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Consultando
médicos na televisão[1].
L.Graciela
Natansohn[2]
Faculdade
de Tecnologia e Ciências-FTC/Salvador-Ba (Brasil)
Resumo
Neste
trabalho apresentamos resultados de uma pesquisa de recepção de
programas de televisão onde médicos respondem a consultas do público,
mediante a análise do contrato de leitura de ambos os programas
(Veron, 1985). Propomos esta abordagem da recepção como uma
forma de relacionar teórica e metodologicamente suportes, textos
e audiências mediáticas.
Palavras-chave:
recepção, televisão, gênero.
1.
Apresentação
Existem
programas de TV diários nos quais os profissionais da saúde
respondem a consultas dos telespectadores. Em geral, estes
programas se utilizam da participação do público, em diversos
graus e modalidades. Em alguns deles, a participação é à viva
voz, pelo telefone, ao vivo. Em outros, a audiência envia
perguntas que os apresentadores lêem; há casos em que quem faz
as perguntas é o próprio apresentador. Contudo, em todas as
modalidades, há um convite ao público a implicar-se, ativamente,
mediante o telefone, fax ou e-mail, estabelecendo-se um intercâmbio
entre expertos e leigos, entre um ‘dentro’ da tela e um
‘fora’ da tela, conduzido no estúdio por um apresentador. É
o caso das seções de dois programas que aqui analisamos: um, de
alcance nacional, o Note e Anote (Rede Record) e outro, local, o
Conversa Franca (Band-Bahia), os quais denominamos
‘tele-consultas médicas’.
Nesses
dois programas de televisão, mediante diversas estratégias,
estabelecem-se relações com o público (trata-se de
consultas médicas gratuitas),
validam-se e instituem-se saberes sobre a saúde
reprodutiva e propõem-se, implicitamente, relações de gênero e
imaginários sociais sobre a saúde e sobre os conhecimentos científicos
legitimados por e através desse suporte.
Propusemo-nos,
especificamente, analisar as representações sociais articuladas
pelos dois programas sobre o processo saúde/doença/cuidados da
saúde reprodutiva das mulheres, focalizando especialmente o ciclo
menstrual e seus transtornos para, depois, analisar e comparar as
estratégias discursivas propostas pelas emissões com as estratégias
de consumo, recepção e usos dos programas, realizados por um
setor da audiência. Todo isso para refletir e analisar como, teórica
e metodologicamente, se estabelecem vínculos entre as múltiplas
ofertas de consumo elaboradas pelas instâncias de produção
televisiva e as leituras, interpretações, apropriações e
consumos efetivamente realizados pelos receptores[3].
Nos Estudos Culturais e em autores como Hall (1987, 1996a, 1996b),
Morley (1980, 1999), Morley & Brunsdon (1999), Ang (1996,
1997) procuramos sustento teórico para entender a complexidade da
televisão como objeto de estudo, assim como indagamos as viragens
conceituais e metodológicas que trabalhos feministas (BUTLER,
2001; GERAGHTY, 1998; GLEDHILL, 1997) colocaram em cena desde os
anos 70. Ainda recolocamos alguns problemas teóricos e metodológicos
que os estudos de recepção vêm enfrentando e propomos uma
metodologia de análise da televisão e da recepção, como uma
forma de superar a fragmentação com a qual se tem trabalhado.
2.
Metodologia: os
contratos de leitura e a recepção
Tomando
distância de perspectivas condutivistas, evidentemente, não se
acredita aqui que as emissões de TV operam como estímulos que
provocarão uma resposta (condutual ou psicológica), mas que a única
forma possível de estudar experimentalmente a recepção -
enquanto produção de sentidos fortemente orientada pela
hegemonia midiática, e sem a ressonância social desta - é a
partir da elaboração de hipótese sobre algum ‘efeito de
sentido’ provocado pelos textos-programas. Contudo, não podemos
reduzir a recepção a um único processo nem a um único aspecto,
o discursivo. Recepção é uma palavra extremamente polissêmica
que inclui processos conscientes e lógicos de atenção, leitura,
inferência, interpretação, compreensão/ não compreensão,
exposição; processos inconscientes da ordem da adesão ou do
desejo, e processos valorativos como a aceitação/rejeição, a
acordo/discordância, o gosto/desgosto, dentre muitos outros.
Todas as combinações entre esses termos são possíveis.
Ainda, é preciso reparar na relativa autonomia das fases
de emissão e recepção: nem sempre a recepção de um programa
tem a ver com as estratégias discursivas deste, por isso a
necessidade de um trabalho de interpretação etnográfica das
condições de recepção, não discursivas (familiares, sociais,
culturais, etc.). Ambas as metodologias se nos apresentaram como
necessárias e complementares na medida em que um texto pode ser
lido diferentemente, em diferentes contextos, e um mesmo contexto
pode dar lugar a diversas leituras.
