da Universidade Autônoma de Barcelona .
O projeto inclui, entre suas ações, o desenvolvimento de uma
pesquisa de recepção midiática, entre imigrantes e não
imigrantes, sobre as imagens das migrações contemporâneas nos
contextos espanhol e brasileiro, cuja primeira etapa exploratória
foi realizada na cidade de Barcelona, em abril e maio de 2004.
Das
estratégias de midiatização das migrações contemporâneas: da
produção à recepção
A
opção por focalizar, no âmbito do projeto de cooperação acadêmica
Brasil-Espanha, os processos de recepção das estratégias de
midiatização das migrações contemporâneas deriva, de um lado,
da percepção sobre os processos de configuração e presença
social crescentes de uma cultura ou ethos
midiatizado sobre as migrações contemporâneas, construído com
a colaboração de uma materialidade constituída pelas mídias
impressas, televisivas, radiofônicas e digitais nos contextos
brasileiros e espanhóis e para a qual concorrem distintos campos
e atores sociais.
Para
o entendimento de ethos midiatizado, tomamos como ponto de partida a compreensão
oferecida pelo pesquisador brasileiro Muniz Sodré quando aponta
que a presença da mídia (“meios” e “hipermeios”) nas
sociedades contemporâneas “implica
uma nova qualificação da vida, um bios
virtual. Sua especificidade, em face das formas de vida na criação
de uma eticidade (costume, conduta, cognição, sensorialismo)
estetizante e vicária, uma espécie de ‘terceira
natureza’.”
De
outro lado, essa opção por uma abordagem da recepção
orienta-se pelos questionamentos que vamos formulando em torno das
incidências desse ethos seja na constituição de experiências e culturas
interpretativas e relacionais dos imigrantes e da sociedade em geral frente à interculturalidade representada
pelas migrações contemporâneas seja
nas dinâmicas de inserção e/ou integração
socioculturais desses imigrantes nas sociedades atuais, sobretudo
a espanhola e brasileira.
Como
percursos orientadores da pesquisa de recepção, ambas
perspectivas derivam dos resultados de um conjunto de investigações
sobre as estratégias de midiatização das migrações contemporâneas
desenvolvidas pelos grupos de pesquisa espanhol e brasileiro,
entre os anos de 1996 e 2003.
Nos três estudos do grupo espanhol (MIGRACOM), são
privilegiadas análises quantitativas e qualitativas sobre o
tratamento desde o âmbito da produção e recepção midiáticas,
nos contextos catalão e espanhol,
das imigrações oriundas de países não europeus,
especialmente de nações da África e da América Latina.
Os estudos abrangem as mídias impressas, televisivas,
radiofônicas e digitais.
No
caso brasileiro, os referenciais são extraídos de uma pesquisa
sobre a construção midiática das migrações contemporâneas em
uma amostra de dez mídias impressas brasileiras desenvolvida,
entre 2001 e 2003, em que foram mapeadas a presença de um
conjunto de doze tipologias migratórias e analisadas as estratégias
de midiatização das migrações orientadas à União Européia,
as migrações dinamizadas no contexto do Mercosul e as chamadas
imigrações históricas de matriz européia no Brasil.
Orientados
pelas reflexões derivada desse conjunto de investigações,
iniciamos, em abril e maio de 2004, o desenvolvimento de uma
pesquisa piloto de recepção junto a imigrantes e não imigrantes
na cidade de Barcelona, Espanha, buscando um mapeamento preliminar
de referenciais sobre as incidências de matrizes constitutivas
desse ethos midiatizado
das migrações contemporâneas sobre imigrantes de diferentes
nacionalidades e de cidadãos nascidos na região da Catalunha ou
no restante da Espanha.
Esse
levantamento exploratório junto ao universo da recepção
envolveu a construção de um instrumento de pesquisa de caráter
qualitativo, na definição de uma amostra de imigrantes de
diferentes nacionalidades e na realização de um conjunto de 60
entrevistas com imigrantes e não imigrantes residentes na região
metropolitana de Barcelona
É
desde a articulação dessas duas perspectivas: de um lado, os
resultados de investigações sobre as estratégias de midiatização
das migrações contemporâneas na Espanha e no Brasil, desde o
ponto de vista da produção e, de outro lado, dessa experiência
de desenvolvimento de uma pesquisa exploratória de recepção
midiática das imigrações em Barcelona – que levantamos a
seguir algumas indagações metodológicas em torno da constituição
das migrações contemporâneas como instância de recepção midiática.
Das
incidências na recepção de um ethos
midiatizado sobre as migrações
Uma
primeira indagação diz respeito às fronteiras
cada vez mais tênues entre midiático e não midiático, perspectiva
epistemológica que assume distinta relevância do ponto de vista
dos estudos de recepção se comparadas às pesquisas que têm se
construído ancoradas na análise da materialidade dos processos
produtivos e dos produtos de diferentes mídias.