De
um modo mais preciso, a questão central enfrentada na nossa
pesquisa diz respeito à discussão do modo como um grupo pequeno
de famílias de classe média baixa, setores excluídos, na
terminologia sócio-política, que têm acesso limitado aos bens
de saúde e aos bens culturais, assimilam, rejeitam, ordenam,
categorizam, hierarquizam, enfim, reelaboram a oferta discursiva
de medicina e saúde da televisão, levando-se em conta, também,
alguns aspectos sócio-culturais e econômicos. A interpretação
do pesquisador provém da costura e da interpretação do conjunto
da produção discursiva das informantes, na procura dos repertórios
regulares de conteúdo e de enunciação nos seus depoimentos, mas
também de outras pistas interxtextuais, e das observações
etnográficas.
A
perspectiva metodológica empregada para analisar a recepção dos
programas devia dar conta, em primeiro lugar, da irredutível
unilateralidade da enunciação televisiva - amenizada, como
vimos, pela participação dos telespectadores - e do poder
significante que, a priori, detém a mídia concentrada. Não se
trata de analisar discursos que só circulam, mas que se renovam
periodicamente em forma de ofertas quantitativamente limitadas
(estamos falando de TV aberta), as quais o público, a princípio,
assiste ou não, e quando o faz - como acontece com nossos
entrevistados – , responde de muitas maneiras. O problema é
como se colocam os públicos perante essas propostas e de que
forma suas leituras vão avaliar os papéis sugeridos para cada um
dos personagens.
As
tele-consultas médicas foram submetidas a dois tipos de análise:
de conteúdo (ou temático) e do discurso (dos contratos de
leitura propostos). Através do primeiro, destrinchamos as conseqüências
ideológicas e políticas das representações patriarcais da saúde
telemediada, enfocando a desvalorização da menstruação e da
tensão pré-menstrual, predominantes na cultura e na TV. Através
da análise do contrato de leitura das emissões, tentamos
entender os vínculos entre gêneros textuais e relações de gênero,
e os modos de construção textual (imagens, sons, cenários,
linguagem e aspectos espaciais e gestuais) em que esses valores
tomam forma, o que nos permitiu propor hipóteses sobre os
diferentes mecanismos de interpelação do público propostos por
cada programa. Por isso, nos interessou, em primeiro lugar,
analisar os produtos à luz do seu ‘contrato de leitura’
(Veron, 1985, 1983, 1988), o qual foi colocado à prova para
testar as formas e modalidades que adquire a interpelação desses
programas de tele-consultas médicas.
Para
Verón, a relação entre um meio e seus leitores repousa sobre um
pacto de leitura, elaborado pela instância da emissão, que vai
ter êxito (vai ser cumprido, isto é, o suporte será lido, visto
e ouvido) a depender das expectativas, motivações e interesses
do público, mas, fundamentalmente, pelo funcionamento da enunciação,
isto é, além dos conteúdos (enunciados) pelas modalidades do
dizer (enunciação). O contrato está constituído pelo conjunto
de regras e estruturas enunciativas estabelecidas pelo emissor, na
sua produção discursiva, a partir da interação com um
pretendido receptor. Assim, detectamos dois tipos de ‘contratos
de leitura’, um em cada programa; isto é, duas formas através
das quais programas cujo conteúdo é similar, oferecem
especificidades para concorrer no universo massivo das audiências
de televisão. Para realizar a
análise, do programa Note e Anote foram selecionados quatro
programas (NOTE E ANOTE, 2002). Do Conversa Franca, foram
selecionados cinco programas (CONVERSA FRANCA, 2002), quando se
passava na TVBand-Bahia. Trata-se de uma amostra intencional,
baseada em critérios de recorrência e de invariabilidade dos
temas.
Nossas
hipóteses sobre o contrato proposto ao público foram
‘testadas’ mediante uma análise interpretativa na fase da
recepção, através de um ‘estudo de caso’, no qual
analisamos os modos pelos quais as audiências se fazem cargo ou não
das ofertas interpretativas dos programas, isto é, das instruções
propostas pela emissão. Realizamos um trabalho etnográfico com
um grupo de mulheres, todas elas vizinhas e telespectadoras mais
ou menos regulares das emissões estudadas, moradoras num bairro
popular da cidade de Salvador, o Engenho Velho de Brotas.
Realizamos observações, entrevistas e focus groups e
participamos de algumas atividades religiosas e comunitárias.
Procuramos metodologias que nos permitissem uma produção
abundante e suficientemente espontânea de depoimentos em
contextos similares àqueles em que o consumo de tevê se dá na
vida dessas pessoas, em família e em casa, assumindo a inevitável
artificialidade da situação de inquérito. Os depoimentos foram
recolhidos através de entrevistas semi-dirigidas e grupos focais.