Quando
desprovida de tal materialidade e entendida radicalmente como
“marca, modelo, matriz, racionalidade produtora e organizadora
de sentido”, conforme encontramos sintetizado na reflexão da
pesquisadora argentina Maria Cristina Matta ,
nos deparamos com indistinções e/ou diluições do que é
construído pela recepção como resultado das interações dos
receptores seja com as instâncias das mídias seja com outras
instâncias da vida cotidiana, tendo em vista o fato
dessas últimas estarem impregnadas de “realidades”
midiáticas e cada vez mais configuradas como um ethos
midiatizado.
Concorrem,
para isso, especificidades das dinâmicas urbanas observadas em
cidades como Barcelona, em que a crescente presença migratória não
está reduzida à lógica da “guetização” espacial, a
exemplo do que se observa em outras cidades européias. O que
acaba contribuindo para instaurar complexos processos de
interculturalidade cotidiana que coloca em relação imigrantes e
população local, coletivos
de imigrantes pertencentes a diferentes nacionalidades,
imigrantes e turistas, etc.
Essa
multiplicidade de espaços comunicacionais não materializados em
dispositvos midiáticos, ainda que possam contar com a presença
desses dispositivos e ou de suas matrizes, em que se dinamizam
essas relações interculturais (ruas, metrôs, mercados, centro
comerciais, festas populares, etc.) se mescla com uma pluralidade
de espaços e ou vivências mais
diretamente subordinados ou visíveis em termos de materialidade
midiática.
Materialidade,
constituída pela oferta diária
de um conjunto de imagens sobre as migrações contemporâneas
em meios de comunicação de âmbito local, regional, nacional e
mesmo transnacional de distintas naturezas (televisão, jornais,
Internet, etc.) Como resultado de tais ofertas, dinamizam-se
igualmente distintas modalidades de consumo simbólico de
materiais e realidades midiáticas.
Tais
consumos podem se pautar pelos usos individuais e coletivos de uma
pluralidade de suportes midiáticos por parte de distintos grupos
de imigrantes e por cidadãos espanhóis ou mesmo por modalidades
de consumo fortemente demarcadas por experiências
identitárias como a da
nacionalidade observadas entre alguns imigrantes que, embora
residam há muitos anos em Barcelona, seguem consumindo majoritária
e, algumas vezes, unicamente, mídias de seus países. Soma-se a
isso a presença crescente de um universo plural de mídias
impressas e digitais produzidas pelos próprios coletivos de
imigrantes e suas organizações (equatorianos, argentinos,
africanos, etc.).
“Gente
en la calle”, como a imagem escolhida por um jovem imigrante de
Bangladesh para definir a imigração na Espanha ou, ainda, “Yo
no se si se recibi de los medios de comunicación o se ve en la
calle”, segundo outra jovem imigrante argentina, são
indicadores do quanto a especificidade das experiências migratórias
contemporâneas colaboram para um apagamento dessas distinções
entre midiático e não midiático, cujo aprofundamento tem sido
assinalado pelo pensamento acadêmico comunicacional.
O
que nos conduz a indagar, igualmente, sobre as suficiências dos
instrumentos metodológicos consolidados no âmbito da sociologia
e da antropologia, como a entrevista ou as histórias de vida,
para capturar essas inter-relações. Ou, ainda, sobre a construção
de estratégias metodológicas que nos permitam capturar ou
evidenciar as especificidades e pesos de uma materialidade midiática
constituída por sentidos ofertados sobre os processos migratórios
como referentes configuradores de um ethos
midiatizado sobre as migrações contemporâneas.
A
reflexividade sobre os limites de evidenciar empiricamente os
modos de incidência desse ethos
no universo da recepção revela-se, assim, fundamental para o que
se configura como uma segunda indagação metodológica de nossa
pesquisa sobre recepção das migrações contemporâneas no
contexto espanhol. Tal indagação orienta-se por nossos esforços
em atribuir pesos e definir hierarquizações, no universo da
recepção, no que se refere às distintas matrizes midiáticas
constitutivas desse ethos que
decorre da presença dos meios de comunicação na vida social.
Um
exemplo são as imagens das chamadas pateras
ofertadas pelas mídias televisivas e impressas espanholas
como uma das principais matrizes que vem colaborando fortemente
para definir um ethos midiatizado sobre as migrações
contemporâneas na Espanha em que a interculturalidade migratória
aparece associada à conflitividade e criminalização. As três
pesquisas sobre o tratamento informativo das imigrações na mídia
espanhola realizadas pelos investigadores do MIGRACOM nos anos de
1996, 2000 e 2002, nos servem de insumo inicial para a formulação
sobre as repercussões desse ethos
midiatizado sobre as migrações no campo da recepção.
Em
1996, quando, ainda, é pouco significativo o agendamento das
imigrações nas mídias impressas, televisivas e radiofônicas
espanholas, os resultados de uma primeira
pesquisa situam as pateras como um dos pólos do que os
investigadores do MIGRACOM denominam de “mirada bipolar” sobre
a imigração por parte dos meios de comunicação.
[...]
se detectaban dos pólos antagónicos: de un lado, desde la “clásica”
mirada negativa, centrada en mostrar la llegada de los
inmigrantes en pateras y las dificultades legales, empezando
por la también “clásica” Ley de Extranjería. De otro lado,
desde la mirada positiva, casi de índole paternalista, de
celebraciones festivas como la Fiesta de la Diversidad, organizada
por SOS Racismo en Barcelona.[11]
No
ano de 2000, ao mesmo tempo em que os pesquisadores do MIGRACOM
observam um crescimento do espaço ocupado pela agenda das imigrações
na mídia espanhola, a
grande avalancha de pateras é o que demarca prioritariamente
o tratamento midiático sobre a realidade migratória. Nomeada
como “mirada unipolar”, essa modalidade de construção midiática
das migrações nos meios de comunicação espanhóis compõe-se
de um conjunto de informações em que são mostradas “cifras, máfias
y paralelamente se observa, em este contexto casi por completo del
ámbito de los sucesos, que el imigrante apenas es un número, que
su voz no aparece en los medios y tampoco se le identifica cuando
lo hace.”
Na
última pesquisa realizada, em 2002 nos meios impressos,
televisivos, radiofônicos e digitais, os pesquisadores verificam
um deslocamento do peso informativo das pateras e da “chegada em avalanche” dos imigrantes no processo
de midiatização das migrações.
Nomeada como tratamento multipolar das imigrações, essa
pluralização na construção da realidade imigratória local é,
contudo, desigual e escassamente homogênea tanto nos meios de
comunicação espanhóis em geral como em cada meio de comunicação
particular analisado na pesquisa.
Los
medios se dejan de interessar exclusivamente por la llegada de los
inmigrantes en pateras. Pierden valor informativo las
“avalanchas”, las crifras, las mafias, y gana peso un
tratamento informativo de calidad dirigido a explicar los
processos de integración con sus respetivas variantes laborales y
socioculturales [...] [13]
A
despeito dessa pluralização do tratamento informativo das imigrações
nas mídias espanholas, os resultados da pesquisa do grupo de
pesquisa espanhol atentam igualmente para a permanência, no
universo da recepção, das pateras
como principal matriz de um ethos
midiatizado que associa essas imigrações a uma cultura da
violência, reafirmando, desde uma perspectiva dos estudos midiáticos,
a não correspondência e/ou a presença de assimetrias entre ethos
nos campos da produção e da recepção das mídias.
De
todas formas, cuando se pregunta a los receptores de las
informaciones sobre cuál es su imagen de la inmigración actual,
suelen mencionar la de las pateras. De un lado, se está
trabajando la multipolaridad desde los medios, y así se observa
al realizar un análisis cuantitativo. Pero, de otro modo, se
detecta aún esta percepción
visual, unipolar e negativa de la inmigración, desde las
audiencias.[14]
Na
pesquisa exploratória de recepção que realizamos em abril e
maio de 2004, em Barcelona, nos deparamos com a reafirmação
dessa incidência da imagem das pateras
na memória dos receptores entrevistados – imigrantes e não
imigrantes. Embora nenhum
dos entrevistados tenha mencionado ter chegado à Espanha nessas
embarcações ou mesmo terem conhecido ou mantido contato com
algum imigrante que tenha chegado ao país utilizando esse meio de
transporte, as pateras são
referidas majoritariamente como a primeira imagem que
os entrevistados lembram seja quando pensam em imigração
seja quando destacam alguma imagem difundida pelos meios de
comunicação espanhóis, especialmente a televisão.
Vuelvo
a decir lo de antes, yo no me siento miembro de ningún colectivo,
y menos del inmigrante. Si me preguntas qué es lo que ofrecen
las televisiones sobre la inmigración tengo la respuesta: pateras.
En pocos canales ofrecen noticias de normalización, de
crecimiento en comunidad. (estilista de
moda venezuelana, 30 anos, há sete anos em Barcelona)
.
La
imagen de pateras, me parece real
[...] La imagen de los abusos policiales sobre los immigrantes. Era
una notícia sobre una patera que llegaba y dieron la noticia como
algo anecdótico, sin dar importancia a lo que estaba pasando
delante de la cámara, informando sobre immigracion ilegal sin
hacer caso a lo que era realmente fuerte de la información, que
eran las cargas que recibían. (co-proprietário
de um estabelecimento comercial de alimentação procedente de
Bangladesh, 29 anos, há anos em Barcelona)
Las
pateras. Es una imagen
parcial y tendenciosa porque da una imagen de invasión que ayuda
a provocar miedo.
No se trata a los inmigrantes como personas que tienen una
historia detrás sino que es una imagen del inmigrante para dar
pena, de alguien que se muere de hambre, inculto y desgraciado. (professora
inglês e estudante universitária catalã, natural de Tortosa,
Catalunha, 25 anos, há sete anos em Barcelona)
Cada
día escuchas alguna cosa sobre las pateras [...] Yo
aún no entiendo eso de las pateras, mi manera de entrar a España
fue diferente, nos costó lo nuestro también.