As entrevistas, que eram realizadas nas casas das informantes,
foram longas conversas descontraídas que versavam sobre dois
eixos, a televisão, seu consumo, recepção e usos, enfatizando
os programas pesquisados, e a saúde reprodutiva, enfatizando-se a
menstruação e seus transtornos, práticas de saúde, imaginários
e saberes individuais, familiares e sociais. Realizaram-se 15
entrevistas gravadas (de quase uma hora cada uma),
numerosas visitas e conversas informais durante os meses
que durou nosso trabalho de campo. Os grupos focais eram compostos
por 4 ou 5 membros e se reuniam nos domicílios das informantes.
Assumimos
este trabalho procurando articular audiências, meios e textos
televisivos. Procuramos encontrar, nas vozes do público dos
programas de televisão, os traços enunciativos dos diversos
lugares a partir dos quais se definem, ainda que provisoriamente,
o corpo, a doença, a saúde, a própria identidade, e o lugar que
a televisão ocupa na vida das pessoas e o quanto contribui na
criação e reprodução dessas representações; tentamos
entender os tipos de relações que, a partir das emissões, se
estabelecem entre saberes de diferente hierarquia, possibilitando
que certas coisas possam ser ditas, de uma forma específica, e
que outras coisas não tenham chances de ser pronunciadas ou
ainda, pensadas, na vida social.
4.
Análise dos resultados
O
Note e Anote e o Conversa Franca são dois tipos de programas
cujas estratégias de comunicação são bem diferentes e, quando
olhamos com maior detalhe, essas diferenças estão mais
determinadas pelas restrições genéricas dos programas dos quais
as tele-consultas fazem parte (trata-se de tele-consultas em um
programa magazine, no caso do Note e Anote e de um jornalístico,
no Conversa Franca) que dos recursos econômicos e técnicos -
absolutamente desiguais - postos em jogo. Observamos que ambas
propostas são esteticamente conservadoras enquanto recursos imagéticos
utilizados, predominando o velho e econômico recurso das ‘cabeças
falantes’, umas (no Conversa Franca) sobre um pano de fundo único
e mínimos recursos técnicos – trata-se de um programa local
sem grandes recursos financeiros; outras, (no Note e Anote), com
maior dinamicidade, mais jogos de câmara e cenários apenas mais
diversificados – trata-se de um programa transmitido numa rede
nacional que fatura alto em merchandising.
Essas
diferentes estratégias de comunicação têm a ver com os gêneros
nos quais estes subprodutos se encaixam, gêneros em sentido
textual (genre) enquanto formas de organizar textos midiáticos,
que compreendem tanto temáticas, modos de se dirigir ao público,
como elementos contextuais, tais como horários, extensão, todas
elas características permanentes, constantes, que asseguram a
satisfação das expectativas do público a respeito da sua
inteligibilidade e reconhecimento. Observamos que o
gênero (genre) de ambos programas (magazine num caso e
jornalístico em outro), mais do que expressar uma vontade de
atingir um publico determinado sexualmente,
elabora o gênero (gender) dos telespectadores, mediante
estratégias de feminilização ou masculinização embutidas
tanto nos textos como nos contextos dos programas. Essas estratégias
estão nos nomes dos programas, nas formas de se dirigir ao público
(as formas socialmente consideradas “femininas” ou
“masculinas”), nas temáticas (que supõem e propõem gostos
diferenciados por sexos); nos horários (que supõem a presença/ausência
de certos membros do lar). Assim, o Conversa Franca, programa
jornalístico, oferta para homens e mulheres, pretende-se isento
de relações de gênero (isto é, porque o masculino pretende-se
norma e o feminino é a diferença) enquanto o Note e Anote
feminiliza sua audiência. Essas formas genéricas dos programas
propõem, prescrevem e definem as formas culturais da identidade
sexual.
Sendo
ambos os programas praticamente idênticos quanto às temáticas,
abordagens e ideologias médicas colocadas em jogo, cada
tele-consulta constrói um produto diferente devido ao tratamento
enunciativo que se dá a esses temas (apesar de que estabelecem,
os dois programas, um
contrato de base pedagógico). Esse tratamento tem a ver com os
artifícios discursivos, que incluem estratégias da ordem do lingüístico,
do icônico, do gestual, do espacial e do sonoro. No programa
local se constrói um vínculo cujo sustento radica na
‘objetividade’ da ciência e a impessoalidade do cientista,
que ocupa o lugar tradicional e formal reservado ao saber científico,
solicitando telespectadores independentes, distantes e
relativamente informados, enquanto, no programa nacional, fica em
relevo um contrato baseado na confiança e no afeto, um vínculo
com umas telespectadoras de carne e osso, pouco informadas,
carentes de conselhos médicos, contrato sustentado na
‘objetividade da ciência’ e na subjetividade do cientista.
Nossas
hipóteses afirmam (e o trabalho em campo, o confirma) que essas
modalidades de comunicação são as responsáveis por
arregimentar determinados públicos (os visados pela produção
como potenciais e desejáveis públicos-consumidores) e orientar a
recepção, no sentido de, uma vez capturados, orientar as
interpretações, leituras e usos do público.
Essas
modalidades diferenciadas, esses “contratos de leitura”,
implicam toda uma aparelhagem técnica e discursiva que entra em
jogo neste processo, em produção. Essas estratégias são, em
geral, cuidadosamente planejadas, especialmente no Note e Anote,
onde se jogam altíssimas quantias em publicidade, produção e
salário da apresentadora. Já no caso do programa local, nem
sempre as decisões dependem de opções estratégicas da produção,
mas de táticas de sobrevivência ‘no ar’ que se sustentam ao
redor da figura de alcance nacional que o médico representa. Não
se trata de sopesar aqui quão intencionais e planejadas sejam as
formas mediante as quais os programas se oferecem à disposição
do público. O que nos importa, em produção, é interpretar
quanto as lógicas econômicas, ideológicas, culturais e sociais
estão marcadas no programa, são parte do texto-programa, para,
em recepção, tentar saber quais efeitos de sentido são capazes
de provocar essas configurações midiáticas, qual a capacidade
de implicação que os públicos podem ter a partir dessa oferta,
quão metabolizadas são as propostas dessas emissões.
No
ápice do trabalho partimos, então, para a procura de leitoras cúmplices
com o papel de pacientes ávidas de saber e necessitadas de
conselhos médicos, como o programa Note e Anote deseja, e de
leitoras interessadas em obter informação imparcial e científica,
como o imagina o Conversa Franca. Encontramos muitas outras
coisas, como era de se supor. Da análise da recepção dos
contratos de leitura de ambos os programas pudemos ver algumas
pistas para entender as diferentes estratégias de comunicação e
o êxito diferente de cada uma das propostas. Entendemos a recepção
de programas sobre saúde feminina como um dos momentos e locais
do processo social de construção das ideologias medicalizantes e
normalizantes do corpo feminino, mas não o único nem o
principal, como pode ser percebido nas entrevistas realizadas. A
recepção de tevê parece uma prática global; enquanto se
assiste programa a programa com mais ou menos atenção, o que se
captura em recepção é um resíduo significante da programação
geral, dos temas, dos ‘modos de dizer’, produto da
credibilidade geral da mídia e da confiança na sua permanência.
O
êxito relativo encontrado nas informantes, que se adaptaram em
quase todos os casos aos contratos propostos, demonstra que a
dimensão referencial, predominante nos discursos de base científica,
é a parte menos importante quando se fala de saúde tele-mediada.
Isto tem conseqüências importantes tanto para a saúde quanto
para os estudos de recepção.
Tanto
nossos tele-médicos quanto a medicina fora da tela supõem que o
que as pessoas fazem com sua saúde é produto de uma atividade
consciente e intencional, que é possível de ser mudada através
de um outro conhecimento ou informação. Acredita-se que o
conhecimento sobre a saúde seja a resultante de um conjunto
coerente de mensagens que, oferecidas aos sujeitos, passam a ser,
em forma parcial ou incompleta, parte do estoque de pensamento
disponível para a reflexão e a ação. Observamos, contudo,
atitudes bem diferentes nos públicos pesquisados.
O
médico paulistano, simpático e amável, assim como o sarcástico
cientista baiano, provocaram nas suas telespectadoras (pelo menos,
as entrevistadas por nós) juízos morais e estéticos, mas, por
outro lado, em pouquíssimas ocasiões elas elaboraram juízos críticos
em termos referenciais e ideológicos. Não se pronunciaram sobre
a validade e pertinência das temáticas nem sobre as regras que
regulam a narrativa do programa. Como uma espécie de revolta
contra o logos da ciência, nossas telespectadoras não se opõem
ao médico baiano, que as desgostou tanto, em termos conceituais
ou ideológicos, e sim em termos estéticos. Em verdade, elas
parecem completar, na recepção, a fragmentação e racionalização
dos corpos oferecidos nas duas emissões. As diferenças
historicamente determinadas entre os gêneros são as que
permitiram colocar nossas entrevistadas - não sem contradições
- no lugar de pacientes sensíveis a um sorriso, cujo sofrimento -
corpos dóceis, enfim - forma parte do seu “ser mulher”.
Essa
objetivação do corpo, presente nas duas propostas, é muito mais
marcante nas formas de expressão do médico baiano que nas
modalizações do paulistano, para quem, além de um ‘você’,
há um ‘aqui e agora’ para as tele-pacientes. As marcas de
subjetividade notadas no programa Note e Anote são a razão de
ser não da medicina, mas da televisão, esse lugar que é como
nossa casa. Daí o êxito da proposta entre nossas entrevistadas.