No entiendo porque tienen que arriesgarse tanto si después llegan
aquí, y pa’ llà otra vez. Los niños
[...] no lo entiendo.
(empregada em serviços de limpeza colombiana, 32 anos,
há um ano e três meses em Barcelona)
Siento
mucha lástima i sobretodo pienso en las pateras y en la de niños
que mueren en ellas. Se tiene que
hacer algo para evitar todo esto. (espanhola aposentada de serviços
de limpeza, espanhola, natural de Sevilha, 63 anos)
.
Depende,
a veces salen cosas buenas y otras veces cosas malas pero normalmente
salen los problemas, por ejemplo cuando vienen los inmigrantes con
patera. A los españoles las pateras no les gustan porque hay
mucha gente que muere, a mi tampoco me gusta nada” (pintor
de plataformas senegalês, 25 anos, há quatro anos em Barcelona).
Las
pateras [...] yo creo que es bueno que salga, porque, ahora
mismo, yo si tengo un hermano o un familiar que quiere venir con
la patera yo le digo “no hace falta que vengas”, como yo he
visto lo que pasa con la patera [...] hay muchos africanos
ahora mismo que su familia no sabe dónde están...puede ser que
estén muertos dentro del agua [...] Mejor
que las cosas que pasan salgan en televisión” (jardineiro
senegalês, 32 anos, há dois meses em Barcelona e quatro anos na
Espanha)
.
Lamentablemente
las pateras son las imágenes que más vemos en la televisión y
que no veía en Viena
[...] Una llegada masiva y todos en pateras cuando sabemos
que muchos entran por los aeropuertos”. (estudante
italiana, 36 anos, há três anos em Barcelona).
Ao
destacar as pateras como
a imagem que “mais a perturbou” nos primeiros dias que chegou
à Espanha, o depoimento da estudante italiana que viveu em Viena
antes de se estabelecer em Barcelona,
nos sugere uma reflexão, ainda, sobre incidência na recepção
de um ethos midiatizado
das migrações marcado não apenas pela matriz cultural associado
ao regional (Europa), mas também pelas distintas e plurais
matrizes nacionais configuradoras da Europa e da União Européia,
na perspectiva proposta pelo investigador Alejandro Grimson de que
“a nação, a região, a província, entre outros, constituem
parâmetros perceptivos que definem relações sociais entre ‘nós’
e ‘os outros’ e organizam processos de interação social.”[15].
Um
segundo referente sobre a incidência, junto à recepção, de uma
materialidade configuradora de um ethos midiatizado está relacionado à relevância atribuída à nacionalidade
como valor-notícia na construção da noticiabilidade das migrações
contemporâneas. A associação entre nacionalidade, cultura de
procedência ou qualquer outro signo de identidade do lugar de
origem dos imigrantes com atos delitivos ou de ilegalidade tem
sido uma das regularidades observadas nas estratégias de
midiatização das migrações contemporâneas no contexto
espanhol, conforme exemplificam os títulos a seguir extraídos da
última investigação realizada pelo MIGRACOM.
Detenido
el argelino que mato a
uma mujer em um gimnasio (ABC, edición
de Madrid,
11-06-02, p. 34)”
Una inmigante
ecautoriana sin papeles asesinada em el bar que limpiaba por
dos atracadores” (El Mundo,
edición de Madrid, 09-06-02, portada del suplmento de Madrid).
Detienen
a um marroquí por el
presunto secuestro de
su mujer e hijo donostiarra (El Correo Español, 04-06-02,
portada).
Embora
na investigação de 2002, seja constatada a incorporação, ainda
que gradual, de termos como, por exemplo “vizinho” para fazer
referência aos imigrantes de diferentes origens que vivem no país,
os adjetivos qualificativos ligados à nacionalidade seguem tendo
vigência na noticiabilidade das migrações no contexto espanhol.
[...]
Pero se empiezan a usar otros calificativos como vecino. Los
inmigrantes empiezan a ser tratados como ciudadanos o vecinos,
pero todavía el lugar de origen tiene un valor noticioso
importante. Es notícia, “el marroquí” y no el “vecino de
Bilbao” que secuestra a su mujer. Pero de los lugares de origen
delos inmigrantes apenas se habla y cuando se hace sigue siendo
por algún conflicto, desastre ecológico o guerra.[18]
Na
pesquisa exploratória realizada em Barcelona, observamos o
acionamento de competências, no campo da recepção, orientada a
três tipos de reconhecimento sobre o lugar ocupado pela
nacionalidade nas estratégias de midiatização das migrações.