Parece que, em recepção, o juízo crítico que se faz dos
programas, globalmente, não parece impedir a existência de certa
influência, mas o problema é caracterizá-la. Notamos forte
influência de tipo cognitiva, agenciadora de temas, manifestada
no vocabulário utilizado para referir-se ao corpo, a suas dores,
às explicações das experiências corporais e sociais, como no
caso da tensão pré-menstrual. A tensão pré-menstrual (TPM) nos
chamou muito a atenção por tratar-se de um fenômeno discursivo
de peso na comunidade interpretativa nacional, adepta ao uso de
siglas a partir de uma prática jornalística já ritualizada. A
TPM parece demonstrar a simbiose entre o texto da telespectadora e
o corpo do texto midiático como espaço cultural (NIGHTINGALE,
1999). O corpo da telespectadora é um espaço cultural que produz
signos de uma história pessoal, na qual a tevê está
escrita/inscrita no corpo, de diversas formas.
A
leitura dos textos televisivos pesquisados é individual e solitária,
mas isto não significa que sua recepção não seja social.
Trata-se de uma experiência pessoal que tem como marco a
subjetividade, especialmente a história familiar, os relatos
maternos, mas adquire sentido na medida em que se entrelaça com
um coletivo social, o das ‘vizinhas’ ou ‘amigas’, que, no
caso da saúde, partilham uma experiência socialmente contraditória
que, por um lado, as valoriza por seu caráter fortemente
emocional (especialmente, no que se refere à maternidade), e as
vitimiza por sua medicalização e sua associação com o
sofrimento. “A natureza é terrível com as mulheres” diz uma
entrevistada, parafraseando o médico baiano. A permanente alusão
à natureza feita pelos médicos adquire ressonância nas falas
das mulheres. A natureza é tudo aquilo que elas não podem
driblar, dominar ou controlar, mas a natureza é mãe e, portanto,
é sagrada. Os repertórios que falam da identidade entre natureza
e mulher são permanentes e inquestionáveis.
Todas
as telespectadoras entrevistadas têm tendência a utilizar repertórios
interpretativos baseados em julgamentos morais (‘ruim/bom’,
‘contra/a favor’; ‘limpo/sujo’) e relações de poder
(‘deve/não deve’; ‘pode/não pode’; ‘acho/não acho’,
este último em forma reiterada) formuladas sempre em termos binários,
assim como se detectou o uso freqüente de certas palavras
provenientes dos âmbitos exotéricos da ciência mediatizada, que
funcionam como imagens, construções de mundo inverificáveis mas
irrefutáveis, expressadas por palavras ou frases sintéticas,
tais como ‘hormônios’, ‘reposição hormonal’,
‘cientista’, ‘glândulas’, ‘limpar o útero’,
‘cisto’, ‘sangue sujo/bom’, algum deles, utilizados
constantemente pelos médicos. Esse tipo de depoimento parece
fruto do ‘efeito agenda’ da mídia (TRAQUINA, 1995); não
temos certeza se a televisão diz a essas mulheres como pensar,
mas parece ter uma capacidade espantosa para lhes indicar sobre o
que pensar em termos de saúde reprodutiva, e com que repertório
lingüístico, o que convida a refletir sobre que relações de
poder estão se cristalizando nessas expressões.
As
recomendações de beber chá, por parte dos médicos, as
reconcilia com a prática médica e quanto mais o médico se
aproxima da cultura vivida, mais é valorado, porque a ciência
ameaça os aspectos emocionais dos seus saberes. Respeita-se muito
o saber científico-midiático, mas valora-se ainda mais na medida
em que vai ao encontro de saberes familiares e comunitários
arraigados, mesmo que socialmente desvalorizados. A medicina é
mais do que um conjunto de técnicas usadas perante uma doença;
é um conjunto de normas e valores acerca de si e do próprio
corpo, das suas atividades e relações com o entorno, com as
comidas, com o ambiente, com os outros, e quando entra em contato
com outros conjuntos de valores e lógicas, é confrontada com
esses saberes. A medicina pensa os cuidados como se fossem normas,
estruturas racionais e voluntárias de conduta, enquanto elas
pensam os cuidados da saúde como algo afetivo, algo para ser
resguardado da erosão do discurso científico.
Há
diferentes atitudes perante a oferta televisiva: há quem se
posiciona criticamente, há quem negocia permanentemente. Alguma
desconfia dos conteúdos, mas desconfia mais ainda da validade dos
seus próprios conhecimentos. A interpretação dos programas de
tele-consultas médicas se dá sobre o pano de fundo da própria
experiência, na qual participam, sempre, outras mensagens, outras
instituições, outras vozes. O trabalho da interpretação
consiste no confronto entre saberes provenientes de outras fontes
(familiares, pessoais, sociais) e as propostas das emissões, e
esse confronto coloca em jogo o próprio corpo, as percepções
que temos dele, a história familiar, pode reescrever a ‘novela
familiar’, diria Freud.
Jamais
qualquer das entrevistadas colocou em questão a pertinência,
validade e autoridade dos médicos, das temáticas, dos suportes.
O médico da televisão é o equivalente ao médico pessoal, mas
aquele médico ao qual, pelas condições sócio-econômicas, elas
não têm acesso; a tele-consulta, uma maneira barata e fácil de
satisfazer a curiosidade ou tirar algumas dúvidas com um
profissional cuja autoridade emana, basicamente, da sua
popularidade midiática.
Em
geral, todas parecem crer na legitimidade da tele-consulta e da
televisão, e nos personagens recriados pelos dois médicos e os
apresentadores. Essa credibilidade é fruto da experiência midiática,
de uma série complexa de imagens que as receptoras têm da
televisão, em geral, dos gêneros, da confiança depositada no
meio, dos programas e dos personagens, fictícios e reais, e, também,
da ciência médica. Contudo, a experiência do telespectador se
constitui ao redor de uma pluralidade de programas de verdades e
de regimes de crenças: pode-se crer sem crer, crer mais ou menos,
ou crer em coisas contraditórias, pode-se saber e preferir crer
em outra coisa, ou então fazer de conta que se crê. O que está
claro é que há uma questão de credibilidade muito forte. Por
isso o saber através da mídia virou um saber de ‘primeira mão’;
porque o ‘vi na tevê’ vem a significar ‘por que o vi’.
Mas a crença na televisão não parece uma crença religiosa, ao
contrário, é provisional, temporária, até o aparecimento de
uma outra.
Podemos
afirmar que praticamente todas cumprem à risca as exigências do
contrato formulado pelo Note e Anote, cujas telespectadoras
assumem-se fãs e cúmplices incondicionais do simpático médico
paulistano. Já o Conversa Franca apresentou um leque de posições
maiores, porém não muito divergentes.
Poderíamos
afirmar que algumas das informantes parecem as destinatárias
imaginadas pelos produtores do programa baiano, algo infiéis
(pois não assistem assiduamente), mas aceitam o contrato algo
agressivo proposto pela emissão. Distantes, não se deixam
seduzir facilmente, mas entram na polêmica proposta pelo médico.
Não expressam dúvidas quanto ao conteúdo do falado nem ao lugar
de fala dos enunciadores, mas coloca-se em questão o próprio
lugar ativado pela emissão, o ego.
“Ele
aí e eu aqui” parece ser uma boa metáfora para equacionar a
convivência entre dois espaços temporal e espacialmente
distantes, que entram em confluência na tela, mas que podem lidar
com eles na medida em que se consegue preservar o próprio lugar.
Se as formas que adquirem as atividades midiáticas em recepção
falam de estilos de vida e das relações interpessoais, dos
ambientes emocionais e das relações comunicativas no seio das
famílias, provavelmente estes depoimentos podem ser interpretados
como projeções de um desejo de autonomia sem confronto, sem
conflitos.
Do
mesmo modo, frente aos trechos do Note e Anote, todas se colocam
sem reservas no lugar de pacientes curiosas, necessitadas de
informação, de telespectadoras aplicadas e atentas, espectadoras
idealizadas pelos programadores da Record. Muitas informantes resgatam
os aspectos emocionais do vínculo que o médico estabelece com
seu público. Ele parece ‘humano’ e a imagem que todas têm da
medicina é a de desumanização. Interessante destacar
como, apesar da dominante referencial ou de conteúdo do programa,
- trata-se de conselhos médicos, de dicas, de sugestões e de
ordens - percebe-se que a forma prevalece sobre os conteúdos. O
apelo emocional é fundamental, por isso a performance do Dr.
Bento as fascina, o drama as cativa. As telespectadoras são
capturadas, em recepção, pelo show do médico, pela dimensão do
contato, fundamental na televisão.
Parecem,
todas elas, fazer parte de uma comunidade interpretativa básica,
onde se dão algumas diferenças internas, produto da educação e
da história familiar. As categorias mais determinantes para
analisar os usos e controle sobre a programação parecem ser o gênero
e a geração. A mais determinante para analisar os repertórios
usados para falar da saúde reprodutiva, parece o gênero, pelo
menos quanto à reprodução acrítica de repertórios patriarcais
sobre o corpo reprodutivo.
5.
Conclusões
A
importância e magnitude sociológica e política que se
desprendem das numerosas pesquisas sócio-econômicas sobre a
televisão, quando olhado o fenômeno para os contextos
‘micro’ da vida cotidiana, parecem diluir-se, esfumar-se,
fundir-se na insignificante rotina diária. Onde reside esse
poder? Parece nômade, cigano, sem domicílio, ou então, nunca
estava quando tocamos a campainha nessas casas que entrevistamos.
A aparente insignificância política das práticas midiáticas
nos fez entrar em crise durante vários momentos, especialmente na
hora de ler os longínquos depoimentos transcritos e as detalhadas
observações de campo, nunca o suficientemente detalhadas o
quanto é recomendado para um bom diário de campo. Perante as
horas e horas de fitas gravadas e transcritas, nos angustiamos
quando líamos infinitas e monótonas descrições da vida diária
das entrevistadas, em busca de alguma pista que fugisse do previsível,
do que ‘é esperável’, em procura do original, ou então do
pitoresco, do único, daquilo que justificasse tamanho esforço.