Um primeiro diz respeito a essa demarcação da diferença
ancorada na nacionalidade como uma estratégia enunciativa
promotora da associação entre imigração e
conflito/criminalidade. Um segundo tipo de reconhecimento faz
referência à percepção dos receptores sobre
a emergência da nacionalidade como reatualizadora e
reconfiguradora de matrizes culturais que põem em relação
geopolítica e sociocultural espaços simbólicos como América
Latina e Europa.
Um
terceiro reconhecimento ancora-se na relação entre língua-nacionalidade
e visibilidade midiática em que, quando as vozes dos próprios
imigrantes assumem espaço nas mídias, a competência e manejo
lingüísticos despontam, conforme a percepção dos receptores,
como estratégias midiáticas que demarcam a diferença entre os
imigrantes e os “outros” espanhóis.
Lo
que me ha llamado la atención es que cuando ocurre algo, un
asalto, siempre se habla de la nacionalidad de la persona. Siempre
dicen que son de Ecuador, peruanos, mexicanos
(estudante mexicana, 25 anos, há dois anos em Barcelona)
[...]
Lo peor!! Pateras! Parece que cojan lo peor. Todo el mundo habla
mal. Por ejemplo cuando salen las pateras
parece que cojan a la persona que peor habla castellano. No
se por que hacen eso pero es horrible. Qué
quieren conseguir? (empregada em serviços de limpeza colombiana,
32 anos, há um ano e três meses em Barcelona)
[...]
la muerte de la chica dominicana y sus dos hijos em Alzira. Se
ventiló mucho la palabra negro y dominicano.”
(estilista de moda venezuelana, 30 anos,
há sete anos em Barcelona)
Imigrantes?
Sobre delimitação do universo da recepção e (auto)-atribuição
identitária
Uma
terceira indagação metodológica acerca da incidência de um ethos
midiatizado na recepção e ao próprio desenho de uma pesquisa de
recepção que assume o fenômeno migratório como objeto de
estudo diz respeito à delimitação de um universo de receptores
imigrantes frente à dispersão, fluidez, transitoriedade e
clandestinidade, que caracterizam o mundo vivido das migrações
contemporâneas.
O
reconhecimento de tais reconfigurações das experiências migratórias
contemporâneas tem provocado reorientações conceituais no próprio
campo da sociologia das migrações, onde noções como de “espaços
de vida” emergem para explicar experiências migratórias cada
vez mais definidas e hierarquizadas por “múltiplas formas de
mobilidade segundo critérios muito diversos, tais como a duração,
a freqüência e a periodicidade de utilização de cada lugar, os
modos de ser, a atividade, a formação, o modo de deslocamento, a distância,
as incidências a curto e a
longo prazo, etc.” .
O
perfil migratório dos entrevistados de nossa pesquisa reafirma
essa pluralidade que assume a experiência migratória. Antes de
chegar a Barcelona, o jovem paquistanês afirmou ter passado por
Arabia Saudita, Irã , Iraque, Turquia, Grécia, Itália e
Holanda; a estudante mexicana contou sua experiência de imigrante
e trabalhadora em Toronto e sua passagem por Madrid antes de
escolher Barcelona para viver. A estudante italiana morou,
anteriormente, em Viena, antes de mudar com o namorado catalão
para Barcelona.
A
exigência de delimitação de um universo de imigrantes a serem
entrevistados em uma pesquisa que pretende abordar a recepção
nos leva igualmente a experimentar as implicações metodológicas
de validar uma amostra, quantitativa e/ou qualitativa, ancorada
nas estatísticas governamentais ou mesmo nas cifras difundidas
pelas mídias que registram a presença de imigrantes de distintas
nacionalidades na
cidade de Barcelona .
A exclusão ou alguns modos de inclusão nas estatísticas
oficiais de imigrantes que não desfrutam de visto de residência,
designados, dentre outros, como clandestinos, ilegais ou
sem papéis, pelos campos governamentais e midiáticos, tem se
constituído em um dos principais limites metodológicos quando
optamos por nos referenciar nessas estatísticas para a definição
de uma amostragem de imigrantes para um estudo de recepção.
Agrega-se
a isso os usos e disputas políticas que envolvem a publicização,
através do uso das cifras, de uma presença quantitativa dos
imigrantes, conforme se observa quando se trata, por exemplo, da
demanda por regulação e controle das imigrações no marco do
alinhamento de distintas nações da Europa às políticas migratórias
da União Européia.
Por
outro lado, essa delimitação nos conduz a indagar a própria
incidência, no campo da pesquisa acadêmica, desse ethos
midiatizado como instância de atribuição identitária no que se
refere à categoria imigrante. Quando optamos pelas categorias
imigrantes e não imigrantes como recortes no universo da recepção
podemos estar assumindo, em certa medida, um ethos
que tem tratado de fixar e hierarquizar sentidos sobre essa
identidade ao nomear como imigrantes os cidadãos que chegam à
Espanha provenientes de países da África , da América Latina e
do Leste Europeu e não designar como imigrantes os jogadores de
futebol, os intelectuais, ou,
ainda, os cidadãos da União Européia. Essa preocupação se vê
reforçada quando alguns do que definimos previamente como
imigrantes para serem entrevistados em nosso estudo exploratório
afirmam não se reconhecerem nessa auto-atribuição identitária
quando indagados se se consideram ou se sentem imigrantes.
As
possibilidades e limites de acesso e interação com determinados
coletivos de imigrantes decorrentes de suas especificidades
culturais e lingüísticas é outra perspectiva identitária que
incide na delimitação de um universo de imigrantes, como é caso
de imigrantes oriundos de países árabes que têm um domínio
limitado dos idiomas espanhol e/ou catalão. Ou, ainda, de
mulheres de alguns países muçulmanos, cuja participação em
entrevistas está, muitas vezes, subordinada à presença do
marido.
A
própria pluralidade lingüística observada entre os coletivos de
imigrantes instalados em Barcelona nos impõe um tipo de
reflexividade acerca do procedimento da entrevista e da relação
entrevistador-entrevistado como reveladora de dinâmicas de
comunicação intercultural que vão sendo estabelecidas por
alguns imigrantes no âmbito das culturas das sociedades por onde
circulam e/ou se estabelecem. É o caso da opção por conceder a
entrevista em catalão, e não em espanhol, por parte de um
imigrante marroquino incluído em nosso estudo exploratório, nos
sugerindo leituras acerca das estratégias de afirmação
de processo de integração cultural na relação
entrevistador-entrevistado.
Identidades
imigrantes e as configurações de usos e competências na recepção
midiática
Uma
quarta e última ingadação consiste na busca de entendimento das
interfaces entre um ethos midiatizado
e as identidades imigrantes como uma das perspectivas da pesquisa
de recepção sobre as migrações. As injunções da
transitoriedade, fluidez e fragmentação ou, ainda, os
modos diferenciados de vivenciar as condições de cidadania
associadas a distintas posicionamentos identitários de
nacionalidade, gênero, classe, etc. ou, ainda,
o pertencimento à multiplicidade de redes sociais de caráter
migratório ou não, vão gerando uma pluralidade de lógicas e
estratégias específicas de usos e das mídias assim como o
desenvolvimento de repertórios e competências de apropriação
de dispositivos midiáticos.
Os
relatos dos imigrantes na pesquisa exploratória realizada em
Barcelona nos oferecem referências preliminares sobre a
materialidade de tais lógicas e estratégias. É o caso do jovem
comerciante paquistanês que segue conectado com as mídias de seu
país assistindo o canal Al Jazira em árabe na televisão do
restaurante onde trabalha e lendo regularmente “El Mirador”,
um jornal paquistanês, do qual já participou escrevendo um
poema.
A disponibilidade de serviço de ADSL que não dispunha no
México intensificou o uso da Internet pela estudante mexicana,
para leitura semanal de jornais de seu país, sobretudo para
saber, conforme relata, “o que dizem sobre a Espanha”.
A
estudante usa a Internet, ainda, para responder aos e-mails diários
enviados por sua avó que, segundo ela, aprendeu a usar a Internet
com a ajuda de um dos filhos para conectar com a neta na Espanha.
Durante a entrevista, lembra igualmente que passou a assistir
menos televisão do que quando vivia no México em função da
redução de seu tempo livre e, sobretudo, por dispor de um único
aparelho de televisão na sala de um apartamento que divide com
mais três amigos.
Embora
disponha também de ADSL, a jovem argentina, empregada de um
restaurante nos arredores de Barcelona, não usa ou e-mail para
contato com parentes e amigos em seu país de origem ou a Internet
para ler jornais argentinos ou buscar qualquer informação sobre
a Argentina. O que sugere a especificidade de um uso midiático
pautado pelo “não contato com o lugar de origem” e mediado
por um certo “desencanto nacionalista” que, evidenciado
durante a entrevista, assumiu peso igualmente na decisão da jovem
por emigrar à Espanha
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GARCIA, Nicolás. Tractament dels immigrants no communitaris als mitjans de comunicació a
Catalunya. Barcelona:
Observatori i Grup de recerca Migració i Comunicació de la
Universitat Autônoma de Barcelona/Departament de Benestar Social
de La Generalitat de Catalunya, 2000 (relatório de pesquisa)
.
LORITE
GARCIA, Nicolás. Tractament Informatiu dels immigrants no
comunitaris als mitjans de comunicació (premsa, ràdio i televisió)
a Catalunya, any 1996. Barcelona: Observatori i Grup de
recerca Migració i Comunicació de la Universitat Autônoma de
Barcelona/Departament de Benestar Social
de La Generalitat de Catalunya, 1996. (relatório de pesquisa).
MATTA,
Maria Cristina. De la
cultura masiva a la cultura mediática. Diálogos
de la Comunicación. Lima: Felafacs.
nº 56, p. 80-90, out. 1999.
SODRÉ,
Muniz. Antropológica do
espelho – uma teoria da comunicação linear e em rede. Petrópolis:
Vozes, 2002.