Se qualquer explicação causal ou determinista sobre a influência
da televisão nos está terminantemente proibida, se desde Morley
e Hall o texto caiu do trono, já não é o dono do significado e
do poder, é porque o poder está em todas partes (Foucault já o
disse faz décadas) e havia que sair em sua busca para lhe dar
corpo, reconstituí-lo desde sua aparente irracionalidade, sua
naturalidade e sua relativa estabilidade, isto é, desde tudo
aquilo que define a vida cotidiana, e ao que tudo indica, o lugar
da televisão é ali, no enigma do dia-a-dia.
Acontece
que é um lugar arredio porque é autoevidente e a televisão é
um objeto fugidio, de difícil apreensão. Entre outras coisas,
porque em poucas ocasiões se assiste a televisão atentamente,
isto é, se assiste sentado frente ao televisor, olhando para a
tela. Alguns pouquíssimos programas têm este tipo de audiência
e sempre depende das circunstâncias: o telejornal do meio-dia, se
se está na mesa, na hora do almoço. A novela das oito, se não
se está cozinhando. O futebol parece ser uns dos poucos momentos
de concentração frente à tela, pela natureza visual da emissão
e o papel dos locutores, completamente diferente dos de rádio, e
isto é valido para os homens, especialmente. Fora isso, o que está
claro é que se assiste muito pouco ‘para assistir’ e menos
ainda, ‘para aprender’ qualquer coisa relativa à saúde; os
magazines, e as tele-consultas são vistas e ouvidas enquanto se
faz qualquer coisa: ler revistas, crochê, trabalhar nos afazeres
domésticos, ajudar as crianças nas tarefas de casa. O televisor
pode ficar ligado durante horas, como pano de fundo, como um fluxo
permanente. São poucos os programas que têm importância para
serem assistidos com maior convicção e aproveitamento. Parece
que o televisor funciona como um rádio, uma emissão permanente
à qual se lhe presta uma atenção seletiva. Em verdade,
trata-se de uma escuta.
O
convite televisivo, o contrato de leitura - cumprido nos termos
propostos pela emissão por quase todas as informantes – parece
funcionar pessoa a pessoa, o que não significa que o público
seja um conjunto atomizado de indivíduos nem que funcione por
características puramente psicológicas. O contrato detecta-se no
indivíduo, mas é possível que possam ser elaboradas tendências
ou conjuntos homogêneos de leituras. E estas leituras não devem
ser tomadas como expressão de determinações psicológicas; não
se trata de um problema de personalidade e sim de identidades e
performances, no sentido de papeis e posições assumidas pela e
através da atividade enunciativa, em contextos determinados.
Seria muito mais útil poder elaborar tendências semio-sociológicas
mas para isso é preciso uma amostra maior e a combinação de
metodologias.
Todos
os pesquisadores de recepção temos diferentes audiências na
cabeça, disse alguma vez Hall. Isso, porque continuamos a pensar
nas audiências como coisas objetiváveis, ou melhor,
coisificadas, como entidades fixas, como populações (vizinhos,
cidadãos, nações) ou grupos (mulheres, homens, negros, crianças,
classes), - assim como no início se pensava em ‘massas’ - e não
como relações entre textos midiáticos e determinados públicos
em tempos e contextos determinados. Isto é, a audiência (ou público)
se cria na relação com um texto e essa relação está marcada
por um contexto. A maior dificuldade está em capturar essa relação,
que pode ser efêmera ou duradoura, pois nem sempre se é audiência
o tempo todo, e como diz Orozco Gomez, (1991) a recepção é um
processo e não um momento, pode continuar após desligarmos a TV.
Nesse
sentido, uma pesquisa qualitativa e etnográfica baseada na análise
do contrato de leitura de meios, captura uma das formas em que a
audiência se forma em relação a um texto; objetiviza, fixa, -
temporária e circunstancialmente - a relação meios-textos-públicos
(que de outra forma seria impossível de estudar) e, antes de
tudo, relativiza a leitura do pesquisador, ao colocar as ‘cláusulas’
do contrato como hipóteses de leitura.
Expressar
uma opinião, responder uma demanda da TV, significa, além de
expressar um conteúdo, oferecer uma imagem de si mesmo, significa
emitir um juízo moral e social, e também, realizar uma
performance, uma cerimônia comunicativa aprendida socialmente,
através das quais as pessoas se relacionam. Entender as respostas
das entrevistadas como performances não significa duvidar do que
dizem, mas, ao contrário, são provas das atitudes que os
sujeitos parecem dispostos a ocupar nos intercâmbios sociais. É
politicamente decepcionante aceitar que nossas entrevistadas se
adaptaram quase por completo ao pacto oferecido pela emissão, um
pacto baseado na cumplicidade com uma medicina que atenta contra
os pudores e sentimentos mais íntimos, que as reduz a meras
pacientes, objetos de olhares que não vêem nada além de si próprios.
A
sensação se relativiza quando se analisam os depoimentos em seu
contexto e aparecem os silêncios, as reticências e os espaços
em branco, as referências àquelas percepções que se aprimoram
com afeto e fundamentalmente, a riqueza das vivências comunitárias
que as vinculam solidariamente com o bairro. A idéia de
‘voluntariado’, de ‘sofrimento’, da vida como
‘passagem’, realmente gera uma moral que impregna todas as práticas.
Moral contraditória que inclui racismo e engajamento em lutas
sociais amplas.
Praticamente
não se detectaram repertórios interpretativos para fazer referências
às condições de produção da emissão. Se se aprende pelo que
se ouve e vê, também se aprende pelo que a mídia silencia;
nesse sentido não houve questionamentos ao tipo de relações que
se estabelecem entre os atores dos cuidados, nem às condições
sociais, culturais e econômicas onde a saúde se dá.
O
conceito de ‘contrato de leitura’, seu cumprimento ou não
cumprimento, demonstra ser útil porque permite pensar o ideológico
muito menos como mero conteúdo e mais como uma estrutura
discursiva complexa nas quais se incluem e excluem posições de
sujeitos, conteúdos, modalidades enunciativas, contextos micro e
macro, frente ao qual o receptor poderá posicionar-se de várias
maneiras, aceitar ou não um lugar proposto pela emissão. O
conceito permite explorar efeitos de sentido mais amplos e
difusos, elaborar hipóteses explicativas mais refinadas sobre a
recepção. Por outro lado, o contrato é uma instrução de
leitura, a emissão é considerada uma polissemia fortemente
estruturada, mas para comprovar seu cumprimento se colocam em jogo
dimensões de percepção (de si e do ambiente) e de
sensibilidade.
Originalmente
pensado para analisar meios gráficos, o conceito parece ser de
interessante para compreender as dimensões subjetivas e sensíveis
que envolvem certos públicos com certos programas de televisão,
dimensões que são, sem dúvida alguma, tão ideológicas quanto
os aspectos referenciais. Ainda, nos permite colocar a leitura (ou
sua recusa) como uma relação de poder, como um exercício de
poder (que não é outra coisa o que os meios fazem).
Nossas
leituras das respostas dos telespectadores devem ser tomadas como
pistas, algo assim como pegadas que indiquem caminhos a seguir,
hipóteses sobre a relação entre os textos televisivos e seu
campo de efeitos de sentido possíveis no plano da recepção, hipóteses
construídas sobre um processo extremamente complexo, em que
entram em jogo não só os textos analisados, mas uma polifonia de
textos (midiáticos e não midiaticos), e sujeitos, pessoas de
carne e osso, em contextos diferentes, que responderam, às vezes
animadamente, e outras, por pura amabilidade, obrigação ou
curiosidade, sobre uma temática sobre a qual jamais pensaram que
merecia alguma reflexão específica e menos ainda, acadêmica, o
consumo de tevê.
Observamos
que quase todas as leituras relacionadas com aspectos
proposicionais que fazem referências a práticas populares de saúde,
enraizadas na cultura familiar, e desprezadas pela biomedicina
televisada, criam lugares de conflito. Algumas definições são
refutadas, contestadas, incomodam. Mas esse conflito não é
visualizado como um problema de “poder” mas de “saber”, o
qual se contorna facilmente: “ele, ali e eu aqui”. “Deixa
que fale”, ou então desligo o televisor, ou melhor, faço
zapping (quando não tem ninguém em casa que me impeça). Demos
umas voltas e chegamos ao ponto de partida, à insuportável
leveza do poder da televisão. Em algum sentido e parafraseando
Freud, a recepção (e sua análise) é impossível.
Isto
dá conta de um tema fundamental marcado pelos Estudos Culturais
em recepção, que é o do descentramento do texto, o de irmos do
meio à cultura, mas sem apagar o texto, sem desligar a tevê.
Nossa tentativa levou em conta esse nó, que acreditamos ser ainda
um problema carente de profundos e reiterados esforços acadêmicos.
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Datos
de la Autora: L.Graciela
Natansohn nasceu na Argentina e reside em Salvador desde 1996. É
jornalista e licenciada em Comunicação pela UNLP (Argentina), e
mestre e doutora em Comunicação pela Universidade Federal da
Bahia (Brasil). Realiza pesquisa sobre recepção de televisão,
saúde e gênero e leciona no curso de Comunicação da Faculdade
de Tecnologia e Ciências-FTC. Realiza pesquisa sobre
telejornalismo no Grupo de Pesquisa sobre o Papel Político da Mídia-GPPM,
na Facom/UFBA e na linha de pesquisa Jornalismo na Bahia, na FTC.
graci71@terra.com.br
[1]
Texto apresentado no GT 5 Estudos de Recepção, no
VII Congreso Latinoamericano de Investigadores de la
Comunicación, ALAIC, La Plata (Argentina) , Outubro de 2004.
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