VAN
DIJK, Teun A. Racismo y análisis crítico de los medios. Buenos Aires: Paidós
1997.
[1]
Professora titular e coordenadora do grupo de pesquisa Mídia
e Multiculturalismo (www.midiamigra.com.br)
do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação
da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), em São
Leopoldo, RS, Brasil. Coordenadora brasileira do projeto de
cooperação acadêmica Brasil-Espanha financiado por CAPES e
MECD. E-mail: denisecogo@uol.com.br
[2]
Professor titular do Departamento de Publicidad e Comunicación
Audiovisual e coordenador do Observatorio y Grupo de
Investigación en Comunicación y Migración (MIGRACOM) de la
Universidad Autónoma de Barcelona (www.migracom.org).
Coordenador espanhol do projeto de cooperação internacional
Brasil-Espanha financiado por CAPES e MECD. E-mail:
Nicolas.lorite@uab.es
[3]
O projeto foi aprovado pela comissão mista constituída pela
Secretaria de Universidades do Ministério de Educación,
Cultura y Deportes (MECD) e pela Comissão de y Entidade do Governo Brasileiro voltada para a formação de recursos
humanos (CAPES). Desenvolvido pelos grupos de pesquisa
Mídia e Multiculturalismo, do Programa de Pós-Graduação em
Ciências da Comunicação da Unisinos e Mídia e
Multiculturalismo e
Processos Comunicacionais: Epistemologia, Midiatização,
Mediações e Recepção do Programa de Pós-Graduação em Ciências
da Comunicação da Universidade do Vale do Rio dos Sinos e
Observatorio y Grupo de Investigación en Comunicación y
Migración (MIGRACOM) da Universidade Autônoma de Barcelonao
projeto envolve um conjunto de ações no campo da docência,
pesquisa e extensão.
[4]
SODRÉ, Muniz. Antropológica do espelho – uma teoria da comunicação linear e
em rede. Petrópolis: Vozes, 2002, p. 11.
[5]
A metodologia dessas investigações não será detalhada
nesse texto, mas apenas os resultados das três principais
pesquisas realizadas pelo MIGRACOM que têm privilegiado o
estudo do tratamento informativo das imigrações contemporâneas.
Um detalhamento sobre a metodologia das pesquisas pode ser
encontrado em LORITE GARCIA, Nicolás. Tractament
Informatiu dels immigrants no comunitaris als mitjans de
comunicació (premsa, ràdio i televisió) a Catalunya, any
1996. Barcelona: Observatori i Grup de recerca Migració i
Comunicació de la Universitat Autônoma de
Barcelona/Departament de Benestar Social de La Generalitat de
Catalunya, 1996. (relatório de pesquisa). LORITE GARCIA,
Nicolás. Tractament dels immigrants no communitaris als mitjans de comunicació a
Catalunya. Barcelona:
Observatori i Grup de recerca Migració i Comunicació de la
Universitat Autônoma de Barcelona/Departament de Benestar
Social de La Generalitat de Catalunya, 2000 (relatório de
pesquisa) e LORITE GARCIA, Nicolás (dir.). Tratamiento
de de la inmigración en España. Año 2002.
Madrid: Instituto de Migraciones y Servicios
Sociales/Ministerio de Trabajo y Asuntos Sociales, 2004.
[6]
Realizada pelo grupo de pesquisa Mídia e Multiculturalismo da
Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), a pesquisa
consistiu na análise discursiva e de 1868 textos midiáticos
publicados, entre julho de 2001 e julho de 2003, por nove
jornais brasileiros e uma revista de circulação nacional, da
observação das rotinas de produção jornalística das
editorias Mundo dos jornais Folha de São Paulo e Zero Hora e
de entrevistas com imigrantes e representantes de ONGs que
atuam junto a imigrantes estrangeiros. Ver COGO ,Denise. Mídia,
migração e interculturalidade. São Leopoldo:
Unisinos/CNPq/Fapergs, 2004 (relatório de pesquisa vol.
I e II).
[7]
O trabalho exploratório foi realizado como atividade acadêmica
do curso internacional Interculturalidad
y medios de comunicación – la mediatización de las
migraciones contemporânea,s ministrado, em Barcelona, em
abril e maio de 2004, pelos autores desse trabalho e com a
participação de 29 alunos de diferentes nacionalidades. Na
elaboração desse artigo, são utilizados os dados de um
total de 16 entrevistas, três com não imigrantes (uma catalã,
um espanhol e uma espanhola) e treze com imigrantes das
seguintes nacionalidades (um paquistanês, uma polonesa, uma
italiana, uma mexicana, uma argentina, um argentino, uma
venezuelana, uma
colombiana, dois senegaleses, dois marroquinos e um natural de
Bangladesh, realizadas pelas alunas Lola Barceló, Eva Queralt
Llobregat, Marta Roda Milá,
Ágata Ylla, Jenni Roda Casado, Cristina Brotons e pela
co-autora desse artigo, Denise Cogo. As demais entrevistas
ainda não haviam sido entregues pelos alunos até a data de
elaboração desse artigo. Pesquisa exploratória de recepção
semelhante será realizada no Brasil entre agosto e outubro de
2004 como atividade do projeto de cooperação internacional.
[8]
MATTA, Maria Cristina. De la cultura masiva a la cultura mediática.
Diálogos de la
Comunicación. Lima: Felafacs. nº 56, p. 80-90, out.
1999.
[9]
Pequenas embarcações que transportam imigrantes desde países
africanos, como Marrocos, para a costa espanhola.
[10]
Desde uma perspectiva quantitativa, nas três redes de televisão
espanholas de âmbito estatal (TVE, Tele 5 e A-3) triplicou,
entre 2000 e 2002, o tempo destinado a unidades informativas
sobre imigração em telejornais. Em 1996, essas três redes
dedicavam 0.61%, em 2000, 2,29%
e em 2002, 7,3% do tempo de seus telejornais veiculadas
durante a tarde-noite a temas relacionados direta ou
indiretamente com a imigração. Nos três anos, a análise,
em uma amostra de televisões de foi realizada em edições
dos telejornais veiculadas nos meses maio e junho. Ver
LORITE GARCIA, Nicolás (dir.). Tratamiento de de la
inmigración en España. Año 2002. Madrid: Instituto de
Migraciones y Servicios Sociales/Ministerio de Trabajo y
Asuntos Sociales, 2004. p. 74-75.
[11]
LORITE GARCIA, Nicolás (dir.). Tratamiento de de la
inmigración en España. Año 2002. Madrid: Instituto de
Migraciones y Servicios Sociales/Ministerio de Trabajo y
Asuntos Sociales, 2004. p. 11.
LORITE GARCIA,
Nicolás (dir.). Tratamiento de de la inmigración en España.
Año 2002. Madrid: Instituto de Migraciones y Servicios
Sociales/Ministerio de Trabajo y Asuntos Sociales, 2004. p.
12. Esse é também um tipo de
tratamento predominante na mídia impressa brasileira no que
se refere às migrações contemporâneas orientadas à União
Européia.
[13]
LORITE GARCIA, Nicolás (dir.). Tratamiento de de la
inmigración en España. Año 2002. Madrid: Instituto de
Migraciones y Servicios Sociales/Ministerio de Trabajo y
Asuntos Sociales, 2004. p. 12.
[14]
LORITE GARCIA, Nicolás (dir.). Tratamiento de de la
inmigración en España. Año 2002. Madrid: Instituto de
Migraciones y Servicios Sociales/Ministerio de Trabajo y
Asuntos Sociales, 2004. p. 13.
[15]
GRIMSON, Alejandro. Nacionalidad y nacionalismo en un puente
bloqueado. Contrastes periodisticos en la frontera
argentino-paraguaya. Estudios
migratorios latinoamericanos. Buenos Aires, v. 1, n.
40-41, p. 511-537, 1998/1999.
As mesmas regularidades são verificadas na pesquisa
sobre o tratamento midiático das migrações na mídia
impressa brasileira no que se refere às migrações
orientadas à União Européia.
LORITE GARCIA,
Nicolás (dir.). Tratamiento de de la inmigración en España.
Año 2002. Madrid: Instituto de Migraciones y Servicios
Sociales/Ministerio de Trabajo y Asuntos Sociales, 2004. p.
37.
[18]
LORITE GARCIA, Nicolás (dir.). Tratamiento de de la
inmigración en España. Año 2002. Madrid: Instituto de
Migraciones y Servicios Sociales/Ministerio de Trabajo y
Asuntos Sociales, 2004. p. 13.
[19]
DOMENACH, Hervé; PICOUET, Michel. Les
migrations. Paris:
Presses Universitaires de France, 1995. p. 10.
[20]
No caso de Barcelona, essas estatísticas indicam, por
exemplo, uma maior presença de equatorianos e marroquinos
entre os coletivos de imigrantes.
O uso das cifras como dispositivo retórico da construção
midiática das migrações aparece nos resultados das
pesquisas dos grupos espanhol
e brasileiro e tem sido reiteradamente observadas em
outras investigações sobre a midiatização das migrações,
como é o caso das pesquisas pioneiras coordenadas por Teun
Van Djik. Ver VAN
DIJK, Teun A. Racismo y
análisis crítico de los medios. Buenos Aires: Paidós
1997.
As dinâmicas lingüísticas repercutem na própria disputa e
negociação dos imigrantes pela ocupação de espaços nas mídias
locais, resultando em experiências como a de um programa
informativo multilingüístico lançado pela BTV (Barcelona
TV) no primeiro semestre de 2004.
A jovem argentina, que não possui visto de residência,
divide o apartamento que vive em Barcelona com a mexicana também
entrevistada em nossa pesquisa.